{"id":19375,"date":"2015-07-23T13:17:33","date_gmt":"2015-07-23T13:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197945"},"modified":"2015-07-23T13:17:33","modified_gmt":"2015-07-23T13:17:33","slug":"banco-do-brics-desafia-bretton-woods","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/banco-do-brics-desafia-bretton-woods\/","title":{"rendered":"Banco do Brics desafia Bretton Woods?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197946\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/brics1-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-197946\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/brics1-629x420.jpg\" alt=\"O Novo Banco de Desenvolvimento foi uma proposta que a \u00cdndia apresentou pela primeira vez em 2012, mas foi a pot\u00eancia financeira da China que transformou a ideia em realidade, em 2015. Foto: Kit Gillet\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Novo Banco de Desenvolvimento foi uma proposta que a \u00cdndia apresentou pela primeira vez em 2012, mas foi a pot\u00eancia financeira da China que transformou a ideia em realidade, em 2015. Foto: Kit Gillet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Daya Thussu*<\/em><\/p>\n<p>Londres, Gr\u00e3-Bretanha, 23\/7\/2015 \u2013 A inaugura\u00e7\u00e3o do banco do Brics na cidade chinesa de Xangai, no dia 21 deste m\u00eas, ap\u00f3s a s\u00e9tima c\u00fapula que as cinco maiores economias emergentes do mundo realizaram na R\u00fassia, confirma o r\u00e1pido surgimento de uma arquitetura financeira alternativa.<\/p>\n<p>A \u00cdndia apresentou pela primeira vez, em 2012, a proposta de um banco internacional voltado ao desenvolvimento, na c\u00fapula do Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) em Nova D\u00e9lhi, mas foi o m\u00fasculo financeiro chin\u00eas que transformou a ideia em realidade. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) empregar\u00e1 seu capital inicial de US$ 50 bilh\u00f5es no financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos cinco pa\u00edses do Brics, e tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que apoie iniciativas em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o final da s\u00e9tima c\u00fapula anual do grupo, realizada na cidade russa de Ufa, nos dias 8 e 10 deste m\u00eas, assinala que \u201co NBD servir\u00e1 como um poderoso instrumento para financiar o investimento em infraestrutura e projetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel no Brics e em outros pa\u00edses em desenvolvimento e economias de mercados emergentes, e para melhorar a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre nossos pa\u00edses\u201d.<\/p>\n<p>O presidente do NBD \u00e9 Kundapur Vaman Kamath, um respeitado banqueiro, anteriormente do Icici, o maior banco privado da \u00cdndia, e da Infosys, uma empresa de inform\u00e1tica desse pa\u00eds. \u201cNosso objetivo n\u00e3o \u00e9 desafiar o sistema existente em si, mas melhorar e complementar o sistema \u00e0 nossa pr\u00f3pria maneira\u201d, declarou durante a apresenta\u00e7\u00e3o do NBD em Xangai.<\/p>\n<p>Trata-se da primeira institui\u00e7\u00e3o tang\u00edvel desenvolvida pelo Brics, grupo criado em 2006 como um importante bloco n\u00e3o ocidental, cujos l\u00edderes se re\u00fanem anualmente desde 2009. Seus pa\u00edses em conjunto abrigam 44% da popula\u00e7\u00e3o mundial e contribuem com 40% do produto interno bruto e 18% do interc\u00e2mbio comercial do planeta.<\/p>\n<p>Em conson\u00e2ncia com o tema da c\u00fapula de Ufa, <em>A Alian\u00e7a do Brics: Um Fator Poderoso Para o Desenvolvimento Mundial<\/em>, a cria\u00e7\u00e3o do banco de desenvolvimento foi um resultado importante, aclamado por um comentarista do jornal <em>The China Daily <\/em>como um \u201cplano-mestre marco para a coopera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A marca da China no NBD \u00e9 inconfund\u00edvel. A declara\u00e7\u00e3o de Ufa se expressa claramente sobre a estreita rela\u00e7\u00e3o que existe entre a entidade e o rec\u00e9m-criado Banco Asi\u00e1tico de Investimento em Infraestrutura (AIIB), tamb\u00e9m financiado em grande parte por Pequim. A declara\u00e7\u00e3o de Ufa recebeu positivamente a proposta para que o NBD \u201ccoopere estreitamente com os mecanismos de financiamento existentes e novos, inclu\u00eddo o AIIB\u201d. A China tamb\u00e9m pretende instalar um centro regional do NBD na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se manteve como eixo central na c\u00fapula de Ufa, que tamb\u00e9m registrou uma agenda geopol\u00edtica evidente. O <em>Global Times<\/em>, o \u00f3rg\u00e3o de imprensa internacional mais nacionalista da China, comentou que a cria\u00e7\u00e3o do NBD e do AIIB \u201cromper\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o monop\u00f3lica do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e do Banco Mundial, e os motivar\u00e1 a funcionar de forma mais normativa e democr\u00e1tica, com efici\u00eancia, a fim de promover a reforma do sistema financeiro internacional, bem como democratizar as rela\u00e7\u00f5es internacionais\u201d.<\/p>\n<p>A realidade das finan\u00e7as internacionais \u00e9 tal que toda institui\u00e7\u00e3o financeira alternativa deve funcionar em um sistema que siga a pauta do Ocidente e seu formid\u00e1vel dom\u00ednio dos mercados financeiros mundiais, redes de informa\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a intelectual. Por\u00e9m, a China, com seus quase US$ 4 trilh\u00f5es em reservas de divisas estrangeiras, est\u00e1 bem situada para tent\u00e1-lo, junto com os demais pa\u00edses do Brics. O pa\u00eds \u00e9 o maior exportador mundial, e busca de forma constante novas vias para ampliar e consolidar suas rela\u00e7\u00f5es comerciais em todo o planeta.<\/p>\n<p>A China tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para a cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai (OCS), uma agrupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e de seguran\u00e7a euro-asi\u00e1tica cuja reuni\u00e3o anual coincidiu com a s\u00e9tima c\u00fapula do Brics. Fundada em 2001 e integrada por China, Cazaquist\u00e3o, Quirguist\u00e3o, R\u00fassia, Tajiquist\u00e3o e Uzbequist\u00e3o, a OCS acordou a admiss\u00e3o da \u00cdndia e do Paquist\u00e3o como membros de pleno direito.<\/p>\n<p>Embora a c\u00fapula dos Brics e a reuni\u00e3o da OCS fossem em grande parte ignoradas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais, ocupados com as negocia\u00e7\u00f5es nucleares do Ir\u00e3 e a atual crise econ\u00f4mica na Gr\u00e9cia, \u00e9 prov\u00e1vel que as consequ\u00eancias econ\u00f4micas e geopol\u00edticas dos dois encontros perdurem por algum tempo.<\/p>\n<p>Para a anfitri\u00e3 R\u00fassia, que tamb\u00e9m recebeu a primeira c\u00fapula do Brics em 2009, o encontro de Ufa aconteceu no contexto das san\u00e7\u00f5es do Ocidente, do conflito armado na Ucr\u00e2nia e da expuls\u00e3o russa do Grupo dos Oito pa\u00edses mais avan\u00e7ados, agora novamente Grupo dos Sete. Em parte como rea\u00e7\u00e3o a essa situa\u00e7\u00e3o, destaca-se a camaradagem entre Moscou e Pequim, que em 2014 assinaram um acordo para fornecimento de petr\u00f3leo e g\u00e1s russos durante 30 anos, no valor de US$ 400 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dois pa\u00edses veem uma converg\u00eancia econ\u00f4mica em suas atividades comerciais e financeiras, por exemplo, entre a iniciativa chinesa para a \u00c1sia central do Cintur\u00e3o Econ\u00f4mico Rota da Seda, e os esfor\u00e7os recentes de Moscou para fortalecer a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Euro-Asi\u00e1tica. A expans\u00e3o da OCS deve ser considerada nesse contexto. Moscou tamb\u00e9m prop\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o do canal SCO TV para transmitir material econ\u00f4mico e financeiro e coment\u00e1rios sobre as atividades em algumas das economias de maior crescimento do mundo.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o resultado, \u00e9 evidente que est\u00e1 sendo criada uma nova agenda internacional de desenvolvimento, com apoio de na\u00e7\u00f5es poderosas e com a virtual exclus\u00e3o do Ocidente. E a China \u00e9 sua for\u00e7a motriz. Apesar de seu sistema de partido \u00fanico, que limita o pluralismo pol\u00edtico e frustra o debate, o pa\u00eds conseguiu que sua sociedade majoritariamente agr\u00edcola e autossuficiente se transformasse no maior mercado de consumo do mundo, sem grandes convuls\u00f5es sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>O \u00eaxito da China tem muitos admiradores, especialmente em outros pa\u00edses em desenvolvimento, e alguns falam em substituir o Consenso de Washington pelo que \u00e9 descrito como Conselho de Pequim. O banco do Brics, ao que parece, \u00e9 um pequeno passo nessa dire\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Daya Thussu <\/strong>\u00e9 professor de Comunica\u00e7\u00e3o Internacional na Universidade de Westminster, na Gr\u00e3-Bretanha.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Daya Thussu* Londres, Gr&atilde;-Bretanha, 23\/7\/2015 &ndash; A inaugura&ccedil;&atilde;o do banco do Brics na cidade chinesa de Xangai, no dia 21 deste m&ecirc;s, ap&oacute;s a s&eacute;tima c&uacute;pula que as cinco maiores economias emergentes do mundo realizaram na R&uacute;ssia, confirma o r&aacute;pido surgimento de uma arquitetura financeira alternativa. 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