{"id":18855,"date":"2015-04-27T13:27:45","date_gmt":"2015-04-27T13:27:45","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=133115"},"modified":"2015-04-27T13:27:45","modified_gmt":"2015-04-27T13:27:45","slug":"o-mundo-no-auge-da-plutocracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/o-mundo-no-auge-da-plutocracia\/","title":{"rendered":"O mundo no auge da plutocracia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_133117\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plutocracia-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-133117\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plutocracia-629x472.jpg\" alt=\"O territ\u00f3rio de Boegbor, um povoado no condado de Grand Bassa, na Lib\u00e9ria, foi entregue \u00e0 empresa Equatorial Palm Oil por meio de uma concess\u00e3o de 50 anos. Foto: Wade C. L. Williams\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O territ\u00f3rio de Boegbor, um povoado no condado de Grand Bassa, na Lib\u00e9ria, foi entregue \u00e0 empresa Equatorial Palm Oil por meio de uma concess\u00e3o de 50 anos. Foto: Wade C. L. Williams\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 27\/4\/2015 \u2013 A plutocracia \u00e9 uma sociedade ou um sistema governado ou dominado por uma pequena minoria que concentra a maior parte da riqueza. Os ricos sempre foram poderosos e sempre houve elementos da plutocracia em todas as sociedades.<\/p>\n<p>Pais desesperados que n\u00e3o podem pagar escola privada; fam\u00edlias que ficam sem assist\u00eancia m\u00e9dica porque as mineradoras que contaminam seus rios sonegam os impostos que pagaria seu tratamento; mulheres que dormem apenas quatro horas por dia para conciliar o cuidado com a fam\u00edlia e a casa com um trabalho que gere renda; comunidades inteiras expulsas de suas terras para dar lugar \u00e0s companhias estrangeiras; trabalhadores com sal\u00e1rios t\u00e3o magros que sofrem m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns dos informes publicados por colegas nos \u00faltimos meses. As pessoas se sentem frustradas pelo aumento do poder dos plutocratas.<\/p>\n<p>Mas o grau de controle que exercem atualmente, o n\u00famero de super-ricos que essencialmente compram o poder pol\u00edtico, a perseveran\u00e7a quase imposs\u00edvel necess\u00e1ria para superar as rela\u00e7\u00f5es p\u00fablica e os recursos legais e t\u00e9cnicos controlados por corpora\u00e7\u00f5es e pessoas ricas, maior densidade de concentra\u00e7\u00e3o da riqueza nos pa\u00edses maiores e a natureza global dos recursos, poder e conex\u00f5es acumuladas que combinam para excluir op\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas significativas e espa\u00e7os para uma vida al\u00e9m dos valores materialistas da plutocracia.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica que se tira de tudo isto, a cobi\u00e7a pelo dinheiro, o poder e o controle, \u00e9 a ant\u00edtese da preserva\u00e7\u00e3o de um ambiente no qual prospere a vida. Ao longo da hist\u00f3ria a humanidade suportou v\u00e1rios sistemas sociais e pol\u00edticos desequilibrados. As origens da economia de mercado remontam h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos, mas s\u00f3 neste se tornou t\u00e3o monol\u00edtica e com quase todo mundo s\u00f3 feiti\u00e7o.<\/p>\n<p>Vivemos a era do hipercapitalismo: fomos al\u00e9m da industrializa\u00e7\u00e3o e do valor agregado at\u00e9 o ponto em que as regras s\u00e3o escritas por financistas; se poderia dizer que o setor financeiro passou a concentrar o maior poder pol\u00edtico da hist\u00f3ria, uma vez que algu\u00e9m realmente produza algo.<\/p>\n<p>Um breve per\u00edodo de relativa igualdade nos pa\u00edses mais ricos ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) deu lugar no final dos anos 1970 a uma poderosa ideologia de competi\u00e7\u00e3o, de crescimento sem fim e de ganhos ilimitados. Essa forma de pensar foi tra\u00e7ada de forma deliberada por institutos muito bem financiados por aspirantes a plutocratas.<\/p>\n<p>A falta de limites, o privil\u00e9gio outorgado \u00e0 competi\u00e7\u00e3o e aos ganhos, acima da coopera\u00e7\u00e3o e dos bens p\u00fablicos, bem como a capitula\u00e7\u00e3o dos governos frente ao poder do dinheiro, fizeram da plutocracia moderna uma realidade dominante que precisa ser revertida.<\/p>\n<p>Os analistas costumam falar de como as pessoas podem \u201ccontribuir para a economia\u201d. Esta j\u00e1 n\u00e3o facilita o funcionamento da sociedade, os seres humanos vivem para servi-la. A \u201cliberdade\u201d foi reconfigurada para se referir \u00e0 escolha do consumidor, em lugar da capacidade de determinar como ordenar a vida das pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, debatia-se bastante sobre o conceito de \u201cauge petroleiro\u201d, a possibilidade de que estar\u00edamos alcan\u00e7ado o in\u00edcio do fim dos fornecimentos utiliz\u00e1veis de petr\u00f3leo. Mas podemos estar chegando a um ponto mais perigoso: o auge da plutocracia, em que a sociedade e o meio ambiente j\u00e1 n\u00e3o podem mais sustentar a concentra\u00e7\u00e3o de poder e recursos.<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante ouvir sistematicamente colegas de todo o mundo mencionarem o grau com que as pessoas com poder limitam o poder das pessoas.<\/p>\n<p>As provas do auge da plutocracia s\u00e3o:<\/p>\n<p>* O at\u00e9 agora bastante exitoso esfor\u00e7o dos interesses empresariais para impedir medidas significativas em mat\u00e9ria de mudan\u00e7a clim\u00e1tica;<\/p>\n<p>* A press\u00e3o de uma agricultura de propriedade restrita, grandes fornecimentos e alta tecnologia que exclui os pequenos agricultores, entre os quais uma grande propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de mulheres, que alimentam a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do planeta;<\/p>\n<p>* A coniv\u00eancia de governos e empresas para conseguir o controle da terra e dos recursos naturais das comunidades para gerar lucros para estrangeiros privilegiados;<\/p>\n<p>* A \u201ccorrida para o abismo\u201d dos governos para sacrificar renda mediante a exonera\u00e7\u00f5es de impostos a fim de atrair investidores estrangeiros, mesmo quando os benef\u00edcios n\u00e3o est\u00e3o claros ou s\u00e3o insignificantes;<\/p>\n<p>* O fracasso dos governos na cria\u00e7\u00e3o de leis que protejam os trabalhadores de abusos que v\u00e3o desde seu tr\u00e1fico, passando por sal\u00e1rios miser\u00e1veis, at\u00e9 condi\u00e7\u00f5es de trabalho que representam um risco inaceit\u00e1vel, nas quais as mulheres sofrem maior precariedade, magros sal\u00e1rios e tarefas desumanas;<\/p>\n<p>* O fracasso no reconhecimento do abuso sistem\u00e1tico dos direitos das mulheres em muitas \u00e1reas, mas em particular os profundos subs\u00eddios n\u00e3o compensados que oferecem \u00e0s economias com seu trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado ou mal pago, mas que permite o funcionamento das fam\u00edlias e das sociedades;<\/p>\n<p>* A press\u00e3o sobre os pa\u00edses, e ultimamente a coniv\u00eancia entre governos e companhias, para mudar as leis de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor e comerciais para que as empresas estrangeiras possam dominar os mercados:<\/p>\n<p>* O uso da coer\u00e7\u00e3o, inclu\u00edda a viol\u00eancia, por parte das elites poderosas de empresas privadas, movimentos fundamentalistas e regimes repressivos para controlar o corpo das mulheres bem como suas escolhas reprodutivas e sexuais, seu trabalho, sua mobilidade e sua voz pol\u00edtica;<\/p>\n<p>* A press\u00e3o para privatizar escolas \u00e0 custa de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica decente, apesar da total falta de evid\u00eancia de que os resultados ir\u00e3o beneficiar algu\u00e9m mais que n\u00e3o sejam seus propriet\u00e1rios;<\/p>\n<p>* O desperd\u00edcio injustificado com o setor p\u00fablico, e o recurso da maioria dos pa\u00edses e das institui\u00e7\u00f5es intergovernamentais doadoras \u00e0 no\u00e7\u00e3o de \u201cdesenvolvimento encabe\u00e7ado pelo setor privado\u201d, mesmo diante da falta de modelos positivos;<\/p>\n<p>* A fetichiza\u00e7\u00e3o do investimento direto estrangeiro em pa\u00edses de baixa renda apesar da evid\u00eancia contundente de que nenhum pa\u00eds conseguiu um desenvolvimento sustent\u00e1vel com capitais estrangeiros;<\/p>\n<p>* A crescente coincid\u00eancia de interesses entre governos, corpora\u00e7\u00f5es e elites para limitar a liberdade de a\u00e7\u00e3o de movimentos sociais e grupos de interesses p\u00fablicos, estreitando o espa\u00e7o pol\u00edtico em todas as partes do mundo;<\/p>\n<p>* A crescente domina\u00e7\u00e3o exercita pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es e pessoas mais ricas nos debates e nos processos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU);<\/p>\n<p>* A descarada defesa ideol\u00f3gica da desigualdade e da concentra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de poder e recursos de pessoas ricas e dos institutos que financiam;<\/p>\n<p>* O crescente n\u00famero de desastres e emerg\u00eancias se tornam oportunidades para gerar lucro, enquanto as \u00e1reas afetadas se refazem segundo as regras dos plutocratas;<\/p>\n<p>* A negativa dos governos em combater a crise do desemprego juvenil com programas de emprego p\u00fablico para atender a j\u00e1 reconhecida crise que paira sobre a infraestrutura desenfreada;<\/p>\n<p>* A fal\u00e1cia da escassez revelada pela capacidade dos governos para encontrar importantes somas dos recursos p\u00fablicos para financiar guerras, resgates financeiros, mas raramente para programas que empreguem pessoas, combatam a fome e as doen\u00e7as e impulsionem a energia renov\u00e1vel;<\/p>\n<p>A hiperconcentra\u00e7\u00e3o da riqueza nas m\u00e3os de uns poucos corrompeu sistemas democr\u00e1ticos, tanto nos pa\u00edses ricos como nos pobres. Necessitamos democratizar o poder. Mas, n\u00e3o significa monitorar melhor as elei\u00e7\u00f5es, mas que o poder seja mais horizontal, mais acess\u00edvel a mais pessoas, \u00e0quelas que est\u00e3o envolvidas nas decis\u00f5es que s\u00e3o tomadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma receita \u00fanica para que isso aconte\u00e7a. \u00c9 preciso passar uma e outra vez, todos os dias, em todas as partes, com crescentes conex\u00f5es para que aqueles com dinheiro e influ\u00eancia n\u00e3o nos deixem fora. Devemos ocupar espa\u00e7os e n\u00e3o deix\u00e1-los, e depois ocupar outros. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><strong>*\u00a0<i>Soren Ambrose \u00e9 chefe de Pol\u00edtica da organiza\u00e7\u00e3o ActionAid International.<\/i><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 27\/4\/2015 &ndash; A plutocracia &eacute; uma sociedade ou um sistema governado ou dominado por uma pequena minoria que concentra a maior parte da riqueza. 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