{"id":19377,"date":"2015-07-23T13:15:43","date_gmt":"2015-07-23T13:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=197942"},"modified":"2015-07-23T13:15:43","modified_gmt":"2015-07-23T13:15:43","slug":"exodo-de-refugiados-sirios-nao-tem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/exodo-de-refugiados-sirios-nao-tem-fim\/","title":{"rendered":"\u00caxodo de refugiados s\u00edrios n\u00e3o tem fim"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_197943\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Siria1.jpg\"><img class=\"wp-image-197943\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Siria1.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a entre os escombros do que foi sua casa, ap\u00f3s um bombardeio a\u00e9reo na cidade de Idlib, noroeste da S\u00edria. Foto: Freedom House\/CC-BY-2.0\" width=\"340\" height=\"215\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7a entre os escombros do que foi sua casa, ap\u00f3s um bombardeio a\u00e9reo na cidade de Idlib, noroeste da S\u00edria. Foto: Freedom House\/CC-BY-2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Kanya D\u2019Almeida, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 23\/7\/2015 \u2013 H\u00e1 apenas dez meses, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) anunciou que a popula\u00e7\u00e3o de refugiados da S\u00edria havia chegado aos tr\u00eas milh\u00f5es. Agora essa quantidade j\u00e1 superou os quatro milh\u00f5es. \u201cEsta \u00e9 a maior popula\u00e7\u00e3o de refugiados de um \u00fanico conflito em uma gera\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Antonio Guterres, alto comiss\u00e1rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), no dia 9 deste m\u00eas. \u201c\u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o que merece o apoio do mundo, mas, no entanto, vive em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis e se afunda cada vez mais na pobreza extrema\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A guerra civil s\u00edria, que teve inicio em mar\u00e7o de 2011, n\u00e3o d\u00e1 sinais de aplacar. O que come\u00e7ou com gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es contra o presidente Bashar al Assad, no cargo desde 2000, agora envolve numerosos grupos armados, inclu\u00eddos combatentes da organiza\u00e7\u00e3o extremista Estado Isl\u00e2mico. A guerra j\u00e1 causou mais de 250 mil mortes e deixou 840 mil feridos, dos quais muitos ficaram mutilados para toda a vida, segundo o independente Observat\u00f3rio S\u00edrio para os Direitos Humanos.<\/p>\n<p>As ag\u00eancias da ONU se esfor\u00e7am para conseguir o dinheiro necess\u00e1rio para dar tratamento m\u00e9dico, abrigo e alimenta\u00e7\u00e3o para milh\u00f5es de pessoas que fugiram da viol\u00eancia, mas o \u00eaxodo n\u00e3o para. No dia 9 deste m\u00eas, o Acnur informou que a Turquia abrigava 1,8 milh\u00e3o de s\u00edrios, mais do que qualquer outro pa\u00eds da regi\u00e3o. Mais de 250 mil desses refugiados vivem em 23 acampamentos mantidos pelo governo turco. No resto da regi\u00e3o, 1,7 milh\u00e3o de refugiados se encontram no L\u00edbano, 629 mil na Jord\u00e2nia, 249 mil no Iraque e 132 mil no Egito.<\/p>\n<p>Os centros de sa\u00fade e a infraestrutura desses pa\u00edses est\u00e3o perto do colapso devido \u00e0 quantidade de pessoas com fome, enfermos e feridos que atendem. A organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que na Jord\u00e2nia os hospitais est\u00e3o saturados pela quantidade de pacientes, que inclui numerosos s\u00edrios feridos por bombas de barril. Nas duas primeiras semanas deste m\u00eas, 65 feridos de guerra foram atendidos por esta causa no hospital Al Ramtha, a cinco quil\u00f4metros da fronteira com a S\u00edria, onde o MSF colabora com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do pa\u00eds para dar atendimento de emerg\u00eancia aos refugiados.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria pede o fim do uso das bombas de barril, armas extremamente explosivas, de fabrica\u00e7\u00e3o barata, produzidas no pa\u00eds com tambores de \u00f3leo, cilindros de g\u00e1s ou tanques de \u00e1gua, cheios de explosivos e peda\u00e7os de metais para aumentar a fragmenta\u00e7\u00e3o, e que s\u00e3o jogados de helic\u00f3pteros a grande altura.<\/p>\n<p>Devido ao amplo raio de impacto dessas bombas, as v\u00edtimas sofrem ferimentos que s\u00e3o imposs\u00edveis de tratar dentro das fronteiras da S\u00edria, onde muitos centros de sa\u00fade foram destru\u00eddos nos \u00faltimos cinco anos. \u201cMais de 70% dos feridos que recebemos sofrem les\u00f5es por explos\u00e3o, e seus m\u00faltiplos ferimentos nos contam suas hist\u00f3rias\u201d, afirmou em um comunicado Renate Sinke, coordenadora de cirurgia de emerg\u00eancia do MSF em Al Ramtha.<\/p>\n<p>\u201cUma propor\u00e7\u00e3o importante dos pacientes que recebemos sofreu ferimentos na cabe\u00e7a e outras numerosas les\u00f5es que n\u00e3o podem ser tratadas no sul da S\u00edria, j\u00e1 que as tomografias computadorizadas e outras op\u00e7\u00f5es de tratamento s\u00e3o limitadas\u201d, explicou Muhammad Shoaib, coordenador do MSF na Jord\u00e2nia. Um dos pacientes no hospital Al Ramtha, Murad, pai de um menino de 27 dias ferido na cabe\u00e7a pela explos\u00e3o de uma bomba de barril, contou a situa\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia, que reflete a experi\u00eancia de milh\u00f5es de civis presos no fogo cruzado.<\/p>\n<p>\u201cUma bomba de barril atingiu nossa casa em Tafas. Vi meu filho pequeno. Estava quieto e parecia ter a cabe\u00e7a ferida. Levei ao hospital de campanha, tentaram ajud\u00e1-lo, mas n\u00e3o puderam, porque o equipamento adequado n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel na S\u00edria. Tinha que ser tratado na Jord\u00e2nia\u201d, contou ao pessoal do MSF. \u201cDemoramos uma hora e meia desde o momento da les\u00e3o at\u00e9 chegarmos \u00e0 fronteira, e um pouco mais antes de chegar a Al Ramtha. Agora, s\u00f3 o que quero \u00e9 que meu beb\u00ea melhore e voltar \u00e0 S\u00edria\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Essas fam\u00edlias constituem o grosso dos refugiados s\u00edrios, a maior quantidade registrada desde 1992, quando 4,6 milh\u00f5es de afeg\u00e3os fugiram de seu pa\u00eds, segundo o Acnur. De fato, o n\u00famero de refugiados s\u00edrios pode ser maior, porque n\u00e3o inclui os 270 mil pedidos de asilo apresentados por s\u00edrios na Europa. Mais de 7,2 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o com refugiadas dentro da pr\u00f3pria S\u00edria.<\/p>\n<p>O pior, segundo os funcion\u00e1rios, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o aparentemente inversa entre as necessidades de emerg\u00eancia e os fundos humanit\u00e1rios, j\u00e1 que aquelas n\u00e3o param de crescer, enquanto os segundos diminuem. O Acnur e outros \u00f3rg\u00e3os haviam solicitado US$ 5,5 bilh\u00f5es para as opera\u00e7\u00f5es de socorro em 2015, mas at\u00e9 o momento s\u00f3 receberam a quarta parte dessa quantia.<\/p>\n<p>O Programa Mundial de Alimentos deve alimentar seis milh\u00f5es de s\u00edrios na S\u00edria e regi\u00e3o vizinha, mas tem um enorme d\u00e9ficit e avisou este m\u00eas que, se n\u00e3o receber fundos imediatamente, meio milh\u00e3o de pessoas poder\u00e3o morrer de fome. Tamb\u00e9m existe a possibilidade muito real de que mais de 1,7 milh\u00e3o de pessoas tenham que passar os pr\u00f3ximos meses de inverno boreal sem combust\u00edvel nem abrigo.<\/p>\n<p>Uma pesquisa conjunta do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Save the Children mostra que, na medida em que a ajuda diminui, 75% das fam\u00edlias de refugiados entrevistadas colocam seus filhos e filhas para ganhar a vida.<\/p>\n<p>Devido \u00e0s elevadas taxas de pobreza, esses resultados n\u00e3o s\u00e3o uma surpresa. Calcula-se que 86% dos refugiados fora dos acampamentos na Jord\u00e2nia, por exemplo, vivem abaixo da linha da pobreza, enquanto 55% dos refugiados no L\u00edbano vivem em abrigos \u201cde baixa qualidade\u201d, segundo o Acnur.<\/p>\n<p>Enquanto os l\u00edderes mundiais vacilarem entre aplicar solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou militares \u00e0 crise, os s\u00edrios enfrentam uma op\u00e7\u00e3o: a morte pelas bombas de barril em casa ou por inani\u00e7\u00e3o no estrangeiro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Kanya D&rsquo;Almeida, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/7\/2015 &ndash; H&aacute; apenas dez meses, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) anunciou que a popula&ccedil;&atilde;o de refugiados da S&iacute;ria havia chegado aos tr&ecirc;s milh&otilde;es. 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