{"id":1907,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1907"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"iraque-faluja-o-sofrimento-sem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/iraque-faluja-o-sofrimento-sem-fim\/","title":{"rendered":"Iraque: Faluja, o sofrimento sem fim"},"content":{"rendered":"<p>Faluja, Iraque, 14\/07\/2006 &ndash; Mais de um ano e meio depois da ofensiva militar dos Estados Unidos contra esta cidade iraquiana seus moradores ainda sofrem devido \u00e0 falta de emprego, pela lentid\u00e3o dos planos de reconstru\u00e7\u00e3o e em virtude da cont\u00ednua viol\u00eancia. <!--more--> Em novembro de 2004, as for\u00e7as dos Estados Unidos lan\u00e7aram a opera\u00e7\u00e3o F\u00faria Fantasma contra Faluja, destruindo 70% dos edif\u00edcios, casas e com\u00e9rcios e matando entre quatro mil e seis mil pessoas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Centro de Estudos para os Direitos Humanos e a Democracia, com sede nesta cidade.<\/p>\n<p>A IPS constatou que a popula\u00e7\u00e3o continua sob r\u00edgidas medidas de seguran\u00e7a, com sistemas de vigil\u00e2ncia atrav\u00e9s de leitura a laser de retina e impress\u00f5es digitais, entre outros controles. A cidade \u00e9 uma ilha. Nem mesmo os habitantes dos povoados locais, como Karma, Habbaniya e Khalidiya, sob jurisdi\u00e7\u00e3o administrativa de Faluja, est\u00e3o autorizados a entrar nela. A todos os que desejam entrar \u00e9 pedida uma credencial, que s\u00f3 \u00e9 obtida por funcion\u00e1rios do governo nascidas na pr\u00f3pria cidade, empres\u00e1rios, alguns jornalistas e mercen\u00e1rios contratados pelo ex\u00e9rcito norte-americano. Outros podem entrar at\u00e9 o principal posto de vigil\u00e2ncia na zona oeste e outros centros de vigil\u00e2ncia considerados de \u201csegunda classe\u201d.<\/p>\n<p>Logo que se passa pelo principal posto de vigil\u00e2ncia, a primeira coisa que se v\u00ea s\u00e3o as casas destru\u00eddas no distrito de al Askari. Praticamente todas as moradias dessa zona foram derrubadas ou sofreram graves danos. \u201cN\u00e3o pude reconstruir minha casa porque \u00e9 muito caro hoje em dia\u201d, disse \u00e0 IPS Walid, um ex-soldado iraquiano de 48 anos. Com pesar, contou como construiu seu lar h\u00e1 seis anos, que logo foi destru\u00eddo no ataque norte-americano. As for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o \u201cnos pagaram 70% da compensa\u00e7\u00e3o, mas diante do desemprego, gastamos a maior parte em comida e rem\u00e9dios. Agora, todos esperam os 30% que faltam\u201d, afirmou. A hist\u00f3ria de Walid \u00e9 muito semelhante \u00e0 de centenas de pessoas que perderam suas casas nos bombardeios de novembro de 2004.<\/p>\n<p>Em frente ao Rio Eufrates fica o Hospital Geral de Faluja. Constru\u00eddo em 1964, foi ocupado por soldados dos Estados Unidos durante a ofensiva e, portanto, esteve fora de funcionamento. M\u00e9dicos do hospital falaram com a IPS, com a condi\u00e7\u00e3o de preservar o anonimato.\u201d\u00c9 mais um armaz\u00e9m do que um hospital, e n\u00e3o temos orgulho de trabalhar aqui\u201d, disse um deles. \u201cH\u00e1 uma horr\u00edvel falta de insumos m\u00e9dicos e equipamentos, e no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o se preocupam muito em solucionar o problema\u201d, afirmou outro. Quando a IPS mencionou os projetos para construir outro hospital na cidade, um dos medicos disse, com ironia, que os moradores de Faluja estar\u00e3o todos mortos antes que esses planos se concretizem.<\/p>\n<p>Durante as entrevistas feitas pela IPS no hospital, pacientes e outros funcion\u00e1rios se aproximaram para denunciar a \u201cfalta de tudo\u201d. Entretanto, destacaram o trabalho de algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais locais e internacionais. Os moradores de Faluja lutam diariamente para sobreviver aos bombardeios, ao desemprego e \u00e0 falta de suprimentos. Em uma loja de alimentos, se v\u00ea outra parte da hist\u00f3ria. Haji Majeed al Jumaily, de 64 anos, era um ferreiro at\u00e9 suas m\u00e3os ficarem fracas. Pergunta mais de uma vez ao comerciante quanto custa determinado produto, e repete: \u201cS\u00f3 tenho dois mil dinares (menos de US$ 1,5) e n\u00e3o sei o que comprar. Tudo est\u00e1 muito caro, e tenho de alimentar minha fam\u00edlia. Somos nove pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Haiji contou \u00e0 IPS que dois de seus filhos morreram por disparos feitos ao acaso por membros do novo ex\u00e9rcito iraquiano h\u00e1 dois anos. \u201cAgora, tenho de cuidar de suas mulheres e seis filhos, al\u00e9m da minha pr\u00f3pria esposa e de mim\u201d, disse. O mercado estava abarrotado de mercadorias, mas a pobreza era evidente. A maioria tinha pouco dinheiro para comprar alguma coisa. \u201cO desemprego em Faluja \u00e9 um grande problema a ser resolvido\u201d. A situa\u00e7\u00e3o financeira entrou em colapso e as pessoas n\u00e3o sabem o que fazer. O cerco (pelas for\u00e7as norte-americanas) agravam este problema\u201d, disse \u00e0 IPS o advogado Jassim Al Muhammadi.<\/p>\n<p>Ali Ahmed, estudante de 17 anos, interrompe e acrescenta: \u201cN\u00e3o precisamos de comunicados de imprensa nesta cidade. O que precisamos, na verdade, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para o eterno problema: os norte-americanos e os iraquianos no poder que nos acusam de terrorismo, que mataram milhares de n\u00f3s e, agora, falam de reconstru\u00e7\u00e3o. S\u00e3o ladr\u00f5es que s\u00f3 se preocupam com o que podem tirar das fortunas iraquianas. Apenas diga a eles que nos deixem em paz e que n\u00e3o queremos sua reconstru\u00e7\u00e3o fraudulenta\u201d, afirmou. Ahmed assegurou que os soldados dos Estados Unidos matam e det\u00eam as pessoas por qualquer motivo.<\/p>\n<p>O prefeito de Faluja n\u00e3o esteve dispon\u00edvel para uma entrevista. Em sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o na televis\u00e3o, no \u00faltimo dia 14, anunciou sua ren\u00fancia. \u201cOs norte-americanos n\u00e3o cumpriram as promessas que me fizeram e, por isso, devo renunciar\u201d, afirmou. De acordo com um relat\u00f3rio sobre a cidade divulgado no dia 21 de maio pela Rede Integrada de Informa\u00e7\u00e3o Regional das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u201cainda h\u00e1 lentos progressos em assuntos humanit\u00e1rios\u201d. O estudo diz que dois ter\u00e7os dos moradores que haviam fugido por causa do ataque norte-americano de 2004 retornaram \u00e0 cidade, mas 15% continuam em seus arredores, \u201cvivendo em escolas e edif\u00edcios governamentais abandonados. Aproximadamente, 65 mil pessoas continuam vivendo como refugiados\u201d, informou Bassel Mahmoud, diretor dos projetos de reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faluja, Iraque, 14\/07\/2006 &ndash; Mais de um ano e meio depois da ofensiva militar dos Estados Unidos contra esta cidade iraquiana seus moradores ainda sofrem devido \u00e0 falta de emprego, pela lentid\u00e3o dos planos de reconstru\u00e7\u00e3o e em virtude da cont\u00ednua viol\u00eancia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/iraque-faluja-o-sofrimento-sem-fim\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-1907","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}