{"id":19060,"date":"2015-05-11T13:04:16","date_gmt":"2015-05-11T13:04:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=193529"},"modified":"2015-06-02T17:06:40","modified_gmt":"2015-06-02T17:06:40","slug":"os-bairros-pobres-sao-uma-armadilha-mortal-para-a-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/05\/ultimas-noticias\/os-bairros-pobres-sao-uma-armadilha-mortal-para-a-infancia\/","title":{"rendered":"Os bairros pobres s\u00e3o uma armadilha mortal para a inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193530\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/criancas.jpg\"><img class=\"wp-image-193530\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/criancas.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as a caminho da escola em Kibera, a maior favela de Nair\u00f3bi. Foto: Save the Children\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as a caminho da escola em Kibera, a maior favela de Nair\u00f3bi. Foto: Save the Children<\/p><\/div>\r\n<p><em>Por\u00a0Valentina Ieri, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\r\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 11\/5\/2015 \u2013 A brecha de sobreviv\u00eancia urbana, alimentada pela crescente desigualdade entre ricos e pobres, tanto nos pa\u00edses do Norte industrial quanto do Sul em desenvolvimento, determina se milh\u00f5es de meninos e meninas viver\u00e3o ou morrer\u00e3o antes de completarem cinco anos. O informe anual da organiza\u00e7\u00e3o internacional <em>Save the Children<\/em> intitulado <em>Estado das m\u00e3es do mundo 2015<\/em>, analisou 179 pa\u00edses e concluiu que, no caso \u201cdos beb\u00eas nascidos na grande cidade, sobrevivem os mais ricos\u201d.<\/p>\r\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, mais fam\u00edlias se mudam do campo para as cidades para dar aos seus filhos uma vida melhor, disse Carolyn Miles, presidente de <em>Save the Children<\/em>, na apresenta\u00e7\u00e3o do informe na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em Nova Iorque. Mas esse deslocamento da sociedade rural para a urbana aumentou as desigualdades dentro das cidades, acrescentou.<\/p>\r\n<p>\u201cNosso informe revela uma devastadora brecha na sobreviv\u00eancia infantil entre ricos e pobres, que conta uma hist\u00f3ria de duas cidades entre comunidades urbanas de todo o mundo, inclu\u00eddos os Estados Unidos\u201d, afirmou Miles.<\/p>\r\n<p>O trabalho calcula que 54% da popula\u00e7\u00e3o mundial vivem em zonas urbanas, e que at\u00e9 2050 essa propor\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 66%, sobretudo na \u00c1sia e \u00c1frica. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) afirma que quase um bilh\u00e3o de pessoas vivem em favelas urbanas, nos assentamentos informais, nas ruas, sob as pontes e ao longo das vias f\u00e9rreas.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_193531\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Rizelle.jpg\"><img class=\"wp-image-193531\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Rizelle.jpg\" alt=\"Rizell, de 17 anos, e seu beb\u00ea de tr\u00eas semanas vivem sob uma ponte em San Dionisio, na Indon\u00e9sia. Foto: Save the Children\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Rizell, de 17 anos, e seu beb\u00ea de tr\u00eas semanas vivem sob uma ponte em San Dionisio, na Indon\u00e9sia. Foto: Save the Children<\/p><\/div>\r\n<p>As mulheres que vivem nas cidades podem ter um acesso mais f\u00e1cil \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da sa\u00fade, incluindo os hospitais, mas muitos governos n\u00e3o conseguiram seguir o ritmo desse r\u00e1pido crescimento urbano. Um ter\u00e7o de todos os residentes urbanos, mais de 860 milh\u00f5es de pessoas, vive em favelas onde h\u00e1 escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento, al\u00e9m de uma generalizada desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>Apesar dos avan\u00e7os obtidos em todo o mundo na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade urbana nos menores de cinco anos, a brecha de sobreviv\u00eancia entre as crian\u00e7as ricas e pobres das cidades cresce mais rapidamente do que nas zonas rurais.<\/p>\r\n<p>Na maioria dos pa\u00edses em desenvolvimento pesquisados a popula\u00e7\u00e3o infantil correspondente aos 20% mais pobres da escala socioecon\u00f4mica tem o dobro de probabilidade de morrer do que as crian\u00e7as dos 20% mais ricos. Em algumas cidades essa disparidade \u00e9 muito maior.<\/p>\r\n<p>Robert Clay, vice-presidente de sa\u00fade e nutri\u00e7\u00e3o da <em>Save the Children<\/em>, explicou que os pobres urbanos s\u00e3o mais transit\u00f3rios, j\u00e1 que tendem a ter empregos e condi\u00e7\u00f5es de vida mais inst\u00e1veis. No meio rural, muita gente conta com terra e alimentos, pelo menos, bem como um sistema de apoio comunit\u00e1rio mais s\u00f3lido.<\/p>\r\n<p>\u201cNas zonas urbanas isso n\u00e3o existe. As cidades est\u00e3o superlotadas por muitos grupos \u00e9tnicos que convivem, por isso \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil a integra\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. A popula\u00e7\u00e3o oculta \u00e9 a mais problem\u00e1tica de se alcan\u00e7ar\u201d, apontou Clay \u00e0 IPS. Acrescentou que a falta de dados complica o acesso de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, como <em>Save the Children<\/em>, ou dos governos nacionais e municipais a essas comunidades marginalizadas.<\/p>\r\n<p>Os 10 pa\u00edses em desenvolvimento com maior brecha de sobreviv\u00eancia infantil s\u00e3o Bangladesh, Camboja, Gana, \u00cdndia, Qu\u00eania, Madagascar, Nig\u00e9ria, Peru, Ruanda e Vietn\u00e3. Segundo o \u00edndice materno de 2015, baseado nos crit\u00e9rios de sa\u00fade materna, bem-estar infantil, n\u00edvel educacional, situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminina, a <em>Save the Children<\/em> conclui que as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dram\u00e1ticas para as m\u00e3es e os filhos desses 10 pa\u00edses pior qualificados, dos quais oito ficam na \u00c1frica central e ocidental.<\/p>\r\n<p>Segundo Miles, \u201cem m\u00e9dia, nesses pa\u00edses uma em cada 30 mulheres morre por causas relacionadas com a gravidez, e uma em cada oito crian\u00e7as morre antes de completar os cinco anos\u201d.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_193532\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/riofavela.jpg\"><img class=\"wp-image-193532\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/riofavela.jpg\" alt=\"O rio que passa pela favela de Kroo Bay, em Serra Leoa. Foto: Save the Children\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O rio que passa pela favela de Kroo Bay, em Serra Leoa. Foto: Save the Children<\/p><\/div>\r\n<p>Em n\u00edvel mundial, baixaram as taxas de mortalidade dos menores de cinco anos, de 90 para 46 mortes para cada mil nascidos vivos. Mas, estes n\u00fameros ocultam o fato de a sobreviv\u00eancia infantil estar estreitamente ligada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da fam\u00edlia, e deixam de lado as condi\u00e7\u00f5es de pobreza e a vida insalubre dos bairros marginalizados, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>O informe da <em>Save the Children<\/em> tamb\u00e9m revela algumas boas solu\u00e7\u00f5es aplicadas pelos governos para reduzir a mortalidade materna e infantil e fechar a brecha da iniquidade entre crian\u00e7as ricas e pobres em seus pa\u00edses. Os melhores casos s\u00e3o registrados nas capitais de Eti\u00f3pia, Egito, Guatemala, Uganda, Filipinas e Camboja.<\/p>\r\n<p>\u201cA Eti\u00f3pia, onde recentemente foi acelerado o crescimento econ\u00f4mico, as solu\u00e7\u00f5es foram no sentido de desenvolver pol\u00edticas de focaliza\u00e7\u00e3o eficazes, e deu aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica preventiva e curativa acess\u00edvel \u00e0s m\u00e3es e \u00e0s crian\u00e7as pobres\u201d, destacou Clay. \u201cA Eti\u00f3pia deve ser um modelo para outros pa\u00edses, no que diz respeito ao acesso \u00e0s comunidades nos bairros pobres, de maneira que a popula\u00e7\u00e3o local n\u00e3o seja exclu\u00edda\u201d, acrescentou. Segundo Clay, a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores de extens\u00e3o urbana, que podem ir \u00e0s localidades, falar o idioma das pessoas que vivem ali e entender sua situa\u00e7\u00e3o e suas necessidades, \u00e9 vital.<\/p>\r\n<p>Miles disse que sua organiza\u00e7\u00e3o exorta todos os governos a aplicarem medidas para investir na aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria materna e infantil universal, desenvolver planos urban\u00edsticos intersetoriais e reduzir as desvantagens urbanas, bem como para priorizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Agenda de desenvolvimento p\u00f3s-2015. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Valentina Ieri, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 11\/5\/2015 &ndash; A brecha de sobreviv&ecirc;ncia urbana, alimentada pela crescente desigualdade entre ricos e pobres, tanto nos pa&iacute;ses do Norte industrial quanto do Sul em desenvolvimento, determina se milh&otilde;es de meninos e meninas viver&atilde;o ou morrer&atilde;o antes de completarem cinco anos. 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