{"id":19176,"date":"2015-06-10T12:28:47","date_gmt":"2015-06-10T12:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195731"},"modified":"2015-06-10T12:28:47","modified_gmt":"2015-06-10T12:28:47","slug":"amigas-legais-contra-a-violencia-machista-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/amigas-legais-contra-a-violencia-machista-na-india\/","title":{"rendered":"\u201cAmigas legais\u201d contra a viol\u00eancia machista na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195732\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/india_stella-629x435.jpg\"><img class=\"wp-image-195732\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/india_stella-629x435.jpg\" alt=\"A fam\u00edlia de Phulkali Bai a torturou por unir-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de mulheres Narmada Mahila Sangh (NMS), no centro da \u00cdndia, mas ela n\u00e3o se deixou intimidar. Foto: Stella Paul\/IPS\" width=\"340\" height=\"235\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A fam\u00edlia de Phulkali Bai a torturou por unir-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de mulheres Narmada Mahila Sangh (NMS), no centro da \u00cdndia, mas ela n\u00e3o se deixou intimidar. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por Stella Paul, da IPS<\/em><\/p>\n<p>Betul, \u00cdndia, 10\/6\/2015 \u2013 Mamta Bai, de 36 anos, recorda claramente da primeira vez que a pol\u00edcia foi \u00e0 sua aldeia no centro da \u00cdndia: foi em dezembro de 2014, sua vizinha tinha ficado inconsciente ap\u00f3s receber um golpe de seu marido alcoolizado, e ela precisou fazer um telefonema para a delegacia mais pr\u00f3xima. Os policiais retiraram o agressor de sua casa e perguntaram \u00e0s mulheres presentes se queriam que ele fosse detido. A resposta em un\u00edssono foi sim.<\/p>\n<p>Mas primeiro pediram que o deixassem amarrado a um poste em meio \u00e0 aldeia, no munic\u00edpio de Betul. \u201cQuer\u00edamos que todos vissem o que aconteceria aos maridos que agredissem suas mulheres daqui em diante\u201d, afirmou Mamta Bai, que funciona como <em>kanooni sakhi<\/em> (amiga legal, em h\u00edndi) na organiza\u00e7\u00e3o Narmada Mahila Sangh (NMS). A agrupa\u00e7\u00e3o, que ajuda as v\u00edtimas de viol\u00eancia machista a buscar justi\u00e7a, est\u00e1 presente em 213 povoados do Estado de Madhya Pradesh, no centro da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Sabendo que o abusador passaria umas poucas noites na pris\u00e3o e voltaria para casa e para os mesmos h\u00e1bitos, as mulheres unidas conseguiram que o homem assinasse uma carta ao chefe de pol\u00edcia se comprometendo a nunca mais voltar a bater em sua mulher. \u201cQuer\u00edamos que aprendesse a li\u00e7\u00e3o. A deten\u00e7\u00e3o e a humilha\u00e7\u00e3o de estar atado a um poste \u00e0 vista de todos lhe deu medo\u201d, contou Santri Bai, tamb\u00e9m integrante da NMS. \u201cAgora ele sabe, somos 42 mulheres dispostas a mand\u00e1-lo para a pris\u00e3o se voltar a bater na esposa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A NMS trabalha nos munic\u00edpios de Betul e Hoshangabad em Madhya Pradesh, um Estado com um grau de viol\u00eancia de g\u00eanero excepcionalmente alto, com 62% das mulheres v\u00edtimas de alguma forma de abuso, dez pontos acima da m\u00e9dia nacional de 52%. Os abusos incluem viol\u00eancia sexual, viola\u00e7\u00e3o marital, assassinato, socos, assassinatos por quest\u00f5es vinculadas ao dote e, no caso de mulheres acusadas de bruxaria, tortura e queimaduras. Entre 2013 e 2014, o Estado registrou dez mil atos de viol\u00eancia contra mulheres, quatro mil deles ocorridos em Betul.<\/p>\n<p>A NMS foi criada em 2002, para ajudar as mulheres a conseguirem empoderamento econ\u00f4mico, n\u00e3o para frear a viol\u00eancia de g\u00eanero. Segundo a Comiss\u00e3o de Planejamento da \u00cdndia, 35% da popula\u00e7\u00e3o de Madhya Pradesh vive em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza, superando a m\u00e9dia nacional de 25%. Isto \u00e9, 30 milh\u00f5es de pessoas vivem com menos de US$ 1,25 por dia.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos a participar de reuni\u00f5es e visitar nossas casas para discutir diferentes formas de renda e nos interessamos em assuntos familiares, como a educa\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d, contou Asha Ayulkar, da aldeia de Chiklar, perto de Betul. \u201cOs homens ficaram enfurecidos porque viram isso como um desafio \u00e0 sua autoridade e uma quebra da tradi\u00e7\u00e3o, e bateram nelas como castigo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div id=\"attachment_195733\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/india_stella2.jpg\"><img class=\"wp-image-195733\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/india_stella2.jpg\" alt=\"Mulheres que integram a organiza\u00e7\u00e3o feminina Narmada Mahila Sangh (NMS) reunidas na aldeia de Borgaon, no Estado de Madhya Pradesh, centro da \u00cdndia. Foto: Stella Paul\/IPS\" width=\"340\" height=\"231\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres que integram a organiza\u00e7\u00e3o feminina Narmada Mahila Sangh (NMS) reunidas na aldeia de Borgaon, no Estado de Madhya Pradesh, centro da \u00cdndia. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Em 2013, com nove mil integrantes, a NMS come\u00e7ou sua cruzada com o convencimento de que a situa\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o melhoraria se n\u00e3o fossem atendidos ao mesmo tempo os valores patriarcais profundamente arraigados. O primeiro objetivo foi garantir a capacita\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que muitas mulheres em \u00e1reas rurais mal t\u00eam educa\u00e7\u00e3o formal, quanto mais conhecimento legal especializado.<\/p>\n<p>A alfabetiza\u00e7\u00e3o em Madhya Pradesh gira em torno dos 70% de sua popula\u00e7\u00e3o, mas cai para 60% no caso das mulheres, o que tampouco reflete a realidade, pois muitas adolescentes costumam abandonar a escola antes de terminarem o secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Com ajuda de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, como a Prada, 30 integrantes da NMS se capacitaram em assuntos parajudiciais e depois se converteram em painelistas que capacitaram outras mulheres sobre leis e pol\u00edticas vigentes e sobre como realizar uma investiga\u00e7\u00e3o b\u00e1sica antes de recorrer \u00e0 pol\u00edcia. \u201cTamb\u00e9m aprendemos como falar a uma sobrevivente e ajud\u00e1-la, uma <em>kanooni sakhi<\/em> deve se reunir com ela a s\u00f3s, olhar em seus olhos e ser firme, mas compreensiva\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cAprendemos sobre o C\u00f3digo Penal e seus artigos vinculados a tortura, agress\u00e3o, viola\u00e7\u00e3o e morte relacionada com o dote\u201d, disse Ayulkar, que tem 50 anos e, apesar de s\u00f3 ter estudado at\u00e9 o sexto ano, atualmente \u00e9 a especialista parajudicial mais respeitada do distrito e com \u00eaxito superior a 80% dos casos.<\/p>\n<p>A iniciativa pode parecer pequena diante da generaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia machista neste pa\u00eds de 1,2 bilh\u00e3o de habitantes. O abuso sexual e f\u00edsico est\u00e1 muito sub-registrado em toda a \u00cdndia. Um estudo da revista <em>American Journal of Epidemiology <\/em>revelou que apenas 2% das v\u00edtimas denunciam casos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Parte da explica\u00e7\u00e3o pode ser a lament\u00e1vel escassez de condena\u00e7\u00f5es. O Escrit\u00f3rio Nacional de Registro de Delitos estima que apenas 30% dos casos acabam em alguma pena. Isto significa que sete em cada dez acusados ficam livres. E mesmo os condenados ficam livres poucos anos depois, ou, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo em poucos dias.<\/p>\n<p>\u201cA NMS capacita as mulheres sobre como realizar a den\u00fancia, como pedir um advogado p\u00fablico, quando n\u00e3o podem pagar um, e como realizar um acompanhamento de seu processo mediante a lei de Direito \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Mamta Bai \u00e0 IPS. \u201cAgora as mulheres registram cada caso\u201d, disse Angana Gupta, diretora-adjunta da L&amp;T Finances, uma das organiza\u00e7\u00f5es associadas com a Prada. O aprendizado de quest\u00f5es legais foi acabou sendo a parte mais f\u00e1cil. O mais dif\u00edcil foi, e continua sendo, mudar os comportamentos e as atitudes sociais nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Ramvati Bai, da aldeia de Bakud, era uma vi\u00fava com dois filhos que teve de suportar durante tr\u00eas anos os abusos sexuais e as agress\u00f5es de seu sogro, at\u00e9 que criou coragem para denunci\u00e1-lo, mas a pol\u00edcia considerou que se tratava de um \u201cassunto familiar\u2019. Com ajuda da NMS, a pol\u00edcia registrou a den\u00fancia e deteve o homem. Mas a fam\u00edlia se colocou contra Ramvati e a puseram para fora de casa. Felizmente, ela conseguiu refazer sua vida gra\u00e7as \u00e0 ajuda dessa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Nirmala Bai, de 28 anos, n\u00e3o teve a mesma sorte. Ela morreu em 2013, supostamente estrangulada por seu marido, que em seguida ateou fogo no cad\u00e1ver. A pol\u00edcia o deteve e o acusou de incitamento ao suic\u00eddio, mas lhe concederam liberdade condicional. Embora a NMS n\u00e3o tenha ficado parada e tenha procurado justi\u00e7a para Nirmala, por fim teve que abandonar o caso porque a fam\u00edlia dela se negou a depor como testemunha.<\/p>\n<p>As integrantes da NMS n\u00e3o se deixam abater por esses reveses. Mant\u00eam os programas de microcr\u00e9dito e defendem quem necessita de sua ajuda. \u201cQueremos uma vida digna e livre de viol\u00eancia\u201d, destacou Ramvati Bai \u00e0 IPS. \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada mais importante do que isso\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Stella Paul, da IPS Betul, &Iacute;ndia, 10\/6\/2015 &ndash; Mamta Bai, de 36 anos, recorda claramente da primeira vez que a pol&iacute;cia foi &agrave; sua aldeia no centro da &Iacute;ndia: foi em dezembro de 2014, sua vizinha tinha ficado inconsciente ap&oacute;s receber um golpe de seu marido alcoolizado, e ela precisou fazer um telefonema para [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/amigas-legais-contra-a-violencia-machista-na-india\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1384,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[26,2458,24,2783,1882],"class_list":["post-19176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-india","tag-inter-press-service","tag-mulheres","tag-news3","tag-violencia-contra-mulher"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1384"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19176"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19176\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19177,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19176\/revisions\/19177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}