{"id":19206,"date":"2015-06-22T13:34:01","date_gmt":"2015-06-22T13:34:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196385"},"modified":"2015-06-22T13:34:01","modified_gmt":"2015-06-22T13:34:01","slug":"mulheres-e-meninas-de-camaroes-se-rebelam-contra-casamento-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/mulheres-e-meninas-de-camaroes-se-rebelam-contra-casamento-infantil\/","title":{"rendered":"Mulheres e meninas de Camar\u00f5es se rebelam contra casamento infantil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196386\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres2.jpg\"><img class=\"wp-image-196386\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres2.jpg\" alt=\"Bienvienue Taguieke, de 15 anos, se negou a ser entregue em casamento em troca do equivalente a US$ 8,50 quando tinha 12 anos. foto: Ngala Killian Chimtom\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Bienvienue Taguieke, de 15 anos, se negou a ser entregue em casamento em troca do equivalente a US$ 8,50 quando tinha 12 anos. foto: Ngala Killian Chimtom\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ngala Killian Chimtom, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Maroua, Camar\u00f5es, 22\/6\/2015 \u2013 Quando Bienvienue Taguieke tinha 12 anos, seus pais acertaram seu casamento com um homem de 40 anos, mas uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres na regi\u00e3o Extremo Norte de Camar\u00f5es, onde o casamento infantil \u00e9 generalizado, impediu a uni\u00e3o, em um ind\u00edcio de como a popula\u00e7\u00e3o feminina come\u00e7a a se colocar contra essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cEstudava em uma escola do governo em Guidimdaz, uma aldeia da \u00e1rea de Mokolo (na regi\u00e3o Extremo Norte), quando um homem ofereceu cinco mil francos CFA (US$ 8,50) a minha m\u00e3e pela minha m\u00e3o. Me neguei e avisei algumas pessoas, entre elas a diretora da minha escola\u201d, contou \u00e0 IPS Bienvienue, agora com 15 anos.<\/p>\n<p>A jovem acredita que sua m\u00e3e considerou a oferta por raz\u00f5es econ\u00f4micas. \u201cMeu pai tinha morrido e n\u00e3o havia ningu\u00e9m que pagasse a escola nem se preocupasse com a gente\u201d, recordou. A diretora da escola Asta Djarmi, pediu \u00e0 sua m\u00e3e que n\u00e3o a entregasse em casamento para um homem mais velho. \u201cDepois a Adelpa interveio, devolveu os cinco mil francos CFA do dote, e tamb\u00e9m paga a minha escola\u201d, contou Bienvienue. Ela contou que seu sonho de ser professora teria sido feito em pedacinhos se tivesse casado. O seu n\u00e3o \u00e9 um sonho raro na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na aldeia vizinha de Zilling, por exemplo, Nabila, tamb\u00e9m de 15 anos, conseguiu fugir da casa onde vivia com seu marido. \u201cMeus pais me obrigaram a casar com um homem mais velho h\u00e1 dois anos, quando eu tinha s\u00f3 13. Vivi na casa desse homem 14 dolorosos dias. Senti com se um esp\u00edrito maligno me atormentasse e decidi fugir\u201d, contou a jovem.<\/p>\n<p>Mas nesses 14 dias engravidou e agora cria sua filha sozinha. O homem do qual fugiu n\u00e3o apresentou acusa\u00e7\u00f5es contra ela nem pediu que voltasse para sua casa. \u201cN\u00e3o posso fazer isso por nada deste mundo\u201d, afirmou categoricamente. O casamento precoce frustrou seus planos de ser enfermeira, e agora Nabila garante que nunca permitir\u00e1 que sua filha passe por esse trauma. \u201cFarei de tudo para mant\u00ea-la na escola. Pe\u00e7o ao governo que pro\u00edba o casamento precoce para que as meninas possam ir \u00e0 escola e se casar depois de terminarem seus estudos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A Adelpa oferece assist\u00eancia legal \u00e0 m\u00e3e da adolescente, e um dos diretores, Henri Adjini, afirmou \u00e0 IPS que a organiza\u00e7\u00e3o paga a escola de 87 adolescentes resgatadas de casamentos precoces. Ele explicou que o casamento infantil era parte da cultura das tribos mafa e kapsiki, que casam suas filhas em troca do dote, pagamento em dinheiro, gado ou diferentes produtos.<\/p>\n<p>Segundo Adjini, \u201co desejo de fortalecer os la\u00e7os familiares e as amizades s\u00e3o muito importantes para as pessoas daqui, que acreditam que o conseguem casando suas filhas. H\u00e1 quem use suas filhas para pagar suas d\u00edvidas. O desejo da jovem dificilmente \u00e9 considerado por aqui\u201d. Casar as filhas \u00e9 uma estrat\u00e9gia de gerar renda em Camar\u00f5es, onde quase uma em cada tr\u00eas pessoas, dos 22 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 pobre, segundo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>O Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) indica que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre casamento precoce e pobreza nesse pa\u00eds da \u00c1frica central, onde 71% das meninas casadas procedem de fam\u00edlias pobres. Dados do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) de 2014 revelam que 31% das adolescentes na regi\u00e3o Extremo Norte acabam se casando precocemente.<\/p>\n<p>A ministra de Empoderamento de Mulheres e Fam\u00edlia, Marie Therese Abean Ondoa, condenou publicamente o casamento infantil dizendo que \u00e9 \u201cimoral vender as filhas como se fossem uma propriedade\u201d.<\/p>\n<p>O casamento precoce n\u00e3o \u00e9 patrim\u00f4nio de Camar\u00f5es. Muitos outros pa\u00edses da regi\u00e3o e do mundo t\u00eam situa\u00e7\u00f5es semelhantes ou piores. Segundo um informe do UNFPA de 2013, duas em cada cinco meninas menores de 18 anos est\u00e3o casadas na \u00c1frica central e ocidental. O pior pa\u00eds neste sentido \u00e9 N\u00edger, com 75% de menores casadas, a maior propor\u00e7\u00e3o do mundo, seguido por Chade com 72%, e Guin\u00e9 com 63%.<\/p>\n<p>Como a maioria dos governos da regi\u00e3o, o de Camar\u00f5es n\u00e3o faz muito para proteger as meninas. A idade m\u00ednima legal para se casar \u00e9 15 anos para meninas e 18 para rapazes. Mas, mesmo nesses casos, o requisito legal para se casar, que \u00e9 o consentimento das duas partes, raramente \u00e9 atendido.<\/p>\n<p>A ministra Ondoa ajudou a organizar campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e colaborou com v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, com a comunidade e com l\u00edderes religiosos em zonas rurais para educar a popula\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o p\u00f4de convencer o governo a elevar a idade m\u00ednima legal. Por\u00e9m, as campanhas d\u00e3o resultado, e muitas meninas recha\u00e7am as tentativas de suas fam\u00edlias de entreg\u00e1-las em casamento em troca de dinheiro, como fez Abba Mairamou.<\/p>\n<p>\u201cTinha 12 anos quando meu pai me tirou da escola, em 2004, para me oferecer a um amigo como esposa. Me neguei, meu pai ficou com raiva e queria me colocar para fora de casa. Estava desesperada, at\u00e9 que me apresentaram \u00e0 associa\u00e7\u00e3o que luta contra a viol\u00eancia contra as mulheres em Maroua\u201d, contou Abba.<\/p>\n<p>\u201cEm seguida convidaram meu pai para uma reuni\u00e3o e o convenceram a opor-se ao casamento precoce e involunt\u00e1rio. Isso mudou n\u00f3s dois completamente. N\u00e3o s\u00f3 me neguei a ser v\u00edtima de um casamento involunt\u00e1rio como agora luto contra ele\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Abba formou a Associa\u00e7\u00e3o para a Autonomia e os Direitos das Meninas, conhecida pela sigla em franc\u00eas Apad, que procura sensibilizar as adolescentes e seus pais contra o casamento precoce, em seu bairro de Zokkok, em Maroua. \u201cAgora damos abrigo a muitas v\u00edtimas de casamentos for\u00e7ados, e muitas delas se rebelam contra esse costume pernicioso\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ngala Killian Chimtom, da IPS &ndash;&nbsp; Maroua, Camar&otilde;es, 22\/6\/2015 &ndash; Quando Bienvienue Taguieke tinha 12 anos, seus pais acertaram seu casamento com um homem de 40 anos, mas uma associa&ccedil;&atilde;o de mulheres na regi&atilde;o Extremo Norte de Camar&otilde;es, onde o casamento infantil &eacute; generalizado, impediu a uni&atilde;o, em um ind&iacute;cio de como a popula&ccedil;&atilde;o feminina [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/mulheres-e-meninas-de-camaroes-se-rebelam-contra-casamento-infantil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":162,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1769,2323,2458,1109,24],"class_list":["post-19206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-camaroes","tag-casamento-infantil","tag-inter-press-service","tag-meninas","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/162"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19206"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19206\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19207,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19206\/revisions\/19207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}