{"id":19058,"date":"2015-05-12T12:05:49","date_gmt":"2015-05-12T12:05:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=193765"},"modified":"2015-06-02T17:06:02","modified_gmt":"2015-06-02T17:06:02","slug":"politicas-sociais-latino-americanas-deram-impulso-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/05\/ultimas-noticias\/politicas-sociais-latino-americanas-deram-impulso-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas sociais latino-americanas deram impulso \u00e0s mulheres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193766\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mulheres1.jpg\"><img class=\"wp-image-193766\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/mulheres1.jpg\" alt=\"A Confer\u00eancia Internacional As mulheres e a inclus\u00e3o social: de Pequim a p\u00f3s-2015, durante sua jornada inaugural, dia 6 de maio, no Pal\u00e1cio San Mart\u00edn, sede da chancelaria da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Confer\u00eancia Internacional As mulheres e a inclus\u00e3o social: de Pequim a p\u00f3s-2015, durante sua jornada inaugural, dia 6 de maio, no Pal\u00e1cio San Mart\u00edn, sede da chancelaria da Argentina. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\r\n<p>Buenos Aires, Argentina, 12\/5\/2015 \u2013 N\u00e3o foram dirigidas especificamente \u00e0s mulheres, mas as pol\u00edticas sociais com subs\u00eddios familiares e pens\u00f5es contribu\u00edram para melhorar suas vidas na Am\u00e9rica Latina, a regi\u00e3o que mais avan\u00e7os registrou neste s\u00e9culo na quest\u00e3o de g\u00eanero, embora ainda persistam enormes d\u00edvidas. A brasileira Luiza Carvalho, diretora regional da ONU Mulheres para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, assegurou que essa realidade \u00e9 constatada em cada um dos informes da organiza\u00e7\u00e3o que promove a igualdade de g\u00eanero no mundo.<\/p>\r\n<p>\u201c\u00c9 interessante notar que dentro de todas as regi\u00f5es do mundo, a Am\u00e9rica Latina, de fato, \u00e9 a que registrou maiores progressos\u201d, afirmou Carvalho em entrevista \u00e0 IPS, durante a Confer\u00eancia Internacional <i>As mulheres e a inclus\u00e3o social: de Pequim a p\u00f3s-2015<\/i>, realizada entre os dias 6 e 8 de maio na capital argentina.<\/p>\r\n<p>Segundo Carvalho, o avan\u00e7o latino-americano \u201cn\u00e3o foi tanto pelas pol\u00edticas econ\u00f4micas, mas \u2013 pelo contr\u00e1rio \u2013 pelas pol\u00edticas sociais, que embora n\u00e3o necessariamente tenham por objetivo promover a mulher especificamente acabaram beneficiando-a muito, direta e indiretamente\u201d. Entre esses programas de transfer\u00eancia de renda se destacam o Bolsa Fam\u00edlia, no Brasil; o argentino Destina\u00e7\u00e3o Universal por Filho; o equatoriano B\u00f4nus de Desenvolvimento Humano, e o mexicano Prospera.<\/p>\r\n<p>Tamb\u00e9m influ\u00edram positivamente medidas como melhoria do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que n\u00e3o incluiu uma perspectiva de g\u00eanero mas que beneficiou as mulheres que s\u00e3o quem majoritariamente o recebem. Isso aumentou seu poder de compra e, em consequ\u00eancia, sua capacidade de decis\u00e3o e \u201cde controle sobre alguns assuntos dom\u00e9sticos\u201d, afirmou Carvalho.<\/p>\r\n<p>O mesmo aconteceu com iniciativas de prote\u00e7\u00e3o do trabalhador informal e com a cria\u00e7\u00e3o de pens\u00f5es n\u00e3o contributivas, entre as quais diretora da ONU Mulheres destacou as de Argentina, Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Costa Rica e M\u00e9xico.<\/p>\r\n<p>Como medida dos diferentes planos de transfer\u00eancia de renda, \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que houve uma redu\u00e7\u00e3o da pobreza extrema em toda Am\u00e9rica Latina. Com a melhoria do poder aquisitivo, do sal\u00e1rio m\u00ednimo e da extens\u00e3o das pens\u00f5es n\u00e3o contributivas tamb\u00e9m houve uma modifica\u00e7\u00e3o significativa na desigualdade de g\u00eanero\u201d, destacou Carvalho.<\/p>\r\n<p>Entretanto, ressaltou, esses programas t\u00eam o <i>handicap<\/i> que insistem na responsabilidade da mulher como m\u00e3e. \u201cSuas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o para a mulher. A mulher tem que ajudar os filhos a permanecerem na escola, a mulher tem que se preocupar que sejam vacinados. E essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o refor\u00e7am um papel mais respons\u00e1vel do homem na cria\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d, afirmou Carvalho.<\/p>\r\n<p>\u201cSe queremos ir al\u00e9m desses \u00eaxitos, as pol\u00edticas devem ser focadas\u201d, afirmou Jessica Faieta, diretora regional do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), ao se referir ao que denominou \u201ca segunda gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais\u201d.<\/p>\r\n<p>\u201cDevem ser pol\u00edticas dirigidas diretamente \u00e0 inclus\u00e3o das mulheres nestes \u00eaxitos do desenvolvimento que n\u00e3o chegaram a todos\u201d, afirmou Faieta \u00e0 IPS. Entre esses \u201cgrupos exclu\u00eddos\u201d se destacam as mulheres, principalmente as camponesas, os ind\u00edgenas e os afrodescendentes. \u201cEsta provado que incluir mulheres tem um credito mais amplo. Empregar mais mulheres, dar-lhes um pagamento mais equitativo, tem um alcance que vai al\u00e9m delas mesmas, vai \u00e0 fam\u00edlia\u201d, ressaltou.<\/p>\r\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina tem isso muito claro. Tanto que estamos vendo a expans\u00e3o desses programas na \u00c1frica e sua introdu\u00e7\u00e3o na \u00c1sia, que est\u00e3o replicando suas experi\u00eancias positivas\u201d, disse Carvalho. Para apoiar este processo, o Pnud e o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), do Brasil, buscam atualmente sistematizar as iniciativas regionais. \u201cH\u00e1 uma possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul muito importante\u201d enfatizou Faieta.<\/p>\r\n<p>Na jornada inaugural do encontro internacional de Buenos Aires participaram a diretora-executiva da ONU Mulheres, a sul-africana Phumzile Mlambo-Ngcuka, e a administradora mundial do Pnud, a neozelandesa Helen Clark.<\/p>\r\n<p>Na reuni\u00e3o, convocada por essas duas ag\u00eancias da ONU e pelo governo argentino, participaram delegadas de diferentes regi\u00f5es do mundo, com o objetivo de avaliar os desafios que persistem para a popula\u00e7\u00e3o feminina 20 anos depois da Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim em 1995.<\/p>\r\n<p>Em n\u00edvel regional, Carvalho mencionou entre esses desafios os altos indicadores de mortalidade materna, a viol\u00eancia contra a mulher e sua express\u00e3o mais grave: os feminic\u00eddios. \u201cDos 28 pa\u00edses de maior \u00edndice de feminic\u00eddios no mundo, 14 est\u00e3o em nossa regi\u00e3o\u201d, lamentou. Um fen\u00f4meno atribu\u00eddo tanto \u00e0 \u201cuma aus\u00eancia do Estado, que responda com medidas de preven\u00e7\u00e3o\u201d, como \u00e0 \u201cuma cultura machista muito cristalizada, em uma vis\u00e3o da mulher como propriedade, como parte de uma cole\u00e7\u00e3o particular de um homem\u201d, e tamb\u00e9m \u00e0 \u201cquest\u00f5es legais que impedem que tenha acesso \u00e0 terra ou ao cr\u00e9dito\u201d.<\/p>\r\n<p>O \u201cempoderamento econ\u00f4mico das mulheres\u201d \u00e9 outra d\u00edvida latino-americana, afirmou Faieta. Apesar dos avan\u00e7os regionais, \u201cainda \u00e9 a mulher quem sofre maior desemprego. O pagamento por trabalho igual continua sendo menor para as mulheres\u201d, acrescentou. Apesar disso, o informe <i>O progresso das mulheres no mundo 2015-2016: transformar as economias para realizar os direitos<\/i>, lan\u00e7ado pela ONU Mulheres dia 27 de abril, registra esse avan\u00e7o ao indicar que entre 1990 e 2013 o maior aumento mundial da participa\u00e7\u00e3o feminina no trabalho foi registrado na Am\u00e9rica Latina. Nesse per\u00edodo essa participa\u00e7\u00e3o passou de 40% para 54%, embora longe da masculina, com 80%.<\/p>\r\n<p>O informe acrescenta que a brecha de g\u00eanero persiste nas remunera\u00e7\u00f5es latino-americanas, que \u00e9 de 19%, mas \u00e9 menor que a m\u00e9dia mundial, de 24%. Al\u00e9m disso, em todos os pa\u00edses latino-americanos com pesquisas sobre o uso hor\u00e1rio, as mulheres dedicam entre o dobro de tempo e cinco vezes mais do que os homens ao trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\r\n<p>Tamb\u00e9m houve \u00eaxitos, como a inclus\u00e3o pol\u00edtica das mulheres, na regi\u00e3o do mundo com o maior n\u00famero de chefes de Estado e de governo. Onze pa\u00edses aprovaram as cotas pol\u00edticas, nos parlamentos, 26,4% s\u00e3o mulheres e nos governo h\u00e1, em m\u00e9dia, 22,4% de ministras, a maior propor\u00e7\u00e3o mundial, embora ainda n\u00e3o o n\u00edvel desejado para uma democracia inclusiva, segundo Faieta.<\/p>\r\n<p>\u201cEst\u00e1 claro que a transfer\u00eancia condicionada de renda n\u00e3o resolver\u00e1 tudo. Por isso tamb\u00e9m t\u00eam de ser implantadas outras pol\u00edticas\u201d, ressaltou Carvalho. Pol\u00edticas espec\u00edficas de g\u00eanero, mas tamb\u00e9m macroecon\u00f4micas, fiscais e monet\u00e1rias. Tamb\u00e9m criticou o corte de programas sociais, que \u201cafetam a sociedade como um todo, mas prioritariamente a mulher\u201d, porque reduzem as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, e outros que \u201caumentar\u00e3o mais sua carga dom\u00e9stica\u201d.<\/p>\r\n<p>Segundo Carvalho, \u201ca mulher depende de um articulado conjunto de pol\u00edticas sociais e econ\u00f4micas. Todas as pol\u00edticas, em seus diferentes n\u00edveis, influenciam a mulher e podem melhorar ou piorar a desigualdade de g\u00eanero\u201d.<br \/>\r\n\u201cN\u00e3o pode haver igualdade de g\u00eanero sem justi\u00e7a, inclus\u00e3o, crescimento e desenvolvimento social\u201d, reafirmou a ministra argentina de Desenvolvimento Social, Alicia Kirchner, durante a abertura da confer\u00eancia. Por isso, segundo Clark, do Pnud, na Agenda Global de Desenvolvimento p\u00f3s-2015, que ser\u00e1 definida em setembro, \u00e9 crucial garantir que todas as pol\u00edticas tenham uma \u201cperspectiva de g\u00eanero\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 12\/5\/2015 &ndash; N&atilde;o foram dirigidas especificamente &agrave;s mulheres, mas as pol&iacute;ticas sociais com subs&iacute;dios familiares e pens&otilde;es contribu&iacute;ram para melhorar suas vidas na Am&eacute;rica Latina, a regi&atilde;o que mais avan&ccedil;os registrou neste s&eacute;culo na quest&atilde;o de g&ecirc;nero, embora ainda persistam enormes d&iacute;vidas. 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