{"id":19318,"date":"2015-07-14T12:40:09","date_gmt":"2015-07-14T12:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197394"},"modified":"2015-07-14T12:40:09","modified_gmt":"2015-07-14T12:40:09","slug":"cada-dolar-que-ha-no-mundo-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/cada-dolar-que-ha-no-mundo-conta\/","title":{"rendered":"Cada d\u00f3lar que h\u00e1 no mundo conta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197395\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/dolar.jpg\"><img class=\"wp-image-197395\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/dolar.jpg\" alt=\"A resposta \u00e0 pergunta \u201cquanto dinheiro \u00e9 preciso para alcan\u00e7ar os novos ODS?\u201d \u00e9 \u2013 que rufem os tambores \u2013 cada d\u00f3lar existente no mundo. Foto: Bindalfrodo\/cc by 2.0\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A resposta \u00e0 pergunta \u201cquanto dinheiro \u00e9 preciso para alcan\u00e7ar os novos ODS?\u201d \u00e9 \u2013 que rufem os tambores \u2013 cada d\u00f3lar existente no mundo. Foto: Bindalfrodo\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Paul Ladd e Pedro Concei\u00e7\u00e3o*<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 14\/7\/2015 \u2013 Desde ontem, e at\u00e9 o dia 16, Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, \u00e9 a sede da Terceira Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FpD), enquanto na comunidade internacional ganha for\u00e7a a pergunta sobre quanto nos custar\u00e1 alcan\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS).<\/p>\n<p>A d\u00favida soa razo\u00e1vel \u00e0 primeira vista, e flui naturalmente da experi\u00eancia com os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), estabelecidos em 2000 e que vencem este ano, quando ser\u00e3o substitu\u00eddos pelos ODS.<\/p>\n<p>A grande aposta dos ODM era que os pa\u00edses pobres se concentrariam na redu\u00e7\u00e3o da pobreza e na melhoria do governo, em troca da ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) que se somaria aos recursos mobilizados pelos pr\u00f3prios pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica, caracterizada por \u201ctapar os buracos\u201d levou a exerc\u00edcios expansivos nos custos dos ODM, estimativas sobre a rapidez com que os Estados poderiam melhorar sua arrecada\u00e7\u00e3o fiscal e campanhas para aumentar a ajuda.<\/p>\n<p>Muitos governos responderam, e se conseguiu numerosas coisas boas com a AOD, como amplia\u00e7\u00e3o dos programas de vacina\u00e7\u00e3o, mais meninos e meninas com assist\u00eancia escolar, \u00e1gua pot\u00e1vel para mais gente, e diversos outros \u00eaxitos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o quantific\u00e1veis, como o fortalecimento gradual das capacidades institucionais.<\/p>\n<p>Mas, como agora nos deslocamos para uma agenda de desenvolvimento diferente, mais ambiciosa, complexa, integrada e universal, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a reforma radical de nossa l\u00f3gica sobre o financiamento.<\/p>\n<p>Enquanto para alguns pa\u00edses continuar\u00e1 sendo importante \u201ctapar os buracos\u201d, sobretudo para aqueles com bases tribut\u00e1veis muito baixas e desafios com fundos insuficientes, como algumas enfermidades transmiss\u00edveis, para a maioria o desafio ter\u00e1 a ver antes de tudo com a forma\u00e7\u00e3o dos recursos existentes.<\/p>\n<p>Assim, a resposta \u00e0 pergunta \u201cquanto dinheiro \u00e9 necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar os novos ODS?\u201d \u00e9 \u2013 que rufem os tambores \u2013 cada d\u00f3lar que h\u00e1 no mundo.<\/p>\n<p>Isso significa que cada d\u00f3lar que gastamos como consumidores dever\u00e1 funcionar a favor da consecu\u00e7\u00e3o dos ODS e n\u00e3o contra eles. Isso inclui o gasto que dedicamos ao vestu\u00e1rio, comida e viagens.<\/p>\n<p>Tudo o que compramos tem pequenos impactos nos ODS. Por exemplo, quando adquirimos uma camisa, tamb\u00e9m estamos \u201ccomprando\u201d os res\u00edduos ambientais que foram utilizados para a fabrica\u00e7\u00e3o dessa pe\u00e7a de roupa, bem como as normas trabalhistas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o basta a a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria dos consumidores. As empresas tamb\u00e9m ter\u00e3o que desempenhar seu papel.<\/p>\n<p>Algumas come\u00e7am a mudar seus modelos de neg\u00f3cios ao perceberem que a constru\u00e7\u00e3o de uma companhia sustent\u00e1vel exigir\u00e1 um mundo sustent\u00e1vel. Outras participam mediante investimentos que repercutem no desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m dessas a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, os governos dever\u00e3o desempenhar e redobrar o papel fundamental da cria\u00e7\u00e3o dos adequados incentivos e regulamenta\u00e7\u00f5es para alinhar as a\u00e7\u00f5es de todos os consumidores, empresas e investidores.<\/p>\n<p>O alinhamento do financiamento privado seria a grande conquista, mas a reforma na maneira como gastamos o dinheiro p\u00fablico tamb\u00e9m exigir\u00e1 uma revis\u00e3o profunda. O exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 a energia. Se continuarmos dando subs\u00eddios \u00e0s energias n\u00e3o renov\u00e1veis, estaremos operando de maneira intencional e consciente contra os objetivos.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, calcula-se que os subs\u00eddios energ\u00e9ticos alcan\u00e7ar\u00e3o US$ 5 trilh\u00f5es este ano, aproximando-se de 20% do produto interno bruto (PIB) de alguns pa\u00edses, e em sua grande maioria se destinam aos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>A reforma dos subs\u00eddios energ\u00e9ticos aumentaria a receita p\u00fablica no mundo em US$ 3 trilh\u00f5es ao ano, baixaria as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em 20% e reduziria pela metade as mortes prematuras causadas pela contamina\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, os incentivos, a regulamenta\u00e7\u00e3o e a reforma fiscal s\u00e3o vistos como uma imposi\u00e7\u00e3o de custos. Os que se veem diretamente afetados chamam a aten\u00e7\u00e3o para esses custos, enquanto \u00e9 dada menos aten\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios que geram para toda a sociedade no longo prazo.<\/p>\n<p>E muitas inefici\u00eancias que s\u00e3o evidentes poderiam liberar outros bilh\u00f5es em ganhos. Por exemplo, o avan\u00e7o da igualdade de g\u00eanero tamb\u00e9m beneficiaria diretamente os ODS e geraria benef\u00edcios econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Argumentar que o alinhamento do financiamento existente com o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 mais importante do que arrecadar cada vez mais dinheiro n\u00e3o deve ser interpretado como um apoio ao movimento contra a ajuda. Bem instrumentada, a ajuda tem seu lugar.<\/p>\n<p>Os doadores devem cumprir seu compromisso e destinar 0,7% de seu PIB \u00e0 AOD, e avan\u00e7ar com maior rapidez em seus compromissos.<\/p>\n<p>Mas, se a confer\u00eancia de Adis Abeba s\u00f3 se concentra na mobiliza\u00e7\u00e3o por mais dinheiro e n\u00e3o fizer algo para melhorar a forma como se gasta esse dinheiro, ent\u00e3o teremos perdido a ocasi\u00e3o, e, sem d\u00favida, n\u00e3o cumpriremos os grandiosos objetivos que nos propusemos. Por esse motivo \u00e9 que cada d\u00f3lar conta. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Paul Ladd <\/strong>\u00e9 diretor da Equipe P\u00f3s-2015 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). <strong>Pedro Concei\u00e7\u00e3o <\/strong>\u00e9 diretor de Pol\u00edtica Estrat\u00e9gica do Pnud.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paul Ladd e Pedro Concei&ccedil;&atilde;o* Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 14\/7\/2015 &ndash; Desde ontem, e at&eacute; o dia 16, Adis Abeba, capital da Eti&oacute;pia, &eacute; a sede da Terceira Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FpD), enquanto na comunidade internacional ganha for&ccedil;a a pergunta sobre quanto nos custar&aacute; alcan&ccedil;ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS). 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