{"id":19073,"date":"2015-06-03T13:30:51","date_gmt":"2015-06-03T13:30:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195419"},"modified":"2015-06-03T13:30:51","modified_gmt":"2015-06-03T13:30:51","slug":"no-sri-lanka-mulheres-sao-limitadas-por-mercado-de-trabalho-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/no-sri-lanka-mulheres-sao-limitadas-por-mercado-de-trabalho-desigual\/","title":{"rendered":"No Sri Lanka mulheres s\u00e3o limitadas por mercado de trabalho desigual"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195420\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheressrilanka1.jpg\"><img class=\"wp-image-195420\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheressrilanka1.jpg\" alt=\"As poucas mulheres que buscam trabalho no Sri Lanka encontram um sistema que n\u00e3o as favorece. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"175\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As poucas mulheres que buscam trabalho no Sri Lanka encontram um sistema que n\u00e3o as favorece. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Amantha Perera, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Mirigama, Sri Lanka, 3\/6\/2015 \u2013 A cingalesa Wathsala Marasinghe, de 33 anos, esperava que seu grau de instru\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas de emprego impulsionadas pelo governo deste pa\u00eds insular serviriam para ela encontrar trabalho. Mas a realidade era outra e agora se sente decepcionada por um \u201csistema perverso\u201d.<\/p>\n<p>Nascida nesta cidade, Mirigama, a 50 quil\u00f4metros da capital, Colombo, desde crian\u00e7a sempre foi \u00e0s melhores escolas da regi\u00e3o, e depois foi escolhida para estudar em uma universidade estatal. \u201cFui com muita expectativa\u201d, contou \u00e0 IPS, mas, ao que parece, com pouco conhecimento das perspectivas reais de trabalho.<\/p>\n<p>Ela estudou budismo e sua l\u00edngua natal, o cingal\u00eas. Seu plano era ter um emprego p\u00fablico, como funcion\u00e1ria ou professora, e de prefer\u00eancia perto de sua casa. Mas, quando come\u00e7ou a procurar trabalho, bateu de frente com a parede uma e outra vez. \u201cIa \u00e0s entrevistas, mas nunca consegui trabalho, a n\u00e3o ser como secret\u00e1ria em uma pequena f\u00e1brica\u201d, contou.<\/p>\n<p>Por fim, como o cargo n\u00e3o dava perspectivas de crescimento, pediu demiss\u00e3o. \u201cGanhava oito mil r\u00fapias (US$ 59) por m\u00eas e gastava metade com transporte\u201d, explicou \u00e0 IPS. O sal\u00e1rio m\u00e9dio no Sri Lanka \u00e9 de US$ 300 mensais. Marasinghe continuou fazendo entrevistas, mas os candidatos eram cada vez mais jovens. Acabou se rendendo, envergonhada por esperar uma oportunidade junto a pessoas que \u201cparecem minhas filhas\u201d.<\/p>\n<p>A crua realidade que vive Marasinghe n\u00e3o \u00e9 rara no Sri Lanka, apesar dos esfor\u00e7os do governo para alcan\u00e7ar seus objetivos em mat\u00e9ria de igualdade de g\u00eanero e dos sinais vis\u00edveis de avan\u00e7os no papel. Em 2012, o Informe Global da Brecha de G\u00eanero, elaborado pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, colocou o Sri Lanka no 39\u00ba lugar, entre 135 pa\u00edses estudados, posi\u00e7\u00e3o elevada para este pa\u00eds de 20 milh\u00f5es de habitantes com 90% de analfabetismo feminino, que sobe para 99% para as jovens entre 15 e 24 anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o n\u00famero de meninas supera o de homens no ensino secund\u00e1rio, o que indica uma dedica\u00e7\u00e3o para a igualdade de g\u00eanero em todo o espectro social. Por\u00e9m, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se traduz na igualdade de oportunidades de emprego, nem na paridade salarial entre homens e mulheres. As estat\u00edsticas trabalhistas do governo indicam que 64,5% dos 8,8 milh\u00f5es de pessoas que integram a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa s\u00e3o homens e apenas 35,5% s\u00e3o mulheres. Entre a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ativa, h\u00e1 apenas 25,4% de homens, bem abaixo dos 74,6% de mulheres.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego feminino \u00e9 duas vezes e meia maior que a dos homens e quase o dobro da m\u00e9dia nacional. Segundo dados oficiais, apenas 2,9% dos homens que entram no mercado de trabalho n\u00e3o encontram coloca\u00e7\u00e3o, enquanto entre as mulheres essa propor\u00e7\u00e3o sobe para 7,2%. O desemprego afeta 4,2% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa do Sri Lanka.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o necessariamente ajudam as mulheres a garantir um emprego, pelo contr\u00e1rio, podem derivar em grandes frustra\u00e7\u00f5es, segundo dados oficiais. \u201cO problema do desemprego \u00e9 mais grave entre as mulheres formadas do que entre os homens capacitados\u201d, indica a \u00faltima pesquisa de trabalho realizada pelo Departamento de Censo e Estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>H\u00e1 m\u00faltiplas raz\u00f5es estruturais e sociais, segundo especialistas, para explicar a situa\u00e7\u00e3o. Enquanto quase tr\u00eas em cada quatro homens entram no mercado de trabalho, ocorre o contr\u00e1rio com a popula\u00e7\u00e3o feminina, e apenas 35% das mulheres em idade de trabalhar buscam, de fato, um emprego, o que cria uma cadeia de fornecimento desequilibrada.<\/p>\n<p>O economista Anushka Wijesinha, consultor em v\u00e1rios minist\u00e9rios, explicou que as mulheres com maior forma\u00e7\u00e3o t\u00eam maiores aspira\u00e7\u00f5es profissionais, mas o mercado de trabalho n\u00e3o cresceu r\u00e1pido o suficiente para atender essas necessidades.<\/p>\n<div id=\"attachment_195421\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/srilanka2.jpg\"><img class=\"wp-image-195421\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/srilanka2.jpg\" alt=\"No Sri Lanka, muitas mulheres reclamam melhores meios de transporte e servi\u00e7os de cuidado e creche para criar um ambiente de trabalho mais favor\u00e1vel. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"234\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">No Sri Lanka, muitas mulheres reclamam melhores meios de transporte e servi\u00e7os de cuidado e creche para criar um ambiente de trabalho mais favor\u00e1vel. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O economista Muttukrishna Sarvananthan, que dirige o Instituto Point Pedro de Desenvolvimento, concorda com Wijesinha, mas acredita que os n\u00fameros do desemprego feminino devem ser ajustados para incluir as 600 mil cingalesas empregadas no exterior, a maioria realizando trabalhos dom\u00e9sticos. Tamb\u00e9m defende a concess\u00e3o de um valor econ\u00f4mico ao trabalho realizado pelas mulheres no lar e em tempo integral.<\/p>\n<p>Atualmente, o maior empregador da popula\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 o setor agr\u00edcola, que ocupa 33,9% do total, seguido dos servi\u00e7os, com 32%, e da ind\u00fastria, com 24%.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras raz\u00f5es pelas quais as mulheres permanecem afastadas do mercado de trabalho. Nayana Siriwardena, de 35 anos e dois filhos, trabalhou at\u00e9 o nascimento de seu primog\u00eanito. Ap\u00f3s a licen\u00e7a maternidade de tr\u00eas meses, teve que se reintegrar ao seu emprego. \u201cMe pareceu um problema de falta de flexibilidade para atender minha situa\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Siriwardena, que trabalhava em contabilidade, tentou convencer seus empregadores de que muitas tarefas podiam ser feitas de forma remota. \u201cMas n\u00e3o entenderam\u201d, lamentou. Wijesinha acredita que o direito \u00e0 licen\u00e7a maternidade pode dissuadir algumas empresas de contratar mulheres, pois \u201cos benef\u00edcios correm totalmente por conta do empregador\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cPara impulsionar a participa\u00e7\u00e3o feminina, o Estado pode adotar um enfoque baseado em incentivos. Licen\u00e7a paternidade, cuidado infantil, servi\u00e7os de creche no local de trabalho, e meios de transporte melhores e mais seguros, para incentivar as mulheres a se incorporarem ao mercado de trabalho\u201d, apontou Sarvananthan.<\/p>\n<p>Esse economista tamb\u00e9m considera que o governo poderia promover uma lei de igualdade de oportunidades que se sobreponha legalmente as pol\u00edticas de discrimina\u00e7\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o estipula que ningu\u00e9m deve ser discriminado por raz\u00f5es de g\u00eanero, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma lei sobre remunera\u00e7\u00e3o igual para o mesmo tipo trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um problema atual, a falta de mulheres no mercado de trabalho pode significar uma crise no futuro pelo envelhecimento populacional. Atualmente, 17% da popula\u00e7\u00e3o tem mais de 55 anos e 25% menos de 15 anos, o que leva \u00e0 estimativa de que cerca de 50% est\u00e1 em idade de trabalhar.<\/p>\n<p>\u201cComo as mulheres representam mais da metade da popula\u00e7\u00e3o e nosso pico de popula\u00e7\u00e3o ativa come\u00e7ou a decrescer, \u00e9 fundamental conseguir um m\u00e1ximo de participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho\u201d, destacou Wijesinha.<\/p>\n<p>Muitos especialistas acreditam que uma propor\u00e7\u00e3o maior de mulheres em cargos de decis\u00e3o pode corrigir os desequil\u00edbrios. A representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminina permanece baixa, com menos de 6,5% de mulheres no parlamento, menos de 6% nos conselhos provinciais e menos de 2% no governo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Amantha Perera, da IPS &ndash;&nbsp; Mirigama, Sri Lanka, 3\/6\/2015 &ndash; A cingalesa Wathsala Marasinghe, de 33 anos, esperava que seu grau de instru&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas de emprego impulsionadas pelo governo deste pa&iacute;s insular serviriam para ela encontrar trabalho. Mas a realidade era outra e agora se sente decepcionada por um &ldquo;sistema perverso&rdquo;. Nascida nesta [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/no-sri-lanka-mulheres-sao-limitadas-por-mercado-de-trabalho-desigual\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2458,24,1380],"class_list":["post-19073","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service","tag-mulheres","tag-sri-lanka"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19073"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19121,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19073\/revisions\/19121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}