{"id":19385,"date":"2015-07-27T12:41:26","date_gmt":"2015-07-27T12:41:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198022"},"modified":"2015-07-27T12:41:26","modified_gmt":"2015-07-27T12:41:26","slug":"china-joga-pingue-pongue-com-uigures","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/china-joga-pingue-pongue-com-uigures\/","title":{"rendered":"China joga pingue-pongue com uigures"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198023\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/uigures-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-198023\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/uigures-629x472.jpg\" alt=\"A minoria mu\u00e7ulmana uigur na China suporta anos de repress\u00e3o por parte do governo chin\u00eas, segundo organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Foto: Gustavo Jer\u00f3nimo\/CC-BY 2.0\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A minoria mu\u00e7ulmana uigur na China suporta anos de repress\u00e3o por parte do governo chin\u00eas, segundo organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Foto: Gustavo Jer\u00f3nimo\/CC-BY 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Zhai Yun Tan, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 27\/7\/2015 \u2013 Dois informes da organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Human Rights Watch destacam a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o que vive a minoria uigur na China, e lan\u00e7am luz sobre a sorte que correm os que tentam encontrar um abrigo seguro na regi\u00e3o. No dia 10 deste m\u00eas, a HRW, com sede em Nova York, divulgou uma declara\u00e7\u00e3o condenando o governo da Tail\u00e2ndia por deportar cem imigrantes uigures para a China, onde essa comunidade \u00e9 perseguida, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os uigures lutam contra o controle do governo central chin\u00eas h\u00e1 d\u00e9cadas, e muitos de seus ativistas est\u00e3o no ex\u00edlio ou nas pris\u00f5es. Outro documento da HRW, divulgado no dia 13 deste m\u00eas, revela as restri\u00e7\u00f5es de viagem internacional que Pequim imp\u00f5e \u00e0s minorias religiosas, inclu\u00eddos os uigures \u2013 que s\u00e3o majoritariamente mu\u00e7ulmanos \u2013 por motivos de \u201cestudo religioso e de peregrina\u00e7\u00e3o\u201d. Um sistema de solicita\u00e7\u00e3o de passaporte aplicado h\u00e1 12 anos exclui os uigures e outras minorias, segundo o informe.<\/p>\n<p>\u201cAs autoridades chinesas devem agir rapidamente para desmantelar esse sistema de passaporte descaradamente discriminat\u00f3rio\u201d, destacou Sophie Richardson, da HRW, na declara\u00e7\u00e3o do dia 10. \u201cAs restri\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m violam a liberdade de cultos ao negar ou limitar a capacidade das minorias religiosas de participarem de peregrina\u00e7\u00f5es fora da China\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Turquia divulgou, no dia 9, um comunicado \u00e0 imprensa condenando a Tail\u00e2ndia pela repatria\u00e7\u00e3o dos uigures para a China. As deporta\u00e7\u00f5es geraram protestos diante da embaixada chinesa e do consulado honor\u00e1rio da Tail\u00e2ndia em Ancara, a capital turca.<\/p>\n<p>A Regi\u00e3o Aut\u00f4noma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros de Pequim. Tamb\u00e9m conhecida como Turquist\u00e3o Oriental, \u00e9 o lar de grupos \u00e9tnicos com ascend\u00eancia e idioma turcos. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Uigur Norte-Americana, ali h\u00e1 mais de 15 milh\u00f5es de uigures.<\/p>\n<p>Alim Seytoff, presidente da Associa\u00e7\u00e3o com sede em Washington, afirmou, em uma declara\u00e7\u00e3o, que a deporta\u00e7\u00e3o dos refugiados uigures foi uma viola\u00e7\u00e3o de sua seguran\u00e7a. \u201cA comunidade internacional deve adotar uma posi\u00e7\u00e3o firme para garantir os direitos dos refugiados uigures\u201d, ressaltou. \u201cNa medida em que mais uigures fugirem da repress\u00e3o no Turquist\u00e3o Oriental, e que Pequim continuar pressionando por seu regresso, os governos interessados e os \u00f3rg\u00e3os multilaterais n\u00e3o dever\u00e3o permitir que a China ignore as normas internacionais de direitos humanos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<div id=\"attachment_198024\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mapauigur.png\"><img class=\"wp-image-198024\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mapauigur.png\" alt=\"A Regi\u00e3o Aut\u00f4noma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros de Pequim. Foto: futureatlas.com\/CC-BY 2.0\" width=\"340\" height=\"281\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Regi\u00e3o Aut\u00f4noma Uigur de Sinkiang fica no oeste da China, a mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros de Pequim. Foto: futureatlas.com\/CC-BY 2.0<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m das restri\u00e7\u00f5es impostas \u00e0s viagens com fins de peregrina\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se afirma que os uigures na China s\u00e3o proibidos de realizar o jejum religioso durante o Ramad\u00e3, m\u00eas sagrado dos isl\u00e2micos. Segundo o Congresso Mundial Uigur e v\u00e1rios portais de not\u00edcias, departamentos locais do governo chin\u00eas publicaram comunicados na internet alertando estudantes, funcion\u00e1rios e membros do partido comunista que n\u00e3o podiam jejuar, participar de atividades religiosas ou entrar em mesquitas.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o legislativo de Sinkiang aprovou, em janeiro, um regulamento que pro\u00edbe o uso da burca, a tradicional vestimenta de algumas mulheres mu\u00e7ulmanas. \u201cIsto n\u00e3o \u00e9 novo, mas as restri\u00e7\u00f5es t\u00eam sido cada vez mais r\u00edgidas nos \u00faltimos anos\u201d, afirmou Greg Fay, do Projeto de Direitos Humanos Uigur, com sede em Washington.<\/p>\n<p>Os uigures mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es tensas com Pequim desde a funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China, em 1949. Uma s\u00e9rie de ataques violentos em 2014 levou o governo a declarar o \u201ccombate ao separatismo, o extremismo religioso e o terrorismo\u201d, em uma repress\u00e3o que durou um ano. As deten\u00e7\u00f5es duplicaram desde o an\u00fancio oficial, com um total de 27.164 pris\u00f5es.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, um ataque com facas em Kunming, a 2.677 quil\u00f4metros de Pequim, causou 30 mortes. Dois meses mais tarde, uma bomba explodiu em Urumqi, capital de Sinkiang, matando 31 pessoas. Em julho, um atentado contra delegacias de pol\u00edcia, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e ve\u00edculos nessa cidade deixou pelo menos 50 mortos. As autoridades responsabilizam os separatistas de Sinkiang pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2009, dist\u00farbios em Urumqi causaram cerca de 140 mortes, o que levou o governo a bloquear o acesso \u00e0 internet durante meses. \u201cCreio que muitos funcion\u00e1rios de n\u00edvel local identificam o Isl\u00e3 com o extremismo\u201d, disse Sean Roberts, professor da Universidade George Washington, em entrevista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em um artigo divulgado pelo canal de not\u00edcias Al Jazeera, em junho de 2014, Seytoff afirma que, embora os uigures ocupem uma regi\u00e3o aut\u00f4noma, muitos dos funcion\u00e1rios da etnia han, majorit\u00e1ria na China, ainda mant\u00eam o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico na regi\u00e3o. \u201cA China suprimiu sem piedade todo sinal de descontentamento uigur e transferiu milh\u00f5es de fi\u00e9is colonos chineses para o Turquist\u00e3o Oriental, aos quais proporcionou emprego, moradia, empr\u00e9stimos banc\u00e1rios e oportunidades econ\u00f4micas que s\u00e3o negadas aos uigures\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Segundo Seytoff, \u201ca popula\u00e7\u00e3o uigur no Turquist\u00e3o Oriental, que era quase 90% (do total na regi\u00e3o) em 1949, mas agora chega a apenas 45%, enquanto a popula\u00e7\u00e3o chinesa cresceu muito devido aos assentamentos apoiados pelo Estado, de 6% em 1953 para os atuais 40%\u201d. Muitos uigures tentam fugir da persegui\u00e7\u00e3o, migrando para o territ\u00f3rio turco e pa\u00edses asi\u00e1ticos vizinhos.<\/p>\n<p>A Turquia recebeu mais de mil refugiados desde 1949, mas Camboja e Tail\u00e2ndia deportaram muitos uigures para a China. \u00a0Um artigo do jornal <em>The New York Times <\/em>informava, em dezembro de 2009, que o Camboja havia deportado 20 uigures que solicitaram asilo no pa\u00eds, e que dois dias depois o governo cambojano assinou um acordo de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com a China. Pequim nega que os uigures estejam oprimidos e insiste em afirmar que o ato de repatria\u00e7\u00e3o do Camboja foi legal. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Zhai Yun Tan, da IPS &ndash;&nbsp; Washington, Estados Unidos, 27\/7\/2015 &ndash; Dois informes da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch destacam a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o que vive a minoria uigur na China, e lan&ccedil;am luz sobre a sorte que correm os que tentam encontrar um abrigo seguro na regi&atilde;o. 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