{"id":19295,"date":"2015-07-13T12:25:53","date_gmt":"2015-07-13T12:25:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197322"},"modified":"2015-07-13T12:25:53","modified_gmt":"2015-07-13T12:25:53","slug":"feminismo-cubano-enfrenta-novos-desafios-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/feminismo-cubano-enfrenta-novos-desafios-na-internet\/","title":{"rendered":"Feminismo cubano enfrenta novos desafios na internet"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197323\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Cuba1.jpg\"><img class=\"wp-image-197323\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Cuba1.jpg\" alt=\"A maioria das cubanas n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet, como ocorre com este grupo em Havana Velha, que assiste \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de um livro sobre temas de g\u00eanero. Chegar a elas \u00e9 parte dos desafios pendentes para as ciberativistas que usam a blogosfera e as redes sociais como espa\u00e7os de den\u00fancia e discuss\u00e3o sobre os direitos das mulheres. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS\" width=\"340\" height=\"228\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A maioria das cubanas n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet, como ocorre com este grupo em Havana Velha, que assiste \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de um livro sobre temas de g\u00eanero. Chegar a elas \u00e9 parte dos desafios pendentes para as ciberativistas que usam a blogosfera e as redes sociais como espa\u00e7os de den\u00fancia e discuss\u00e3o sobre os direitos das mulheres. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ivet Gonz\u00e1lez, da IPS &#8211;<\/em><\/p>\n<p>Havana, Cuba, 13\/7\/2015 \u2013 Com blogs, e-mails, Twitter ou coment\u00e1rios no Facebook e em outras redes sociais, as feministas de Cuba come\u00e7aram a levar ao debate p\u00fablico suas cr\u00edticas ao machismo imperante nesta ilha caribenha. \u00c0 falta de espa\u00e7os diversos para a participa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que integrem suas demandas \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es em curso no pa\u00eds, os que defendem os direitos das mulheres encontraram nas novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o (Tics) um canal sem censura para expor suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAs redes sociais e os blogs levam a luta pela igualdade ao cen\u00e1rio digital, mas tamb\u00e9m permitem estabelecer alian\u00e7as para a visibilidade de certos conte\u00fados e criar redes de colabora\u00e7\u00e3o\u201d, explicou \u00e0 IPS a afro-cubana Sandra Abdallah \u00c1lvarez, precursora do ciberativismo nesse pa\u00eds de governo socialista.<\/p>\n<p>O blog Negra Cubana Tinha que Ser, que \u00c1lvarez mant\u00e9m desde 2006, compartilha sistematicamente artigos e informa\u00e7\u00f5es contra o racismo, o sexismo, a homofobia e outras discrimina\u00e7\u00f5es que t\u00eam como alvo as mulheres em Cuba. Os acessos ao blog atuam como caixa de resson\u00e2ncia de questionamentos diante de publica\u00e7\u00f5es e campanhas publicit\u00e1rias sexistas, com o caso da cerveja Bucanero, uma marca local que se promove afirmando ser \u201cuma cerveja de homem\u201d e em seus cartazes utiliza imagens femininas sexualizadas.<\/p>\n<p>A professora universit\u00e1ria Elaine D\u00edaz assegura que a \u201cblogosfera cubana\u201d se distingue por \u201ctornar vis\u00edvel temas escassamente abordados na imprensa nacional ou claramente manipulados nas agendas da m\u00eddia e da pol\u00edtica internacionais\u201d. Em um artigo publicado no final de 2014, essa pesquisadora das Tics em Cuba afirma que os blogs atuam como mecanismos de den\u00fancia e press\u00e3o sobre assuntos de interesse p\u00fablico.<\/p>\n<p>Entretanto, os t\u00f3picos relacionados com as desigualdades de g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o relevantes entre os que s\u00e3o habitualmente tratados pelos blogs cubanos no que se refere \u00e0 realidade do pa\u00eds, segundo a pesquisa realizada por D\u00edaz entre 2.033 deles.<\/p>\n<p>Algo semelhante encontrou a feminista marxista Yasmin Portales quando analisou, em 2013, 277 blogs escritos em Cuba. Embora 31% dos acessos sejam feitos por mulheres, apenas tr\u00eas respondiam a uma agenda feminista. Desde ent\u00e3o, essa propor\u00e7\u00e3o aumentou ligeiramente e ampliou seus suportes a boletins eletr\u00f4nicos e perfis de redes sociais.<\/p>\n<div id=\"attachment_197324\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/et-teaser-130214-2.jpg\"><img class=\"wp-image-197324\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/et-teaser-130214-2.jpg\" alt=\"Um cartaz publicit\u00e1rio da marca cubana Bucanero, cujo slogan \u00e9 \u201cuma cerveja de homem\u201d. A discuss\u00e3o sobre os componentes sexistas da campanha publicit\u00e1ria dessa bebida surgiu na blogosfera. Foto: Cortesia do blog Negra Cubana Tinha que Ser\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um cartaz publicit\u00e1rio da marca cubana Bucanero, cujo slogan \u00e9 \u201cuma cerveja de homem\u201d. A discuss\u00e3o sobre os componentes sexistas da campanha publicit\u00e1ria dessa bebida surgiu na blogosfera. Foto: Cortesia do blog Negra Cubana Tinha que Ser<\/p><\/div>\n<p>Entre os sites que conduzem o ciberfeminismo cubano, figura o do coletivo Afrocubanas, um projeto para divulgar a participa\u00e7\u00e3o de mulheres negras na hist\u00f3ria e na cultura, que teve r\u00e1pido reflexo no espa\u00e7o digital. O blog Em 2310 e 8225, gerido por Portales, e o blog coletivo Assembleia Feminista, fundado no final de 2014 pelas jornalistas Lirians Gordillo e Helen Hern\u00e1ndez e pela cr\u00edtica liter\u00e1ria Zaida Capote, tamb\u00e9m se destacam por seus conte\u00fados cr\u00edticos ao patriarcado cubano.<\/p>\n<p>Estas \u00faltimas se definem como feministas preocupadas pelos destinos de uma na\u00e7\u00e3o que se transforma e pela qual querem \u201cfazer\u201d, utilizando a palavra como ferramenta. \u201cQueremos nos pronunciar sobre a sobreviv\u00eancia das desigualdades de g\u00eanero em nosso pa\u00eds\u201d, afirmam.<\/p>\n<p>Gerenciados por ativistas, intelectuais e profissionais da comunica\u00e7\u00e3o, esses blogs ampliam a discuss\u00e3o coletiva sobre a viol\u00eancia de g\u00eanero, a dupla jornada, as m\u00faltiplas discrimina\u00e7\u00f5es contra mulheres afrodescendentes e l\u00e9sbicas, ou o sexismo da m\u00eddia, entre outros assuntos.<\/p>\n<p>Cada espa\u00e7o conta com p\u00e1ginas no Facebook e perfis no Twitter. Dessas formas driblam o receio em rela\u00e7\u00e3o ao feminismo que persiste na ilha \u2013 onde esse pensamento se desenvolveu sobretudo na academia e nos setores culturais \u2013, mas ainda n\u00e3o consegue se expandir em publica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas oficiais nem conta com organiza\u00e7\u00f5es que articulem uma agenda comum.<\/p>\n<p>Para a jornalista Gordillo, os blogs e as redes sociais funcionam como um megafone que torna mais conhecida qualquer a\u00e7\u00e3o realizada nessa pra\u00e7a p\u00fablica virtual, do que as acontecidas apenas no espa\u00e7o real ou <em>off line<\/em>. Para essa pesquisadora sobre g\u00eanero e comunica\u00e7\u00e3o, \u201cuma postagem consegue maior aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica do que muitos eventos, pain\u00e9is ou encontros nos quais essa mesma reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 feita, mas em n\u00edvel comunit\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o ocorrem diariamente no pa\u00eds, onde as mulheres alcan\u00e7aram altos padr\u00f5es de participa\u00e7\u00e3o no emprego e no estudo, mas ainda continuam encarregadas da vida dom\u00e9stica e da fam\u00edlia, acrescentou Gordillo. Entretanto, a falta de articula\u00e7\u00e3o entre o feminismo cibern\u00e9tico e a maioria das cubanas, sem conex\u00e3o com a internet, reduz o efeito mobilizador.<\/p>\n<p>Apenas 26% dos quase 11,2 milh\u00f5es de pessoas que vivem em Cuba t\u00eam acesso sistem\u00e1tico \u00e0 internet, segundo estat\u00edsticas oficiais que n\u00e3o s\u00e3o especificadas por g\u00eanero. Um informe do Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas e Informa\u00e7\u00e3o (Onei) indica que havia 2,923 milh\u00f5es de internautas em 2013. Mas j\u00e1 se d\u00e1 como certo que esse n\u00famero aumentou, porque no final de 2013 foram abertas no pa\u00eds 120 <em>lan houses<\/em> e, no dia 1\u00ba deste m\u00eas, 35 pontos de conex\u00e3o Wi-Fi foram instalados.<\/p>\n<p>\u201cMuitas feministas que s\u00e3o ativas na rede o fazem por conex\u00f5es lentas, com pouco tempo e nem sempre est\u00e3o treinadas para aproveitar e otimizar todas as possibilidades que esse formato nos proporciona\u201d, reconheceu Gordillo. Para elas resta o desafio de levar as realidades \u201cde carne e osso\u201d aos espa\u00e7os virtuais, enfrentando o risco de criar uma \u201crealidade paralela\u201d que n\u00e3o consegue incidir em leis, programas, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e organiza\u00e7\u00f5es, pontuou.<\/p>\n<p>A falta de resposta oficial \u00e0s suas reclama\u00e7\u00f5es \u00e9 outra preocupa\u00e7\u00e3o repetida pelas ativistas feministas consultadas pela IPS para esta reportagem.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 denunciado e cobrado pela internet, em certas ocasi\u00f5es, cai em um terreno amb\u00edguo ou de ignor\u00e2ncia por parte das autoridades com capacidade para legislar ou dar sequ\u00eancia \u00e0s nossas preocupa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d, apontou Hern\u00e1ndez em um painel do Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o de Estudos Latino-Americanos, realizado em San Juan de Porto Rico, em maio.<\/p>\n<p>Dessa forma, a internet continua funcionando como espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o para iniciativas como a do grupo Feministas Cubanas, que funciona no Facebook com esse nome desde o come\u00e7o de 2014, com mais de 65 integrantes, entre residentes na ilha e as que vivem ou estudam fora.<\/p>\n<p>Embora a cria\u00e7\u00e3o de uma rede seja uma cobran\u00e7a reiterada em debates e reuni\u00f5es de estudiosas e ativistas pela igualdade de g\u00eanero no pa\u00eds, n\u00e3o se conhece at\u00e9 agora outro coletivo que aglutine igual n\u00famero de mulheres autodenominadas feministas no espa\u00e7o real cubano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ivet Gonz&aacute;lez, da IPS &ndash; Havana, Cuba, 13\/7\/2015 &ndash; Com blogs, e-mails, Twitter ou coment&aacute;rios no Facebook e em outras redes sociais, as feministas de Cuba come&ccedil;aram a levar ao debate p&uacute;blico suas cr&iacute;ticas ao machismo imperante nesta ilha caribenha. &Agrave; falta de espa&ccedil;os diversos para a participa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica que integrem suas demandas [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/feminismo-cubano-enfrenta-novos-desafios-na-internet\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1054,2836,2458,24],"class_list":["post-19295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-cuba","tag-feminismo","tag-inter-press-service","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19295"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19296,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19295\/revisions\/19296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}