{"id":19349,"date":"2015-07-20T12:47:13","date_gmt":"2015-07-20T12:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197656"},"modified":"2015-07-20T12:47:13","modified_gmt":"2015-07-20T12:47:13","slug":"criancas-se-tornam-despojo-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/criancas-se-tornam-despojo-de-guerra\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as se tornam despojo de guerra"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197657\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/crianca.jpg\"><img class=\"wp-image-197657\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/crianca.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as-soldados recrutadas pela Al Shabaab agora sob cuidados do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) ap\u00f3s serem capturados pelas for\u00e7as da Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana na Som\u00e1lia (Amisom). Foto: Tobin Jones\/ONU\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as-soldados recrutadas pela Al Shabaab agora sob cuidados do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) ap\u00f3s serem capturados pelas for\u00e7as da Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana na Som\u00e1lia (Amisom). Foto: Tobin Jones\/ONU<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Beatriz Ciordia, IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas e Adis Abeba, Som\u00e1lia, 20\/7\/2015 \u2013 Desde a Som\u00e1lia, passando pela Palestina, at\u00e9 a Ucr\u00e2nia, as guerras submetem milh\u00f5es de meninas e meninos ao risco de abusos. Os n\u00fameros falam por si s\u00f3: mais de 300 mil crian\u00e7as s\u00e3o exploradas como soldados em conflitos armados e seis milh\u00f5es sofreram ferimentos graves ou ficaram incapacitadas de forma permanente, segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se estima que 20 milh\u00f5es de crian\u00e7as est\u00e3o refugiados em pa\u00edses vizinhos ou foram deslocados em seus pr\u00f3prios pa\u00edses devido a conflitos e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Al\u00e9m disso, o \u00faltimo informe do secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, divulgado no dia 5 de junho, mostra que em muitos pa\u00edses a situa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia piora, em lugar de melhorar.<\/p>\n<p>\u201cAinda h\u00e1 espa\u00e7o na luta individual para fortalecer as salvaguardas de preven\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o dos direitos da inf\u00e2ncia\u201d, disse \u00e0 IPS Dragica Mikavida, da rede Watchlist, que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais. \u201cPor exemplo, a Watchlist pressiona o Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz da ONU para que crie uma pol\u00edtica que impe\u00e7a os pa\u00edses que integram uma \u2018lista da vergonha\u2019 do secret\u00e1rio-geral forne\u00e7am soldados para as for\u00e7as de paz em terceiros pa\u00edses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Jo Becker, diretora de direitos da inf\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch, concorda que a ONU pode ajudar de muitas formas a melhorar a prote\u00e7\u00e3o de menores em conflitos armados. \u201cQuando os governos ou os grupos armados se negam a aceitar essas medidas e continuam cometendo abusos, o Conselho de Seguran\u00e7a pode ser muito mais agressivo na hora de impor san\u00e7\u00f5es como embargos de armas ou proibi\u00e7\u00f5es de viagens e congelamento de ativos contra os l\u00edderes desses grupos\u201d, ponderou \u00e0 IPS. \u201cO Conselho de Seguran\u00e7a tamb\u00e9m deve enviar o caso ao Tribunal Penal Internacional para investiga\u00e7\u00e3o e poss\u00edvel processo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O ano passado foi um dos piores para os menores afetados pelos conflitos armados, devido ao alarmante aumento de sequestros, especialmente em massa, de meninas, meninos e adultos na Nig\u00e9ria, S\u00edria, Iraque e Sud\u00e3o do Sul. Al\u00e9m dos sequestros, milhares de crian\u00e7as foram assassinadas em 2014 em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>No Iraque, 2014 foi o ano que deixou mais crian\u00e7as mortas desde que a ONU come\u00e7ou a documentar de forma sistem\u00e1tica as viola\u00e7\u00f5es contra menores, em 2008, com quase 700 crian\u00e7as assassinadas e cerca de 1.300 sequestradas, e esses s\u00e3o apenas os casos registrados. Al\u00e9m disso, na Palestina, o n\u00famero de menores assassinados pelas for\u00e7as israelenses disparou para 557, mais do que os que morreram durante as duas opera\u00e7\u00f5es anteriores somadas.<\/p>\n<p>Para redobrar a luta contra a viol\u00eancia, o Conselho de Seguran\u00e7a adotou por unanimidade, no dia 18 de junho, a resolu\u00e7\u00e3o 2225, que fortalece a mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade internacional em apoio aos menores em conflitos armados e condena seu sequestro. A resolu\u00e7\u00e3o, apresentada pela Mal\u00e1sia e patrocinada por 56 Estados membros da ONU, acrescenta o sequestro como a quinta viola\u00e7\u00e3o que pode colocar uma parte em conflito na \u201clista da vergonha\u201d do secret\u00e1rio-geral.<\/p>\n<p>Esta lista ajuda em um maior monitoramento dos sequestros e garante que as partes respons\u00e1veis fiquem inclu\u00eddas. Uma vez na lista, a ONU pode envolver os listados em negocia\u00e7\u00f5es sobre planos de a\u00e7\u00e3o para impedir essa e outras viola\u00e7\u00f5es. A grande maioria dos sequestros \u00e9 cometida por grupos n\u00e3o estatais, como as organiza\u00e7\u00f5es insurgentes Boko Haram e Estado Isl\u00e2mico (EI), que consideram o sequestro em massa de menores um s\u00edmbolo de \u00eaxito.<\/p>\n<p>Elevar o perfil do sequestro de crian\u00e7as ao mais alto n\u00edvel, como em uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a, tamb\u00e9m confere aos que trabalham na prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia uma capacidade maior para cobrar respostas em torno dessa viola\u00e7\u00e3o atroz. Mas, como disse a diretora-executiva adjunta do Unicef, Yoka Brandt, o sequestro costuma ser a primeira de uma s\u00e9rie de graves viola\u00e7\u00f5es, seguido de viol\u00eancia e viola\u00e7\u00e3o sexual, doutrinamento, recrutamento de crian\u00e7as-soldado e assassinatos.<\/p>\n<p>\u201cCada atentado deteriora a crian\u00e7a, rouba sua inf\u00e2ncia e amea\u00e7a sua capacidade de levar uma vida plena e produtiva\u201d, ressaltou Brandt em um debate sobre Inf\u00e2ncia e Conflitos Armados, realizado no Conselho de Seguran\u00e7a, no dia 18 de junho. Tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia de oferecer apoio aos menores ap\u00f3s serem libertados do cativeiro, fundamental para que possam desenvolver uma \u201cvida normal\u201d. \u201cEsses meninos e meninas s\u00e3o v\u00edtimas e devem ser tratados como tal. Suportam inevitavelmente ferimentos f\u00edsicos e carregam cicatrizes psicol\u00f3gicas\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia continua sendo um ponto fundamental na luta contra a brutalidade sofrida pelos menores em situa\u00e7\u00f5es de conflito armado. As redes sociais s\u00e3o uma ferramenta valiosa para aumentar o perfil p\u00fablico das atrocidades cometidas contra crian\u00e7as, especialmente sequestro em massa em contextos como os de Nig\u00e9ria, S\u00edria e Iraque.<\/p>\n<p>Para Mikavica, \u201cessas redes sociais contribu\u00edram com os debates internos da ONU sobre sequestros de menores, pois o mundo n\u00e3o pode fechar os olhos ao que aconteceu no passado. Tudo isso derivou em medidas concretas do Conselho de Seguran\u00e7a no \u00faltimo debate aberto\u201d. Becker recordou que as redes sociais foram excepcionalmente feitas para conscientizar sobre os sequestros em massa de crian\u00e7as cometidos pelo Boko Haram. Mas insistiu que elas s\u00e3o apenas uma ferramenta, n\u00e3o substitutas da a\u00e7\u00e3o, que continua sendo o verdadeiro desafio para a ONU e outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Beatriz Ciordia, IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas e Adis Abeba, Som&aacute;lia, 20\/7\/2015 &ndash; Desde a Som&aacute;lia, passando pela Palestina, at&eacute; a Ucr&acirc;nia, as guerras submetem milh&otilde;es de meninas e meninos ao risco de abusos. 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