{"id":18857,"date":"2015-04-27T13:22:14","date_gmt":"2015-04-27T13:22:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=133111"},"modified":"2015-04-27T13:22:14","modified_gmt":"2015-04-27T13:22:14","slug":"estados-latino-americanos-devem-atender-a-crise-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/04\/ultimas-noticias\/estados-latino-americanos-devem-atender-a-crise-do-cuidado\/","title":{"rendered":"Estados latino-americanos devem atender a crise do cuidado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_133113\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-argentina-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-133113\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/chica-argentina-629x472.jpg\" alt=\"Uma idosa se apoia em uma cuidadora, em uma rua do bairro Norte, de Buenos Aires, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"540\" height=\"405\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma idosa se apoia em uma cuidadora, em uma rua do bairro Norte, de Buenos Aires, na Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 27\/4\/2015 \u2013 O cuidado com crian\u00e7as, idosos e deficientes na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 tradicionalmente a cargo das mulheres, que o somam \u00e0 suas muitas outras tarefas dom\u00e9sticas e profissionais. Agora, na regi\u00e3o come\u00e7a o debate sobre quais pol\u00edticas p\u00fablicas o Estado deve adotar para ajud\u00e1-las, mas tamb\u00e9m para ajudar o pa\u00eds a crescer.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 sintetizado pela vida da terapeuta corporal argentina Alicia, que pediu para n\u00e3o citar seu sobrenome. Depois de criar tr\u00eas filhos e decidir se concentrar no sonho adiado de ser escritora, agora tem a seu cargo sua m\u00e3e de quase 99 anos. A idosa est\u00e1 bem de sa\u00fade para sua idade, quase sem dificuldades cognitivas ou motrizes. Entretanto, o tempo n\u00e3o perdoa e Alicia come\u00e7a a se perguntar o que far\u00e1 \u2013 sem recursos econ\u00f4micos dispon\u00edveis \u2013 para pagar um enfermeiro ou acompanhante a domic\u00edlio por tempo integral.<\/p>\n<p>\u201cNoto que algumas coisas v\u00e3o mudando no estado da minha m\u00e3e. Ainda se movimenta quase sozinha, toma banho, se locomove, mas cada vez \u00e9 mais dif\u00edcil. E os esquecimentos que tem s\u00e3o cada vez mais freq\u00fcentes\u201d, contou Alicia, que at\u00e9 agora conciliou seu trabalho e viagens profissionais gra\u00e7as \u00e0 ajuda de uma prima e uma pessoa que paga como apoio.<\/p>\n<p>\u201cSe sua vida se prolongar terei que me arrumar de outra forma. N\u00e3o poderei deix\u00e1-la sozinha por algumas horas como agora. \u00c9 uma interroga\u00e7\u00e3o como vou me arrumar. O tempo passa e logo terei que ter definida uma estrat\u00e9gia, se quero seguir com minha vida\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Argentina, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica e Censos, as mulheres dedicam \u00e0s atividades de cuidado o dobro do tempo que os homens: 6,4 horas por dia, contra 3,4 horas\/dia. Para as que trabalham fora esse tempo cai para 5,8 horas. Diante do novo contexto demogr\u00e1fico regional, a situa\u00e7\u00e3o poderia piorar, segundo Gimena de Le\u00f3n, analista da \u00e1rea de Desenvolvimento Inclusivo do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).<\/p>\n<p>\u201cNa Am\u00e9rica Latina estamos diante do que se passou a chamar de crise do cuidado. Com a melhoria da expectativa de vida existe um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o que implica mais quantidade de pessoas que requerem cuidados\u201d, disse Gimena \u00e0 IPS. \u201cAo mesmo tempo, houve uma queda da popula\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de cuidar, basicamente pela entrada maci\u00e7a da mulher no mercado de trabalho. \u00c9 a\u00ed que acontece o gargalo entre a necessidade de cuidado que apresenta a estrutura populacional atual e esta diminui\u00e7\u00e3o da capacidade familiar de cuidar\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) diz que na regi\u00e3o a m\u00e9dia de mulheres no mercado de trabalho alcan\u00e7a 53%. A propor\u00e7\u00e3o sobe para 70% entre as que t\u00eam de 20 a 40 anos. Paralelamente, estima-se que em 2050 os idosos constituir\u00e3o quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o latino-americana, em um processo de envelhecimento que apresenta um fen\u00f4meno demogr\u00e1fico novo para a regi\u00e3o, atualmente com 600 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as que segundo Ren\u00e9 Mauricio Vald\u00e9s, representante residente do Pnud na Argentina, deixam uma \u201cesp\u00e9cie de espa\u00e7o vazio\u201d, mais vis\u00edvel na agenda pol\u00edtica, porque at\u00e9 agora se supunha que as fam\u00edlias, e particularmente as mulheres, estivessem encarregadas do cuidado.<\/p>\n<p>O Pnud e outras organiza\u00e7\u00f5es como a OIT e o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) promovem um debate regional sobre a necessidade de os Estados definirem pol\u00edticas p\u00fablica do cuidado, entre outras raz\u00f5es para conseguir maior igualdade de g\u00eanero. Segundo o Pnud, entende-se por \u201ccuidado o \u201cconjunto de atividades e rela\u00e7\u00f5es voltadas a alcan\u00e7ar os requerimentos f\u00edsicos e emocionais da popula\u00e7\u00e3o alvo de cuidado\u201d, isto \u00e9, crian\u00e7as, idosos com depend\u00eancia e deficientes.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, os maiores progressos se deram na Costa Rica, sobretudo na \u00e1rea da inf\u00e2ncia, e no Uruguai, onde come\u00e7ou a ser constru\u00eddo um \u201csistema nacional de cuidados\u201d para crian\u00e7as entre 0 e 3 anos, pessoas com necessidades especiais e idosos, e a melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos profissionais dessa \u00e1rea. Outros pa\u00edses, como Chile e Equador, tamb\u00e9m est\u00e3o avan\u00e7ando, mas com medidas ainda isoladas.<\/p>\n<p>Na Argentina, o Programa de Cuidadores Domiciliares da Na\u00e7\u00e3o forma este pessoal e presta esse servi\u00e7o em domic\u00edlio, atrav\u00e9s de obras p\u00fablicas, \u00e0 fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Mas a lista de espera \u00e9 longa.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas atuais n\u00e3o bastam para aliviar o peso que o cuidado tem para as fam\u00edlias, e dentro delas para as mulheres que s\u00e3o as que fazem esse trabalho de cuidado, em tempo muito maior do que os homens\u201d, explicou Gimena de Le\u00f3n. \u201cH\u00e1 uma clara injusti\u00e7a em termos de distribui\u00e7\u00e3o e dos recursos das mulheres, onde o Estado tem muito para fazer\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es surgir\u00e3o das particularidades de cada pa\u00eds. Entre outras medidas gerais s\u00e3o citadas licen\u00e7as maternidade e paternidade mais longas, mais servi\u00e7os de cuidadores de idosos e de creches para menores, a possibilidade de trabalhar em casa e flexibiliza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios profissionais. Gimena citou outras, com a implanta\u00e7\u00e3o de \u201cbancos de horas\u201d trabalhistas, que possam ser usadas quando uma mulher ou um homem precisa sair antes do hor\u00e1rio para cuidar de uma crian\u00e7a ou de um idoso enfermo.<\/p>\n<p>Mas, trata-se de uma tema incipiente no debate e invisibilizado para os tomadores de decis\u00f5es, segundo Fabi\u00e1n Repetto, do Centro Argentino de Implanta\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablica para a Igualdade e o Crescimento. \u201cDe alguma maneira as diferentes coisas que s\u00e3o feitas \u2013 que algu\u00e9m poderia incorporar sob a l\u00f3gica de pol\u00edtica de cuidado \u2013 nunca tiveram essa prote\u00e7\u00e3o conceitual que d\u00ea uma ordem estrat\u00e9gica \u00e0 pol\u00edtica\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para o Pnud, o \u201cfundamento econ\u00f4mico\u201d dos promotores desta discuss\u00e3o \u00e9 \u201ca necessidade de incorporar a for\u00e7a de trabalho feminina para melhorar a produtividade dos pa\u00edses e a possibilidade de as fam\u00edlias sa\u00edrem da pobreza\u201d. Tamb\u00e9m busca melhorar o \u201ccapital humano\u201d de meninos e meninas \u201ccujos n\u00edveis educacionais ser\u00e3o fortalecidos com pol\u00edticas integrais de cuidado em contextos estimulantes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que significa isso? Que essas crian\u00e7as, \u00e0s quais hoje damos desenvolvimento infantil precoce e fortalecemos com uma pol\u00edtica de cuidado, ser\u00e3o muito produtivas. E ser muito mais produtivo como sociedade faz com que o pa\u00eds cres\u00e7a, e que seja capaz de ter melhores pol\u00edticas tamb\u00e9m para os idosos\u201d, observou Repetto.<\/p>\n<p>Alicia prefere que o fundamento seja \u201chumano\u201d. Para ela, \u201ca ideia \u00e9 o respeito \u00e0 vida de uma pessoa idosa, que \u00e0s vezes por diferentes motivos temos dificuldades para manter. Respeito pela dignidade do outro, que o outro viva o melhor que possa at\u00e9 seu \u00faltimo momento. Que seja um cuidado, e cuidado n\u00e3o significa apenas trocar suas fraldas, mas que seja um cuidado como ser humano\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Buenos Aires, Argentina, 27\/4\/2015 &ndash; O cuidado com crian&ccedil;as, idosos e deficientes na Am&eacute;rica Latina est&aacute; tradicionalmente a cargo das mulheres, que o somam &agrave; suas muitas outras tarefas dom&eacute;sticas e profissionais. 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