{"id":19225,"date":"2015-06-25T12:42:12","date_gmt":"2015-06-25T12:42:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196585"},"modified":"2015-06-25T12:42:12","modified_gmt":"2015-06-25T12:42:12","slug":"proteger-os-mangues-permite-ganhar-a-vida-no-sri-lanka","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/proteger-os-mangues-permite-ganhar-a-vida-no-sri-lanka\/","title":{"rendered":"Proteger os mangues permite ganhar a vida no Sri Lanka"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196586\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mangues.jpg\"><img class=\"wp-image-196586\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mangues.jpg\" alt=\"Pequenas \u00e1rvores de mangue, cuidadas pelas benefici\u00e1rias da Federa\u00e7\u00e3o de Pequenas Pescarias de Lanka, ajudam a lagoa Puttalam a recuperar parte de sua gl\u00f3ria natural. O \u00eaxito do programa levou o governo a apoiar um projeto nacional de US$ 3,4 milh\u00f5es. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"216\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pequenas \u00e1rvores de mangue, cuidadas pelas benefici\u00e1rias da Federa\u00e7\u00e3o de Pequenas Pescarias de Lanka, ajudam a lagoa Puttalam a recuperar parte de sua gl\u00f3ria natural. O \u00eaxito do programa levou o governo a apoiar um projeto nacional de US$ 3,4 milh\u00f5es. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Amantha Perera, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kalpitiya, Sri Lanka, 25\/6\/2015 \u2013 Os habitantes da pen\u00ednsula de Kalpitiya, no distrito de Puttalam, no Sri Lanka, conhecem muito bem a destrui\u00e7\u00e3o deliberada que sofre sua floresta de mangue, de 8.815 hectares, e decidiram n\u00e3o ficar de bra\u00e7os cruzados. Kalpitiya tem a maior floresta de mangue do Sri Lanka, a lagoa Puttalam, bem como ecossistemas de mangues menores na lagoa Chilaw, 150 quil\u00f4metros ao norte de Colombo.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds, como no resto do mundo, os mangues sofrem v\u00e1rios riscos. O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que este ecossistema \u00fanico, capaz de armazenar mil toneladas de di\u00f3xido de carbono por hectare em sua biomassa, \u00e9 cortado a um ritmo tr\u00eas a cinco vezes maior do que outras florestas.<\/p>\n<p>Um quarto dos mangues do mundo j\u00e1 foi destru\u00eddo de forma irrevers\u00edvel devido \u00e0 aquicultura, agricultura, desenvolvimentos costeiros n\u00e3o planejados nem sustent\u00e1veis e a superexplora\u00e7\u00e3o de recursos. Na costa ocidental do Sri Lanka, apesar do compromisso do governo de proteger o que resta da floresta, o desmonte encoberto continua, embora em ritmo menor. E talvez continue diminuindo gra\u00e7as a um pequeno ex\u00e9rcito de guardas florestais, formados h\u00e1 pouco e muito abnegados.<\/p>\n<div id=\"attachment_196587\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/manglares2.jpg\"><img class=\"wp-image-196587\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/manglares2.jpg\" alt=\"Douglas Thisera, conhecido como \u201cmestre do mangue\u201d, se dedica a proteger os mangues h\u00e1 duas d\u00e9cadas e meia no distrito de Puttalam. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Douglas Thisera, conhecido como \u201cmestre do mangue\u201d, se dedica a proteger os mangues h\u00e1 duas d\u00e9cadas e meia no distrito de Puttalam. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Conhecido como \u201cmestre do mangue\u201d, Douglas Thisera, um pescador transformado em guarda florestal \u00e9 diretor de conserva\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Pequenas Pescas de Lanka (Sudeesa), e passa seus dias percorrendo at\u00e9 o \u00faltimo rinc\u00e3o da lagoa Chilaw em busca de sinais de destrui\u00e7\u00e3o. Thisera se dedica a replantar e conservar mangues desde 1992, por isso conhece a floresta e seus inimigos como a palma de sua m\u00e3o. \u201cDe repente, aparecem removedores de terra e outras m\u00e1quinas para cortar vastas extens\u00f5es de mangues, e quando se alerta as autoridades a destrui\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi feita\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Dessa forma ocorre o desmatamento que, com anu\u00eancia estatal, come\u00e7ou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, quando um programa de cultivo de camar\u00e3o com apoio governamental se arraigou na lagoa, e empresas privadas, junto com outras vinculadas a dirigentes pol\u00edticos, cortavam os mangues de forma indiscriminada.<\/p>\n<p>Thisera se esfor\u00e7ou durante anos para promover a participa\u00e7\u00e3o da comunidade nos esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o, mas se sentia lutando contra um Golias. Atualmente, dentro de um programa de conserva\u00e7\u00e3o de mangues da regi\u00e3o, ele n\u00e3o tem apenas apoio econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m conta com uma rede de moradores t\u00e3o capacitados quanto ele para a tarefa. O projeto est\u00e1 a cargo da Sudeesa, cujo presidente, Anuradha Wickramasinghe, considera que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ter esperan\u00e7as de salvar a floresta do retrocesso com a a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Mas \u00e9 mais f\u00e1cil falar do que fazer.<\/p>\n<p>A pobreza afeta a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o costeira nordeste e os \u00faltimos dados do governo indicam que a renda das fam\u00edlias pesqueiras gira em torno de US$ 16 por m\u00eas e que 53% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha de pobreza nacional. O desemprego est\u00e1 20% acima da m\u00e9dia nacional de 4,1% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<p>A Sudeesa criou um programa de microcr\u00e9dito para incentivar os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o, desenhado especialmente para as mulheres. Em troca de um empr\u00e9stimo a juros realmente baixos para come\u00e7ar empreendimentos sustent\u00e1veis, elas cuidam de \u00e1rvores jovens, ajudam a replantar zonas florestais e se encarregam de prevenir o desmatamento ilegal com fins comerciais.<\/p>\n<p>J\u00e1 plantaram 170 mil \u00e1rvores em uma \u00e1rea de 860 hectares do distrito, e agora trabalham para multiplicar esse n\u00famero. As mulheres ficam a cargo de \u00e1reas precisas, a maioria perto de suas casas. Quando h\u00e1 uma invas\u00e3o ou corte ilegal, utilizam as redes locais ou os telefones celulares para denunciar. Thisera tem um papel crucial como intermedi\u00e1rio entre as organiza\u00e7\u00f5es locais e as redes de autoridades, que podem ser ativadas quando as mulheres d\u00e3o o alarme.<\/p>\n<p>Thisera pontuou que os grandes interesses empresariais s\u00e3o a maior amea\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local. Embora uma epidemia no final dos anos 1990 tenha dizimado a maioria dos cultivos de camar\u00e3o e deixado grandes tanques vazios nos mangues, as companhias s\u00e3o reticentes em abandonar a \u00e1rea e muitas continuam pagando impostos pelas terras que ocupavam.<\/p>\n<p>\u201cQuerem manter uma reten\u00e7\u00e3o legal para outros fins\u201d, como o turismo na parte norte da lagoa de Puttalam, reativado ap\u00f3s o fim da guerra civil de 2009, apontou Thisera. \u201cOs mangues fazem parte de nossa vida, de nossa cultura. Se os destruirmos estaremos destruindo a n\u00f3s mesmos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 tr\u00eas anos, Anne Priyanthi, vi\u00fava de 52 anos com dois filhos, tinha dificuldades para alimentar sua fam\u00edlia e n\u00e3o conseguia um empr\u00e9stimo por \u201cn\u00e3o atender os crit\u00e9rios\u201d. Mas, em 2012, a Sudeesa lhe emprestou US$ 74, com os quais come\u00e7ou a criar porcos. Atualmente gera cerca de US$ 182 mensais. Parece uma mis\u00e9ria, mas lhe permite manter os filhos na escola, e isso \u00e9 um \u00eaxito monumental em uma zona empobrecida.<\/p>\n<p>Desde 1994, a Sudeesa outorgou 54 milh\u00f5es de r\u00fapias (US$ 400 mil) a 3.900 mulheres no distrito de Puttalam. Respons\u00e1veis da organiza\u00e7\u00e3o disseram que 75% dos empr\u00e9stimos s\u00e3o devolvidos. Agora o programa pertence a uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Sudeesa Social Enterprises Corporation, que tem cerca de 683 mulheres acionistas.<\/p>\n<div id=\"attachment_196588\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/manglares3.jpg\"><img class=\"wp-image-196588\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/manglares3.jpg\" alt=\"Enquanto ajudam a conservar os mangues, milhares de mulheres conseguem uma vida melhor para elas e suas fam\u00edlias e j\u00e1 n\u00e3o pensam a cada momento de onde tirar\u00e3o a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Enquanto ajudam a conservar os mangues, milhares de mulheres conseguem uma vida melhor para elas e suas fam\u00edlias e j\u00e1 n\u00e3o pensam a cada momento de onde tirar\u00e3o a pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cAs acionistas encarregadas da organiza\u00e7\u00e3o decidem os empr\u00e9stimos, o plano de reembolso e o acompanhamento dos casos de atraso\u201d, explicou a contadora Mala Appuhami. Os microcr\u00e9ditos n\u00e3o funcionam de forma padr\u00e3o, os juros s\u00e3o inferiores a 3%, e como as mulheres fazem parte da comunidade, est\u00e3o mais interessadas em se ajudarem entre elas do que em perseguir as devedoras.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde o desemprego feminino \u00e9 2,5 vezes superior ao masculino, um programa de conserva\u00e7\u00e3o e sustento representa um o\u00e1sis no deserto para as mulheres de Puttalam, especialmente para as mais velhas e sem educa\u00e7\u00e3o formal, com muitas dificuldades para encontrar trabalho remunerado no distrito. Suvineetha de Silva, respons\u00e1vel pelos cr\u00e9ditos, ressaltou \u00e0 IPS que se notou uma mudan\u00e7a na atitude das mulheres, que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o desalinhadas nem t\u00edmidas, agora t\u00eam a confian\u00e7a dos que assumiram seus assuntos.<\/p>\n<p>E o melhor \u00e9 que os mangues de Puttalam t\u00eam uma possibilidade de continuar existindo, gra\u00e7as ao cuidado dessas decididas mulheres. No mundo, estima-se que cem milh\u00f5es de pessoas vivem no entorno das florestas de mangue. Que impacto teria na biodiversidade se todas elas seguissem o exemplo do Sri Lanka? Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* Este artigo integra uma s\u00e9rie especial intitulada \u201cO futuro \u00e9 agora: dentro das comunidades mais sustent\u00e1veis do mundo\u201d.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Amantha Perera, da IPS &ndash;&nbsp; Kalpitiya, Sri Lanka, 25\/6\/2015 &ndash; Os habitantes da pen&iacute;nsula de Kalpitiya, no distrito de Puttalam, no Sri Lanka, conhecem muito bem a destrui&ccedil;&atilde;o deliberada que sofre sua floresta de mangue, de 8.815 hectares, e decidiram n&atilde;o ficar de bra&ccedil;os cruzados. 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