{"id":19261,"date":"2015-07-03T14:38:39","date_gmt":"2015-07-03T14:38:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=196983"},"modified":"2015-07-03T14:38:39","modified_gmt":"2015-07-03T14:38:39","slug":"o-brics-constroi-uma-nova-ordem-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/o-brics-constroi-uma-nova-ordem-mundial\/","title":{"rendered":"O Brics constr\u00f3i uma Nova Ordem Mundial?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_196984\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bakun-629x360.jpg\"><img class=\"wp-image-196984\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bakun-629x360.jpg\" alt=\"A represa de Bakun, em Sarawang, na Mal\u00e1sia, foi constru\u00edda conjuntamente com capitais chineses e malaios. Foto: Malaysia China Hydro Inc.\" width=\"340\" height=\"195\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A represa de Bakun, em Sarawang, na Mal\u00e1sia, foi constru\u00edda conjuntamente com capitais chineses e malaios. Foto: Malaysia China Hydro Inc.<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Daya Thussu*<\/em><\/p>\n<p>Londres, Gr\u00e3-Bretanha, 3\/7\/2015 \u2013 Os l\u00edderes dos cinco pa\u00edses que integram o grupo Brics ter\u00e3o sua c\u00fapula anual entre os dias 8 e 10 deste m\u00eas, na cidade russa de Ufa, e seguramente a crise econ\u00f4mica na Uni\u00e3o Europeia e a situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a no Oriente M\u00e9dio dominar\u00e3o sua agenda.<\/p>\n<p>A sigla e o conceito do Bric foram criados em 2001 por Jim O\u2019Neill, um executivo do banco de investimento Goldman Sachs e atual ministro no governo da Gr\u00e3-Bretanha. A \u00c1frica do Sul aderiu em 2011, a pedido da China, com a consequente mudan\u00e7a do nome para o atual Brics.<\/p>\n<p>Embora funcione como grupo desde 2006 e realize c\u00fapulas anuais desde 2009, o Brics n\u00e3o recebe tanta aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais, em parte devido \u00e0s diferen\u00e7as pol\u00edticas e socioculturais e \u00e0s d\u00edspares etapas de desenvolvimento de seus integrantes.<\/p>\n<p>A apari\u00e7\u00e3o desse tipo de grupo coincide com o relativo decl\u00ednio econ\u00f4mico do Norte industrializado. Isso permitiu a participa\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias emergentes, como China e \u00cdndia, nas estruturas de governan\u00e7a mundial, at\u00e9 agora dominadas pelos Estados Unidos e seus aliados. O centro de gravidade econ\u00f4mica est\u00e1 se deslocando do Ocidente, como reconhece o governo norte-americano de Barack Obama, para o qual o eixo da pol\u00edtica externa se traslada para a \u00c1sia.<\/p>\n<p>No <em>ranking<\/em> das 500 maiores empresas do mundo, publicado pela revista norte-americana <em>Fortune<\/em>, Brasil, China, \u00cdndia e R\u00fassia passaram de ter 27 transnacionais com sede em seus pa\u00edses, em 2005, para mais de cem em 2015.<\/p>\n<p>A Huawei, uma empresa chinesa de equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es, tem registrada a maior quantidade de patentes internacionais. A brasileira Petrobras \u00e9 a quarta maior empresa petroleira do mundo, enquanto o grupo Tata se converteu no primeiro conglomerado da \u00cdndia a ter renda superior a US$ 100 bilh\u00f5es ao ano.<\/p>\n<p>Desde 2006, a China \u00e9 o maior possuidor de reservas de divisas, cujo valor \u00e9 calculado em US$ 3,8 trilh\u00f5es em 2015. Segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o produto interno bruto chin\u00eas superou o dos Estados Unidos em 2014, por isso que \u00e9 a maior economia mundial em fun\u00e7\u00e3o da paridade de poder aquisitivo.<\/p>\n<p>Em termos mais gerais, os principais pa\u00edses do Sul global tiveram impressionante crescimento econ\u00f4mico nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O informe de\u00a0 2013 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento, intitulado <em>A Ascens\u00e3o do Sul<\/em>, prognosticou que em 2020 a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica combinada de Brasil, China e \u00cdndia superar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o acumulada de Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Apesar das rela\u00e7\u00f5es individuais entre os pa\u00edses do BricS e os Estados Unidos diferirem notavelmente, o grupo foi concebido como uma alternativa ao poder de Washington, e \u00e9 a \u00fanica agrupa\u00e7\u00e3o importante que n\u00e3o inclui os Estados Unidos ou outro membro do Grupo dos Sete (G7) pa\u00edses mais ricos. Entretanto, e com a poss\u00edvel exce\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, nenhum dos cinco membros do Brics est\u00e1 disposto a enfrentar os Estados Unidos, pa\u00eds com o qual t\u00eam sua rela\u00e7\u00e3o mais importante. De fato, a China \u00e9 um dos maiores investidores nos Estados Unidos enquanto Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul demonstram afinidades democr\u00e1ticas com o Norte industrial.<\/p>\n<p>Embora a ideia do Bric tenha nascido na R\u00fassia, a China se converteu na for\u00e7a impulsionadora do grupo atual. O escritor brit\u00e2nico Martin Jacques diz, em seu <em>bestseller<\/em> <em>When China Rules the World<\/em> (Quando a China Governar o Mundo), que Pequim opera \u201ctanto dentro quanto fora do sistema internacional existente e, ao mesmo tempo, patrocina um novo sistema internacional centrado na China, que coexistir\u00e1 com o sistema atual e come\u00e7ar\u00e1 a usurp\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>Uma manifesta\u00e7\u00e3o de que esta mudan\u00e7a \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, com sede em Xangai, que financiar\u00e1 projetos de desenvolvimento alternativos aos do Banco Mundial e do FMI. A China fez o maior aporte ao banco, o que provavelmente aumenta seu predom\u00ednio no grupo.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m do Brics, Pequim tamb\u00e9m inaugurou o Banco Asi\u00e1tico de Investimento em Infraestrutura, que j\u00e1 conta com 57 membros, entre eles Alemanha, Austr\u00e1lia e Gr\u00e3-Bretanha, e no qual a China ter\u00e1 mais de 25% dos direitos de voto. \u00cdndia e R\u00fassia s\u00e3o o segundo e terceiro acionistas do banco, respectivamente.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as repercutem nas comunica\u00e7\u00f5es. A China investiu milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares em suas comunica\u00e7\u00f5es externas, inclu\u00edda a expans\u00e3o de suas redes de radiodifus\u00e3o, como a CCTV News e a televis\u00e3o em ingl\u00eas de Xinhua, a CNC World. A R\u00fassia tamb\u00e9m entrou no mundo das not\u00edcias em ingl\u00eas, em 2005, com a rede Russia Today, agora conhecida como RT, que tamb\u00e9m transmite 24 horas por dia em \u00e1rabe e espanhol.<\/p>\n<p>Entretanto, como revela o livro <em>Mapping Brics Media<\/em> (O Mapa da M\u00eddia dos Brics), do qual sou editor juntamente com Kaarle Nordenstreng, da Universidade de Tampere, na Finl\u00e2ndia, h\u00e1 pouqu\u00edssimo interc\u00e2mbio midi\u00e1tico dentro do Brics, e seus pa\u00edses continuam recebendo not\u00edcias internacionais em grande parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o anglo-norte-americanos.<\/p>\n<p>A crescente coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre Pequim e Moscou indica que existe uma nova equa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre ambos, fora do controle ocidental. Dois acordos comerciais que est\u00e3o sendo negociados e liderados por Estados Unidos, Associa\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimentos (TTIP) e Alian\u00e7a Transpac\u00edfica (TPP) excluem os pa\u00edses do Brics, em parte como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 competi\u00e7\u00e3o da China. Por sua vez, Pequim parece ter utilizado o Brics para assinalar que est\u00e1 ascendendo \u201ccom o resto\u201d de seus integrantes e, portanto, \u00e9 menos amea\u00e7adora para a hegemonia ocidental.<\/p>\n<p>A c\u00fapula do Brics acontecer\u00e1 em conjunto com a reuni\u00e3o do Conselho de Chefes de Estado da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai (OCS). A \u00fanica vez que as duas c\u00fapulas aconteceram de maneira conjunta foi tamb\u00e9m na R\u00fassia, em 2009, na cidade de Ekaterinburgo. Al\u00e9m de China e R\u00fassia, membros do Brics, a OCS inclui Cazaquist\u00e3o, Quirguist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o e Uzbequist\u00e3o.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ampliou sua quantidade de integrantes desde que foi criada em 2001. A \u00cdndia tem <em>status<\/em> de \u201cobservadora\u201d dentro da OCS, embora se fale que na c\u00fapula de Ufa poderia obter a ades\u00e3o plena. Se isso ocorrer, o \u201ceixo\u201d teria se trasladado mais um pouco para a \u00c1sia. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>*<em> <strong>Daya Thussu <\/strong>\u00e9 professor de Comunica\u00e7\u00e3o Internacional na Universidade de Westminster, na Gr\u00e3-Bretanha. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Daya Thussu* Londres, Gr&atilde;-Bretanha, 3\/7\/2015 &ndash; Os l&iacute;deres dos cinco pa&iacute;ses que integram o grupo Brics ter&atilde;o sua c&uacute;pula anual entre os dias 8 e 10 deste m&ecirc;s, na cidade russa de Ufa, e seguramente a crise econ&ocirc;mica na Uni&atilde;o Europeia e a situa&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a no Oriente M&eacute;dio dominar&atilde;o sua agenda. 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