{"id":19087,"date":"2015-06-01T13:27:21","date_gmt":"2015-06-01T13:27:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195302"},"modified":"2015-06-01T13:27:21","modified_gmt":"2015-06-01T13:27:21","slug":"milhoes-passam-fome-e-sao-refugiados-no-sudao-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/milhoes-passam-fome-e-sao-refugiados-no-sudao-do-sul\/","title":{"rendered":"Milh\u00f5es passam fome e s\u00e3o refugiados no Sud\u00e3o do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195303\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/refugiados.jpg\"><img class=\"wp-image-195303\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/refugiados.jpg\" alt=\"Refugiados cavam em busca de \u00e1gua em um po\u00e7o seco no acampamento de Jamam, no Sud\u00e3o do Sul. As organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias indicam que h\u00e1 7,8 milh\u00f5es de pessoas passando fome ou correndo esse risco. Foto: Jared Ferrie\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados cavam em busca de \u00e1gua em um po\u00e7o seco no acampamento de Jamam, no Sud\u00e3o do Sul. As organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias indicam que h\u00e1 7,8 milh\u00f5es de pessoas passando fome ou correndo esse risco. Foto: Jared Ferrie\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ann Kathrin Pohlers, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Munique, Alemanha, 1\/6\/2015 \u2013 Milh\u00f5es de pessoas sofrem fome e est\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de refugiadas, devido ao conflito armado entre o governo e for\u00e7as opositoras do Sud\u00e3o do Sul, que come\u00e7ou no final de 2013 e n\u00e3o demonstra que vai acabar. Enquanto continuam os combates, a queima, destrui\u00e7\u00e3o e saque generalizados complicam os esfor\u00e7os das duas partes para conquistar o controle dos po\u00e7os de petr\u00f3leo do norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO Sud\u00e3o do Sul est\u00e1 travado em um horrendo ciclo de conflito e abusos e n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nenhum tipo de justi\u00e7a para nenhum desses horrendos abusos\u201d, afirmou Skye Wheeler, pesquisadora da organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW) para o Sud\u00e3o e o Sud\u00e3o do Sul, radicada em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, dez mil pessoas morreram e dois milh\u00f5es abandonaram suas casas em raz\u00e3o do conflito. As organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias qualificam a situa\u00e7\u00e3o de grave crise humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) denunciou a viol\u00eancia brutal praticada nas \u00faltimas semanas contra crian\u00e7as e civis em geral, que inclui a queima de povoados inteiros e a viola\u00e7\u00e3o e o assassinato de mulheres e crian\u00e7as de at\u00e9 sete anos. Os Estados de Unity e Jonglei s\u00e3o os mais afetados. N\u00e3o est\u00e1 claro quem \u00e9 respons\u00e1vel pela viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o de propriedades.<\/p>\n<p>Calcula-se que as duas for\u00e7as em conflito recrutaram em conjunto aproximadamente 13 mil menores de 15 anos, em um ato que constitui crime de guerra, n\u00e3o s\u00f3 no Sud\u00e3o do Sul, como tamb\u00e9m para o direito internacional. Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o deslocamento da popula\u00e7\u00e3o civil e a destrui\u00e7\u00e3o dos cultivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas deveriam estar plantando nesse momento, mas est\u00e3o fugindo\u201d, afirmou Pawel Krzysiek, do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICR) em Juba, capital do Sud\u00e3o do Sul. Agora que a temporada de chuvas se aproxima, as comunidades agr\u00edcolas do Estado de Unity precisam plantar para garantir uma boa colheita, algo imposs\u00edvel devido aos combates. Muitos n\u00e3o t\u00eam outra solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja depender da ajuda alimentar.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam, dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o sofrem inseguran\u00e7a alimentar e 7,8% est\u00e3o nas \u201cfases 2, 3 e 4 de inseguran\u00e7a alimentar\u201d, pr\u00f3ximas da fome generalizada. A previs\u00e3o \u00e9 de que o n\u00famero de pessoas que passam fome suba para 4,6 milh\u00f5es at\u00e9 o final de julho, o que representa 40% da popula\u00e7\u00e3o. A Oxfam calcula que 800 mil pessoas sofram \u201cn\u00edveis de emerg\u00eancia de fome, com escassez extrema e perigosa de alimentos\u201d.<\/p>\n<p>Um comunicado divulgado no dia 27, pela Oxfam alerta que esta \u00faltima an\u00e1lise \u201cfoi feita antes da recente escalada b\u00e9lica, por isso espera-se que, para milhares de pessoas no Sud\u00e3o do Sul, o panorama seja pior agora.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o infantil sofre uma desnutri\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00edvel cr\u00edtico\u201d em 80% dos condados dos Estados de Alto Nilo, Warrap e Bahr El Ghazal. A depend\u00eancia da ajuda alimentar aumentar\u00e1 na medida em que piorar o deslocamento de popula\u00e7\u00e3o. O acesso aos mais necessitados \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil, segundo os trabalhadores de ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cO CICR fornece alimentos e medicamentos para cerca de 120 mil pessoas. Muitas s\u00e3o refugiadas em raz\u00e3o dos combates\u201d, explicou Krzysiek. Mais de dois milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de refugiadas e aproximadamente 500 mil est\u00e3o completamente isoladas dos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O conflito armado n\u00e3o afeta apenas a popula\u00e7\u00e3o civil, mas tamb\u00e9m limita as op\u00e7\u00f5es e a capacidade de trabalho de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Krzysiek afirmou que instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas nos Estados de Unity e Jonglei foram atacadas e destru\u00eddas intencionalmente, e as organiza\u00e7\u00f5es de ajuda tiveram que evacuar o pessoal para garantir sua seguran\u00e7a. O CICR teve que mudar sua base da cidade de Kodok para Oriny, o que prejudicou a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>\u201cO hospital de Kodok \u00e9 o \u00fanico em sua regi\u00e3o e, portanto, muito importante. Agora as pessoas t\u00eam um acesso ainda mais limitado aos servi\u00e7os sanit\u00e1rios e aos alimentos, devido \u00e0 insuficiente infraestrutura do pa\u00eds\u201d, explicou \u00e0 IPS Jean Yves Clemenzo, desde a sede do CICR em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>A possibilidade de as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias suspenderem suas opera\u00e7\u00f5es seria um desastre para aproximadamente metade dos 12 milh\u00f5es de habitantes do Sud\u00e3o do Sul que dependem quase completamente da entrega de suprimentos de ajuda. O Unicef calcula que quando terminar o ano ter\u00e1 entregue ajuda para atender as necessidades humanit\u00e1rias das meninas e dos meninos do pa\u00eds no valor de US$ 165 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A HRW se preocupa com o agravamento do conflito. Nos dois \u00faltimos meses, foram documentados dezenas de casos de pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, golpes ou torturas sofridas por civis por parte de for\u00e7as n\u00e3o identificadas. \u201cParece que estamos vendo uma repeti\u00e7\u00e3o do final de 2013, quando as for\u00e7as do governo passaram por essas regi\u00f5es queimando, saqueando e destruindo\u201d, pontuou Wheeler.<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o do Sul ficou independente em 2011, terminando com 20 anos de guerra independentista que fez 2,5 milh\u00f5es de v\u00edtimas. Mas a paz durou pouco. Em dezembro de 2012, uma luta pelo poder entre o presidente, Salva Kiir Mayardit, e seu ent\u00e3o vice-presidente, Riek Machar, se intensificou quando este foi acusado de tentar derrubar o mandat\u00e1rio. A guerra come\u00e7ou novamente em 15 de dezembro de 2013, e desde ent\u00e3o a viol\u00eancia n\u00e3o deixa de a\u00e7oitar o pa\u00eds mais novo do mundo.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, fracassaram as negocia\u00e7\u00f5es de paz patrocinadas pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, realizada em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia. Em resposta, o Conselho de Seguran\u00e7a imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds, em uma resolu\u00e7\u00e3o que amea\u00e7ava proibir as viagens e congelar os ativos de pessoas ou entidades que fossem \u201crespons\u00e1veis, c\u00famplices ou que participassem direta ou indiretamente de a\u00e7\u00f5es ou pol\u00edticas que amea\u00e7am a paz, a seguran\u00e7a ou a estabilidade do Sud\u00e3o do Sul\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ann Kathrin Pohlers, da IPS &ndash;&nbsp; Munique, Alemanha, 1\/6\/2015 &ndash; Milh&otilde;es de pessoas sofrem fome e est&atilde;o em condi&ccedil;&atilde;o de refugiadas, devido ao conflito armado entre o governo e for&ccedil;as opositoras do Sud&atilde;o do Sul, que come&ccedil;ou no final de 2013 e n&atilde;o demonstra que vai acabar. 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