{"id":19091,"date":"2015-06-05T13:21:24","date_gmt":"2015-06-05T13:21:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195496"},"modified":"2015-06-05T13:21:24","modified_gmt":"2015-06-05T13:21:24","slug":"desigualdade-marca-queda-da-mortalidade-infantil-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/desigualdade-marca-queda-da-mortalidade-infantil-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Desigualdade marca queda da mortalidade infantil na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195497\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/BOLITA-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-195497\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/BOLITA-629x472.jpg\" alt=\"Beb\u00ea de dez meses sendo examinado em um centro p\u00fablico de sa\u00fade da Bol\u00edvia, em uma das consultas obrigat\u00f3rias para que a m\u00e3e receba o b\u00f4nus materno-infantil, um dos mecanismos criados para reduzir a mortalidade materna e infantil no pa\u00eds. Foto: Franz Ch\u00e1vez\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Beb\u00ea de dez meses sendo examinado em um centro p\u00fablico de sa\u00fade da Bol\u00edvia, em uma das consultas obrigat\u00f3rias para que a m\u00e3e receba o b\u00f4nus materno-infantil, um dos mecanismos criados para reduzir a mortalidade materna e infantil no pa\u00eds. Foto: Franz Ch\u00e1vez\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Santiago, Chile, 5\/6\/2015 \u2013 Os n\u00fameros da redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o apresentados como um exemplo por organismos internacionais e a regi\u00e3o j\u00e1 cumpriu o quarto Objetivo de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), de reduzir em dois ter\u00e7os esse flagelo. No entanto, por tr\u00e1s dos n\u00fameros persistem grandes diferen\u00e7as na situa\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses da regi\u00e3o e dentro deles.<\/p>\n<p>\u201cNa Am\u00e9rica Latina e no Caribe houve enormes avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil\u201d, afirmou \u00e0 IPS Luisa Brumana, assessora regional de Sa\u00fade do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef). Do Escrit\u00f3rio Regional para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe dessa ag\u00eancia da ONU, na Cidade do Panam\u00e1, ela acrescentou que \u201cesse crescimento n\u00e3o beneficiou igualmente a todos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Brumana, \u201cessa desigualdade deu lugar a grandes varia\u00e7\u00f5es nos indicadores de sa\u00fade, tanto entre os pa\u00edses como dentro deles, com resultados geralmente baseados na riqueza, educa\u00e7\u00e3o, localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e\/ou origem \u00e9tnica\u201d. Dessa forma, por tr\u00e1s das m\u00e9dias dos pa\u00edses, que em alguns casos s\u00e3o boas, se escondem grandes desigualdades que mant\u00eam o desafio da equidade para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A chilena M\u00f3nica luta h\u00e1 tr\u00eas anos para manter vivo seu quarto filho, que nasceu com problemas cerebrais e mal-forma\u00e7\u00f5es. Ela pede para manter seu sobrenome no anonimato porque a quest\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel em n\u00edvel familiar e tamb\u00e9m pessoal. \u201cTem sido uma luta incans\u00e1vel, mas hoje meu filho \u00e9 um sobrevivente\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cGastamos muito dinheiro, consultamos os melhores m\u00e9dicos. Estou dedicada 100% \u00e0 sua recupera\u00e7\u00e3o. E ele est\u00e1 cada dia melhor, se comunica, passeamos, brincamos\u201d, acrescentou, emocionada. Mas ela reconhece que os contrastes persistem, apesar dos avan\u00e7os da tecnologia nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>No Chile, onde o produto interno bruto supera os US$ 227 bilh\u00f5es, a renda de uma crian\u00e7a que vive em uma fam\u00edlia rica \u00e9 8.000% maior do que o de uma crian\u00e7a que nasceu em uma fam\u00edlia pobre, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Sol, em uma situa\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m da porcentagem, se repete na regi\u00e3o considerada a mais desigual do mundo. Isso tem reflexos em setores t\u00e3o indispens\u00e1veis como a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em 2002, por exemplo, cinco lactantes prematuros de fam\u00edlias de recursos escassos morreram por choque s\u00e9ptico em um hospital p\u00fablico da cidade de Vi\u00f1a del Mar, 140 quil\u00f4metros a nordeste de Santiago, ap\u00f3s receberem alimenta\u00e7\u00e3o parenteral contaminada com esgoto que ca\u00eda do andar superior. \u201cAs desigualdades persistem e sei que, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos os meios, a sa\u00fade de nosso filho estaria muito mais deteriorada. \u00c9 terr\u00edvel, mas \u00e9 assim\u201d, reconheceu M\u00f3nica.<\/p>\n<div id=\"attachment_195498\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/aldeiafamilia.jpg\"><img class=\"wp-image-195498\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/aldeiafamilia.jpg\" alt=\"Fam\u00edlia em uma aldeia \u00e0s margens do rio Atrato, no departamento de Choc\u00f3, na Col\u00f4mbia, onde a mortalidade infantil \u00e9 tr\u00eas vezes mais alta do que na capital. Foto: Jes\u00fas Abad Colorado\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Fam\u00edlia em uma aldeia \u00e0s margens do rio Atrato, no departamento de Choc\u00f3, na Col\u00f4mbia, onde a mortalidade infantil \u00e9 tr\u00eas vezes mais alta do que na capital. Foto: Jes\u00fas Abad Colorado\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Dados do Unicef mostram que, entre 1990 e 2013, a mortalidade de menores de cinco anos (medida para cada mil nascidos vivos) caiu 67% e, em compara\u00e7\u00e3o com o resto do mundo, a regi\u00e3o \u00e9 uma das que mais se destaca nesse progresso, junto com a \u00c1sia oriental e o Pac\u00edfico, que registram a mesma porcentagem de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a tabela de progressos dos ODM, a regi\u00e3o atingiu a meta de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil em dois ter\u00e7os, ao baixar de 54 para 19 os menores de cinco anos mortos em cada mil nascidos vivos, entre 1990 e 2013.<br \/>\nEsses avan\u00e7os est\u00e3o relacionados, entre outros fatores, com o crescimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o, que na \u00faltima d\u00e9cada permitiu que aproximadamente 70 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edssem da pobreza, de acordo com dados divulgados em 28 de maio, nesta capital, pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>As mortes que poderiam ser prevenidas s\u00e3o as principais causas da mortalidade infantil no mundo, mas na regi\u00e3o est\u00e3o principalmente marcadas pela persist\u00eancia de desigualdades causadas por fatores diversos, como o n\u00edvel de renda das fam\u00edlias, o grupo populacional ao qual pertencem, a localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o dos pais, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, para uma fam\u00edlia que vive longe de um centro de sa\u00fade em uma zona rural, o acesso \u00e9 mais complicado e isto pode afetar a sa\u00fade da crian\u00e7a, digamos, na hora de cumprir o calend\u00e1rio de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Brumana. \u201cTamb\u00e9m seria afetada pelo alto custo m\u00e9dico para uma fam\u00edlia de baixa renda, em um pa\u00eds que n\u00e3o conta com um sistema de prote\u00e7\u00e3o social, ou pela qualidade do servi\u00e7o de sa\u00fade, que \u00e9 fundamental para garantir o cuidado com a inf\u00e2ncia\u201d, destacou. \u201cN\u00e3o menos importante \u00e9 que os servi\u00e7os tenham em conta as diferen\u00e7as culturais de cada regi\u00e3o e possam oferecer servi\u00e7os adaptados aos diferentes costumes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Informe de Progresso 2014: Uma Promessa Renovada, do Unicef, indica que os cinco pa\u00edses que mais se destacaram na regi\u00e3o s\u00e3o Cuba, Chile, Antiga e Barbuda, Costa Rica e S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e Neves, que registraram menos de dez mortes por mil nascidos vivos. Os cinco pa\u00edses que apesar de seus progressos t\u00eam desafios maiores s\u00e3o Haiti, Bol\u00edvia, Guiana, Guatemala e Rep\u00fablica Dominicana, nessa ordem. No caso do Haiti, em 2013 morreram 73 crian\u00e7as para cada mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>\u201cExistem grandes desigualdades dentro do mesmo pa\u00eds\u201d, afirmou Brumana, acrescentando que, apesar de certos fatores influ\u00edrem mais do que outros, \u201cn\u00e3o podemos generalizar sobre quais influem mais\u201d. E apontou que \u201ccostumamos pensar que as crian\u00e7as de zonas rurais t\u00eam piores condi\u00e7\u00f5es, mas recentemente, nas migra\u00e7\u00f5es para as grandes cidades e nas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es que existem em \u00e1reas suburbanas, se v\u00ea que s\u00e3o igualmente limitadas\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 a Col\u00f4mbia, onde as m\u00e9dias nacionais s\u00e3o boas, mas no interior do pa\u00eds se observa grandes desigualdades entre seus departamentos. Por exemplo, o departamento de Choc\u00f3 tem \u00edndice de mortalidade infantil de menores de cinco anos tr\u00eas vezes maior do que o de Bogot\u00e1, de 30,5 e 13,77, respectivamente, segundo dados de 2011, pontuou Brumana. \u201cA prioridade agora \u00e9 dar melhor acesso aos grupos de popula\u00e7\u00e3o mais marginalizados, que geralmente s\u00e3o os que vivem em \u00e1reas afastadas ou grupos de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e afrodescendente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A especialista ressaltou a exist\u00eancia de iniciativas regionais que trabalham para conseguir avan\u00e7ar nesse sentido. Uma delas \u00e9 o movimento regional Uma Promessa Renovada para as Am\u00e9ricas, cujo objetivo \u00e9 reduzir as profundas desigualdades em sa\u00fade reprodutiva, maternal, neonatal, da inf\u00e2ncia e do adolescente, por meio do apoio pol\u00edtico e t\u00e9cnico aos pa\u00edses no desenvolvimento da detec\u00e7\u00e3o das desigualdades, na conscientiza\u00e7\u00e3o, unindo os atores mais importantes e promovendo o interc\u00e2mbio de boas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Outro desafio aponta para a redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de mortalidade neonatal, uma das etapas mais cr\u00edticas no desenvolvimento, que inclui os primeiros 28 dias de vida. Por ano, 2,8 milh\u00f5es de beb\u00eas morrem nessa fase em todo o mundo. Um milh\u00e3o nem mesmo chega ao segundo dia de vida.<\/p>\n<p>O importante agora \u00e9 manter as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 melhoria do acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de sa\u00fade, segundo o movimento regional. E, como sempre, garantir a educa\u00e7\u00e3o, um fator que contribui para reduzir a mortalidade infantil. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Marianela Jarroud, da IPS &ndash;&nbsp; Santiago, Chile, 5\/6\/2015 &ndash; Os n&uacute;meros da redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil na Am&eacute;rica Latina s&atilde;o apresentados como um exemplo por organismos internacionais e a regi&atilde;o j&aacute; cumpriu o quarto Objetivo de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM), de reduzir em dois ter&ccedil;os esse flagelo. 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