{"id":18883,"date":"2015-05-04T13:14:41","date_gmt":"2015-05-04T13:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=133365"},"modified":"2015-05-04T13:14:41","modified_gmt":"2015-05-04T13:14:41","slug":"mortalidade-materna-latino-americana-continua-em-nivel-inaceitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/05\/ultimas-noticias\/mortalidade-materna-latino-americana-continua-em-nivel-inaceitavel\/","title":{"rendered":"Mortalidade materna latino-americana continua em n\u00edvel inaceit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_133367\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mortalidade.jpg\"><img class=\"wp-image-133367\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mortalidade.jpg\" alt=\"Uma av\u00f3 e sua filha, uma jovem m\u00e3e, com outros membros de sua fam\u00edlia, na aldeia ind\u00edgena de Mby\u2019a Guaran\u00ed Iboty Ocara, na prov\u00edncia de Misiones, no nordeste argentino. A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 uma das mais vulner\u00e1veis \u00e0 mortalidade materna na Am\u00e9rica Latina. Foto: Fabiana Frayssinet\" width=\"540\" height=\"304\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma av\u00f3 e sua filha, uma jovem m\u00e3e, com outros membros de sua fam\u00edlia, na aldeia ind\u00edgena de Mby\u2019a Guaran\u00ed Iboty Ocara, na prov\u00edncia de Misiones, no nordeste argentino. A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 uma das mais vulner\u00e1veis \u00e0 mortalidade materna na Am\u00e9rica Latina. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 4\/5\/2015 \u2013 Apesar de seus avan\u00e7os, a Am\u00e9rica Latina sofre uma inaceit\u00e1vel mortalidade materna, em muitos casos evit\u00e1vel, devido, em parte, \u00e0 aus\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o da receita prescrita pelos especialistas: preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O argentino Juan Reichenbach, uma refer\u00eancia regional em sa\u00fade materno-infantil, viveu \u201cno barro\u201d (junto com as m\u00e3es e seus beb\u00eas), como pediatra e como diretor nacional de Maternidade e Inf\u00e2ncia (2008-2009). \u201cSe tivesse que dar uma receita m\u00ednima compreens\u00edvel, eu diria: diga-me onde nasceu e te direi se viver\u00e1. Isto \u00e9 incorporar a sa\u00fade da crian\u00e7a e da m\u00e3e como um direito fundamental\u201d, afirmou em entrevista \u00e0 IPS.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cOs protagonistas da mudan\u00e7a s\u00e3o a preven\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou Reichenbach, que atualmente \u00e9 docente da Universidade Nacional de La Plata e chefe e instrutor de m\u00e9dicos residentes de um hospital infantil.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O informe <em>Tend\u00eancias nas estimativas de mortalidade materna 1990-2013<\/em>, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), revelou no ano passado que nesse per\u00edodo a mortalidade materna caiu 40% na regi\u00e3o. Apesar dessa redu\u00e7\u00e3o, em 2013 morreram 9.300 mulheres por complica\u00e7\u00f5es na gravidez e no parto, afirma o documento. Em m\u00e9dia, a cada dia 16 mulheres morreram por complica\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 maternidade na Am\u00e9rica Latina, segundo dados deste m\u00eas da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (OPS).<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cQuando se v\u00ea as causas fundamentais de morte materna n\u00e3o \u00e9 preciso ser muito inteligente para entender que est\u00e3o relacionadas com falta de acesso (ao sistema sanit\u00e1rio) e com o aborto, que \u00e9 a principal causa de morte materna na Argentina e na Am\u00e9rica Latina\u201d, destacou Reinchenbach.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Segundo Bremen De Mucio, do Centro Latino-americano de Perinatologia, Sa\u00fade da Mulher e Reprodutiva, da OPS, houve um progresso \u201crelevante e valioso\u201d, mas a taxa de mortalidade materna ainda se mant\u00e9m em um n\u00edvel \u201cinaceit\u00e1vel\u201d.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O ponto cinco dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), que \u00e9 o de melhorar a sa\u00fade materna, estabelece que a regi\u00e3o deveria reduzir a mortalidade materna em 75% at\u00e9 o final deste ano, com rela\u00e7\u00e3o a 1990, bem como proporcionar acesso universal \u00e0 sa\u00fade reprodutiva.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cContinuar incentivando o desenvolvimento humano \u00e9 a chave principal. E isto vai al\u00e9m do setor de sa\u00fade exclusivamente. O trabalho efetivo sobre os determinantes sociais da sa\u00fade t\u00eam mais alto impacto do que as interven\u00e7\u00f5es em sa\u00fade isoladas\u201d, disse De Mucio \u00e0 IPS. \u201cMelhoraremos os ODM somente se educarmos na dignidade e no direito de viver, que n\u00e3o s\u00e3o quantific\u00e1veis\u201d, acrescentou.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, as principais causas de mortes maternas poderiam cair para \u201cquase zero\u201d, segundo De Mucio, mas continuam sendo os transtornos hipertensivos da gravidez, as hemorragias e infec\u00e7\u00f5es.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Segundo a OPS, as complica\u00e7\u00f5es maternas s\u00e3o a principal causa de morte entre mulheres de 20 a 34 anos, e metade das mortes maternas se devem a abortos inseguros, em uma regi\u00e3o onde a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez \u00e9 ilegal na maioria dos pa\u00edses.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cNa Argentina nascem, mais ou menos, 700 mil crian\u00e7as por ano, e calcula-se que sejam feitos 500 mil abortos. Este \u00faltimo n\u00famero, n\u00e3o esclarecido no sistema sanit\u00e1rio, \u00e9 a ponta do iceberg da mortalidade materna\u201d, afirmou Reichenbach. O pediatra considera que 35% das mortes maternas em seu pa\u00eds s\u00e3o evit\u00e1veis, por exemplo, com um controle adequado da gravidez.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A lei argentina estabelece pelo menos cinco exames, em gravidez de baixo risco, mas, na pr\u00e1tica, \u201cn\u00e3o superam os 2,5, e o primeiro \u00e9 feito tardiamente. H\u00e1 m\u00e3es que chegam a um hospital p\u00fablico aos sete meses de gesta\u00e7\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica\u201d, acrescentou o m\u00e9dico.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u201cAs solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam pela compra de tom\u00f3grafo computadorizado, mas em dar condi\u00e7\u00f5es de vida adequadas, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, um lugar digno para morar e acesso \u00e0 sa\u00fade. As grandes maternidades, em geral, s\u00f3 reparam o que n\u00e3o foi feito corretamente\u201d, ressaltou Reichenbach.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A seu ver, a chave est\u00e1 em agir nos est\u00e1gios b\u00e1sicos da presta\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, inclu\u00eddos o de um ambiente adequado e s\u00e3o e o acesso a um sistema sanit\u00e1rio \u201cque valorize os problemas cotidianos\u201d dos pacientes, chegue a zonas inacess\u00edveis, incluindo zonas de risco, casa por casa. Para o pediatra, tamb\u00e9m deve somar uma r\u00e1pida detec\u00e7\u00e3o de casos graves, enviados a maternidades com equipamentos obst\u00e9tricos e neonatais essenciais, com sala de cirurgia, banco de sangue, reanima\u00e7\u00e3o cardiopulmonar e ambul\u00e2ncias equipadas.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Reichenbach destacou a necessidade de uma equipe interdisciplinar onde o m\u00e9dico \u201cseja mais um trabalhador\u201d, entre obstetras, enfermeiras, trabalhadores sociais, agentes sanit\u00e1rios, \u201cque seguramente far\u00e3o um trabalho muito mais vinculado com o territ\u00f3rio e a sa\u00fade\u201d.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Reichenbach considera essencial uma distribui\u00e7\u00e3o \u201cequitativa\u201d dos m\u00e9dicos nas popula\u00e7\u00f5es marginalizadas, como os ind\u00edgenas, \u201cprimeiros no ranking dos despossu\u00eddos\u201d \u2013 e os imigrantes intra-regionais. O pediatra disse que na Argentina h\u00e1 um m\u00e9dico para cada 80 habitantes em Buenos Aires, enquanto existe apenas um para cada tr\u00eas mil habitantes em El Impenetrable, uma grande regi\u00e3o florestal na prov\u00edncia do Chaco. \u201cSe a sa\u00fade for conceituada como um direito, deve-se dizer que todas as crian\u00e7as, m\u00e3es, os adolescentes e idosos \u2013 os mais pauperizados \u2013 t\u00eam que estar s\u00e3os, e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil que estejam s\u00e3os\u201d, acrescentou.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Por isso, deve-se incluir nas pol\u00edticas de sa\u00fade solu\u00e7\u00f5es para aspectos como a inacessibilidade geogr\u00e1fica, de infraestrutrura e cultural, que tamb\u00e9m impedem que chegue a educa\u00e7\u00e3o sexual e reprodutiva. \u201cEstamos falando da gravidez, mas \u00e9 preciso ver tamb\u00e9m se essa gravidez ocorre como um fen\u00f4meno desejado na fam\u00edlia ou \u00e9 um acidente, por falta de informa\u00e7\u00e3o ou pr\u00e1ticas culturais, que fazem uma m\u00e3e de 30 anos ter sete ou oito filhos\u201d, afirmou o pediatra.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ariel Karolinski, consultor da OPS na Argentina, disse \u00e0 IPS que h\u00e1 20 anos \u201ca raz\u00e3o da mortalidade materna\u201d se mant\u00e9m em cerca de 40 por 100 mil nascidos vivos\u2019, embora existam grandes disparidades regionais. Mas, observou, entre 2010 e 2012, pela primeira vez a Argentina conseguiu uma tend\u00eancia decrescente, com \u201credu\u00e7\u00e3o relativa de 22%\u201d na taxa de mortalidade materna.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Karolinski atribuiu essa redu\u00e7\u00e3o a programas como os denominados <em>Somar e Nascer<\/em>, que priorizam as prov\u00edncias com piores indicadores e medidas como a extens\u00e3o de transfer\u00eancia de renda \u00e0s gr\u00e1vidas, condicionada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de exames pr\u00e9-natais e \u00e0s vacinas.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Em n\u00edvel latino-americano, pol\u00edticas semelhantes fizeram com que pa\u00edses como Bol\u00edvia, Peru e Uruguai reduzissem sua mortalidade materna em mais de 50%.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>De Mucio destacou que no caso de Bol\u00edvia e Peru repercutiram \u201cfavoravelmente os enfoques interculturais aplicados durante a gravidez, o parto e o p\u00f3s-parto\u201d, aos quais no Peru se somou a multiplica\u00e7\u00e3o de casas maternais para mulheres afastadas dos centros de sa\u00fade.\u00a0<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>No Uruguai, no entanto, \u201cas leis sobre o aborto (que desde 2012 \u00e9 facultativo at\u00e9 a 12\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o) contribu\u00edram para fazer praticamente desaparecer a mortalidade por essa causa\u201d, destacou De Mucio. Por\u00e9m, concluiu, \u201cn\u00e3o se pode ignorar que bonan\u00e7a econ\u00f4mica\u201d contribuiu para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida, \u201cdiretamente relacionada com a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna\u201d, acrescentou o funcion\u00e1rio da OPS.<\/p>\n<ul>\n<li><em>\u00a0<\/em>Entre 1990 e 20134, os pa\u00edses latino-americanos reduziram a mortalidade materna em 40%, em m\u00e9dia, bem distante da meta de 75%. Mas, 11 deles conseguiram baix\u00e1-la al\u00e9m da m\u00e9dia: Uruguai (-67%), Peru (-64%), Bol\u00edvia (-61%), Chile e Honduras (-60%), Rep\u00fablica Dominicana (-57%), Guatemala (-49%), Equador (-44%), Guatemala (-49) e Haiti (-43%).<em>\u00a0<\/em><\/li>\n<li>Os pa\u00edses com raz\u00e3o de mortalidade materna mais baixa da regi\u00e3o s\u00e3o Uruguai (14 em cada 100 mil nascidos vivos) e Chile (22\/100 mil).<em>\u00a0<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O n\u00famero de mortes maternas acima dos 100 mil nascidos vivos continua alto no Haiti, com 380.<em>\u00a0<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Fonte: Tend\u00eancias nas estimativas de mortalidade materna 1990-2013.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Envolverde\/IPS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 4\/5\/2015 &ndash; Apesar de seus avan&ccedil;os, a Am&eacute;rica Latina sofre uma inaceit&aacute;vel mortalidade materna, em muitos casos evit&aacute;vel, devido, em parte, &agrave; aus&ecirc;ncia da aplica&ccedil;&atilde;o da receita prescrita pelos especialistas: preven&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.&nbsp; O argentino Juan Reichenbach, uma refer&ecirc;ncia regional em sa&uacute;de materno-infantil, viveu &ldquo;no barro&rdquo; (junto com as [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/05\/ultimas-noticias\/mortalidade-materna-latino-americana-continua-em-nivel-inaceitavel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178,2346],"class_list":["post-18883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-mortalidade-materna"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18883"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18884,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18883\/revisions\/18884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}