{"id":19183,"date":"2015-06-16T14:05:12","date_gmt":"2015-06-16T14:05:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196064"},"modified":"2015-06-16T14:05:12","modified_gmt":"2015-06-16T14:05:12","slug":"conceito-de-cidadania-mundial-esta-longe-da-agenda-pos-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/conceito-de-cidadania-mundial-esta-longe-da-agenda-pos-2015\/","title":{"rendered":"Conceito de \u201ccidadania mundial\u201d est\u00e1 longe da Agenda p\u00f3s-2015"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196065\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/peace-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-196065\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/peace-629x420.jpg\" alt=\"O s\u00edmbolo da paz formado por ativistas na Cro\u00e1cia. Foto: Teophil\/cc by 3.0\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O s\u00edmbolo da paz formado por ativistas na Cro\u00e1cia. Foto: Teophil\/cc by 3.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/6\/2015 \u2013 Quando a Dinamarca organizou a C\u00fapula Mundial sobre Desenvolvimento Social (CMDS), em mar\u00e7o de 1995, uma das conclus\u00f5es dessa reuni\u00e3o na cidade de Copenhague foi a futura cria\u00e7\u00e3o de um contrato social tendo \u201cas pessoas no centro do desenvolvimento\u201d. Apesar das defici\u00eancias em sua execu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 20 anos, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) busca cumprir um objetivo id\u00eantico, mas com um tom pol\u00edtico, o da \u201ccidadania mundial\u201d.<\/p>\n<p>A ONU est\u00e1 dando os \u00faltimos retoques em sua Agenda de Desenvolvimento P\u00f3s-2015, ao mesmo tempo em que as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil pedem que se concentre na pobreza e na fome, no desemprego, na urbaniza\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o, no desarmamento nuclear e no empoderamento da mulher, na popula\u00e7\u00e3o, nos direitos humanos e no ambiente, entre outros assuntos relacionados com as pessoas.<\/p>\n<p>\u201cNosso mundo precisa de mais energia e\u00f3lica e solar. Mas creio em uma fonte de energia ainda mais forte, o poder das pessoas\u201d, afirmou o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, em setembro de 2014.<\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o no 20\u00ba anivers\u00e1rio da CMDS, o vice-presidente do Conselho Econ\u00f4mico e Social da ONU (Ecosoc), o sul-coreano Oh Joon, afirmou que um dos tr\u00eas principais objetivos da C\u00fapula de Copenhague, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, foi incorporado aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), adotados em 2000, mas os outros dois, o emprego produtivo e a integra\u00e7\u00e3o social, foram exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>\u201cO enfoque integrado impulsionado na CMDS para buscar simultaneamente os tr\u00eas objetivos principais foi exclu\u00eddo\u201d, apontou na sess\u00e3o da Ecosoc do dia 8 deste m\u00eas. \u00c9 preciso reexaminar a agenda de desenvolvimento da ONU, afirmou Joon. O crescimento econ\u00f4mico em si mesmo, embora necess\u00e1rio, n\u00e3o basta para reduzir a pobreza e a desigualdade, ressaltou, lembrando a necessidade de pol\u00edticas sociais s\u00f3lidas, bem como de um desenvolvimento inclusivo e sustent\u00e1vel. Do mesmo modo, h\u00e1 numerosos v\u00ednculos entre os \u00e2mbitos sociais, econ\u00f4micos e ambientais que devem ser abordados de maneira efetiva, ressaltou.<\/p>\n<p>Entretanto, o conceito de cidadania mundial ganhou maior import\u00e2ncia, sobretudo \u00e0 v\u00e9spera da aprova\u00e7\u00e3o da agenda de desenvolvimento p\u00f3s-2015, que, provavelmente, acontecer\u00e1 em uma reuni\u00e3o de c\u00fapula de governantes a ser realizada em setembro. \u201cSe por cidadania entende-se os direitos e, em particular, o direito de os governos prestarem contas e decidirem como utilizar os impostos, estamos muito longe da cidadania mundial\u201d, respondeu \u00e0 IPS Roberto Bissio, diretor do Instituto do Terceiro Mundo, uma organiza\u00e7\u00e3o de pesquisa com sede no Uruguai, quando perguntado sobre a relev\u00e2ncia desse conceito no contexto p\u00f3s-2015.<\/p>\n<p>De fato, pouco se fala da cidadania nos debates preparat\u00f3rios para a confer\u00eancia sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FDP), que acontecer\u00e1 em julho na Eti\u00f3pia, e tamb\u00e9m da c\u00fapula mundial sobre uma nova agenda de desenvolvimento em setembro, acrescentou Bissio. Por outro lado, afirmou que se d\u00e1 grande aten\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cmultiplicidade de partes interessadas\u201d.<\/p>\n<p>A ideia de \u201cpartes interessadas\u201d, em lugar de \u201cacionistas\u201d, foi a maneira como se idealizou originalmente para que as empresas fossem mais respons\u00e1veis diante das pessoas afetadas por suas a\u00e7\u00f5es. Agora, \u201ca governan\u00e7a de m\u00faltiplas partes interessadas\u201d, na internet ou em \u201calian\u00e7as\u201d com a ONU, significa que empresas ter\u00e3o um papel na governan\u00e7a mundial, sem que necessariamente tenham que prestar mais contas, segundo Bissio, que tamb\u00e9m coordena a secretaria da Social Watch, uma rede internacional de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. \u201cIsso significa menos direitos para os cidad\u00e3os, nada mais que isso\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Ao apontar o \u00eaxito das pol\u00edticas voltadas para as pessoas, o ex-presidente do Chile, Eduardo Frei (1994-2000), disse que quando governava seu pa\u00eds, em 1995, apoiou v\u00e1rias iniciativas para promover a democracia e a justi\u00e7a social. Nos \u00faltimos 25 anos, o Chile reduziu a pobreza de 38,6% para 7,8% da popula\u00e7\u00e3o, e a pobreza extrema de 13% para 2,5%, assegurou.<\/p>\n<p>A CMDS de 1995 foi a maior c\u00fapula de chefes de Estado e de governo que deu lugar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um novo modelo de desenvolvimento que geraria a igualdade necess\u00e1ria para remediar a iniquidade mundial, pontuou Frei. \u201cO ser humano foi colocado no centro do desenvolvimento, tal como se reflete no plano de a\u00e7\u00e3o da CMDS\u201d, ressaltou. Mediante a aplica\u00e7\u00e3o desse plano, o Chile refor\u00e7ou seu investimento no desenvolvimento social e, com a atual presidente, Michele Bachelet, continua fazendo-o para combater a desigualdade, afirmou o ex-mandat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo Frei, embora a Am\u00e9rica Latina tenha reduzido a pobreza, continua sendo \u201cmais desigual\u201d do que outras regi\u00f5es e atualmente 167 milh\u00f5es de pessoas, ou 28% de seus pouco mais de 600 milh\u00f5es de habitantes, vivem na pobreza, enquanto 71 milh\u00f5es vivem na pobreza extrema. Algumas tarefas urgentes s\u00e3o pensar em um novo pacto e uma reforma fiscais que melhorem a distribui\u00e7\u00e3o da renda, a fim de evitar o \u201cfalso\u201d desenvolvimento, e tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio combater a corrup\u00e7\u00e3o e empreender a reforma institucional, acrescentou. \u201cComo tal, a CMDS continua sendo t\u00e3o v\u00e1lida hoje como em 1995\u201d, ressaltou Frei.<\/p>\n<p>Com vistas ao futuro, Frei afirma que a luta contra a pobreza e as desigualdades exige um fundamento \u00e9tico e um esfor\u00e7o sustentado. Nessa encruzilhada, \u00e9 ora de os governos darem maior impulso ao \u201cmovimento moral\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Juan Somav\u00eda, ex-diretor da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), disse na reuni\u00e3o do Ecosoc que o rascunho da agenda p\u00f3s-2015 recuperou o esp\u00edrito e o dinamismo da d\u00e9cada de 1990, e que \u00e9 uma boa base para as negocia\u00e7\u00f5es. \u201cO documento reflete uma vis\u00e3o extremamente ambiciosa, com suas 17 metas e 69 indicadores centrados em um conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel focado nas pessoas e na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d, acrescentou, afirmando que quanto aos desafios, o apoio pol\u00edtico da ONU ser\u00e1 fundamental.<\/p>\n<p>Como o mundo discutiu os tr\u00eas elementos do desenvolvimento sustent\u00e1vel mas ainda n\u00e3o os aplicou, o desafio b\u00e1sico que resta \u00e9 garantir o pensamento integrado e dar forma aos m\u00e9todos para utiliz\u00e1-lo para que expliquem claramente os tipos de intera\u00e7\u00f5es entre os tr\u00eas pilares da agenda necess\u00e1rios para cumprir os compromissos, explicou Somav\u00eda.<\/p>\n<p>Essa \u00e1rdua tarefa exige uma iniciativa das secretarias da ONU em Nova York e Genebra, de seus fundos e programas e de numerosas redes nas regi\u00f5es onde opera o f\u00f3rum mundial. E a menos que esse processo comece imediatamente ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o da nova agenda, esses \u201cbens\u201d n\u00e3o poder\u00e3o ser entregues. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/6\/2015 &ndash; Quando a Dinamarca organizou a C&uacute;pula Mundial sobre Desenvolvimento Social (CMDS), em mar&ccedil;o de 1995, uma das conclus&otilde;es dessa reuni&atilde;o na cidade de Copenhague foi a futura cria&ccedil;&atilde;o de um contrato social tendo &ldquo;as pessoas no centro do desenvolvimento&rdquo;. 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