{"id":19256,"date":"2015-07-02T12:35:53","date_gmt":"2015-07-02T12:35:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196963"},"modified":"2015-07-02T12:35:53","modified_gmt":"2015-07-02T12:35:53","slug":"a-hemodialise-nao-e-para-todos-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/a-hemodialise-nao-e-para-todos-em-uganda\/","title":{"rendered":"A hemodi\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 para todos em Uganda"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/dialisis.jpg\"><img class=\"alignright wp-image-196964\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/dialisis.jpg\" alt=\"dialisis\" width=\"340\" height=\"229\" \/><\/a>Por\u00a0Wambi Michael, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 2\/7\/2015 \u2013 Vincent Mugyenyi, piloto da reserva da For\u00e7a A\u00e9rea de Uganda, de 65 anos, perdeu a conta de quantas vezes teve que se submeter a di\u00e1lise desde que, h\u00e1 oito anos, foi diagnosticado com uma doen\u00e7a cr\u00f4nica nos rins. Ele passa oito horas por semana na m\u00e1quina de di\u00e1lise do Hospital Nacional de Refer\u00eancia de Mulago, onde recebe o tratamento que filtra as toxinas do sangue e restaura a correta fun\u00e7\u00e3o renal. O objetivo \u00e9 ganhar tempo enquanto o \u00f3rg\u00e3o se recupera ou surge a possibilidade de um transplante.<\/p>\n<p>\u201cTinha uma pequena propriedade com cem animais. Vendi todos para pagar o tratamento porque ainda precisava da vida. Assim a doen\u00e7a me afetou. Esgotou todos os meus recursos. A terra \u00e9 muito importante, mas vendi a minha para comprar vida\u201d, contou Mugyenyi \u00e0 IPS. Ele \u00e9 afortunado e sem sorte, ao mesmo tempo. \u00c9 um dos poucos ugandenses com problemas renais cr\u00f4nicos que pode passar pela di\u00e1lise, embora n\u00e3o atenda todos os requisitos para receber um transplante de rim devido \u00e0 idade.<\/p>\n<p>A enfermidade renal cr\u00f4nica (ERC) \u00e9 um crescente problema de sa\u00fade em Uganda e afeta a economia, a sociedade e o estado f\u00edsico de pacientes e seus familiares. O m\u00e9dico Simon Peter Eyoku, especialista em problemas renais do Hospital de Mulago, afirmou \u00e0 IPS que as ERC afetam principalmente adultos entre 20 e 50 anos, e que as causas mais comuns costumam ser infec\u00e7\u00f5es vinculadas ao v\u00edrus HIV, causador da aids, seguidas de hipertens\u00e3o e diabete.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a ERC \u00e9 a 12\u00aa causa de morte no mundo e sua crescente incid\u00eancia, cerca de 8% ao ano, a converte em um importante problema de sa\u00fade p\u00fablica. O Hospital Mulago \u00e9 o \u00fanico do sistema p\u00fablico ugandense que atende pacientes com complica\u00e7\u00f5es renais e, de acordo com Eyoku, isso representa mais uma carga para as pessoas que devem percorrer grandes dist\u00e2ncias at\u00e9 a unidade de di\u00e1lise, o que aumenta os custos de um tratamento que j\u00e1 \u00e9 caro.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que a unidade de di\u00e1lise possui apenas 33 m\u00e1quinas de hemodi\u00e1lise para uma popula\u00e7\u00e3o de 36 milh\u00f5es de habitantes. Quando foi aberta, h\u00e1 quase oito anos, com quatro m\u00e1quinas, um paciente tinha que pagar o equivalente a US$ 500 por semana pelo tratamento, um custo proibitivo. Em mar\u00e7o de 2014, a administra\u00e7\u00e3o do hospital decidiu redistribuir fundos para a unidade e baixar o custo do tratamento para US$ 40 semanais, o que continua sendo caro para a maioria dos ugandenses.<\/p>\n<p>O hospital tamb\u00e9m oferece duas sess\u00f5es gratuitas de hemodi\u00e1lise, o que permitiu a chegada de pacientes com ERC, mas \u201cagora estamos com dificuldades por recebermos muito mais pacientes\u201d, apontou Eyoku.<\/p>\n<p>\u201cGostaria que tiv\u00e9ssemos mais especialistas em problemas renais\u201d, lamentou Robert Kalyesubula, um dos quatro nefrologistas do hospital. \u201cTamb\u00e9m precisamos de mais programas para conscientizar sobre esse problema, para as pessoas o conhecerem, porque \u00e9 devastador. Vi pessoas idosas se abaterem ao receber o diagn\u00f3stico. E a dor, pois afeta toda a fam\u00edlia. Se o pai adoece, os filhos n\u00e3o ir\u00e3o \u00e0 escola\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades do diagn\u00f3stico \u00e9 que a doen\u00e7a n\u00e3o tem sintomas espec\u00edficos no in\u00edcio, por isso os pacientes que precisam de tratamento j\u00e1 est\u00e3o nas fases finais. \u201cPassa-se 90% do tempo tentando manter as pessoas vivas em lugar de ajud\u00e1-las a viver melhor\u201d, opinou Kalyesubula. Al\u00e9m disso, em Uganda, como no resto da \u00c1frica subsaariana, se desconhece a magnitude do problema e n\u00e3o lhe \u00e9 dada a devida import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cSabemos mais sobre o HIV, a mal\u00e1ria e a tuberculose, porque s\u00e3o doen\u00e7as para as quais h\u00e1 muito dinheiro. Os problemas renais merecem o mesmo grau de import\u00e2ncia dado ao HIV. Ignoramos uma doen\u00e7a que pode ser tratada em suas primeiras etapas\u201d, ressaltou o especialista.<\/p>\n<p>Os pacientes que n\u00e3o podem pagar os US$ 40 por semana para a hemodi\u00e1lise s\u00e3o atendidos na \u00e1rea 4C, e d\u00e1 a impress\u00e3o de que s\u00e3o presos condenados \u00e0 morte sem possibilidade de apela\u00e7\u00e3o. Quando a IPS visitou a \u00e1rea, em uma tarde agitada, o cen\u00e1rio era um caos pat\u00e9tico. Os poucos m\u00e9dicos e enfermeiras corriam de um lado para outro, atendendo tanto homens adultos quanto meninas adolescentes no mesmo lugar.<\/p>\n<p>Na entrada da sala a IPS conversou com Rosemary Kyakuhaire, que juntava os pertences de seu irm\u00e3o, um homem de 40 anos que acabara de morrer por uma falha renal. Ele esteve internado por tr\u00eas semanas, recebendo apenas cuidados paliativos, porque sua fam\u00edlia n\u00e3o tinha recursos para pagar o tratamento, contou.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico Kalyesubula, em Uganda \u201c\u00e9 melhor ser diagnosticado com HIV do que com um problema renal\u201d. A possibilidade de receber tratamento para ERC no pa\u00eds depende de o paciente ter seguro de sa\u00fade ou poder pagar mediante empr\u00e9stimos, vendendo propriedades ou com ajuda econ\u00f4mica de familiares e amigos. H\u00e1 dois hospitais privados que oferecem hemodi\u00e1lise, mas apenas alguns afortunados podem custear o tratamento nessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Benon Mulindwa, de 27 anos, \u00e9 um desses afortunados. O seguro m\u00e9dico de seu empregador, a For\u00e7a de Defesa do Povo de Uganda, cobria o custo do tratamento e do transplante. Sem o seguro m\u00e9dico n\u00e3o conseguiria pagar os quase US$ 20 mil anuais para a hemodi\u00e1lise, nem outro tanto para o transplante, segundo contou \u00e0 IPS. Inclusive, Mulindwa foi submetido ao transplante na \u00cdndia, tamb\u00e9m coberto pelo seguro. Por\u00e9m, a maioria dos pacientes deve buscar um doador em Uganda.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses em desenvolvimento, com registros p\u00fablicos de doadores de rins, em Uganda os pacientes devem buscar os poss\u00edveis doadores, o que aumenta as dificuldades que devem enfrentar, segundo Kalyesubula. A falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a seguran\u00e7a na doa\u00e7\u00e3o de rins faz com que muitos ugandenses n\u00e3o se sintam dispostos a serem doadores. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Wambi Michael, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 2\/7\/2015 &ndash; Vincent Mugyenyi, piloto da reserva da For&ccedil;a A&eacute;rea de Uganda, de 65 anos, perdeu a conta de quantas vezes teve que se submeter a di&aacute;lise desde que, h&aacute; oito anos, foi diagnosticado com uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica nos rins. 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