{"id":19187,"date":"2015-06-17T13:13:54","date_gmt":"2015-06-17T13:13:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196140"},"modified":"2015-06-17T13:13:54","modified_gmt":"2015-06-17T13:13:54","slug":"migrantes-latino-americanos-rumam-para-vizinhos-prosperos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/migrantes-latino-americanos-rumam-para-vizinhos-prosperos\/","title":{"rendered":"Migrantes latino-americanos rumam para vizinhos pr\u00f3speros"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196141\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/migrantes.jpg\"><img class=\"wp-image-196141\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/migrantes.jpg\" alt=\"Haitianos em uma lotada passagem fronteiri\u00e7a entre seu pa\u00eds e a Rep\u00fablica Dominicana. Os dois pa\u00edses compartilham a ilha caribenha La Espa\u00f1ola e t\u00eam um dos mais altos fluxos migrat\u00f3rios da regi\u00e3o. Foto: Patricia Grogg\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Haitianos em uma lotada passagem fronteiri\u00e7a entre seu pa\u00eds e a Rep\u00fablica Dominicana. Os dois pa\u00edses compartilham a ilha caribenha La Espa\u00f1ola e t\u00eam um dos mais altos fluxos migrat\u00f3rios da regi\u00e3o. Foto: Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ivet Gonz\u00e1lez, da IPS<\/em><\/p>\n<p>Cidade do Panam\u00e1, Panam\u00e1, 17\/6\/2015 \u2013 A rota migrat\u00f3ria do jovem venezuelano Jes\u00fas Padr\u00f3n teve como primeiro destino a Espanha, onde ficou por seis meses em 2009. Mas decidiu regressar ao seu pa\u00eds, terminar a universidade e voltar a tentar a sorte, desta vez no Panam\u00e1, onde vive desde 2013. \u201cO Panam\u00e1 me dava estabilidade econ\u00f4mica e era muito seguro. Tamb\u00e9m vim fugindo da viol\u00eancia que existe em meu pa\u00eds de origem\u201d, contou \u00e0 IPS este graduado em Ci\u00eancias Sociais que trabalha como guia tur\u00edstico, enquanto economiza para melhorar seu <i>status<\/i> migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Padr\u00f3n personifica de alguma maneira a migra\u00e7\u00e3o intra-regional, um fen\u00f4meno crescente que atesta, entre outras mudan\u00e7as, os avan\u00e7os econ\u00f4micos de algumas na\u00e7\u00f5es da \u00e1rea, embora permane\u00e7a ofuscado pelo grande peso dos Estados Unidos como destino para a migra\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>Entre os migrantes dentro da regi\u00e3o, predominam os jovens e as mulheres, mas o grupo dos profissionais e estudantes tamb\u00e9m come\u00e7ou a optar por na\u00e7\u00f5es vizinhas emergentes na economia, pol\u00edtica e sociedade, em detrimento de Europa e Estados Unidos, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Atualmente s\u00e3o registrados 7,6 milh\u00f5es de imigrantes na regi\u00e3o, dos quais 3,7 milh\u00f5es procedem da \u00e1rea, equivalentes a 63% do total, segundo o informe <i>Tend\u00eancias e Padr\u00f5es de Imigra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e Caribenha em 2010 e Desafios Para Uma Agenda Regional<\/i>, divulgado no final do ano passado pela Cepal.<\/p>\n<p>Padr\u00f3n, de 29 anos, tamb\u00e9m lavou carro e fez outros trabalhos tempor\u00e1rios, mas acredita que logo vai melhorar sua situa\u00e7\u00e3o, \u201cporque o Panam\u00e1 tem m\u00e9todos de regulariza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estar em movimento com sustentados crescimentos econ\u00f4micos a cada ano\u201d.<\/p>\n<p>A Cepal prev\u00ea que este ano haver\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica regional, mas que o Panam\u00e1 encabe\u00e7a o punhado de pa\u00edses que, prognostica, manter\u00e1 um alto n\u00edvel de expans\u00e3o de seu produto interno bruto (6%), seguido de Antiga e Barbuda (5,4%), mais Bol\u00edvia, Nicar\u00e1gua e Rep\u00fablica Dominicana (5%).<\/p>\n<p>Em particular, a Am\u00e9rica do Sul teria este ano uma taxa de crescimento em torno de zero, com risco de come\u00e7ar o retorno \u00e0 pobreza das grandes camadas da popula\u00e7\u00e3o que passaram a engrossar a classe m\u00e9dia, gra\u00e7as a maci\u00e7as pol\u00edticas sociais possibilitadas pela bonan\u00e7a econ\u00f4mica. Entre outras raz\u00f5es, foi por esses avan\u00e7os que, no per\u00edodo 2000-2010, os interc\u00e2mbios regionais se aceleraram ao ritmo anual de 3,5%, acima do 1% registrado durante os 20 anos anteriores, afirma o estudo sobre os desafios a serem enfrentados pelos governos em mat\u00e9ria migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Argentina, Venezuela, Costa Rica e Rep\u00fablica Dominicana s\u00e3o os maiores receptores dos fluxos migrat\u00f3rios intra-regionais. Os principais \u00eaxodos ocorrem do Haiti para a Rep\u00fablica Dominicana, da Nicar\u00e1gua para a Costa Rica, e da Col\u00f4mbia para a Venezuela, enquanto a Argentina e suas pioneiras leis migrat\u00f3rias atraem vizinhos do Paraguai e da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Inclusive os emigrantes cubanos, que tra\u00e7am diferentes rotas para chegarem aos Estados Unidos onde t\u00eam garantida a resid\u00eancia gra\u00e7as \u00e0 Lei de Ajuste Cubano, de 1966, t\u00eam uma presen\u00e7a crescente em Equador, M\u00e9xico e Venezuela. J\u00e1 Brasil e M\u00e9xico constituem a exce\u00e7\u00e3o, com uma popula\u00e7\u00e3o imigrante dominada em 70% e 86%, respectivamente, por pessoas de fora da regi\u00e3o. No caso brasileiro predominam os imigrantes europeus e no mexicano os norte-americanos.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos continuam sendo o maior destino migrat\u00f3rio e acolhe 20,8 milh\u00f5es dos 28,5 milh\u00f5es de latino-americanos que vivem fora de seus pa\u00edses. Em seguida est\u00e1 a Espanha, destino de 8%, e Canad\u00e1. A migra\u00e7\u00e3o intra-regional representa 15% do total.<\/p>\n<p>Um coquetel de redu\u00e7\u00e3o da pobreza, aumento do emprego formal e estabilidade pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina, junto com a crise financeira no Norte industrial e o endurecimento em seus pa\u00edses das pol\u00edticas de entrada, al\u00e9m do clima de xenofobia, colocam a regi\u00e3o como uma alternativa tempor\u00e1ria ou permanente para os emigrantes.<\/p>\n<p>Inclusive pessoas de pa\u00edses europeus golpeados pela crise, sobretudo da Espanha, veem uma porta de escape na Am\u00e9rica Latina, como demonstra um estudo divulgado no dia 5 deste m\u00eas pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM).<\/p>\n<p>Desde 2010, o fluxo migrat\u00f3rio europeu-latino-americano passou a ser positivo para essa regi\u00e3o, que em 2012 recebeu 181.166 europeus, enquanto apenas 119 mil latino-americanos se trasladaram para a Europa, segundo o documento da OIM <i>Din\u00e2micas Migrat\u00f3rias Entre Am\u00e9rica Latina e Caribe (ALC) e Entre ALC e a Uni\u00e3o Europeia<\/i>.<\/p>\n<p>Marcada pela acelerada feminiza\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia de discrimina\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses vizinhos de acolhida, a faixa de migrantes intra-regionais se insere em sociedades com altos d\u00e9ficits de equidade, na considerada regi\u00e3o mais desigual do mundo.<\/p>\n<p>\u201cO principal durante os primeiros meses \u00e9 saber abaixar a cabe\u00e7a e nunca perder de vista o objetivo: buscar com coragem oportunidades para sua fam\u00edlia porque na Col\u00f4mbia \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir trabalho\u201d, disse \u00e0 IPS a jovem Andrea Aguirre, de 20 anos, colombiana que trabalha como faxineira em um hotel da Cidade do Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Sua esperan\u00e7a e que no futuro possa fazer valer seu diploma universit\u00e1rio de Neg\u00f3cios Internacionais. Mas, no momento, sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o cair na pobreza que afeta, segundo dados oficiais, 25,8% da popula\u00e7\u00e3o panamenha de quase quatro milh\u00f5es, aos quais n\u00e3o chega a prosperidade concentrada no centro financeiro e na atividade associada ao canal interoce\u00e2nico, cuja amplia\u00e7\u00e3o est\u00e1 para terminar.<\/p>\n<p>Outro obst\u00e1culo est\u00e1 na discrimina\u00e7\u00e3o por g\u00eanero e nacionalidade, que pesa sobre os imigrantes. \u201cSempre h\u00e1 choques porque algumas pessoas pensam que todas as mulheres colombianas s\u00e3o prostitutas e os homens traficantes\u201d, lamentou Aguirre.<\/p>\n<p>Segundo o informe da Cepal, os movimentos intra-regionais alertam nos pa\u00edses latino-americanos para o fen\u00f4meno dos ilegais e para a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos dos imigrantes, um tema analisado at\u00e9 o momento sob o ponto de vista da segrega\u00e7\u00e3o sofrida pelos latino-americanos em na\u00e7\u00f5es industrializadas de acolhida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m leva a enfoques comuns para enfrentar situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade das pessoas migrantes em espa\u00e7os como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que ampliem e continuem iniciativas de facilita\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria aportadas pelo Mercosul, pela Comunidade do Caribe (Caricom) e pela Comunidade Andina.<\/p>\n<p>Outras novas rotas, que segundo a Cepal requerem crescente observa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os deslocamentos em raz\u00e3o de desastres naturais ou pelos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ivet Gonz&aacute;lez, da IPS Cidade do Panam&aacute;, Panam&aacute;, 17\/6\/2015 &ndash; A rota migrat&oacute;ria do jovem venezuelano Jes&uacute;s Padr&oacute;n teve como primeiro destino a Espanha, onde ficou por seis meses em 2009. 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