{"id":19283,"date":"2015-07-08T12:07:56","date_gmt":"2015-07-08T12:07:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197184"},"modified":"2015-07-08T12:07:56","modified_gmt":"2015-07-08T12:07:56","slug":"fim-da-tragedia-grega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/fim-da-tragedia-grega\/","title":{"rendered":"Fim da trag\u00e9dia grega?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197185\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Grecia.jpg\"><img class=\"wp-image-197185\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Grecia-1024x768.jpg\" alt=\"Manifestantes celebram vit\u00f3ria do \u2018n\u00e3o\u2019 em referendo na Gr\u00e9cia. Foto: Makis Sinodinos\/ Fotos P\u00fablicas\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Manifestantes celebram vit\u00f3ria do \u2018n\u00e3o\u2019 em referendo na Gr\u00e9cia. Foto: Makis Sinodinos\/ Fotos P\u00fablicas<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Joaqu\u00edn Roy*<\/em><\/p>\n<p>Barcelona, Espanha, julho\/2015 \u2013 O contundente resultado do referendo grego (61,31% contra 38,69%), realizado domingo, dia 5, abriu um novo cap\u00edtulo, n\u00e3o somente no futuro da na\u00e7\u00e3o hel\u00eanica, mas na pr\u00f3pria ess\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia (UE). O futuro do euro, paradoxalmente, pode se converter em tema secund\u00e1rio. A partir de agora ser\u00e1 preciso virar a p\u00e1gina de alguns cap\u00edtulos da hist\u00f3ria europeia que se considerava como parte inalter\u00e1vel do roteiro.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso esquecer que em seu momento os anteriores governos gregos mentiram descaradamente para poder justificar financeiramente a entrada no euro. Ser\u00e1 preciso perdoar o fato de as autoridades de Bruxelas terem olhado com pudores para o outro lado, porque o pa\u00eds que ainda usava a moeda mais antiga da humanidade e que fundara a mitificada democracia n\u00e3o havia ficado fora da festa inaugural do cap\u00edtulo mais espetacular da integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso desconfiar pragmaticamente do sempiterno costume europeu de tentar um acordo no limite, para que ao final de uma c\u00fapula n\u00e3o haja vencedores e vencidos: todos devem voltar para casa com um triunfo. Esta \u00e9 uma batalha que ainda pode causar not\u00e1vel dano e baixas consider\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, embora as porcentagens da vota\u00e7\u00e3o reflitam uma vit\u00f3ria evidente da rejei\u00e7\u00e3o diante das imposi\u00e7\u00f5es da UE, a sociedade grega ficou perigosamente dividida pela alternativa apresentada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. \u00c9 de se prever que os problemas do povo grego em sua vida cotidiana n\u00e3o desaparecer\u00e3o com o resultado do referendo.<\/p>\n<p>Portanto, os que votaram aceitar as condi\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es europeias e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) recriminar\u00e3o os que apoiaram Tsipras por causa dos previs\u00edveis danos que todos ser\u00e3o obrigados a suportar. Os ganhadores da contenda, que votaram pela rejei\u00e7\u00e3o, podem se sentir enganados ao verem que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica piora, ou n\u00e3o melhora ostensivamente.<\/p>\n<p>A porcentagem reflete que os setores conservadores e de classe m\u00e9dia seguiram a tese de aceitar as condi\u00e7\u00f5es porque tinham algo. Por outro lado, a maioria que nada tem ou que perdeu quase tudo considerava que devia seguir a luta e desdenhar as press\u00f5es da UE.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m recordar, por exemplo, que a porcentagem do referendo \u00e9 inclusive superior a dos resultados das recentes elei\u00e7\u00f5es, que em janeiro levaram ao poder o dirigente vencedor no plebiscito de agora.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o chegar um novo resgate ou uma redu\u00e7\u00e3o espetacular da d\u00edvida, ao ser impotente para atender as demandas da popula\u00e7\u00e3o, o governo pode se ver obrigado a duas alternativas, uma pior que a outra.<\/p>\n<p>Por um lado, pode ter de aceitar de maneira humilhante uma urgente ajuda humanit\u00e1ria da UE, tal com sugerido na \u00faltima hora. Por outro, pode se mover pelo perigoso caminho de solicitar a prote\u00e7\u00e3o de interesses exteriores, como indicavam recentemente os movimentos em dire\u00e7\u00e3o a Moscou.<\/p>\n<p>Os dirigentes da UE podem ser obrigados a cumprir as amea\u00e7as feitas nas \u00faltimas horas da contenda. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, pode se ver na situa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de ter que apoiar com a\u00e7\u00f5es seus argumentos das \u00faltimas horas com rela\u00e7\u00e3o ao castigo pelo abandono do euro. Da\u00ed que se tenha levantado velas e seguido decantado pelo caminho da negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dilema em que estar\u00e3o os l\u00edderes que t\u00eam mais peso na UE tamb\u00e9m \u00e9 preocupante. Como ficar\u00e3o o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Jean-Claude Juncker, se a m\u00e3o dura de Berlim se impuser?<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, como ficar\u00e3o todos se agora se sopesar a negocia\u00e7\u00e3o tradicional e o compromisso cl\u00e1ssico?<\/p>\n<p>Um progn\u00f3stico tradicional consiste em que os l\u00edderes de Bruxelas, apoiados pelo FMI, optar\u00e3o pela negocia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o querem passar \u00e0 hist\u00f3ria como atores de um enfrentamento de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>Ao primeiro-ministro grego n\u00e3o conv\u00e9m esticar mais a corda e, portanto, poderia apresentar uma oferta \u00e0 UE que n\u00e3o possa ser rejeitada. Por sua parte, a chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, e outros donos da d\u00edvida estratosf\u00e9rica sabem que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro garante a impossibilidade da cobran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia, os Estados Unidos j\u00e1 expressaram em todo esse processo uma preocupa\u00e7\u00e3o por sua evolu\u00e7\u00e3o. Aparte que uma convuls\u00e3o econ\u00f4mica na Europa n\u00e3o conv\u00e9m a Washington, duas frentes s\u00e3o piv\u00f4s do interesse norte-americano em que o dano n\u00e3o se espalhe a outras dimens\u00f5es cruciais.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a amea\u00e7a da oscila\u00e7\u00e3o de uma Gr\u00e9cia \u00e0 deriva para a tenta\u00e7\u00e3o de um ref\u00fagio sob prote\u00e7\u00e3o da R\u00fassia.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 o inc\u00f4modo de ver uma UE dividida em sua lideran\u00e7a e com as asas financeiras danificadas em plenas negocia\u00e7\u00f5es para a Associa\u00e7\u00e3o Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimentos (TTIP).<\/p>\n<p>Com l\u00edderes indecisos ser\u00e1 muito dif\u00edcil o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exercer seu mandato de negocia\u00e7\u00e3o concedido pelo Congresso para um acordo de livre com\u00e9rcio com a UE, com o resultado de que o projeto atrase at\u00e9 que haja um novo presidente.<\/p>\n<p>Por fim, agora depende das decis\u00f5es que forem tomadas em Bruxelas e outras capitais europeias n\u00e3o se danificar ainda mais a ess\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia&#8230; e do euro, a joia da coroa, e a causa de todo este drama. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Joaqu\u00edn Roy <\/strong>\u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy* Barcelona, Espanha, julho\/2015 &ndash; O contundente resultado do referendo grego (61,31% contra 38,69%), realizado domingo, dia 5, abriu um novo cap&iacute;tulo, n&atilde;o somente no futuro da na&ccedil;&atilde;o hel&ecirc;nica, mas na pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europeia (UE). O futuro do euro, paradoxalmente, pode se converter em tema secund&aacute;rio. 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