{"id":19181,"date":"2015-06-15T13:07:18","date_gmt":"2015-06-15T13:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=195990"},"modified":"2015-06-15T13:07:18","modified_gmt":"2015-06-15T13:07:18","slug":"kofi-annan-pede-revolucao-energetica-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/kofi-annan-pede-revolucao-energetica-na-africa\/","title":{"rendered":"Kofi Annan pede revolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_195991\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/energia1.jpg\"><img class=\"wp-image-195991\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/energia1.jpg\" alt=\"Com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul, que gera metade da eletricidade da regi\u00e3o, os 47 pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana consomem menos energia el\u00e9trica do que a Espanha. Foto: Ed Mckenna\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul, que gera metade da eletricidade da regi\u00e3o, os 47 pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana consomem menos energia el\u00e9trica do que a Espanha. Foto: Ed Mckenna\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Kwame Buist, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 15\/6\/2015 \u2013 Os governos da \u00c1frica devem iniciar uma revolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para aumentar sua produtividade agr\u00edcola, melhorar a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e contribuir para a redu\u00e7\u00e3o no longo prazo das emiss\u00f5es contaminantes de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mensagem de um novo informe do Painel para o Progresso da \u00c1frica, um comit\u00ea integrado por dez personalidades internacionais e presidido pelo ex-secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Kofi Annan (2001-2006), que trabalha pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel desse continente.<\/p>\n<p>O informe <em>Poder, Pessoas, Planeta: Aproveitar a Energia da \u00c1frica e As Oportunidades Clim\u00e1ticas<\/em> defende que a gera\u00e7\u00e3o de energia no continente se multiplique por dez para que todos os africanos tenham acesso a eletricidade em 2030. Isso reduziria a pobreza e a desigualdade, impulsionaria o crescimento e uma lideran\u00e7a em mat\u00e9ria clim\u00e1tica que \u00e9 escassa no plano internacional.<\/p>\n<p>O documento tamb\u00e9m exorta os governos africanos, investidores e as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais a redobrarem consideravelmente seus investimentos em energia, para liberar o potencial que tem a \u00c1frica como superpot\u00eancia mundial em baixo consumo de di\u00f3xido de carbono<\/p>\n<p>\u201cRecha\u00e7amos categoricamente a ideia de que a \u00c1frica precisa escolher entre o crescimento e o desenvolvimento com baixo consumo de carv\u00e3o\u201d, afirmou Annan, natural de Gana. \u201cA \u00c1frica precisa utilizar todos os seus ativos de energia no curto prazo, ao mesmo tempo em que constr\u00f3i as bases de uma infraestrutura competitiva, com baixo consumo de carbono\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mais de 62 milh\u00f5es de habitantes da \u00c1frica subsaariana n\u00e3o t\u00eam acesso a eletricidade, e o n\u00famero aumenta. Segundo o informe, com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul, que gera metade da eletricidade da regi\u00e3o, os 47 pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana consomem menos eletricidade do que a Espanha.<\/p>\n<p>O habitante m\u00e9dio da Tanz\u00e2nia levaria oito anos para consumir tanta energia el\u00e9trica quanto o norte-americano m\u00e9dio consome em apenas um m\u00eas. No transcurso de um ano, uma pessoa na Gr\u00e3-Bretanha, que ferve uma chaleira cheia de \u00e1gua duas vezes por dia, utiliza cinco vezes mais eletricidade do que a consumida por um et\u00edope no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Calcula-se que a escassez de eletricidade reduz o crescimento da regi\u00e3o entre 2% e 4% ao ano, o que freia a cria\u00e7\u00e3o de empregos e o combate \u00e0 pobreza. A brecha de gera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica existente entre a \u00c1frica e outras regi\u00f5es \u00e9 cada vez maior. A Nig\u00e9ria, por exemplo, \u00e9 uma pot\u00eancia exportadora de petr\u00f3leo, mas 95 milh\u00f5es de seus 177 milh\u00f5es de habitantes dependem da madeira, do carv\u00e3o e da palha para obter sua energia.<\/p>\n<p>O informe assegura que as fam\u00edlias que vivem com menos de US$ 2,5 por dia gastam, coletivamente, US$ 10 bilh\u00f5es por ano em produtos relacionados com a energia, como carv\u00e3o, querosene, velas e tochas. As fam\u00edlias mais pobres da \u00c1frica gastam em ilumina\u00e7\u00e3o cerca de US$ 10 por quilowatt\/hora (kwh), 20 vezes mais do que os mais ricos do continente. Em compara\u00e7\u00e3o, o custo m\u00e9dio da eletricidade nos Estados Unidos \u00e9 de US$ 0,12\/kwh e na Gr\u00e3-Bretanha de US$ 0,15\/kwh.<\/p>\n<p>O informe exorta os l\u00edderes africanos a iniciarem uma revolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que conecte os desconectados e atenda a necessidade de eletricidade de baixo custo e confi\u00e1vel dos consumidores, das empresas e dos investidores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, prop\u00f5e aos governos africanos:<\/p>\n<ul>\n<li>utilizar o g\u00e1s natural da regi\u00e3o para exportar e atender a demanda nacional, ao mesmo tempo aproveitando o grande potencial da \u00c1frica em energia renov\u00e1vel ainda sem explorar;<\/li>\n<li>erradicar a corrup\u00e7\u00e3o, fazer com que a gest\u00e3o das empresas de energia seja mais transparente, fortalecer as normas vigentes e aumentar o gasto p\u00fablico na infraestrutura energ\u00e9tica;<\/li>\n<li>canalizar os US$ 21 bilh\u00f5es empregados para subsidiar servi\u00e7os p\u00fablicos deficit\u00e1rios e no consumo de eletricidade, que beneficiam principalmente os ricos, para os subs\u00eddios destinados \u00e0 conex\u00e3o e ao investimento em energias renov\u00e1veis que levem eletricidade aos pobres.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O documento tamb\u00e9m pede que seja refor\u00e7ada a coopera\u00e7\u00e3o internacional para fechar a brecha de financiamento do setor energ\u00e9tico africano, estimada em US$ 55 bilh\u00f5es anuais at\u00e9 2030, que inclui US$ 35 bilh\u00f5es para investimentos em esta\u00e7\u00f5es, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da energia, e US$ 20 bilh\u00f5es pelos custos do acesso universal.<\/p>\n<p>Considera-se necess\u00e1rio um fundo mundial que permita conectar mais 600 milh\u00f5es de africanos at\u00e9 2030, e que impulsione o investimento no fornecimento de energia dentro e fora da rede. Doadores e institui\u00e7\u00f5es financeiras devem liberar o investimento privado mediante garantias de risco e financiamento da mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O informe tamb\u00e9m desafia os governos africanos e seus s\u00f3cios internacionais a aumentarem o n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o da decisiva COP 21, a anual Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em Paris em dezembro e deve aprovar um novo tratado clim\u00e1tico, universal e vinculante. Com essa finalidade, o documento pede a reforma integral do sistema de financiamento clim\u00e1tico, atualmente fragmentado, ineficaz e com recursos insuficientes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m exorta o Grupo dos 20 pa\u00edses mais ricos a fixar um calend\u00e1rio para a elimina\u00e7\u00e3o gradual de seus subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, com a proibi\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios para prospec\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 2018. \u201cMuitos governos dos pa\u00edses ricos nos dizem que querem um acordo clim\u00e1tico, mas, ao mesmo tempo, subsidiam com milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares dos contribuintes a descoberta de novas reservas de carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s\u201d, afirmou Annan. \u201cDeveriam tirar o carbono do mercado por meio dos impostos, n\u00e3o subsidiando uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo Annan, \u201cao especular e esperar que outros pa\u00edses atuem primeiro, alguns governos est\u00e3o jogando p\u00f4quer com o planeta e a vida das gera\u00e7\u00f5es futuras. Este n\u00e3o \u00e9 o momento para a prevarica\u00e7\u00e3o, o interesse de curto prazo e a ambi\u00e7\u00e3o limitada, mas para a audaz lideran\u00e7a mundial e a a\u00e7\u00e3o decisiva\u201d.<\/p>\n<p>O ex-secret\u00e1rio-geral da ONU acrescentou que \u201cpa\u00edses como Eti\u00f3pia, Qu\u00eania, Ruanda e \u00c1frica do Sul se colocam como principais candidatos na transi\u00e7\u00e3o mundial para a energia de baixo consumo de carbono\u201d. E ressaltou que a \u201c\u00c1frica est\u00e1 bem posicionada para expandir a gera\u00e7\u00e3o de energia necess\u00e1ria para impulsionar o crescimento, levar energia a todos e desempenhar um papel de lideran\u00e7a nas negocia\u00e7\u00f5es sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Kwame Buist, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 15\/6\/2015 &ndash; Os governos da &Aacute;frica devem iniciar uma revolu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica para aumentar sua produtividade agr&iacute;cola, melhorar a capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e contribuir para a redu&ccedil;&atilde;o no longo prazo das emiss&otilde;es contaminantes de di&oacute;xido de carbono. 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