{"id":19229,"date":"2015-06-26T13:11:51","date_gmt":"2015-06-26T13:11:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196698"},"modified":"2015-06-26T13:11:51","modified_gmt":"2015-06-26T13:11:51","slug":"otimismo-sobre-o-afeganistao-deve-ser-cauteloso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/otimismo-sobre-o-afeganistao-deve-ser-cauteloso\/","title":{"rendered":"Otimismo sobre o Afeganist\u00e3o deve ser cauteloso"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196699\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/afghanistan-629x466-629x466.jpg\"><img class=\"wp-image-196699\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/afghanistan-629x466-629x466.jpg\" alt=\"Estudantes do Instituto Nacional de M\u00fasica do Afeganist\u00e3o. Foto: Shelly Kittleson\/IPS\" width=\"340\" height=\"252\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Estudantes do Instituto Nacional de M\u00fasica do Afeganist\u00e3o. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Kanya D\u2019Almeida, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 26\/6\/2015 \u2013 Desde 2002, um ano depois de invadir o Afeganist\u00e3o, os Estados Unidos investiram mais de US$ 100 bilh\u00f5es no desenvolvimento e na reconstru\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds asi\u00e1tico de 30 milh\u00f5es de habitantes. Nesse per\u00edodo, dois mil soldados morreram em territ\u00f3rio afeg\u00e3o, em opera\u00e7\u00f5es militares que custaram bilh\u00f5es de d\u00f3lares a Washington.<\/p>\n<p>Para seus cr\u00edticos, o legado deixado pelos Estados Unidos \u00e9 um fracasso colossal e custoso, n\u00e3o apenas em termos monet\u00e1rios, mas tamb\u00e9m pela morte de 26 mil civis afeg\u00e3os que a a\u00e7\u00e3o militar norte-americana provocou. Mas outros destacam os benef\u00edcios socioecon\u00f4micos que a ocupa\u00e7\u00e3o deixou.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) afirma que o Afeganist\u00e3o melhorou sua expectativa de vida, bem como os centros de sa\u00fade e o acesso a educa\u00e7\u00e3o, o que representa o lado \u201cpositivo\u201d da interven\u00e7\u00e3o de Washington. Desse ponto de vista, a perda de vidas humanas deve se contrapor ao fato de as pessoas viverem mais, menos m\u00e3es morrerem ao dar \u00e0 luz e mais crian\u00e7as irem \u00e0 escola.<\/p>\n<p>Mas o Inspetor Geral Especial para a Reconstru\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o (Sigar), John F. Sopko, sugere que \u201cgrande parte do entusiasta discurso oficial (sobre a reconstru\u00e7\u00e3o) deve ser visto com cautela\u201d, para n\u00e3o cair nos excessos informativos. Criado em 2008 pelo Estados Unidos, o Sigar tem a faculdade de \u201cfiscalizar, inspecionar, investigar e revisar de outras maneiras todos e cada um dos aspectos da reconstru\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em um discurso, no dia 5 de maio, Sopko destacou que a reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u201ctarefa enorme e de longo alcance\u201d, que praticamente n\u00e3o deixou de afetar parte alguma da vida afeg\u00e3. Os fundos destinados \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o, para apoiar, por exemplo, as for\u00e7as armadas e a pol\u00edcia, perfurar po\u00e7os de \u00e1gua e buscar alternativas de cultivo para a papoula, \u201csuperam o valor do Plano Marshall para reconstruir a Europa ocidental depois da Segunda Guerra Mundial\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cLamentavelmente, desde o come\u00e7o at\u00e9 o dia de hoje, grandes quantidades de dinheiro dos contribuintes foram perdidas devido ao desperd\u00edcio, \u00e0 fraude e ao abuso. Esses desastres costumam ocorrer quando os funcion\u00e1rios norte-americanos que implantam e supervisionam os programas n\u00e3o conseguem distinguir a realidade da fantasia\u201d, pontuou Sopko.<\/p>\n<p>Em um exemplo recente dessa tend\u00eancia, dois ministros afeg\u00e3os citaram vers\u00f5es da imprensa local para informar o Parlamento sobre a fraude no setor educacional, alegando que funcion\u00e1rios do governo de Hamid Karzai (2001-2014) falsificaram dados sobre o n\u00famero de escolas ativas no Afeganist\u00e3o a fim de receberem fundos estrangeiros.<\/p>\n<p>O escrit\u00f3rio do \u201cSigar leva muito a s\u00e9rio essas den\u00fancias, pois partiram de pessoas de <em>status<\/em> elevado no governo afeg\u00e3o e tamb\u00e9m pelo fato de a Usaid investir cerca de US$ 769 milh\u00f5es no setor educacional afeg\u00e3o, e iniciou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o assunto\u201d, disse um funcion\u00e1rio desse organismo \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o oficial, apresentada no dia 18 deste m\u00eas ao administrador interino da Usaid, questiona as estat\u00edsticas, muito citadas, que indicam que a ajuda oficial ao desenvolvimento deu lugar ao aumento na quantidade de estudantes matriculados entre 2002 e 2013, de 900 mil para mais de oito milh\u00f5es. Embora a Usaid defenda os n\u00fameros, procedentes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o afeg\u00e3o, n\u00e3o tem a capacidade para verific\u00e1-las de forma independente.<\/p>\n<p>Diante da acusa\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia de \u201cescolas fantasmas, estudantes fantasmas e professores fantasmas\u201d, o Sigar solicitou \u00e0 Usaid que responda se \u00e9 capaz de investigar as den\u00fancias e garantir que seus dados sejam precisos para que n\u00e3o se desperdice dinheiro dos contribuintes norte-americanos, ressaltou o funcion\u00e1rio desse organismo.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil no Afeganist\u00e3o, onde os alunos se espalham por 14.226 centros de ensino, principalmente nas zonas rurais, e onde nem mesmo o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o tem controle sobre a alfabetiza\u00e7\u00e3o do pessoal docente, os detalhes dos planos de estudo, ou as amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2014, o Sigar informou que o Minist\u00e9rio conta os alunos como \u201cmatriculados\u201d, embora estejam ausentes da escola por tr\u00eas anos, o que sugere que o n\u00famero real de meninos e meninas nas aulas seja muito inferior ao oficial, que as ag\u00eancias de ajuda dos Estados Unidos utilizam. Em seu discurso de 5 de maio, Sopko afirmou que um alto funcion\u00e1rio da Usaid acredita que existam quatro milh\u00f5es de crian\u00e7as nas escolas, menos da metade do n\u00famero oficial que delineiam os compromissos de financiamento atuais.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida faltam mais fundos para refor\u00e7ar o sistema educacional do Afeganist\u00e3o. Segundo o escrit\u00f3rio em Cabul da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), apenas 31% da popula\u00e7\u00e3o maior de 15 anos sabe ler e escrever, uma das piores taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o do mundo. Tamb\u00e9m h\u00e1 importantes diferen\u00e7as segundo o g\u00eanero e o lugar de resid\u00eancia. A alfabetiza\u00e7\u00e3o feminina limita-se a 17% em n\u00edvel nacional, mas em Cabul sobe para 34%, enquanto nas duas prov\u00edncias do sul apenas ro\u00e7a o 1,6%.<\/p>\n<p>As discrep\u00e2ncias entre as estat\u00edsticas oficiais e a realidade n\u00e3o se limitam ao setor da educa\u00e7\u00e3o, mas se manifestam em muitas \u00e1reas do processo de reconstru\u00e7\u00e3o. Por exemplo, segundo a Usaid, a expectativa de vida passou de 42 anos, em 2002, para mais de 60 anos, em 2014. Se isso for correto, significar\u00e1 um grande avan\u00e7o. Mas v\u00e1rias estat\u00edsticas em poder do Sigar, incluindo dados fornecidos pela Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia e pela Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas indicam uma m\u00e9dia de vida inferior, de at\u00e9 50 anos.<\/p>\n<p>Embora os dados originais procedam diretamente de uma pesquisa sobre a mortalidade no Afeganist\u00e3o, que o Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica afeg\u00e3o fez em 2010 com fundos da Usaid, o que preocupa o Sigar \u00e9 que \u201ca Usaid n\u00e3o verificou o que o Minist\u00e9rio fez para corrigir as defici\u00eancias em suas fun\u00e7\u00f5es fiscal, or\u00e7ament\u00e1ria, cont\u00e1bil e de aquisi\u00e7\u00f5es internas\u201d.<\/p>\n<p>O Sigar n\u00e3o \u00e9 capaz de estimar corretamente as perdas causadas pelos programas mal planejados, o roubo e a corrup\u00e7\u00e3o, tanto norte-americana quanto afeg\u00e3o, mas um funcion\u00e1rio do \u00f3rg\u00e3o enfatizou \u00e0 IPS que \u00e9 dif\u00edcil imaginar que o custo total para os contribuintes norte-americanos \u201cn\u00e3o esteja nos milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Kanya D&rsquo;Almeida, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 26\/6\/2015 &ndash; Desde 2002, um ano depois de invadir o Afeganist&atilde;o, os Estados Unidos investiram mais de US$ 100 bilh&otilde;es no desenvolvimento e na reconstru&ccedil;&atilde;o desse pa&iacute;s asi&aacute;tico de 30 milh&otilde;es de habitantes. 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