{"id":19158,"date":"2015-06-12T12:53:21","date_gmt":"2015-06-12T12:53:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195916"},"modified":"2015-06-12T12:53:21","modified_gmt":"2015-06-12T12:53:21","slug":"recorde-de-investimentos-em-paises-do-sul-mas-a-que-preco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/recorde-de-investimentos-em-paises-do-sul-mas-a-que-preco\/","title":{"rendered":"Recorde de investimentos em pa\u00edses do Sul, mas a que pre\u00e7o?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195917\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/infraestruturaBrasil.jpg\"><img class=\"wp-image-195917\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/infraestruturaBrasil.jpg\" alt=\"As grandes obras energ\u00e9ticas e de infraestrutura log\u00edstica no Brasil s\u00e3o conhecidas por seus atrasos, como acontece com a maioria de suas ferrovias, estradas, centrais el\u00e9tricas e seus portos. Foto: Dar\u00edo Montero\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As grandes obras energ\u00e9ticas e de infraestrutura log\u00edstica no Brasil s\u00e3o conhecidas por seus atrasos, como acontece com a maioria de suas ferrovias, estradas, centrais el\u00e9tricas e seus portos. Foto: Dar\u00edo Montero\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Kanya D\u2019Almeida, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 12\/6\/2015 \u2013 O investimento na infraestrutura de 139 economias em desenvolvimento alcan\u00e7ou o recorde de US$ 107,5 bilh\u00f5es em 2014. Desse total, 73% se concentraram em Brasil, Col\u00f4mbia, \u00cdndia, Peru e Turquia, segundo novos dados publicados pelo Banco Mundial. No dia 9, a atualiza\u00e7\u00e3o dos dados do Banco Mundial revelou que os projetos com participa\u00e7\u00e3o privada nos setores de \u00e1gua, energia e transporte chegaram a US$ 51,2 bilh\u00f5es no primeiro semestre de 2014, contra US$ 41,7 bilh\u00f5es em igual per\u00edodo de 2013.<\/p>\n<p>Baseados em uma an\u00e1lise do investimento realizado em mais de seis mil projetos em 139 pa\u00edses de rendas baixa e m\u00e9dia entre 1990 e 2014, os dados confirmam que o setor energ\u00e9tico teve a maior quantidade de projetos, mas que o transporte recebeu mais investimentos, no valor de US$ 55,3 bilh\u00f5es, ou 51% do total. Cerca de US$ 28,5 bilh\u00f5es foram investidos em 33 projetos de constru\u00e7\u00e3o de estradas, com quatro dos cinco maiores no Brasil e o restante na Turquia. Cinco projetos aeroportu\u00e1rios receberam US$ 13,2 bilh\u00f5es em compromissos de investimento.<\/p>\n<p>Impulsionada em grande parte pelo auge da infraestrutura no Brasil, Col\u00f4mbia e Peru, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe concentraram 55% do investimento mundial, com US$ 69,1 bilh\u00f5es no ano passado. Esses megaprojetos incluem 11 grandes empreendimentos, oito deles no setor energ\u00e9tico, que somente no Peru chega a mais de US$ 8 bilh\u00f5es. O maior deles, a linha 2 do metr\u00f4 de Lima, recebeu US$ 5,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o investimento na infraestrutura n\u00e3o cresceu em todas as regi\u00f5es. Na China e na \u00cdndia caiu, respectivamente, para US$ 2,5 bilh\u00f5es e US$ 6,2 bilh\u00f5es no ano passado. No caso chin\u00eas, foi a menor quantia investida desde 2010. Na \u00c1frica subsaariana o investimento caiu de US$ 9,3 bilh\u00f5es, em 2013, para US$ 2,6 bilh\u00f5es em 2014, embora o aumento da atividade na infraestrutura de Gana, Qu\u00eania e Senegal possa indicar que essa tend\u00eancia de baixa durar\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>O Banco Mundial calcula que o gasto em projetos de infraestrutura no ano passado representa 91% da m\u00e9dia investida no quinqu\u00eanio 2009-2013. \u201c\u00c9 a quarta maior quantidade de compromissos de investimento registrada, apena superada pelo n\u00edvel registrado entre 2010 e 2012\u201d, segundo comunicado do Banco Mundial divulgado no dia 9. Os dados revelam que o consenso mundial em apoio \u00e0s parcerias p\u00fablico-privadas (PPP) para os megaprojetos est\u00e1 dando seus frutos.<\/p>\n<p>Quase todos os grandes organismos internacionais, desde a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) at\u00e9 os bancos multilaterais de desenvolvimento, acreditam que refor\u00e7ar as redes de estradas, energia e transporte \u00e9 fundamental, j\u00e1 que mais de um bilh\u00e3o de pessoas n\u00e3o tem acesso a caminhos transit\u00e1veis durante todo o ano, 783 milh\u00f5es vivem sem fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e 1,3 bilh\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o conectadas a uma rede el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, um olhar mais atento para esses enormes projetos de infraestrutura e seus planos de financiamento sugere que a inje\u00e7\u00e3o de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em estradas e represas no Sul em desenvolvimento n\u00e3o s\u00f3 enriquece os setores mais ricos da popula\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m amea\u00e7a empobrecer mais os mais pobres e agravar a desigualdade mundial.<\/p>\n<p>O especialista em megaprojetos mais citado do mundo, Bent Flyvbjerg, da Universidade de Oxford, na Gr\u00e3-Bretanha, concluiu que somente um em cada mil desses projetos \u00e9 terminado no prazo, dentro do or\u00e7amento estabelecido e com a capacidade de prestar os servi\u00e7os prometidos. A imensa base da dados que Blyvbjerg acumulou sobre o assunto revela que aproximadamente 90% dos projetos de grande escala superam seus custos, frequentemente em mais de 50% do or\u00e7amento estabelecido, algo que acaba sendo pago pelos contribuintes.<\/p>\n<p>Nancy Alexander, diretora do Programa de Governan\u00e7a Econ\u00f4mica da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, da Alemanha, assegurou que esses projetos chegam a custar \u201cmilhares de milh\u00f5es e trilh\u00f5es de d\u00f3lares, por isso podem devastar o or\u00e7amento nacional de um pa\u00eds quando superam o or\u00e7amento e os prazos. Alexander apontou \u00e0 IPS que, embora exista uma real necessidade de melhorar a infraestrutura, sobretudo nos pa\u00edses em desenvolvimento, tamb\u00e9m h\u00e1 uma necessidade igualmente urgente de adaptar esses empreendimentos para os que mais se beneficiam com seus servi\u00e7os<\/p>\n<p>\u201cSeja na educa\u00e7\u00e3o, no saneamento, na \u00e1gua ou eletricidade, os projetos realmente devem ser de uma escala adequada para alcan\u00e7ar suas metas. Mas o conceito de escala adequada foi apagado do discurso pol\u00edtico, porque agora em lugar do \u2018pequeno \u00e9 bonito\u2019 o lema passa a ser \u2018grande \u00e9 melhor\u201d, afirmou Alexander. Parte do motivo dessa mudan\u00e7a, segundo os especialistas, \u00e9 a press\u00e3o para usar o investimento em infraestrutura para financiar o desenvolvimento, em particular o fortalecimento da colabora\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll revela que o grupo das 20 maiores economias do mundo busca financiar a chamada brecha de infraestrutura recorrendo aos cerca de US$ 80 trilh\u00f5es em fundos de pens\u00e3o, planos de seguro e outros meios de financiamento institucional privado de longo prazo, mediante a cria\u00e7\u00e3o de infraestrutura como se fosse um \u201ctipo de ativos\u201d.<\/p>\n<p>Com esse modelo, os governos empreender\u00e3o PPP e as institui\u00e7\u00f5es financeiras vender\u00e3o produtos financeiros \u201cque ofere\u00e7am aos investidores de longo prazo uma participa\u00e7\u00e3o em uma carteira de PPP\u201d. Segundo a Funda\u00e7\u00e3o, \u201cquando os especuladores controlam parte da infraestrutura f\u00edsica, esta fica sujeita aos caprichos de hordas de investidores e poderia desatar a instabilidade na presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos\u201d.<\/p>\n<p>A falta de provas sobre o \u00eaxito das PPP sugere que o ritmo atual do investimento na infraestrutura com participa\u00e7\u00e3o privada \u00e9, com sorte, uma aposta, e, no pior dos casos, uma receita para o desastre.<\/p>\n<p>Em uma amostragem de 128 PPP financiadas pelo Banco Mundial, 67% das correspondentes ao setor de distribui\u00e7\u00e3o de energia haviam fracassado, bem como 41% das referentes ao setor da \u00e1gua. Essas s\u00e3o as conclus\u00f5es do pr\u00f3prio grupo de avalia\u00e7\u00e3o independente do Banco Mundial (IEG). Outras investiga\u00e7\u00f5es indicam que os megaprojetos raramente levam a melhorias no acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos, j\u00e1 que muitos s\u00e3o feitos para atender a demanda mundial, n\u00e3o a local.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses destacados nos \u00faltimos dados do Banco Mundial t\u00eam p\u00e9ssimos antecedentes na gest\u00e3o de seus megaprojetos. As grandes iniciativas de infraestrutura energ\u00e9tica e log\u00edstica no Brasil, por exemplo, s\u00e3o conhecidas por seus atrasos, enquanto a maioria de suas ferrovias, estradas, centrais el\u00e9tricas e de seus portos tem v\u00e1rios anos de atraso. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Kanya D&rsquo;Almeida, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 12\/6\/2015 &ndash; O investimento na infraestrutura de 139 economias em desenvolvimento alcan&ccedil;ou o recorde de US$ 107,5 bilh&otilde;es em 2014. 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