{"id":19353,"date":"2015-07-20T12:58:09","date_gmt":"2015-07-20T12:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197715"},"modified":"2015-07-20T12:58:09","modified_gmt":"2015-07-20T12:58:09","slug":"obama-e-o-drama-grego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/obama-e-o-drama-grego\/","title":{"rendered":"Obama e o drama grego"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197716\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/obama_esta_is_118.jpg\"><img class=\"wp-image-197716\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/obama_esta_is_118.jpg\" alt=\"Barak Obama. Foto: Glenn Fawcett\/ Fotos P\u00fablicas\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Barack Obama. Foto: Glenn Fawcett\/ Fotos P\u00fablicas<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Joaqu\u00edn Roy*<\/em><\/p>\n<p>Barcelona, Espanha, julho\/2015 \u2013 O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve se sentir aliviado. Pudicamente silencioso nas \u00faltimas horas das dif\u00edceis negocia\u00e7\u00f5es para se chegar a um acordo sobre o drama grego, sua resolu\u00e7\u00e3o deve ser considerada, pelo menos provisoriamente, como ben\u00e9fica para os interesses de Washington.<\/p>\n<p>Suas mostras de press\u00e3o ou de diplomacia sigilosa devem ser vistas como mais um \u00eaxito em sua agenda para poder apresentar um legado \u00e0 hist\u00f3ria no \u00faltimo per\u00edodo de seu mandato.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m repassar brevemente a hist\u00f3ria para situar em seu justo contexto a pol\u00edtica da Casa Branca.<\/p>\n<p>Em 1953, durante a sabatina para sua nomea\u00e7\u00e3o como secret\u00e1rio da Defesa do presidente Dwight Eisenhower (1953-1961), perguntaram a Charles Wilson, diretor-executivo da General Motors (GM), se estaria disposto a tomar uma decis\u00e3o que prejudicasse sua companhia.<\/p>\n<p>Wilson respondeu afirmativamente, pois sempre pensara que o que era \u201cbom para o pa\u00eds tamb\u00e9m era bom para a GM, e vice-versa\u201d.<\/p>\n<p>Curiosamente, essa afirma\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica foi trocada depois por outra mais arrogantemente capitalista: \u201c o que \u00e9 bom para a General Motors \u00e9 bom para os Estados Unidos\u201d. Wilson tentou corrigir o mal entendido, mas acabou por aceit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A crise da Gr\u00e9cia atualizou a piada. O que \u00e9 mau (ou bom) para a Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 mau para os Estados Unidos?<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o de alguns setores minorit\u00e1rios norte-americanos que se obstinam nas contendas internacionais sob a l\u00f3gica da soma zero (o que um perde, o outro ganha, e ao contr\u00e1rio), o certo \u00e9 que para os Estados Unidos os problemas da UE, desde seu nascimento (para o qual ajudaram decisivamente desde o Plano Marshall), s\u00e3o maus para Washington.<\/p>\n<p>Foi o que pensou Obama ao contemplar o drama grego. O problema \u00e9 que o cen\u00e1rio atual europeu n\u00e3o esclarece o que na realidade \u00e9 mau para a UE e para a Gr\u00e9cia, al\u00e9m da sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro.<\/p>\n<p>O contundente resultado do referendo grego a favor do \u201cn\u00e3o\u201d s\u00f3 fez agravar a atmosfera de indecis\u00e3o e apresentou um novo desafio para as percep\u00e7\u00f5es norte-americanas.<\/p>\n<p>O \u201cn\u00e3o\u201d apresentou a Obama outro problema, j\u00e1 que anteriormente havia pressionado os credores para suavizarem suas demandas, sem sucesso. Obama havia irritado o governo alem\u00e3o e alguns credores, apenas alguns meses antes, ao dizer que \u201cn\u00e3o se podia encurralar pa\u00edses em recess\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De certa maneira, Obama depois acrescentou seus chamados para a acomoda\u00e7\u00e3o, mas sem que se traduzisse em uma inger\u00eancia em um processo interno.<\/p>\n<p>Nesse contexto, em meio \u00e0 cautela da administra\u00e7\u00e3o norte-americana, se temeu nos \u00faltimos dias que, se a Gr\u00e9cia sa\u00edsse do euro, o resultado seria o colapso de toda a zona, um desastre desestabilizador que faria explodir os mercados e de quebra prejudicar a economia dos Estados Unidos, ainda vulner\u00e1vel \u00e0s convuls\u00f5es externas.<\/p>\n<p>No pano de fundo do desconforto de Obama pairava o fato de que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia complicaria a campanha de Hillary Clinton, a pr\u00e9-candidata do governante Partido Democrata, que precisa da fortaleza da economia norte-americana para apoiar sua corrida \u00e0 Casa Branca.<\/p>\n<p>O v\u00ednculo dos Estados Unidos com a UE significa que a bancarrota da Gr\u00e9cia prejudicaria os Estados Unidos. Enquanto o d\u00f3lar se aproxima da paridade com o euro, a crise deixaria a divisa norte-americana ainda mais forte, prejudicando as exporta\u00e7\u00f5es e, de quebra, a diplomacia de Washington em plena campanha presidencial democrata.<\/p>\n<p>Mais do que no campo financeiro, o certo \u00e9 que a crise diz respeito a outras tr\u00eas dimens\u00f5es, que s\u00e3o piv\u00f4s do interesse norte-americano em que o dano n\u00e3o se espalhe para outros terrenos cruciais.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que a amea\u00e7a de uma oscila\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia \u00e0 deriva pudesse fazer com que ca\u00edsse na tenta\u00e7\u00e3o de se refugiar sob a prote\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, dominada pelo presidente Vladimir Putin, sempre pronto a competir com Washington. Em um mundo onde o fator religioso tem um papel preponderante, a afinidade da variante crist\u00e3 ortodoxa ressoa com simpatias tanto em Atenas quanto em Moscou.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 a incerteza que se criaria dentro da Organiza\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico Norte (Otan).<\/p>\n<p>A crise recordou o lugar estrat\u00e9gico ocupado pela Gr\u00e9cia. Localizada na proximidade da Turquia, entre as convuls\u00f5es do Oriente M\u00e9dio e a prec\u00e1ria rela\u00e7\u00e3o dos B\u00e1lc\u00e3s com a UE, a na\u00e7\u00e3o hel\u00eanica ganha uma nova import\u00e2ncia, que recorda velhas \u00e9pocas da transforma\u00e7\u00e3o europeia nos momentos posteriores ao final da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Foi a lideran\u00e7a norte-americana do presidente Harry Truman (1945-1953), que decidiu apoiar a posi\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia no lado ocidental, para neutralizar a ambivalente decis\u00e3o de Yalta, ao dividir o mapa da Europa com Josef Stalin (1922-1953). Nesse aspecto, Obama n\u00e3o est\u00e1 disposto a escrever um cap\u00edtulo diferente.<\/p>\n<p>O terceiro \u00e9 o desconforto de contemplar de Washington uma UE dividida em sua lideran\u00e7a e com as alas financeiras prejudicadas, enquanto se v\u00ea envolvida nas negocia\u00e7\u00f5es para o Acordo Transatl\u00e2ntico de Com\u00e9rcio e Investimentos (TTIP), j\u00e1 questionado por diversos \u00e2ngulos.<\/p>\n<p>Com l\u00edderes indecisos na Europa ser\u00e1 muito dif\u00edcil Obama conseguir exercer o mandato para negociar que lhe foi concedido pelo Congresso, com o resultado de que o projeto atrase at\u00e9 que haja um novo presidente, em 2017.<\/p>\n<p>Seria uma not\u00e1vel baixa colateral do desastre grego, que parece ter sido evitado na \u00faltima hora com a imposi\u00e7\u00e3o de dr\u00e1sticas condi\u00e7\u00f5es \u00e0 Gr\u00e9cia como pre\u00e7o de um novo resgate. Seria tamb\u00e9m a dura confirma\u00e7\u00e3o de que \u201co que \u00e9 ruim para a Europa \u00e9 ruim para os Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>No momento, Obama respira com certa tranq\u00fcilidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <\/i><b><i>Joaqu\u00edn Roy <\/i><\/b><i>\u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy* Barcelona, Espanha, julho\/2015 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve se sentir aliviado. Pudicamente silencioso nas &uacute;ltimas horas das dif&iacute;ceis negocia&ccedil;&otilde;es para se chegar a um acordo sobre o drama grego, sua resolu&ccedil;&atilde;o deve ser considerada, pelo menos provisoriamente, como ben&eacute;fica para os interesses de Washington. 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