{"id":19056,"date":"2015-05-12T12:40:59","date_gmt":"2015-05-12T12:40:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=193768"},"modified":"2015-06-02T16:54:31","modified_gmt":"2015-06-02T16:54:31","slug":"muito-dinheiro-conhecimento-e-polemicas-no-bndes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/05\/ultimas-noticias\/muito-dinheiro-conhecimento-e-polemicas-no-bndes\/","title":{"rendered":"Muito dinheiro, conhecimento e pol\u00eamicas no BNDES"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193769\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/chica-1-bndes-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-193769\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/chica-1-bndes-629x472.jpg\" alt=\"O pr\u00e9dio de vidro da sede do BNDES, \u00e0 esquerda, tendo por vizinha do outro lado da rua a sede da Petrobras. Os edif\u00edcios dos dois grupos estatais dominam a avenida Chile, no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O pr\u00e9dio de vidro da sede do BNDES, \u00e0 esquerda, tendo por vizinha do outro lado da rua a sede da Petrobras. Os edif\u00edcios dos dois grupos estatais dominam a avenida Chile, no Rio de Janeiro. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\r\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/5\/2015 \u2013 A impaci\u00eancia com que o Brasil se p\u00f4s a construir centrais hidrel\u00e9tricas, refinarias, ferrovias, portos e outros megaprojetos desde a d\u00e9cada passada, inclusive no exterior, teve como grande combust\u00edvel o ingente financiamento de seu banco de fomento.<\/p>\r\n<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) emprestou no ano passado R$ 187,8 bilh\u00f5es, mais de um ter\u00e7o destinado a infraestruturas. H\u00e1 anos que seus cr\u00e9ditos superam amplamente os do Banco Mundial, em totais anuais.<\/p>\r\n<p>Por tr\u00e1s das quantias que ditam rumos, ao menos setoriais, para a economia, \u00e9 necess\u00e1ria uma intelig\u00eancia, quase sempre ofuscada pelos n\u00fameros grandiloquentes. \u00c9 o conhecimento acumulado de seus 2.881 funcion\u00e1rios, 85% universit\u00e1rios e 11,4% com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>\u201cDesde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1952, o BNDES tem uma import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para o Brasil, isso n\u00e3o mudou, na ess\u00eancia, e de certa forma atualmente o banco \u00e9 inclusive mais importante do que no passado\u201d, disse \u00e0 IPS o economista Fernando Cardim de Carvalho, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\r\n<p>\u201cSobreviveu a muitas modas dominantes na pol\u00edtica nacional, o desenvolvimentismo do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) ao planejamento autorit\u00e1rio do general-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) e o neoliberalismo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que tentou mudar sua cultura, sem conseguir\u201d, afirmou Carvalho. Com \u201co desmantelamento do aparato estatal de planejamento e interven\u00e7\u00e3o desde o fim do regime militar (1985)\u201d, o BNDES ficou como o \u201c\u00faltimo dos moicanos capaz de formular pol\u00edticas econ\u00f4micas no pa\u00eds, embora em campos relativamente restritos\u201d, acrescentou.<\/p>\r\n<p>O Minist\u00e9rio do Planejamento \u201cfoi reduzido a uma inst\u00e2ncia de controle cont\u00e1bil de execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e no processo de eros\u00e3o que demoliu o setor p\u00fablico brasileiro apenas sobreviveram dois \u00f3rg\u00e3os, na \u00e1rea econ\u00f4mica, o BNDES e o Banco Central\u201d, afirmou o professor. Mas, acrescentou, o banco, apesar de \u201cessencial\u201d para financiar obras de infraestrutura, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para as necessidades de investimentos no Brasil, que exigem mecanismos adicionais de financiamento.<\/p>\r\n<p>O economista lamenta que sua atua\u00e7\u00e3o dependa do governo, \u201cque formula estrat\u00e9gias mais gerais\u201d. Isso levou a um \u201cerro importante, que n\u00e3o \u00e9 de responsabilidade do banco mas dos governos que decidiram us\u00e1-lo como instrumento de pol\u00edtica antic\u00edclica\u201d.<\/p>\r\n<p>A cr\u00edtica de Carvalho se dirige \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o de projetos com recursos do Tesouro transferidos ao banco, para manter o crescimento econ\u00f4mico depois da crise global de 2008. \u201cO banco existe para promover objetivos de longo prazo, de transforma\u00e7\u00e3o produtiva\u201d e impor-lhe outras fun\u00e7\u00f5es e a depend\u00eancia financeira do Tesouro \u201c\u00e9 um erro\u201d, ressaltou.<\/p>\r\n<p>Mais contundente. Mauricio Dias David, ex-funcion\u00e1rio do banco onde trabalhou at\u00e9 2009, atribui \u00e0s \u201cfacilidades de financiamento sem controle\u201d, por consider\u00e1-las antic\u00edclicas, os cr\u00e9ditos concedidos a \u201cmuitos projetos inconsistentes\u201d e \u201celefantes brancos\u201d, como est\u00e1dios de futebol constru\u00eddos ou reformados para a Copa de 2014.<\/p>\r\n<p>Antes, quando era pequeno, o banco era \u201ccriativo e tinha capacidade cr\u00edtica\u201d que se perdeu com seu \u201ccrescimento e sua burocratiza\u00e7\u00e3o\u201d, segundo David, agora professor de economia na Universidade Estatal do Rio de Janeiro. Sem a cr\u00edtica s\u00e3o aprovados maus projetos cujos custos e inclusive insolv\u00eancias explodir\u00e3o mais adiante, disse \u00e0 IPS.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_193770\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/chica-2-bndes.jpg\"><img class=\"wp-image-193770\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/chica-2-bndes.jpg\" alt=\"Parte de um dos bairros da cidade de Altamira, no Par\u00e1, \u00e0 margem do rio Xingu, que ficar\u00e1 sob as \u00e1guas da represa da hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Esse munic\u00edpio amaz\u00f4nico \u00e9 o mais afetado por esse megaprojeto financiado pelo BNDES. Foto Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte de um dos bairros da cidade de Altamira, no Par\u00e1, \u00e0 margem do rio Xingu, que ficar\u00e1 sob as \u00e1guas da represa da hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Esse munic\u00edpio amaz\u00f4nico \u00e9 o mais afetado por esse megaprojeto financiado pelo BNDES. Foto Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p>O financiamento do BNDES foi multiplicado por seis durante os governos do PT, primeiro com Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) e agora com Dilma Rousseff. O n\u00famero de seus funcion\u00e1rios quase duplicou neste s\u00e9culo, com 35,8% de mulheres. S\u00e3o selecionados por concurso e desfrutam de estabilidade trabalhista.<\/p>\r\n<p>O potencial do banco atrai graduados das melhores universidades, porque oferece \u201co melhor emprego em uma institui\u00e7\u00e3o federal do Rio de Janeiro\u201d, segundo Marcelo Miterhof, assessor da presid\u00eancia do BNDES. O conhecimento se forma principalmente na pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o do banco, em an\u00e1lises de projetos, di\u00e1logo com as empresas e com pessoas de diferentes especializa\u00e7\u00f5es, explicou o economista, h\u00e1 13 anos na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>\u201cNossos t\u00e9cnicos n\u00e3o sabem mais sobre temas espec\u00edficos, como energia ou log\u00edstica, do que os \u00f3rg\u00e3os especializados ou empresas, mas ganham vis\u00e3o de conjunto, sistematizam setores, t\u00eam a oportunidade de aprender muitos temas\u201d, relatou Miterhof \u00e0 IPS. Al\u00e9m disso, h\u00e1 mecanismos internos, como semin\u00e1rios, grupos de discuss\u00e3o, o \u201ccaf\u00e9 do conhecimento\u201d no qual especialistas de fora ou de dentro do banco exp\u00f5em temas espec\u00edficos \u201ccomo energia e\u00f3lica\u201d. O interc\u00e2mbio de funcion\u00e1rios cedidos a outras inst\u00e2ncias do governo tamb\u00e9m contribui para o aprendizado permanente.<\/p>\r\n<p>O pessoal do banco e seus \u201cpensadores\u201d est\u00e3o distribu\u00eddos em 20 \u00e1reas, entre elas Infraestrutura, Industrial, Com\u00e9rcio Exterior e Meio Ambiente, al\u00e9m das estrat\u00e9gicas de Planejamento e Pesquisas Econ\u00f4micas. A divis\u00e3o do conhecimento tamb\u00e9m se d\u00e1 pela revista BNDES Setorial, com edi\u00e7\u00f5es semestrais e artigos de autores internos e externos.<\/p>\r\n<p>Miterhof explica que com banco o BNDES n\u00e3o promove o desenvolvimento por si s\u00f3, depende da iniciativa e de demandas dos clientes. Mas, \u00e0s vezes surgem propostas n\u00e3o reativas, como o Programa de Moderniza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria, que apoia prefeituras para melhorar a gest\u00e3o financeira e os servi\u00e7os aos cidad\u00e3os.<\/p>\r\n<p>A dimens\u00e3o ambiental foi incorporada gradualmente nas atividades do BNDES. Come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1970 em colabora\u00e7\u00e3o com as autoridades do setor. Depois foi criada uma gerencia para \u201capoiar avalia\u00e7\u00f5es de projetos e pol\u00edticas internas\u201d do banco, um departamento nos anos 1990 e a atual \u201c\u00e1rea\u201d em 2009.<\/p>\r\n<p>Com esse status, o meio ambiente tem seus representantes nos comit\u00eas que selecionam os pedidos de cr\u00e9dito e aprovam resolu\u00e7\u00f5es e diretrizes, que se somam \u00e0s de outras inst\u00e2ncias que ditam a governan\u00e7a do banco, explicou \u00e0 IPS o chefe do Departamento de Meio Ambiente, Jos\u00e9 Guilherme Cardoso.<\/p>\r\n<p>A Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, realizada no Rio de Janeiro, intensificou a a\u00e7\u00e3o ambiental do banco, que hoje responde pela gest\u00e3o do Fundo Amaz\u00f4nia, que financia projetos nesse bioma e promove iniciativas pr\u00f3prias. Um exemplo \u00e9 o Programa BNDES Restaura\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica, que destina recursos a fundo perdido para recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o em outros biomas, com a Mata Atl\u00e2ntica (florestas da costa leste que adentram o continente), os Pampas no sul e a savana do cerrado, no centro do pa\u00eds.<\/p>\r\n<p>A quest\u00e3o ambiental se estendeu a variadas inst\u00e2ncias e a\u00e7\u00f5es do banco, como o Comit\u00ea de Sustentabilidade e a Ger\u00eancia Socioambiental da \u00c1rea de Planejamento, dessa forma permeando todos os n\u00edveis de decis\u00e3o, com a sele\u00e7\u00e3o dos projetos a serem financiados e a aprova\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00f5es sobre diretrizes geais.<\/p>\r\n<p>A complexidade dos temas interligados ganha corpo no desenvolvimento territorial que o BNDES tenta promover na \u00e1rea de impacto da Central Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu, envolvendo a popula\u00e7\u00e3o e os governos locais.\u00a0Trata-se de uma abordagem que busca superar os fortes conflitos que gera uma obra como a constru\u00e7\u00e3o de uma central com capacidade de 11.330 megawatts, uma das maiores do mundo, em uma regi\u00e3o pobre. \u201cImpressiona a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, j\u00e1 bem organizada, que participa intensamente das reuni\u00f5es plen\u00e1rias\u201d, para gerir o plano de desenvolvimento local, disse Ana Maria Gl\u00f3ria, da \u00c1rea de Planejamento do BNDES e que acompanha o processo com visitas \u00e0 regi\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 12\/5\/2015 &ndash; A impaci&ecirc;ncia com que o Brasil se p&ocirc;s a construir centrais hidrel&eacute;tricas, refinarias, ferrovias, portos e outros megaprojetos desde a d&eacute;cada passada, inclusive no exterior, teve como grande combust&iacute;vel o ingente financiamento de seu banco de fomento. 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