{"id":1929,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1929"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"venezuela-refugiados-da-bolivia-encontram-ajuda-em-solo-venezuelano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/venezuela-refugiados-da-bolivia-encontram-ajuda-em-solo-venezuelano\/","title":{"rendered":"Venezuela: Refugiados da Bol\u00edvia encontram ajuda em solo venezuelano"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 14\/07\/2006 &ndash; Apesar das rivalidades circunstanciais entre colombianos e venezuelanos, o conflito armado da Col\u00f4mbia despertou velhos la\u00e7os de fraternidade e solidariedade entre estas duas na\u00e7\u00f5es bolivarianas. <!--more--> Pelas vias oficiais ou ilegais, todos os anos ingressam na Venezuela centenas de colombianos que fogem da guerra em seu pa\u00eds. Segundo estat\u00edsticas do escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), at\u00e9 2003 esse pa\u00eds recebeu cerca de 31 mil pedidos de ref\u00fagio feitos por colombianos, dos quais aproximadamente 10 mil foram atendidos.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que existam cerca de 18 mil pessoas com status de refugiado\u201d, disse \u00e0 IPS o presidente da governamental Comiss\u00e3o Nacional para os Refugiados, Ricardo Rinc\u00f3n, organismo que concede, ou n\u00e3o, as solicita\u00e7\u00f5es na Venezuela. Entretanto, esse \u00f3rg\u00e3o calcula que podem ter entrado entre 180 mil e 200 mil colombianos que n\u00e3o se registraram oficialmente, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para ter acesso aos benef\u00edcios outorgados aos refugiados.<\/p>\n<p>Pedro, nome fict\u00edcio de um refugiado que conversou com a IPS, almo\u00e7a diariamente em um dos restaurantes das cinco mil Casas da Alimenta\u00e7\u00e3o, um programa estatal de luta contra a fome que fornece refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias gratuitas aos mais pobres da popula\u00e7\u00e3o e que, segundo seus porta-vozes, atualmente atende cerca de 750 mil pessoas. Apesar de receber diretamente apoio dos programas do governo, Pedro critica a Venezuela, dizendo que \u201cn\u00e3o tem uma pol\u00edtica de Estado que assuma a crise dos refugiados\u201d. As \u201cmiss\u00f5es\u201d, como Caracas denomina seus planos sociais, para Pedro, e muitos outros colombianos refugiados, se transformaram na forma de \u201centrar no sistema\u201d de apoio social. E atualmente, na Venezuela, h\u00e1 16 miss\u00f5es nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, emprego, moradia e meio ambiente.<\/p>\n<p>O uso que os refugiados afazem dos planos sociais da Venezuela \u00e9 considerado muito positivo pelo representante regional do Acnur, John Fredriksson, por ser a express\u00e3o da solidariedade venezuelana. A representa\u00e7\u00e3o do Acnur em Caracas considera a acolhida dos refugiados, orientando seu trabalho de incentivar o apoio comunit\u00e1rio, a fim de melhorar os servi\u00e7os que os venezuelanos compartilham com os colombianos, de modo que ao mesmo tempo em que se ap\u00f3ia o reassentamento tamb\u00e9m se melhora as condi\u00e7\u00f5es gerais de vida em zonas pouco atendidas para o Estado.<\/p>\n<p>J\u00fanior, outro refugiado colombiano, considera que Caracas tem planos para atender o refugiado. Entretanto, ele n\u00e3o participa ativamente das miss\u00f5es porque, segundo disse \u00e0 IPS, \u201cainda tenho muito medo de andar pelas ruas\u201d. J\u00fanior deixou o departamento de Cundinamarca, no centro da Col\u00f4mbia, sob amea\u00e7a de morte por parte de mil\u00edcias paramilitares ultradireitistas que o acusavam de ser informante da guerrilha esquerdista, por trabalhar em um meio de comunica\u00e7\u00e3o de tend\u00eancia \u00e0 esquerda. Hoje tem status de refugiado e recebe uma mesada do Acnur de 290 mil bol\u00edvares (US$ cerca de 160), que n\u00e3o d\u00e1 para manter sua fam\u00edlia de seis membros.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses que s\u00e3o grandes receptores de v\u00edtimas de conflitos armados, na Venezuela n\u00e3o h\u00e1 acampamentos para os refugiados, o que, segundo Fredriksson, permite melhor integra\u00e7\u00e3o destas pessoas \u00e0 sociedade que os recebe. A maioria dos colombianos que busca ref\u00fagio entra na Venezuela em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica prec\u00e1ria e, portanto, se convertem em potenciais benefici\u00e1rios dos programas sociais. De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o venezuelana, \u201cconsidera-se refugiada toda pessoa cujo ingresso em territ\u00f3rio nacional obede\u00e7a fundados temores de persegui\u00e7\u00e3o por motivos de ra\u00e7a, g\u00eanero, religi\u00e3o, nacionalidade, pertin\u00eancia a determinado grupo social ou por opini\u00e3o pol\u00edticas, ou, ainda, quando sua vida, seguran\u00e7a ou liberdade estejam amea\u00e7adas\u201d.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia vive uma guerra civil que come\u00e7ou h\u00e1 mais de 40 anos com o surgimento de guerrilhas rurais esquerdistas. Nos anos 80, somaram-se ao conflito mil\u00edcias paramilitares de ultradireita. Segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio do Acnur, a viol\u00eancia colombiana produziu 2,5 milh\u00f5es de refugiados. Desde que a Venezuela se converteu em pa\u00eds receptor de colombianos que fogem da viol\u00eancia, nos \u00faltimos anos, cada vez mais organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais se ocupam dos refugiados. ONGs como a Rede de Apoio pela Justi\u00e7a e a Paz \u2013 que nasceu na d\u00e9cada de 80 como organiza\u00e7\u00e3o para defesa dos direitos humanos de venezuelanos \u2013 hoje tamb\u00e9m trabalha pela popula\u00e7\u00e3o de refugiados colombianos.<\/p>\n<p>\u201cFazemos um trabalho de acompanhamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico com os refugiados\u201d, disse Diana Gonz\u00e1lez, psic\u00f3loga da Rede de Apoio. O n\u00famero de refugiados atendidos est\u00e1 em crescimento. \u201cNo ano passado atendemos 10 e neste, at\u00e9 esta data, j\u00e1 atendemos a mesma quantidade de pessoas\u201d, afirmou. Outras ONGs, como o cat\u00f3lico e internacional Servi\u00e7o Jesu\u00edta a Refugiados, cap\u00edtulo Venezuela (SJR), atende os colombianos t\u00e3o logo chegam em territ\u00f3rio venezuelano. Os dois pa\u00edses compartilham 2.219 quil\u00f4metros de fronteira,mas existem tr\u00eas pontos principais de entrada dos refugiados, todos no noroeste: Machiques, no Estado de Zulia, San Antonio, no Estado de T\u00e1chira, e Guasdualito, no Estado de Apure. Em cada uma destas localidades h\u00e1 um escrit\u00f3rio do Acnur.<\/p>\n<p>O SJR tem representa\u00e7\u00f5es nas fronteiri\u00e7as localidades de el Nuda e Guasdualito. A maior demanda de aten\u00e7\u00e3o para a organiza\u00e7\u00e3o se registrou em 2003 e 2004, com 652 e 577 pessoas atendidas, respectivamente. No ano passado houve uma queda para 317. Para Humberto Rodr\u00edguez, advogado do SJR, este comportamento estat\u00edstico se explica porque muita gente n\u00e3o procura as organiza\u00e7\u00f5es de apoio por medo de serem denunciadas e por desconhecimento. Ao contr\u00e1rio de outras migra\u00e7\u00f5es, a dos refugiados colombianos n\u00e3o ocorre maci\u00e7amente nem de maneira constante, mas do modo que os especialistas chamam de \u201cgotejamento\u201d, uma modalidade que os torna \u201cinvis\u00edveis diante dos olhos da sociedade e do Estado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO desafio que temos na Venezuela \u00e9 tornar vis\u00edveis \u00e0s necessidades destas pessoas que chegam em conseq\u00fc\u00eancia do conflito armado na Col\u00f4mbia em busca de apoio\u201d, afirmou Fredriksson. A comunidade colombiana \u00e9 entre as estrangeiras a mais numerosa da Venezuela. Dados extra-oficiais falam em cerca de quatro milh\u00f5es de colombianos no pa\u00eds. A imigra\u00e7\u00e3o colombiana na Venezuela \u00e9 hist\u00f3rica. Na d\u00e9cada de 70 houve uma grande onda devido a bonan\u00e7a petroleira venezuelana, depois cessou, e, nos \u00faltimos anos, cresceu novamente em conseq\u00fc\u00eancia do agravamento do conflito armado colombiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 14\/07\/2006 &ndash; Apesar das rivalidades circunstanciais entre colombianos e venezuelanos, o conflito armado da Col\u00f4mbia despertou velhos la\u00e7os de fraternidade e solidariedade entre estas duas na\u00e7\u00f5es bolivarianas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/venezuela-refugiados-da-bolivia-encontram-ajuda-em-solo-venezuelano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1523,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,9],"tags":[],"class_list":["post-1929","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-globalizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1523"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1929\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}