{"id":1908,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1908"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"venezuela-russia-fuzil-kalashnikov-se-tropicaliza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/venezuela-russia-fuzil-kalashnikov-se-tropicaliza\/","title":{"rendered":"Venezuela-R\u00fassia: Fuzil Kalashnikov se tropicaliza"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 14\/07\/2006 &ndash; O governo da Venezuela reorienta a busca por fornecedores de armamento por causa do veto imposto por Washington a esses neg\u00f3cios de Caracas. Agora, a nova s\u00f3cia \u00e9 a R\u00fassia. <!--more--> Mas a diversifica\u00e7\u00e3o de fontes de abastecimento b\u00e9lico vigora desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX neste pa\u00eds sul-americano. Com o distanciamento pol\u00edtico com os Estados Unidos e a proibi\u00e7\u00e3o de Washington de vender armas para os venezuelanos, Caracas anunciou na semana passada que planeja converter a R\u00fassia em sua s\u00f3cia para fabricar fuzis Kalashnikov AK-103 e de pe\u00e7as para avi\u00f5es de combate Sukhoi. A possibilidade de, com esta associa\u00e7\u00e3o, a Venezuela ingressar em uma corrida armamentista \u00e9 rejeitada pelo presidente da Companhia An\u00f4nima Venezuelana de Ind\u00fastrias Militares, general Gustavo Ochoa M\u00e9ndez.<\/p>\n<p>O militar afirma que o compromisso da Venezuela com a paz est\u00e1 selado na Constitui\u00e7\u00e3o, que \u201cn\u00e3o fala em ir a outros pa\u00edses para invadir, nem de vender a terceiros as armas que fabrica no pa\u00eds\u201d. Mas o \u00faltimo informe do Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa sobre a Paz, publicado este m\u00eas, afirma que o aumento da renda procedente do petr\u00f3leo se traduziu na Venezuela em um aumento dos gastos militares no ano passado, e que este pa\u00eds se converteu no terceiro da Am\u00e9rica Latina que mais aumentou esses gastos, depois de Brasil e Chile.<\/p>\n<p>Entretanto, os recursos destinados ao setor militar continuam sendo muito baixos em compara\u00e7\u00e3o com Chile e Col\u00f4mbia \u2013 os maiores compradores de armas da regi\u00e3o su-americana \u2013 e \u201cat\u00e9 modestos\u201d, disse \u00e0 IPS o general da reserva e analista Alberto Muller Rojas. Este ano chegaram \u00e0 Venezuela cerca de 30 mil fuzis Kalashnikov russos e os primeiros helic\u00f3pteros tamb\u00e9m desse pa\u00eds. Caracas pretende comprar at\u00e9 40 helic\u00f3pteros russos MI-17 e MI-35, dos quais j\u00e1 chegaram tr\u00eas, enquanto que para os 80 mil homens de sua For\u00e7a Armada foram comprados 100 mil fuzis AK-103, a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o dos Kalashnikov, por US$ 400 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m encomendou \u00e0 Espanha 10 avi\u00f5es de transporte C-295, dois de vigil\u00e2ncia CN-235, quatro barcos-patrulha costeiros e quatro de navega\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, num total de US$ dois bilh\u00f5es. Caracas tamb\u00e9m prop\u00f4s ao Brasil comprar 20 avi\u00f5es Super-Tucano para treinamento militar e vigil\u00e2ncia de fronteira. Para o analista pol\u00edtico e soci\u00f3logo Alberto Garrido, a rela\u00e7\u00e3o militar entre Caracas e Moscou faz parte de uma \u201calian\u00e7a multipolar formada por R\u00fassia, China e Ir\u00e3\u201d para enfrentar a press\u00e3o norte-americana, na qual a R\u00fassia se converte em provedora de armas para a Venezuela.<\/p>\n<p>Entretanto, Garrido considera que a associa\u00e7\u00e3o para compra e fabrica\u00e7\u00e3o de armamento n\u00e3o tem grande import\u00e2ncia, embora seja preocupante que armas leves como os Kalashnikov acabem indo para m\u00e3os diferentes das da For\u00e7a Armada venezuelana e acabem n\u00e3o sendo utilizadas para a defesa nacional. Esta associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u00e9 uma \u201cmodalidade inovadora\u201d na fabrica\u00e7\u00e3o de armas venezuelanas, segundo M\u00fcller Rojas, porque nunca antes este pa\u00eds se associou para a transfer\u00eancia de tecnologia na \u00e1rea militar, e seus antecedentes em fabrica\u00e7\u00e3o de armamento foram com tecnologia pr\u00f3pria, como no caso do primeiro ve\u00edculo militar desenvolvido nos anos 60 denominado Sargento.<\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia defensiva sup\u00f5e a amplia\u00e7\u00e3o da For\u00e7a Armada em, pelo menos, 10 vezes seu tamanho, agora em 80 mil efetivos \u2013 entre Ex\u00e9rcito, For\u00e7a A\u00e9rea, Marinha e Guarda Nacional \u2013 o que demorar\u00e1 de cinco a dez anos, segundo estimativas governamentais. O projeto de associa\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia para fabricar fuzis AK-103 e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o para os Sukhoi, que a Venezuela vai comprar proximamente, ser\u00e1 assinado durante a visita do presidente Hugo Ch\u00e1vez a Moscou em julho. Segundo declara\u00e7\u00f5es do embaixador venezuelano na R\u00fassia, Al\u00e9xis Navarro, n\u00e3o se descarta a compra de 24 avi\u00f5es de combate este ano.<\/p>\n<p>Para a fabrica\u00e7\u00e3o do Kalashnikov e de muni\u00e7\u00f5es ser\u00e3o constru\u00eddas duas f\u00e1bricas no Estado agroindustrial de Aragua ao custo de US$ 300 milh\u00f5es. O projeto vai gerar 800 empregos diretos e cinco mil indiretos, segundo as autoridades. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando foram reorganizadas as for\u00e7as armadas sob a presid\u00eancia do general Cipriano Castro (1899-1908), a Venezuela assumiu como pol\u00edtica a multiplicidade de fontes para seu abastecimento de material b\u00e9lico. Por esta raz\u00e3o, a decis\u00e3o de Washington do dia 15 de maio de proibir a venda de armas para esse pa\u00eds, alegando que \u201cn\u00e3o coopera suficientemente na luta contra o terrorismo\u201d, n\u00e3o afetou muito o sistema de renova\u00e7\u00e3o do parque de armamentos, pois, apesar da proximidade hist\u00f3rica com os Estados Unidos, apenas 25% deste \u00e9 de origem norte-americana.<\/p>\n<p>Em janeiro, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, qualificou de \u201cabsurda\u201d a decis\u00e3o de Washington de vetar a venda para a Venezuela de 25 avi\u00f5es Super-Tucano com tecnologia norte-americana, no valor de US$ 200 milh\u00f5es. Amorim disse na \u00e9poca que \u201ca Venezuela n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a militar para ningu\u00e9m\u201d. \u201cSeria conveniente abrir um debate nacional, porque n\u00e3o creio que esse seja um problema apenas nosso, dos militares. Ali deve haver uma participa\u00e7\u00e3o muito mais ativa na discuss\u00e3o destes temas, porque a defesa do pa\u00eds, tal como considera a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 de responsabilidade de todos os cidad\u00e3os\u201d, disse Rojas \u00e0 IPS. Por sua vez, Garrido considera que um eventual enfrentamento militar entre Estados Unidos e Venezuela depende de este pa\u00eds suspender, ou n\u00e3o, suas vendas de petr\u00f3leo para o mercado norte-americano, pois j\u00e1 \u201cest\u00e1 tudo pronto para que o confronto ocorra\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 14\/07\/2006 &ndash; O governo da Venezuela reorienta a busca por fornecedores de armamento por causa do veto imposto por Washington a esses neg\u00f3cios de Caracas. 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