{"id":19195,"date":"2015-06-18T12:36:40","date_gmt":"2015-06-18T12:36:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196238"},"modified":"2015-06-18T12:36:40","modified_gmt":"2015-06-18T12:36:40","slug":"estudar-e-trabalhar-novo-desafio-para-a-infancia-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/estudar-e-trabalhar-novo-desafio-para-a-infancia-na-argentina\/","title":{"rendered":"Estudar e trabalhar, novo desafio para a inf\u00e2ncia na Argentina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196239\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/infanciaArgentina.jpg\"><img class=\"wp-image-196239\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/infanciaArgentina.jpg\" alt=\"Um menino acompanha sua m\u00e3e, Graciela Ardiles, nas tarefas em sua pequena propriedade, em Arraga, na prov\u00edncia de Santiago del Estero, na Argentina. Gra\u00e7as a um programa de desenvolvimento rural que aumentou a renda da fam\u00edlia, ela disse que seus filhos poder\u00e3o continuar estudando at\u00e9 terminarem a universidade, ao contr\u00e1rio de seus pais. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um menino acompanha sua m\u00e3e, Graciela Ardiles, nas tarefas em sua pequena propriedade, em Arraga, na prov\u00edncia de Santiago del Estero, na Argentina. Gra\u00e7as a um programa de desenvolvimento rural que aumentou a renda da fam\u00edlia, ela disse que seus filhos poder\u00e3o continuar estudando at\u00e9 terminarem a universidade, ao contr\u00e1rio de seus pais. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 18\/6\/2015 \u2013 At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, o dilema na Argentina era estudar ou trabalhar. Mas agora a maioria da popula\u00e7\u00e3o infantil e adolescente que trabalha tamb\u00e9m estuda, um avan\u00e7o que apresenta novos desafios para combater o fen\u00f4meno de repeti\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia e deser\u00e7\u00e3o escolar, e tamb\u00e9m quebrar o c\u00edrculo de pobreza.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a \u00e9 reveladora, segundo N\u00e9stor L\u00f3pez, do Instituto Internacional de Planejamento da Educa\u00e7\u00e3o, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), que elaborou, junto com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o informe <em>Trajet\u00f3rias Escolares Protegidas na Argentina<\/em>, apresentado este m\u00eas e que registra a nova realidade.<\/p>\n<p>\u201cQuem analisasse a situa\u00e7\u00e3o dos adolescentes h\u00e1 20 anos via duas situa\u00e7\u00f5es muito diferentes. Havia adolescentes na escola e havia adolescentes que trabalhavam\u201d, disse L\u00f3pez \u00e0 IPS. Mas \u201co que se v\u00ea agora \u00e9 que as taxas de escolaridade dos adolescentes aumentaram muito, o que significou, em parte, redu\u00e7\u00e3o em suas taxas de participa\u00e7\u00e3o no trabalho, e tamb\u00e9m aumento do grupo de adolescentes que estudam e trabalham\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em 2013, na Argentina, praticamente a totalidade das crian\u00e7as de cinco a 14 anos e 84% dos adolescentes de 15 a 17 anos iam \u00e0 escola, diz o documento. Para isso, segundo Gustavo Ponce, especialista em preven\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil da OIT, contribu\u00edram medidas como a Lei de Educa\u00e7\u00e3o Nacional, de 2006, que estabelece que o per\u00edodo obrigat\u00f3rio de escolaridade se estende do \u00faltimo ano do n\u00edvel inicial at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o do n\u00edvel secund\u00e1rio (entre os 17 e 18 anos). No come\u00e7o deste ano, foi incorporada uma altera\u00e7\u00e3o nessa lei, que amplia a obrigatoriedade de escolaridade para a partir dos quatro anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u201chouve muitos avan\u00e7os, sobretudo no \u00e2mbito normativo, com uma lei que elevou a idade m\u00ednima de admiss\u00e3o no emprego para 16 anos, que incluiu o tema da prote\u00e7\u00e3o do trabalho adolescente entre os 16 e 17 anos de idade\u201d, detalhou Ponce \u00e0 IPS. Ele se referia a uma lei que protege os jovens de todo trabalho que implique tarefas penosas, perigosas ou que coloquem em risco a presen\u00e7a nas aulas e a sa\u00fade. E tamb\u00e9m houve a reforma do C\u00f3digo Penal, em 2013, que incorporou o trabalho infantil como um crime.<\/p>\n<p>A OIT e a Unesco mencionaram essas medidas, entre outras, como a implanta\u00e7\u00e3o de programas de transfer\u00eancia de renda familiar \u2013 por exemplo, a Destina\u00e7\u00e3o Universal por Filho \u2013, que contribu\u00edram para desestimular o trabalho infantil, ao elevar a renda em setores carentes. \u201cPode-se dizer que houve uma pol\u00edtica de erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil\u201d, ressaltou Ponce.<\/p>\n<p>Agora, segundo L\u00f3pez, \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar a melhora da inclus\u00e3o escolar dos adolescentes. Segundo o novo estudo, entre as crian\u00e7as de cinco a 13 anos que trabalham e que tamb\u00e9m estudam, cerca de um ter\u00e7o \u00e9 reprovado por ano, contra 13% de repet\u00eancia entre os que apenas estudam.<\/p>\n<p>Sobre o absentismo, o informe destaca, com base em dados da Pesquisa de Atividades e Meninos, Meninas e Adolescentes, do Minist\u00e9rio de Trabalho, Emprego e Assist\u00eancia Social, que 20% dos que trabalham e estudam t\u00eam faltas frequentes, enquanto diminui pela metade entre crian\u00e7as e adolescentes que apenas estudam.<\/p>\n<p>Por outro lado, observando especificamente o caso dos adolescentes trabalhadores, se deduz que 26% diretamente n\u00e3o frequentam a escola e que 43% dos que a frequentam repetiram de ano. Entre os que s\u00f3 estudam a repet\u00eancia \u00e9 de 27%. \u201c\u00c9 muito bom que a crian\u00e7a que estiver trabalhando tamb\u00e9m esteja estudando, pensando em sua forma\u00e7\u00e3o futura. A crian\u00e7a que tem de trabalhar poder frequentar a escola \u00e9 positivo\u201d, afirmou L\u00f3pez.<\/p>\n<p>Mas, de todo modo, \u201co balan\u00e7o \u00e9 negativo, porque o que demonstram as estat\u00edsticas, os estudos e o senso comum, \u00e9 que a experi\u00eancia escolar dessas crian\u00e7as \u00e9 de menor qualidade, pois n\u00e3o t\u00eam tempo de fazer as tarefas, nem de estudar, porque ficam cansados, porque faltam mais, porque, por diversos motivos, o aproveitamento e o que podem fazer da experi\u00eancia educacional \u00e9 menor\u201d, destacou L\u00f3pez.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio do Trabalho, entre 2004 e 2012, o trabalho infantil na Argentina caiu 66%. Enquanto em 2004 havia cerca de 450 mil meninos e meninas trabalhando, em 2012 eram apenas 180 mil.<\/p>\n<p>Mas o que tamb\u00e9m preocupa s\u00e3o outras formas de trabalho infantil, n\u00e3o t\u00e3o vis\u00edveis. Por exemplo, as tarefas n\u00e3o remuneradas em casa, que afetam especialmente as meninas e as adolescentes, como cuidar de irm\u00e3os, da limpeza, dos animais e preparar a comida. \u201cO n\u00edvel educacional \u00e9 um dos principais mecanismos que o mercado profissional utiliza para selecionar seus trabalhadores. Ter ou n\u00e3o ter acesso ao sistema educacional formal \u00e9 um dos aspectos mais fortemente associados com o processo de ac\u00famulo intergera\u00e7\u00f5es de desvantagens sociais\u201d, segundo o informe.<\/p>\n<p>Entre as medidas para incentivar a assist\u00eancia escolar, a OIT prop\u00f5e melhorar a rede de servi\u00e7os p\u00fablicos e gratuitos para apoiar a atividade do cuidado, formada por creches, centros de desenvolvimento infantil e oferta de dupla jornada nos servi\u00e7os educacionais. Tamb\u00e9m prop\u00f5e campanhas para combater mitos ou costumes especialmente arraigados em zonas rurais.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, ao entrevistar os pais, se nota que eles consideram natural a atividade de alimentar e ordenhar animais antes de ir para a escola, com se fosse uma colabora\u00e7\u00e3o e um aprendizado positivo, e n\u00e3o um trabalho que as crian\u00e7as realizam no \u00e2mbito familiar\u201d, diz o informe.<\/p>\n<p>O setor sindical prop\u00f5e que os conceitos de erradica\u00e7\u00e3o do trabalho infantil sejam incorporados tamb\u00e9m nos conte\u00fados educacionais. Nesse sentido, Hern\u00e1n Rugirello, da Coordena\u00e7\u00e3o de Pesquisas Sociais, da Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho, citou \u00e0 IPS uma experi\u00eancia realizada pela entidade na cidade de Mar del Plata, 400 quil\u00f4metros ao sul de Buenos Aires. Ali, com ajuda do sindicato de professores, foi incorporado o tema do trabalho infantil na grade curricular.<\/p>\n<p>Segundo Rugirello, \u201cpara colocar essa problem\u00e1tica na agenda, \u00e9 importante tamb\u00e9m que os jovens trabalhem a partir do imagin\u00e1rio e das representa\u00e7\u00f5es, com agentes transmissores desses temas para lev\u00e1-los para dentro de suas casas\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 18\/6\/2015 &ndash; At&eacute; h&aacute; pouco tempo, o dilema na Argentina era estudar ou trabalhar. 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