{"id":19341,"date":"2015-07-17T13:08:18","date_gmt":"2015-07-17T13:08:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197598"},"modified":"2015-07-17T13:08:18","modified_gmt":"2015-07-17T13:08:18","slug":"sociedade-critica-resultado-de-adis-abeba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/sociedade-critica-resultado-de-adis-abeba\/","title":{"rendered":"Sociedade critica resultado de Adis Abeba"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197599\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Ban.jpg\"><img class=\"wp-image-197599\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Ban.jpg\" alt=\"O secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon (esquerda), durante entrevista coletiva em Adis Abeba, ap\u00f3s participar da Terceira Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento. Foto: Eskinder Debebe\/ONU\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon (esquerda), durante entrevista coletiva em Adis Abeba, ap\u00f3s participar da Terceira Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento. Foto: Eskinder Debebe\/ONU<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 17\/7\/2015 \u2013 A Terceira Confer\u00eancia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FPD) teve um final previs\u00edvel. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) assegura que foi um sucesso estrondoso, mas grande parte da sociedade civil n\u00e3o tem a mesma opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Poucas horas depois da confer\u00eancia, que come\u00e7ou no dia 13 e terminou ontem, em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, a ONU afirmou que a Agenda de A\u00e7\u00e3o de Adis Abeba (AAAA) \u00e9 um \u201cacordo inovador que fornece uma base para implantar\u201d os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que ser\u00e3o adotados em uma c\u00fapula mundial em setembro.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que o acordo \u00e9 um passo fundamental na constru\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel para todos, j\u00e1 que fornece um contexto mundial para o financiamento do desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u201cOs resultados aqui em Adis Abeba nos d\u00e3o as bases para uma alian\u00e7a mundial revitalizada para o desenvolvimento sustent\u00e1vel que n\u00e3o deixar\u00e1 ningu\u00e9m para tr\u00e1s\u201d, ressaltou Ban.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Danny Sriskandarajah, secret\u00e1rio-geral da organiza\u00e7\u00e3o Civicus, com sede em Johannesburgo, na \u00c1frica do Sul, discorda. \u201cEsta semana vimos mais um sinal de que estamos no princ\u00edpio do fim da ordem mundial do desenvolvimento posterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial\u201d, afirmou. Parece que os pa\u00edses ricos n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem aumentar os fundos de ajuda oficial, que constituem uma fra\u00e7\u00e3o do que eles mesmos prometeram h\u00e1 anos, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cEstamos decepcionados porque o processo FPD ainda n\u00e3o gerou recursos para financiar os investimentos necess\u00e1rios que acabem com a pobreza ou para tomar medidas significativas para abordar os problemas do sistema financeiro internacional\u201d, destacou Sriskandarajah ao fim da confer\u00eancia. \u201cO resultado n\u00e3o proporcionar\u00e1 as reformas que precisamos em campos como o fiscal, que a maior parte da sociedade civil pretendia, e que s\u00e3o necess\u00e1rias para aumentar os recursos dispon\u00edveis para o desenvolvimento\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Martin Hojsik, da organiza\u00e7\u00e3o Action Aid, pontuou que a rejei\u00e7\u00e3o a uma proposta para instalar um organismo fiscal mundial \u00e9 \u201cum fracasso deplor\u00e1vel e um grande golpe na luta contra a pobreza e a injusti\u00e7a\u201d. \u00c0 IPS, afirmou que aos pa\u00edses em desenvolvimento, que perdem milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano com evas\u00e3o fiscal, n\u00e3o recebem o mesmo peso na hora de remediar a injusti\u00e7a das normas fiscais internacionais.<\/p>\n<p>O dinheiro produto da evas\u00e3o poderia ser destinado para \u201ceduca\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros servi\u00e7os p\u00fablicos que reduzem a pobreza. Enquanto as multinacionais prosperam, os pobres e marginalizados sofrem. A luta por um sistema tribut\u00e1rio mundial justo n\u00e3o deve e n\u00e3o pode decair\u201d, alertou Hojsik.<\/p>\n<p>Em um comunicado, a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam International afirma que o problema n\u00e3o resolvido das normas fiscais arranjadas e o desenvolvimento privatizado s\u00e3o os principais reveses da confer\u00eancia de Adis Abeba. Mas, com a tens\u00e3o produzida nas negocia\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a determina\u00e7\u00e3o do Sul em desenvolvimento por uma verdadeira reforma e coopera\u00e7\u00e3o fiscais se fez sentir, e que n\u00e3o pode ser ignorada por muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cUma em cada sete pessoas vive na pobreza e a confer\u00eancia de Adis Abeba foi uma oportunidade em uma d\u00e9cada para encontrar os recursos necess\u00e1rios que ponham fim a esse esc\u00e2ndalo\u201d, ressaltou a diretora da Oxfam, Winnie Byanyima. Mas a AAAA \u201cpermitiu que os compromissos de ajuda murchassem, e se limitou a entregar o desenvolvimento ao setor privado sem as devidas garantias\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Sul em desenvolvimento se manteve firme em Adis Abeba sobre a necessidade de se criar um \u00f3rg\u00e3o fiscal intergovernamental que d\u00ea o mesmo peso aos seus pa\u00edses para fixar as normas internacionais em mat\u00e9ria de impostos, apontou Byanyima. \u201cPor outro lado, voltam para casa com um compromisso fr\u00e1gil, o que significa que as normas arranjadas e a evas\u00e3o fiscal continuar\u00e3o roubando os povos mais pobres do mundo\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Para Byanyima, um sistema fiscal justo \u00e9 vital na luta contra a pobreza e a desigualdade. \u201cOs cidad\u00e3os devem poder depender de seus pr\u00f3prios governos para terem os servi\u00e7os que necessitam. Mas n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico pedir aos pa\u00edses em desenvolvimento que arrecadem mais recursos pr\u00f3prios se n\u00e3o for reformado o sistema fiscal mundial que os impede de faz\u00ea-lo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Eric LeCompte, diretor da Rede Jubileu dos Estados Unidos, disse \u00e0 IPS que, \u201cembora se tenha acordado um texto de compromisso sobre o comit\u00ea fiscal, temos o primeiro acordo mundial que leva em conta o dano gerado pelos movimentos financeiros il\u00edcitos e pede que cessem at\u00e9 2030\u201d. Neste momento, o mundo em desenvolvimento perde US$ 1 trilh\u00e3o devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 evas\u00e3o fiscal, e \u201cesses s\u00e3o recursos que necessitamos para acabar com a pobreza\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em comunicado conjunto, divulgado no dia 15, as organiza\u00e7\u00f5es Integridade Financeira Global, Africa Progress Panel e Jubileu dos Estados Unidos elogiaram o compromisso mundial para reduzir o traspasso de fundos il\u00edcitos oriundos das economias em desenvolvimento. Pela primeira vez chegou-se a um consenso internacional sobre a import\u00e2ncia de um tema que foi objeto dos esfor\u00e7os de centenas de organiza\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento nos \u00faltimos dez anos, acrescentaram.<\/p>\n<p>De concreto, o documento final de Adis Abeba exige que os Estados membros \u201credobrem os esfor\u00e7os para reduzir substancialmente os movimentos financeiros il\u00edcitos at\u00e9 2030, com o objetivo de erradic\u00e1-los, inclusive mediante a luta contra a evas\u00e3o fiscal e a corrup\u00e7\u00e3o, por meio de normas nacionais mais fortes e maior coopera\u00e7\u00e3o internacional\u201d. Al\u00e9m disso, o texto final pede \u201c\u00e0s institui\u00e7\u00f5es internacionais e organiza\u00e7\u00f5es regionais competentes que publiquem c\u00e1lculos sobre o volume e a composi\u00e7\u00e3o\u201d desses movimentos.<\/p>\n<p>Em sua declara\u00e7\u00e3o, a ONU informou que a AAAA cont\u00e9m mais de cem medidas concretas que abordam todas as fontes de financiamento e abrange a coopera\u00e7\u00e3o em uma ampla gama de temas, com tecnologia, ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e desenvolvimento de capacidades. A AAAA se baseia nos resultados de duas confer\u00eancias de FPD anteriores, que aconteceram em Monterrey, no M\u00e9xico, e Doha, no Catar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 17\/7\/2015 &ndash; A Terceira Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FPD) teve um final previs&iacute;vel. 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