{"id":1932,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1932"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"palestina-israel-aponta-para-haniyeh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/palestina-israel-aponta-para-haniyeh\/","title":{"rendered":"Palestina: Israel aponta para Haniyeh"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 14\/07\/2006 &ndash; O primeiro-ministro da Palestina, Ismail Haniyeh limitou suas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas desde que o soldado israelense Gilad Shalit foi seq\u00fcestrado por combatentes isl\u00e2micos na fronteiri\u00e7a Faixa de Gaza, por termor de ser assassinado em repres\u00e1lia pelo ex\u00e9rcito israelense. <!--more--> No dia 30 de junho apareceu brevemente em uma mesquita na costa da Faixa, onde acusou Israel de usar o seq\u00fcestro do soldado como pretexto para voltar a invadir Gaza e derrubar o governo palestino, controlado pelo Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Hamas). \u201cToda esta guerra \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o de que existe um plano premeditado\u201d, afirmou Haniyeh, acrescentando que Israel procura \u201cseq\u00fcestrar\u201d seu governo, numa refer\u00eancia \u00e0 deten\u00e7\u00e3o de oito de seus ministros e 20 legisladores, acusados de pertencerem a uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista\u201d.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito israelense lan\u00e7ou uma grande opera\u00e7\u00e3o em Gaza \u2013 de onde havia se retirado no ano passado \u2013 e na Cisjord\u00e2nia em resposta ao seq\u00fcestro de Shalit, no dia 24 de junho. Haniyeh enfrenta seu momento mais dif\u00edcil desde que assumiu o cargo em mar\u00e7o. Israel bombardeou seus escrit\u00f3rios em Gaza no domingo e amea\u00e7ou demandar seu sangue se o soldado seq\u00fcestrado for ferido. O primeiro-ministro procura convencer o mundo de que seu governo \u00e9 leg\u00edtimo, apesar de Estados Unidos e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia considerarem o Hamas uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, e pediu que seja reiniciada a assist\u00eancia internacional \u00e0 Autoridade Nacional Palestina.<\/p>\n<p>Mas seus esfor\u00e7os foram frustrados depois da participa\u00e7\u00e3o da ala militar do Hamas no seq\u00fcestro do soldado e da decis\u00e3o desse movimento isl\u00e2mico de integrar os pequenos grupos armados que lan\u00e7am foguetes artesanais desde Gaza contra alvos israelenses. Ao contr\u00e1rio, estas a\u00e7\u00f5es consolidam a id\u00e9ia entre os l\u00edderes ocidentais de que o Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o radical e violenta. O drama do seq\u00fcestro levou Haniyeh a uma encruzilhada: mostrar-se respons\u00e1vel e pragm\u00e1tico diante do mudo, mas por outro lado, n\u00e3o deseja ser visto como um traidor por seus pr\u00f3prios partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Inicialmente, funcion\u00e1rios do governo do Hamas asseguraram que trabalhavam pela r\u00e1pida liberta\u00e7\u00e3o do soldado, mas agora mudaram o tom e insistem em que Israel deve antes libertar todos os presos palestinos de suas pris\u00f5es. Haniyeh \u00e9 muito consciente das manifesta\u00e7\u00f5es em Gaza por parte das fam\u00edlias dos cerca de oito mil prisioneiros palestinos em Israel, reverenciados por seu povo como l\u00edderes da luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional. Os pr\u00f3prios presos enviaram mensagens pedindo que Shalit n\u00e3o recupere a liberdade at\u00e9 que sejam soltos. \u201cO seq\u00fcestro criou uma din\u00e2mica que far\u00e1 muito dif\u00edcil a liberta\u00e7\u00e3o do soldado sem obter nada em troca\u201d, disse \u00e0 IPS o ex-ministro palestino do Planejamento, Ghassan Khatib.<\/p>\n<p>\u201cPara o Hamas, a opera\u00e7\u00e3o militar foi um sucesso. Aumentou sua popularidade. Mas se libertarem o soldado sem nada em troca, toda a opera\u00e7\u00e3o sair\u00e1 pela culatra no campo pol\u00edtico. N\u00e3o importa a press\u00e3o de Israel: se n\u00e3o der algo em troca, n\u00e3o o libertar\u00e3o\u201d, acrescentou Khatib. Os grupos armados que t\u00eam o soldados divulgaram um comunicado na noite de sexta-feira exigindo a liberta\u00e7\u00e3o de mil presos palestinos por Israel, bem como o fim da invas\u00e3o de Gaza. Em resposta, o governo israelense anunciou que n\u00e3o negociaria a liberta\u00e7\u00e3o de Shalit.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro-ministro, Ehud Olmert, reiterou que n\u00e3o haver\u00e1 nenhum acordo e alertou que ou Shalit \u00e9 libertado ou o resgataremos\u201d, disse o porta-voz da chancelaria israelense, Mark Regev. Nos primeiros dias depois do seq\u00fcestro, parecia ter surgido uma divis\u00e3o dentro do Hamas. Enquanto os l\u00edderes pol\u00edticos queriam acabar com o assunto, a ala militar insistia em pedir a liberta\u00e7\u00e3o dos presos palestinos. Tamb\u00e9m parecer ter havia um bra\u00e7o-de-ferro entre Haniyeh, que promovia uma postura mais moderada para resolver a crise, e Khaled Meshal, a principal figura do Hamas fora dos territ\u00f3rios palestinos \u2013 radicado em Damasco \u2013 de quem Israel suspeita ter partido a ordem do seq\u00fcestro. Meshal insistiu em que o soldado s\u00f3 pode ser libertado em troca dos prisioneiros palestinos.<\/p>\n<p>Haniyeh e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, respectivos l\u00edderes dos partidos pol\u00edticos da Palestina opostos ao Hamas e \u00e0 Al Fatah, logo pareceram estar na mesma linha de pensamento, ansiosos para colocar um fim ao epis\u00f3dio do seq\u00fcestro e temendo as conseq\u00fc\u00eancias de uma grande ofensiva israelense em Gaza. A proximidade entre os dois partidos j\u00e1 havia se refletido no acordo alcan\u00e7ado na semana passada em um documento que exorta \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado palestino com as fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967. Isto significava um reconhecimento impl\u00edcito da exist\u00eancia de Israel por parte do Hamas.<\/p>\n<p>O documento, severamente criticado por alguns membros radicais do Hamas, como Meshal, tamb\u00e9m exorta pela forma\u00e7\u00e3o de um governo de unidade nacional. Desta maneira, Abbas e Haniyeh esperavam convencer o Ocidente para que levantasse suas san\u00e7\u00f5es e reiniciasse sua ajuda. Israel minimizou o documento assinalando que se tratava de um assunto \u201cinterno\u201d palestino e indicando que, embora chamada a deter os atentados dentro do Estado judeu, prometia continuar com a guerra nos territ\u00f3rios ocupados. Gahssan Khatib afirmou que a disposi\u00e7\u00e3o do Hamas em aceitar o documento era um \u201cmovimento na dire\u00e7\u00e3o correta. O Hamas deve ser estimulado a isto, talvez na forma de um rein\u00edcio da assist\u00eancia internacional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, um dia depois do documento ser assinado, representantes do governo liderado pelo Hamas come\u00e7aram a pedir a liberta\u00e7\u00e3o dos presos palestinos das pris\u00f5es israelenses em troca do soldado seq\u00fcestrado. A mudan\u00e7a parece ser uma rea\u00e7\u00e3o diante da crescente press\u00e3o do p\u00fablico palestino, especialmente das fam\u00edlias dos prisioneiros. Por\u00e9m, Khatib tem outra explica\u00e7\u00e3o. \u201cO governo palestino tentava dissociar sua atividade da ala militar do Hamas, mas n\u00e3o conseguiu. Os israelenses e a comunidade internacional v\u00eaem o Hamas como o Hamas, sem fazer diferen\u00e7a entre as alas pol\u00edtica e a militar\u201d, acrescentou      .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 14\/07\/2006 &ndash; O primeiro-ministro da Palestina, Ismail Haniyeh limitou suas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas desde que o soldado israelense Gilad Shalit foi seq\u00fcestrado por combatentes isl\u00e2micos na fronteiri\u00e7a Faixa de Gaza, por termor de ser assassinado em repres\u00e1lia pelo ex\u00e9rcito israelense. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/palestina-israel-aponta-para-haniyeh\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1471,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-1932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1471"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1932\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}