{"id":19387,"date":"2015-07-27T12:56:14","date_gmt":"2015-07-27T12:56:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198029"},"modified":"2015-07-27T12:56:14","modified_gmt":"2015-07-27T12:56:14","slug":"africa-deve-buscar-sua-propria-resiliencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/africa-deve-buscar-sua-propria-resiliencia\/","title":{"rendered":"\u00c1frica deve buscar sua pr\u00f3pria resili\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198030\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/seca.jpg\"><img class=\"wp-image-198030\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/seca.jpg\" alt=\"Cad\u00e1veres de ovelhas e cabras espalhados em uma paisagem des\u00e9rtica ap\u00f3s a seca que assomou Somalil\u00e2ndia em 2011, uma das consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica que, segundo os especialistas, os pa\u00edses africanos devem enfrentar sem depender da assist\u00eancia internacional. Foto: Oxfam East \u00c1frica\/CC by 2.0\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cad\u00e1veres de ovelhas e cabras espalhados em uma paisagem des\u00e9rtica ap\u00f3s a seca que assomou Somalil\u00e2ndia em 2011, uma das consequ\u00eancias da mudan\u00e7a clim\u00e1tica que, segundo os especialistas, os pa\u00edses africanos devem enfrentar sem depender da assist\u00eancia internacional. Foto: Oxfam East \u00c1frica\/CC by 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fab\u00edola Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 27\/7\/2015 \u2013 Os pa\u00edses africanos deveriam buscar suas pr\u00f3prias estrat\u00e9gias para melhorar sua adapta\u00e7\u00e3o ao aquecimento global e mitigar os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nas futuras gera\u00e7\u00f5es, em lugar de continuar dependendo da assist\u00eancia estrangeira. Esta foi a mensagem que ecoou na confer\u00eancia cient\u00edfica internacional <em>Nosso Futuro Comum com a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica<\/em>, realizada este m\u00eas na capital francesa, que receber\u00e1 a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Essa c\u00fapula, que acontecer\u00e1 de 30 de novembro a 11 dezembro, dever\u00e1 forjar um acordo universal e vinculante para evitar que a temperatura global da Terra supere os dois graus cent\u00edgrados. A \u00c1frica j\u00e1 sente diariamente os efeitos do aquecimento global, segundo a sul-africana Penny Urquhart, especialista independente e uma das autoras do quinto informe de avalia\u00e7\u00e3o do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC).<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es sugerem que nesse continente a temperatura vai superar os dois graus at\u00e9 2100, e que localmente haver\u00e1 aumento mais r\u00e1pido do que em escala global. As avalia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas tamb\u00e9m concordam que a \u00c1frica sofrer\u00e1 cada vez mais os efeitos desse fen\u00f4meno, suportando eventos clim\u00e1ticos extremos que aumentar\u00e3o em frequ\u00eancia, intensidade e dura\u00e7\u00e3o. \u201cA maioria dos pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana tem um alto grau de vulnerabilidade clim\u00e1tica\u201d, apontou Urquhart \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cCom os anos, as pessoas foram se adaptando a essas varia\u00e7\u00f5es, mas o que vemos \u00e9 um aumento dos riscos vinculados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou Urquhart. Os sistemas para monitorar os dados ainda n\u00e3o s\u00e3o bons e s\u00e3o escassos, mas \u201cna \u00c1frica sabemos que existe um aumento de temperatura\u201d, acrescentou. Se a temperatura global aumentar dois graus at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, o impacto ser\u00e1 sentido na \u00c1frica austral como se o aumento fosse de quatro graus, ressaltou.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade \u00e0 varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica depende muito do contexto e da exposi\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0s suas consequ\u00eancias, segundo a especialista sul-africana, por isso \u00e9 dif\u00edcil estimar quantas pessoas ser\u00e3o afetadas pelo aquecimento global nesse continente. Mas o IPCC assinala que, dos 800 milh\u00f5es de pessoas que se estima vivem na \u00c1frica, mais de 300 milh\u00f5es sofrem escassez h\u00eddrica, e que at\u00e9 2050 o n\u00famero dos que estar\u00e3o em risco de sofrer maior estresse em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua girar\u00e1 entre 350 milh\u00f5es a 600 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Segundo Urquhart, em algumas \u00e1reas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil prever o que acontecer\u00e1 com a chuva. \u201cNa regi\u00e3o do Chifre da \u00c1frica, as observa\u00e7\u00f5es parecem mostrar uma redu\u00e7\u00e3o nas chuvas, mas os modelos preveem um aumento das precipita\u00e7\u00f5es\u201d. Houve eventos clim\u00e1ticos extremos ao longo da costa ocidental do continente, enquanto em Mo\u00e7ambique foi registrado aumento de ciclones, os quais causaram inunda\u00e7\u00f5es. \u201cEssa \u00e9 a soma de tend\u00eancias que vemos. Secas principalmente no oeste e aumento das precipita\u00e7\u00f5es no leste da \u00c1frica\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Para Edith Ofwana, especialista de programa do canadense Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (IDRC), um dos setores mais vulner\u00e1veis \u00e0 varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica na \u00c1frica \u00e9 a agricultura, o eixo da maioria das economias africanas, o que pode ter um impacto negativo na seguran\u00e7a alimentar. \u201cO maior desafio \u00e9 como trabalhar com as comunidades, n\u00e3o s\u00f3 para enfrentar os impactos no curto prazo, como tamb\u00e9m para se adaptar e ter resili\u00eancia na medida em que passa o tempo. Devemos idealizar solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que sejam acess\u00edveis e criadas com base nos conhecimentos das comunidades\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Os especialistas concordam que qualquer medida para fazer frente \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica deve responder \u00e0s necessidades sociais, especialmente quando os eventos clim\u00e1ticos severos podem desarraigar comunidades inteiras, obrigando as fam\u00edlias a buscarem melhores oportunidades. \u201cEsse fen\u00f4meno criou o que j\u00e1 se chama de migrantes clim\u00e1ticos\u201d, pontuou Ofwana.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica poderia exacerbar os conflitos sociais, que se agravam por outros problemas, como a competi\u00e7\u00e3o pelos recursos e a degrada\u00e7\u00e3o do solo. Para a especialista do IDRC, \u201c\u00e9 preciso considerar a natureza multicausal da pobreza sobre o meio de vida das pessoas: enquanto as mais ricas poder\u00e3o se adaptar, as mais pobres ter\u00e3o dificuldades\u201d.<\/p>\n<p>Ofwana opinou que a chave \u00e9 combinar evid\u00eancia cient\u00edfica com o que \u00e9 de conhecimento das pr\u00f3prias comunidades afetadas, e fazer com que seja acess\u00edvel e sustent\u00e1vel. \u201c\u00c9 importante vincular a ci\u00eancia \u00e0 sociedade, e que seja pr\u00e1tica para que possa mudar vidas e fazer frente aos desafios que enfrentam as pessoas, especialmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a alimentar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, a consci\u00eancia sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u201c\u00e9 bastante alta\u201d, segundo Ofwana. Alguns pa\u00edses j\u00e1 definiram suas pr\u00f3prias pol\u00edticas e estrat\u00e9gias clim\u00e1ticas, e outros t\u00eam estrat\u00e9gias para um crescimento com baixas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e um desenvolvimento sustent\u00e1vel. A especialista destacou o papel fundamental das na\u00e7\u00f5es africanas na hora de criar uma pol\u00edtica ambiental adequada, e ressaltou que devem ser protagonistas na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e n\u00e3o apenas passivos receptores da assist\u00eancia internacional.<\/p>\n<p>Os governos africanos devem entrar com parte dos fundos necess\u00e1rios para implantar projetos de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o e, embora \u201cpossamos obter algo dos fundos internacionais, em certo ponto devemos entrar com nossos pr\u00f3prios recursos. Apesar de haver grande conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito, o compromisso n\u00e3o \u00e9 igualmente elevado\u201d, enfatizou Ofwana. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fab&iacute;ola Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 27\/7\/2015 &ndash; Os pa&iacute;ses africanos deveriam buscar suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias para melhorar sua adapta&ccedil;&atilde;o ao aquecimento global e mitigar os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nas futuras gera&ccedil;&otilde;es, em lugar de continuar dependendo da assist&ecirc;ncia estrangeira. 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