{"id":19199,"date":"2015-06-19T13:45:57","date_gmt":"2015-06-19T13:45:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196318"},"modified":"2015-06-19T13:45:57","modified_gmt":"2015-06-19T13:45:57","slug":"mulheres-do-zimbabue-tecem-um-futuro-prospero-com-a-cestaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/mulheres-do-zimbabue-tecem-um-futuro-prospero-com-a-cestaria\/","title":{"rendered":"Mulheres do Zimb\u00e1bue tecem um futuro pr\u00f3spero com a cestaria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196319\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/basket3-629x420-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-196319\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/basket3-629x420-629x420.jpg\" alt=\"Siduduzile Nyoni termina um de seus produtos de palma de ilala, que vai vender por interm\u00e9dio de sua cooperativa de mulheres no oeste do Zimb\u00e1bue. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Siduduzile Nyoni termina um de seus produtos de palma de ilala, que vai vender por interm\u00e9dio de sua cooperativa de mulheres no oeste do Zimb\u00e1bue. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Por Busani Bafana, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>Lupane, Zimb\u00e1bue, 19\/6\/2015 \u2013 Grace Ngwenya, uma artes\u00e3 do Zimb\u00e1bue de 77 anos, utiliza folhas de palma ilala para tecer lindos cestos. Ela \u00e9 meticulosa com \u201cos detalhes, a beleza e a criatividade\u201d. Uma vez que decidiu a forma e a cor do produto, trabalhar\u00e1 durante sete dias seguidos para completar a tarefa. Ao terminar, inspeciona a qualidade do cesto, que \u00e9 embalado com cuidado e enviado ao comprador, que poder\u00e1 estar na Alemanha, nos Estados Unidos ou em outro pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dessa forma ganha US$ 50 por m\u00eas, uma pequena fortuna em um lugar onde antes as mulheres tinham sorte quando conseguiam uns poucos d\u00f3lares no prazo de v\u00e1rias semanas. Ngwenya vive na aldeia de Shabula, no \u00e1rido distrito de Lupane, que fica na prov\u00edncia de Matabeleland Norte, a regi\u00e3o mais ocidental do Zimb\u00e1bue. Cerca de nove mil pessoas vivem nessa regi\u00e3o propensa a secas e com antecedentes de fome.<\/p>\n<p>Hoje, as mulheres rurais de Lupane dirigem uma inovadora empresa de cestaria que gera uma renda digna, preserva o artesanato local e permite que se preparem contra os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos extremos por meio do investimento de seus ganhos em agricultura sustent\u00e1vel. Tudo come\u00e7ou em 1997, quando v\u00e1rias mulheres se reuniram para produzir cestos e outros artesanatos com produtos florestais locais e vend\u00ea-los na estrada entre as cidades de Bulawayo e Victoria Falls, uma importante rota tur\u00edstica.<\/p>\n<p>Em 2004, com apenas 14 integrantes, instalaram o Centro de Mulheres de Lupane, a fim de agilizar sua produ\u00e7\u00e3o. Uma d\u00e9cada depois, tem 3.638 integrantes oriundas de todo o distrito. Sua renda m\u00e9dia passou de um d\u00f3lar mensal para US$ 50, e em maio uma das artes\u00e3s chegou a ganhar US$ 700 com suas vendas. Para uma comunidade que mal podia conseguir tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia, \u00e9 um grande passo para uma vida mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA cestaria mudou minha vida, mesmo na velhice\u201d, disse Ngwenya \u00e0 IPS, enquanto apontava uma casa de tijolos de dois c\u00f4modos, n\u00e3o terminada, pr\u00f3ximo de onde estava sentada, algo que neste povoado empobrecido \u00e9 quase uma superestrutura. \u201cSe Deus quiser, minha casa estar\u00e1 terminada no pr\u00f3ximo ano. J\u00e1 comprei as janelas e eu mesma vou rebocar e pintar\u201d, afirmou. Ela tamb\u00e9m comprou uma cabra e levantou uma cerca em volta de sua horta.<\/p>\n<p>Em uma competi\u00e7\u00e3o de cestaria, em 2014, Ngwenya ganhou um arado puxado por bois e recentemente investiu suas economias na compra de uma vaca e algumas ferramentas agr\u00edcolas. Considerando que entrou na cooperativa durante a seca de 2008, estar\u00e1 eternamente agradecida por sua recente prosperidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_196320\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres1.jpg\"><img class=\"wp-image-196320\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres1.jpg\" alt=\"As mulheres de Lupane investem em seus cultivos os ganhos que obt\u00eam fazendo artesanato. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres de Lupane investem em seus cultivos os ganhos que obt\u00eam fazendo artesanato. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o foi por acaso que essas empres\u00e1rias surgiram da terra seca de Lupane. A regi\u00e3o \u00e9 o pesadelo de todo agricultor, j\u00e1 que s\u00f3 produz cultivos tolerantes \u00e0 seca, como sorgo e milho mi\u00fado, e recebe apenas entre 450 e 600 mil\u00edmetros anuais de chuva, insuficientes para plantar milho.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas do Departamento de Agricultura e Servi\u00e7os de Extens\u00e3o indicam que Lupane sofre escassez alimentar todos os anos. Este ano, dezenas de pessoas correr\u00e3o risco de fome, j\u00e1 que a regi\u00e3o produzir\u00e1 somente metade das 10.900 toneladas de alimentos necess\u00e1rios para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias que praticam a agricultura de subsist\u00eancia ter\u00e3o que comprar alimentos para compensar a queda nas colheitas, uma situa\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 deixar muitos sem comida, devido \u00e0s escassas oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda. O Zimb\u00e1bue importar\u00e1 este ano 700 mil toneladas de milho para cobrir o d\u00e9ficit herdado da \u00faltima colheita ruim. O pa\u00eds consome 1,8 milh\u00e3o de toneladas de milho por ano.<\/p>\n<p>O Centro de Mulheres de Lupane ataca esses problemas ajudando as artes\u00e3s a ganhar dinheiro. \u201cAs mulheres assumiram as atividades agr\u00edcolas e trabalham junto com os homens para manter suas fam\u00edlias\u201d, disse Hildegard Mufukare, administradora do Centro.<\/p>\n<p>As integrantes do coletivo contribuem com US$ 5 anuais para os gastos operacionais do Centro, o que representa 31% do total. Os 69% restantes s\u00e3o obtidos de doadores, entre eles os Servi\u00e7os de Desenvolvimento de Liechtenstein, mas o Centro aposta em uma maior autossufici\u00eancia mediante a instala\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de um restaurante, um centro de confer\u00eancias e uma fazenda que servir\u00e1 ao duplo prop\u00f3sito de proporcionar mais alimentos e dar forma\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Na medida em que conseguirem mais mercados estrangeiros, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil obter fundos adicionais. Algumas das s\u00f3cias j\u00e1 vendem seus produtos a clientes na Alemanha, Austr\u00e1lia, Dinamarca, Holanda e Estados Unidos. Os ganhos com a venda de artesanatos triplicaram em dois anos, passando de US$ 10 mil, em 2012, para US$ 32 mil, em 2014. As s\u00f3cias dividem os lucros e o Centro fica com 15% para cobrir seus gastos administrativos e pagar impostos.<\/p>\n<div id=\"attachment_196321\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/basket2.jpg\"><img class=\"wp-image-196321\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/basket2.jpg\" alt=\"As artes\u00e3s esperam comercializar \u201ccaix\u00f5es ecol\u00f3gicos\u201d, ata\u00fades biodegrad\u00e1veis feitos com materiais da regi\u00e3o. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As artes\u00e3s esperam comercializar \u201ccaix\u00f5es ecol\u00f3gicos\u201d, ata\u00fades biodegrad\u00e1veis feitos com materiais da regi\u00e3o. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os cestos t\u00eam v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que podem ser usados como lixeira ou fruteira. As artes\u00e3s tamb\u00e9m planejam fazer ata\u00fades biodegrad\u00e1veis, para garantir a sustentabilidade inclusive na morte. N\u00e3o est\u00e3o certas sobre a rea\u00e7\u00e3o dos clientes \u00e0 ideia, mas a aud\u00e1cia de sua proposta sugere um compromisso com a criatividade que transcende a busca por mais renda ou melhor nutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As iniciativas comunit\u00e1rias contra as nefastas consequ\u00eancias do aquecimento global s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias no Zimb\u00e1bue, pa\u00eds de 14,5 milh\u00f5es de habitantes que sofre v\u00e1rios riscos clim\u00e1ticos, como inunda\u00e7\u00f5es e secas. Sem os fundos internacionais necess\u00e1rios, este ano o governo reduziu o or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para US$ 52 milh\u00f5es, contra US$ 93 milh\u00f5es em 2014.<\/p>\n<p>O corte paralisou a capacidade de resposta do pa\u00eds aos desastres naturais, j\u00e1 que o departamento de servi\u00e7o meteorol\u00f3gico, encarregado das previs\u00f5es e dos alertas, tamb\u00e9m recebeu um or\u00e7amento menor.<\/p>\n<p>Siduduzile Nyoni, m\u00e3e de tr\u00eas filhos que entrou na cooperativa em 2008, contou que o simples ato de tecer cestos a ajudou a se preparar para os tempos de crise. Utilizou suas economias para comprar uma cabra, e tamb\u00e9m mant\u00e9m uma granja av\u00edcola e uma pr\u00f3spera horta. Quando o teampo ajuda, o plantio alimenta sua fam\u00edlia. Caso contr\u00e1rio, recorre \u00e0s economias para manter os seus at\u00e9 a terra voltar a produzir. \u201cMe uni ao Centro apesar de n\u00e3o saber tecer\u201d, afirmou. Seu marido est\u00e1 desempregado, mas a renda dela \u00e9 suficiente para os dois.<\/p>\n<p>Outras mulheres aproveitaram os cursos de forma\u00e7\u00e3o do Centro e se dedicam ao cultivo de batatas, \u00e0 apicultura, fabrica\u00e7\u00e3o de velas e cria\u00e7\u00e3o de gado. A cria\u00e7\u00e3o de frango tamb\u00e9m \u00e9 muito comum porque \u00e9 fonte adicional de renda e alimento.<\/p>\n<p>As milhares de mulheres que integram a cooperativa s\u00e3o cuidadoras naturais das florestas, pois praticam h\u00e1 anos a coleta sustent\u00e1vel dos produtos florestais. A arte da cestaria de palma, tanto ilala quanto sisal, \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, as comunidades locais dependem das florestas vizinhas para seus produtos medicinais, madeira, combust\u00edvel e frutas, por isso t\u00eam grande interesse na prote\u00e7\u00e3o destas ricas zonas de biodiversidade.<\/p>\n<p>O Zimb\u00e1bue perdeu cerca de 327 mil hectares de florestas por ano entre 1990 e 2010, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), e por isso \u00e9 fundamental empoderar os guardi\u00f5es das \u00e1reas florestais restantes. Com mais de 66 mil comerciantes de madeira, e milh\u00f5es de fam\u00edlias dependendo das florestas para obterem combust\u00edvel, o desmatamento ser\u00e1 um tema definitivo para este pa\u00eds na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Uma vez mais, as mulheres de Lupane se preparam para o pior e cultivam pequenas planta\u00e7\u00f5es de palmeiras ilala para garantir a propaga\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, inclusive diante da r\u00e1pida destrui\u00e7\u00e3o de seu habitat natural. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Esta mat\u00e9ria integra uma s\u00e9rie concebida em colabora\u00e7\u00e3o com Ecosocialista Horizons.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Busani Bafana, da IPS &ndash; Lupane, Zimb&aacute;bue, 19\/6\/2015 &ndash; Grace Ngwenya, uma artes&atilde; do Zimb&aacute;bue de 77 anos, utiliza folhas de palma ilala para tecer lindos cestos. Ela &eacute; meticulosa com &ldquo;os detalhes, a beleza e a criatividade&rdquo;. 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