{"id":19243,"date":"2015-06-30T13:08:22","date_gmt":"2015-06-30T13:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196856"},"modified":"2015-06-30T13:08:22","modified_gmt":"2015-06-30T13:08:22","slug":"igualdade-um-jogo-dificil-para-as-jogadoras-argentinas-ganharem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/igualdade-um-jogo-dificil-para-as-jogadoras-argentinas-ganharem\/","title":{"rendered":"Igualdade, um jogo dif\u00edcil para as jogadoras argentinas ganharem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196857\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres4.jpg\"><img class=\"wp-image-196857\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mulheres4.jpg\" alt=\"Mulheres de diferentes idades da Villa 31, que integram a equipe de futebol de La Nuestra, esperando o in\u00edcio do treinamento no campo desse bairro pobre de Buenos Aires, que muitas vezes precisa ser interrompido porque os homens invadem. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres de diferentes idades da Villa 31, que integram a equipe de futebol de La Nuestra, esperando o in\u00edcio do treinamento no campo desse bairro pobre de Buenos Aires, que muitas vezes precisa ser interrompido porque os homens invadem. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 30\/6\/2015 \u2013 Durante uma partida de futebol feminino em um bairro pobre de Buenos Aires, a diretora da equipe, M\u00f3nica Santino, precisa interromper o jogo e pedir a um grupo de homens que n\u00e3o invadam o espa\u00e7o das mulheres. \u00c9 um s\u00edmbolo de uma luta que, cent\u00edmetro a cent\u00edmetro, tamb\u00e9m se trava nos campos da Argentina.<\/p>\n<p>\u201cCalma, esperem um pouco que j\u00e1 terminaremos. N\u00e3o fiquem no meio\u201d, Santino tenta persuadir amavelmente os meninos e adolescentes que avan\u00e7am violentamente com sua bola pelo campo onde se joga uma partida de futebol feminino, em Villa 31, emblem\u00e1tico assentamento informal no nordeste de Buenos Aires, dentro do cotado bairro do Retiro.<\/p>\n<p>\u201cSe fosse um jogo masculino nem loucos fariam isso, porque teriam s\u00e9rios problemas. Mas como s\u00e3o mo\u00e7as que est\u00e3o jogando&#8230;\u201d, pontuou Santino \u00e0 IPS, na noite em que foi compartilhar a atividade da equipe La Nuestra, nesta vila com popula\u00e7\u00e3o estimada de 40 mil habitantes. As mulheres s\u00e3o metade da popula\u00e7\u00e3o dessa favela, mas n\u00e3o foi f\u00e1cil para elas conquistarem um lugar em campo, territ\u00f3rio tradicionalmente masculino. \u201cPensam que o futebol e o campo s\u00e3o para eles\u201d, protestou \u00e0 IPS a jogadora Augustina Ola\u00f1a, de 15 anos.<\/p>\n<p>Em 2007, quando o projeto come\u00e7ou, as mulheres tiveram que delimitar seu espa\u00e7o de jogo com cones e pedras. Hoje treinam duas vezes por semana. \u201cParece pouco, mas, como conquista, a mensagem de g\u00eanero \u00e9 important\u00edssima porque os campos de futebol s\u00e3o os espa\u00e7os p\u00fablicos mais importantes do bairro\u201d, ressaltou Santino, de 49 anos, ex-jogadora e primeira mulher a ser diretora t\u00e9cnica da Associa\u00e7\u00e3o de Futebol Argentino (AFA).<\/p>\n<p>\u201cVivemos em um pa\u00eds onde o futebol \u00e9 o esporte nacional, que nos explica como argentinos e nos representa em campeonatos mundiais, mas as mulheres no futebol continuam sendo cidad\u00e3s de segunda\u201d, lamentou Santino. La Nuestra tamb\u00e9m \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que busca com que mais mulheres tenham acesso ao esporte e que usa o futebol para refor\u00e7ar suas capacidade, autonomia e autoestima, a partir de uma perspectiva igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O projeto inicialmente convocava apenas adolescentes, mas logo se viu vencido pela demanda espont\u00e2nea de meninas e mulheres adultas. Atualmente participam 70, metade de seis a 12 anos e o restante a partir dos 13. \u201cMe presenteavam com bonecas ou bolas pequeninas, mas eu queria bolas de futebol\u201d, contou uma das alunas, Florencia Carabajal, de nove anos.<\/p>\n<p>\u201cSinto que os homens n\u00e3o aprendem que n\u00f3s tamb\u00e9m podemos jogar. Os homens me chamavam de \u2018mulher-macho\u2019. Mas agora n\u00e3o me dizem mais nada. Eu digo a eles que se quero jogar bola eles n\u00e3o s\u00e3o ningu\u00e9m para me dizer n\u00e3o\u201d, contou Juanita Burgos, de dez anos, que pretende ser jogadora profissional. Este \u00e9 um sonho dif\u00edcil de alcan\u00e7ar na Argentina, apesar de sua sele\u00e7\u00e3o masculina ser bicampe\u00e3 mundial e o pa\u00eds um seleiro de m\u00edticos jogadores, como Diego Maradona e Leonel Messi.<\/p>\n<p>O futebol feminino, por outro lado, nunca venceu um campeonato mundial, porque para os grandes clubes \u201cn\u00e3o \u00e9 espet\u00e1culo, n\u00e3o gera renda\u201d e por isso n\u00e3o se investe nas jogadoras como em outros pa\u00edses, segundo Santino. \u201cNenhum clube tem estrutura para que haja divis\u00f5es inferiores ou para que as meninas comecem a se formar como esportistas ainda com pouca idade, que \u00e9 quando se cresce como esportista e se pode competir\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cAs vezes que a Argentina participou de competi\u00e7\u00f5es internacionais foi doloroso porque, quando jogamos com sele\u00e7\u00f5es como as da Alemanha ou dos Estados Unidos, nos metem 11, 13, 15 gols\u201d, lamentou Santino. \u201cDepois v\u00eam as criticas fort\u00edssimas: que a camisa argentina n\u00e3o se mancha, que n\u00e3o se faz um papel\u00e3o internacional como esse. Mas aqui n\u00e3o temos infraestrutura. \u00c9 um discurso muito perverso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cTive a sorte de estar na sele\u00e7\u00e3o, de disputar um mundial mas \u00e0 custa de sacrif\u00edcio\u201d, acrescentou a treinadora de La Nuestra, Vanina Garc\u00eda, de 33 anos, que alternava o futebol com outro trabalho. Santino impulsiona o projeto para que seja replicado em outros bairros, e para isso conta com sua experi\u00eancia como selecionadora do chamado Futebol de Rua. Tamb\u00e9m pretende criar um clube de futebol feminino, onde, al\u00e9m de se jogar, tamb\u00e9m sejam debatidas quest\u00f5es de esporte e g\u00eanero.<\/p>\n<p>La Nuestra surgiu a partir do trabalho de Santino como coordenadora do Programa de Futebol Feminino do Centro da Mulher, do munic\u00edpio de Vicente L\u00f3pez, na grande Buenos Aires. Conta com fundos do Programa de Adolesc\u00eancia, do governo da Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires, e da Secretaria da Inf\u00e2ncia, do governo nacional. \u201cTudo se consegue com esfor\u00e7o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Santino, ativista pelos direitos da mulher no esporte e integrante da n\u00e3o governamental Funda\u00e7\u00e3o Mulheres em Igualdade, \u201cesse \u00e9 um tema pendente na agenda feminista\u201d. E acrescentou que \u201cde uma mulher espera-se uma conduta que n\u00e3o tem a ver com correr, transpirar, fazer for\u00e7a. Dizem que, se jogar futebol, o corpo da mulher se transformar\u00e1 no de um homem. H\u00e1 uma ideia muito firme de acreditar que todas as que jogam futebol s\u00e3o l\u00e9sbicas\u201d.<\/p>\n<p>Santino prosseguiu dizendo que acredita \u201cque se coloca em jogo o mesmo que quando falamos do direito ao aborto e de todos os preconceitos que surgem. \u00c9 uma forma de tutelar os corpos das mulheres, como devem ser\u201d. Para ela, o futebol feminino \u00e9 uma boa desculpa para falar sobre outras reivindica\u00e7\u00f5es feministas, como o direito ao lazer.<\/p>\n<p>\u201cPara vir a campo, o grande problema eram os afazeres dom\u00e9sticos. Elas vinham depois de lavar os pratos, cuidar dos irm\u00e3os ou filhos desde pequenas. Coisas que est\u00e3o destinadas \u00e0s mulheres. Os homens, por outro lado, chegam da escola, jogam a mochila e v\u00eam para o campo automaticamente\u201d, comparou Santino. \u201cAqui, jogando futebol, as mulheres disp\u00f5em de duas horas nas quais n\u00e3o t\u00eam de pensar em outra coisa, per\u00edodo em que se divertem, estabelecem um v\u00ednculo entre si. Muitas coisas acontecem, que para n\u00f3s s\u00e3o fatos pol\u00edticos, que t\u00eam um componente revolucion\u00e1rio, porque alguma coisa muda\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Karen Mar\u00edn, vendedora de frangos de 19 anos, que migrou da Bol\u00edvia com seus pais quando tinha oito anos, La Nuestra foi uma maneira de se integrar. \u201cSofria discrimina\u00e7\u00e3o por ser boliviana e me fechava muito, vivia no meu quarto. Um dia me convidaram. Nunca faltei, comecei a ter amigas. O futebol me ajudou em tudo, principalmente a ser mais solta\u201d, contou.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, a treinadora Garc\u00eda acredita que j\u00e1 n\u00e3o se questiona tanto o futebol feminino, presente nas escolas e em quase todos os torneios de bairros. \u201cSuponho que isso acontece porque a mulher assumiu outro papel. Em um monte de coisas, e tamb\u00e9m no futebol. A mulher se coloca e quer jogar futebol, e joga\u201d, resumiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 30\/6\/2015 &ndash; Durante uma partida de futebol feminino em um bairro pobre de Buenos Aires, a diretora da equipe, M&oacute;nica Santino, precisa interromper o jogo e pedir a um grupo de homens que n&atilde;o invadam o espa&ccedil;o das mulheres. &Eacute; um s&iacute;mbolo de uma luta que, cent&iacute;metro a [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/06\/ultimas-noticias\/igualdade-um-jogo-dificil-para-as-jogadoras-argentinas-ganharem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1531,2458,24],"class_list":["post-19243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-igualdade","tag-inter-press-service","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19243"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19243\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19244,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19243\/revisions\/19244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}