{"id":19172,"date":"2015-06-10T13:36:03","date_gmt":"2015-06-10T13:36:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195735"},"modified":"2015-06-10T13:36:03","modified_gmt":"2015-06-10T13:36:03","slug":"amazonia-reflorestada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/amazonia-reflorestada\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia reflorestada"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195736\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-1-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-195736\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-1-629x472.jpg\" alt=\"Darc\u00edrio Wronski mostra as am\u00eandoas de cacau secando ao sol no p\u00e1tio de sua casa, com as quais elabora manteiga de cacau. Sua fam\u00edlia \u00e9 uma das 120 agrupadas em seis cooperativas que elaboram cacau org\u00e2nico na regi\u00e3o de Medicil\u00e2ndia e Altamira, no Estado do Par\u00e1. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Darc\u00edrio Wronski mostra as am\u00eandoas de cacau secando ao sol no p\u00e1tio de sua casa, com as quais elabora manteiga de cacau. Sua fam\u00edlia \u00e9 uma das 120 agrupadas em seis cooperativas que elaboram cacau org\u00e2nico na regi\u00e3o de Medicil\u00e2ndia e Altamira, no Estado do Par\u00e1. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Cultivadores de cacau org\u00e2nico reflorestam Amaz\u00f4nia brasileira &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Medicil\u00e2ndia, Brasil, 10\/6\/2015 \u2013 \u201cAgora nos damos conta do para\u00edso em que vivemos\u201d, reconheceu Darc\u00edrio Wronski, l\u00edder dos produtores de cacau org\u00e2nico na regi\u00e3o onde a rodovia Transamaz\u00f4nica cruza a bacia do rio Xingu, no norte do Brasil. Al\u00e9m do cacau, em seus cem hectares ele cultiva banana, cupua\u00e7u (<em>Theobroma grandiflorum<\/em>), abacaxi, maracuj\u00e1 (<em>Passiflora edulis<\/em>) e outras frutas, nativas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Com as frutas, sua mulher, Rosalina Brighanti, prepara geleias, que s\u00e3o tenta\u00e7\u00f5es por si mesmas, ou recheios de barras de chocolate, que ela e seus ajudantes produzem artesanalmente. Tudo com certificado org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Mas era mais parecida com o inferno a realidade que ambos enfrentaram nos anos 1970, quando migraram separadamente do sul do Brasil para Medicil\u00e2ndia, munic\u00edpio que se apresenta como \u201ca capital nacional do cacau\u201d, onde se conheceram, se casaram em 1980 e tiveram quatro filhos, que hoje trabalham com eles na propriedade.<\/p>\n<p>Vieram para a Amaz\u00f4nia devido \u00e0 publicidade enganosa do governo, na \u00e9poca uma ditadura militar, que prometia muita terra com toda a infraestrutrura e os servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o em assentamentos do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra). O objetivo era ocupar a Amaz\u00f4nia, considerada um vazio demogr\u00e1fico vulner\u00e1vel a invas\u00f5es e manobras internacionais, que poderiam tirar do Brasil a soberania sobre o imenso territ\u00f3rio de selvas, rios e poss\u00edveis riquezas minerais.<\/p>\n<p>A Transamaz\u00f4nica \u2013 uma estrada projetada para percorrer 4.965 quil\u00f4metros cruzando horizontalmente o pa\u00eds desde o nordeste at\u00e9 o extremo oeste \u2013 seria um eixo dessa integra\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica \u00e0 na\u00e7\u00e3o, ao longo do qual se assentaram milhares de fam\u00edlias rurais, procedentes de outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Inconclusa, sem pavimenta\u00e7\u00e3o nem pontes adequadas, a estrada logo ficou intransit\u00e1vel em muitos trechos, especialmente na \u00e9poca das chuvas.<\/p>\n<p>Os assentados ficaram abandonados, praticamente isolados, e provocando um extenso desmatamento. Medicil\u00e2ndia \u00e9 produto desse processo. Seu nome homenageia o general e presidente Garrastaz\u00fa M\u00e9dici (1969-1974), que inaugurou a Transamaz\u00f4nica em 1972. O lugar surgiu no quil\u00f4metro 90 da rodovia, se expandiu at\u00e9 ser reconhecido como munic\u00edpio, em 1989, onde agora vivem cerca de 29 mil pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_195737\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Rosalina.jpg\"><img class=\"wp-image-195737\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Rosalina.jpg\" alt=\"Rosalina Brighanti, conhecida como Dona Rosa, em sua cozinha, onde prepara doces, com o cartaz dos chocolates org\u00e2nicos, feitos sob padr\u00f5es especiais da fam\u00edlia, reconhecidos por consumidores e comerciantes no Brasil e no exterior. Foto: Mario Osava\/ IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Rosalina Brighanti, conhecida como Dona Rosa, em sua cozinha, onde prepara doces, com o cartaz dos chocolates org\u00e2nicos, feitos sob padr\u00f5es especiais da fam\u00edlia, reconhecidos por consumidores e comerciantes no Brasil e no exterior. Foto: Mario Osava\/ IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cPara os pioneiros da coloniza\u00e7\u00e3o foi uma tortura. Aqui n\u00e3o tinha nada para se comprar ou vender. Para comprar alguns alimentos t\u00ednhamos que viajar at\u00e9 Altamira, a cem quil\u00f4metros por estrada sem asfalto\u201d, recordou Rosalina, de 55 anos, mais conhecida como Dona Rosa.<\/p>\n<p>Natural do Estado de Santa Catarina, onde seu pai tinha uma pequena propriedade, imposs\u00edvel de dividir entre os dez filhos, Wronski buscou o \u201csonho amaz\u00f4nico\u201d. Ap\u00f3s fracassar com cultivos tradicionais como arroz e feij\u00e3o, acabou comprando uma \u00e1rea e plantando cacau, um cultivo local incentivado pelo governo. Sua op\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica acelerou o reflorestamento de suas terras, onde antes se cultivava cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O cacau agora aparece como alternativa para gera\u00e7\u00e3o de empregos e de renda para mitigar o desemprego local, quando terminar a constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte, a gigantesca hidrel\u00e9trica sobre o rio Xingu, localizada perto de Altamira, principal cidade da regi\u00e3o que engloba 11 munic\u00edpios. Suas primeiras turbinas devem gerar energia a partir deste ano, e as \u00faltimas em 2019.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o de empregos fixos nas obras de Belo Monte tirou m\u00e3o de obra do cacau. \u201cIsso provocou a perda de 30% na colheita de cacau de Medicil\u00e2ndia este ano\u201d, contou Wronski \u00e0 IPS durante uma visita \u00e0 sua planta\u00e7\u00e3o. \u201cConhe\u00e7o uma fam\u00edlia que tem 70 mil cacaueiros cujo filho trabalha em Belo Monte e n\u00e3o na colheita\u201d, disse este produtor de 64 anos. A expectativa \u00e9 que os trabalhadores voltem ao cacau quando se intensificarem as demiss\u00f5es nas construtoras, com a proximidade do final das obras.<\/p>\n<p>Para a manuten\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o suficientes as fam\u00edlias que vivem nas propriedades, mas a colheita exige m\u00e3o de obra adicional. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o preocupa o casal Wronski-Brighanti. Em sua propriedade vivem seis fam\u00edlias, duas de parentes e tr\u00eas de meeiros, que trabalham parcelas da planta\u00e7\u00e3o em troca de metade da colheita. Al\u00e9m disso, contam com trabalhadores ocasionais procedentes de uma agrovila vizinha, onde vivem cerca de 40 fam\u00edlias, boa parte sem cultivos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>As propriedades de cacau empregam muita gente porque \u201csua m\u00e3o de obra \u00e9 100% manual, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e1quinas para colher e quebrar seus frutos\u201d, explicou \u00e0 IPS o t\u00e9cnico local Alino Zavarise Bis, da Comiss\u00e3o Executiva do Plano de Cultivo do Cacau (Ceplac), \u00f3rg\u00e3o estatal de fomento, assist\u00eancia t\u00e9cnica e pesquisas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de empregos e renda que mant\u00eam as fam\u00edlias no campo, o cultivo de cacau impulsiona o reflorestamento. Medicil\u00e2ndia ainda tem dois ter\u00e7os de popula\u00e7\u00e3o rural e, vista do ar, mostra ser um munic\u00edpio que conservou suas florestas nativas. Isso ocorre porque os cacaueiros necessitam da sombra de \u00e1rvores mais altas, para sua sa\u00fade e produtividade. Quanto est\u00e3o crescendo, se usa a sombra de bananeiras, o que, por sua vez, aumentou muito a oferta local desse fruto.<\/p>\n<div id=\"attachment_195738\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-3.jpg\"><img class=\"wp-image-195738\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-3.jpg\" alt=\"Cacaueiro carregado de frutos, \u00e0 sombra de algumas plantas de banana, na propriedade da fam\u00edlia Wronski, no munic\u00edpio de Medicil\u00e2ndia, no Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, onde os produtores org\u00e2nicos ajudam a reflorestar a regi\u00e3o. Foto: Mario Osava\/ IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cacaueiro carregado de frutos, \u00e0 sombra de algumas plantas de banana, na propriedade da fam\u00edlia Wronski, no munic\u00edpio de Medicil\u00e2ndia, no Par\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, onde os produtores org\u00e2nicos ajudam a reflorestar a regi\u00e3o. Foto: Mario Osava\/ IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cTemos o privil\u00e9gio de trabalhar \u00e0 sombra\u201d, brincou Jedielcio Oliveira, coordenador comercial do Programa de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica, desenvolvido na regi\u00e3o Transamaz\u00f4nica\/Xingu pelo Ceplac, por outras institui\u00e7\u00f5es nacionais e pela Ag\u00eancia Alem\u00e3 de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica. Por\u00e9m, a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica ainda \u00e9 muito pequena, apenas 1% do total do Estado do Par\u00e1, onde fica Medicil\u00e2ndia e toda a \u00e1rea de influ\u00eancia de Belo Monte.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o cerca de 800 mil toneladas anuais de am\u00eandoas de cacau e um nicho de 120 fam\u00edlias, agrupadas em seis cooperativas\u201d, afirmou Bis. Wronski preside uma delas, a Cooperativa de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica da Amaz\u00f4nia, e acaba de ser eleito para encabe\u00e7ar a Cooperativa Central, rec\u00e9m-criada para coordenar atividades, como a comercializa\u00e7\u00e3o, das seis sociedades de produtores.<\/p>\n<p>\u201cO produtor org\u00e2nico deve ter um perfil distinto, mais sens\u00edvel \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e0 sustentabilidade. Enquanto o convencional objetiva a produtividade e os ganhos, o org\u00e2nico busca o bem-estar, a sa\u00fade familiar e a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, sem ignorar lucro, j\u00e1 que obt\u00e9m pre\u00e7os melhores\u201d, explicou o t\u00e9cnico do Ceplac.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, uma nova ades\u00e3o s\u00f3 acontece por convite de um s\u00f3cio da cooperativa, aprova\u00e7\u00e3o em assembleia e \u201cum processo de convers\u00e3o que dura tr\u00eas anos, tempo necess\u00e1rio para desintoxicar o solo\u201d, que recebeu venenos e fertilizantes qu\u00edmicos, acrescentou Bis. \u201cO sistema de produ\u00e7\u00e3o tem de ser org\u00e2nico, n\u00e3o apenas o produto final\u201d, ressaltou \u00e0 IPS outro produtor de cacau, Raimundo Silva, de Uruar\u00e1, munic\u00edpio a oeste de Medicil\u00e2ndia, e respons\u00e1vel comercial pela nova Cooperativa Central.<\/p>\n<p>O cacau org\u00e2nico do Par\u00e1 abastece, por exemplo, o grupo austr\u00edaco Zotter Chocolates, que anuncia uma variedade de 365 sabores e a pr\u00e1tica do com\u00e9rcio justo. No Brasil, tem entre seus clientes a empresa Harald, que exporta seus chocolates para mais de 30 pa\u00edses, e a companhia Natura Cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria, em geral, embora prefira a mat\u00e9ria-prima mais abundante e barata, agrega uma parte do org\u00e2nico, mais rico em manteiga, sempre que deseja produzir um chocolate de melhor qualidade. O cacau convencional, que usa pesticidas e outros produtos qu\u00edmicos, ainda domina o setor no Par\u00e1. Uma pequena f\u00e1brica de chocolate, a Cacauway, foi criada em 2010 em Medicil\u00e2ndia pela Cooperativa Agroindustrial da Transamaz\u00f4nica, formada por produtores n\u00e3o org\u00e2nicos.<\/p>\n<div id=\"attachment_195739\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-4.jpg\"><img class=\"wp-image-195739\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/chica-cacao-4.jpg\" alt=\"O produtor de cacau Jos\u00e9 Tinte Zeferino, conhecido como Cido, diante de sua casa, escondida entre uma densa vegeta\u00e7\u00e3o e rodeada por seus cacaueiros, no munic\u00edpio de Brasil Novo, perto do rio Xingu e da rodovia Transamaz\u00f4nica. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O produtor de cacau Jos\u00e9 Tinte Zeferino, conhecido como Cido, diante de sua casa, escondida entre uma densa vegeta\u00e7\u00e3o e rodeada por seus cacaueiros, no munic\u00edpio de Brasil Novo, perto do rio Xingu e da rodovia Transamaz\u00f4nica. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cO futuro do cacau est\u00e1 no Par\u00e1, que re\u00fane todas as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o, como chuva abundante, solos f\u00e9rteis e seu cultivo por agricultores familiares, que permanecem em suas terras, ao contr\u00e1rio dos grandes produtores que vivem nas cidades\u201d, destacou Bis. O Par\u00e1 ainda \u00e9 superado pelo Estado da Bahia, que concentra dois ter\u00e7os da produ\u00e7\u00e3o nacional de Cacau, mas a produtividade paraense alcan\u00e7a uma m\u00e9dia de 800 quilos para cada \u00e1rvore, o dobro da baiana, assegurou o especialista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os cacaueiros amaz\u00f4nicos convivem melhor com pragas como a vassoura de bruxa, que reduziu em 60% a colheita da Bahia na d\u00e9cada de 1990. Nessa \u00e9poca, o Brasil era o segundo produtor mundial, mas caiu para sexto lugar, superado por pa\u00edses da \u00c1frica ocidental, Indon\u00e9sia e inclusive o vizinho Equador.<\/p>\n<p><strong>De colonizador a reflorestador<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Tinte Zeferino, conhecido como Cido, de 57 anos, trouxe sua paix\u00e3o pelo caf\u00e9 do Estado do Paran\u00e1 at\u00e9 a rodovia Transamaz\u00f4nica. Sendo invi\u00e1vel a cafeicultura, tentou v\u00e1rios cultivos e acabou como produtor de cacau org\u00e2nico em Brasil Novo, munic\u00edpio vizinho a Altamira e ao rio Xingu. Mas agora sua paix\u00e3o \u00e9 florestal, as \u00e1rvores enormes que plantou ou conservou em sua propriedade de 98 hectares, adquirida h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>O cacaueiro exige sombra, mas Cido exagerou em sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade, segundo outros cooperativistas. \u201cProduzo entre 2.800 e tr\u00eas mil quilos por ano, e com a vantagem do melhor pre\u00e7o do cacau org\u00e2nico, basta para viver\u201d, afirmou. Sua alegria \u00e9 contemplar \u00e1rvores gigantescas e ter sua casa invis\u00edvel para quem est\u00e1 na rodovia, ocultada pela densa vegeta\u00e7\u00e3o. Ele radicalizou a convers\u00e3o do colonizador em reflorestador amaz\u00f4nico. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Esta reportagem integra uma s\u00e9rie concebida em colabora\u00e7\u00e3o com Ecosocialista Horizons.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; Cultivadores de cacau org&acirc;nico reflorestam Amaz&ocirc;nia brasileira &ndash;&nbsp; Medicil&acirc;ndia, Brasil, 10\/6\/2015 &ndash; &ldquo;Agora nos damos conta do para&iacute;so em que vivemos&rdquo;, reconheceu Darc&iacute;rio Wronski, l&iacute;der dos produtores de cacau org&acirc;nico na regi&atilde;o onde a rodovia Transamaz&ocirc;nica cruza a bacia do rio Xingu, no norte do Brasil. 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