{"id":19391,"date":"2015-07-28T13:34:19","date_gmt":"2015-07-28T13:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198101"},"modified":"2015-07-28T13:34:19","modified_gmt":"2015-07-28T13:34:19","slug":"sol-terra-ar-energia-pouco-aproveitada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/sol-terra-ar-energia-pouco-aproveitada\/","title":{"rendered":"Sol, terra, ar: energia pouco aproveitada"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198102\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Coopesantos.jpg\"><img class=\"wp-image-198102\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Coopesantos.jpg\" alt=\"A cooperativa Coopesantos instalou em 2011 um parque e\u00f3lico nas montanhas de La Paz e Casamata, cerca de 50 quil\u00f4metros a sudeste da capital da Costa Rica. Com capacidade instalada de 12,7 megawatts e 15 torres e\u00f3licas, a instala\u00e7\u00e3o abastece 120 comunidades vinculadas \u00e0 cooperativa. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A cooperativa Coopesantos instalou em 2011 um parque e\u00f3lico nas montanhas de La Paz e Casamata, cerca de 50 quil\u00f4metros a sudeste da capital da Costa Rica. Com capacidade instalada de 12,7 megawatts e 15 torres e\u00f3licas, a instala\u00e7\u00e3o abastece 120 comunidades vinculadas \u00e0 cooperativa. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 28\/7\/2015 \u2013 Com localiza\u00e7\u00e3o privilegiada pelas correntes a\u00e9reas e pela radia\u00e7\u00e3o solar, a Am\u00e9rica Central continua presa \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia t\u00e9rmica e hidrel\u00e9trica em grande escala e desperdi\u00e7a a possibilidade de incluir as comunidades em projetos menos invasivos e mais limpos. Embora h\u00e1 anos tente avan\u00e7ar na gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, a regi\u00e3o tem, em m\u00e9dia, 36% de eletricidade produzida a partir de enormes usinas que consomem carv\u00e3o e derivados de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Os tomadores de decis\u00e3o da Am\u00e9rica Central ainda desprezam o enorme potencial e\u00f3lico e solar que poderia reduzir suas emiss\u00f5es de carbono e, principalmente, empoderar comunidades vulner\u00e1veis, em especial em \u00e1reas distantes, facilitando seu acesso \u00e0 eletricidade.<\/p>\n<p>\u201cDe maneira geral, a regi\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 aproveitando todo o seu potencial, principalmente porque n\u00e3o escolheu as rotas de invers\u00e3o\u201d, observou \u00e0 IPS Javier Mej\u00eda, oficial de energias renov\u00e1veis do n\u00e3o governamental Centro Humboltd, da Nicar\u00e1gua. Ao contr\u00e1rio dos megaprojetos do passado, \u201cos solares e e\u00f3licos poderiam ter mais lugar em zonas isoladas e atender pequenos grupos populacionais onde for complicado chegar o sistema interligado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise do pr\u00f3ximo Estado da Regi\u00e3o, produzido pelo Conselho Nacional de Reatores, da Costa Rica, concluiu que a Am\u00e9rica Central utiliza apenas 1% de seu potencial e\u00f3lico. Al\u00e9m disso, esse informe, que ser\u00e1 publicado em 2016 e ao qual um grupo de jornalistas teve acesso, aponta que os pa\u00edses da regi\u00e3o possuem entre duas e tr\u00eas vezes mais radia\u00e7\u00e3o solar anual do que a Alemanha, a l\u00edder mundial no aproveitamento dessa fonte. O estudo utiliza dados de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicar\u00e1gua e Panam\u00e1, que em conjunto contam com 45 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<div id=\"attachment_198103\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/usina.jpg\"><img class=\"wp-image-198103\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/usina.jpg\" alt=\"Parte das comportas da usina hidrel\u00e9trica de Cach\u00ed, constru\u00edda na d\u00e9cada de 1960 no centro da Costa Rica, cuja amplia\u00e7\u00e3o, entre 2014 e 2015, elevou sua capacidade de 103 para 150 megawatts. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte das comportas da usina hidrel\u00e9trica de Cach\u00ed, constru\u00edda na d\u00e9cada de 1960 no centro da Costa Rica, cuja amplia\u00e7\u00e3o, entre 2014 e 2015, elevou sua capacidade de 103 para 150 megawatts. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Durante d\u00e9cadas, os pa\u00edses centro-americanos apostaram em produzir eletricidade com a for\u00e7a dos rios e enormes usinas que consomem derivados de petr\u00f3leo ou carv\u00e3o, apoiados em um sistema que descarrega a maior parte dos investimentos em corpora\u00e7\u00f5es privadas. Em 2014, as hidrel\u00e9tricas forneceram 45% da eletricidade final da regi\u00e3o e os combust\u00edveis f\u00f3sseis 36%, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Segundo Mej\u00eda, uma debilidade da regi\u00e3o \u00e9 que \u201cmuitos pa\u00edses dependem do investimento estrangeiro, que muitas vezes \u00e9 destinado a megaprojetos que por si s\u00f3 n\u00e3o resolvem a problem\u00e1tica energ\u00e9tica e acarretam uma s\u00e9rie de danos sociais e ambientais\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo do n\u00e3o governamental Observat\u00f3rio de Multinacionais na Am\u00e9rica Latina (Omal), publicado em 2014, revela que 11 empresas privadas (apenas tr\u00eas delas centro-americanas) controlam 40% da produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da Am\u00e9rica Central. Segundo o Omal, a participa\u00e7\u00e3o estatal gira em torno dos 35,7%.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de energias limpas na regi\u00e3o varia de pa\u00eds a pa\u00eds. Enquanto a Costa Rica espera fechar 2015 com 97% de sua eletricidade fornecida por fontes renov\u00e1veis, Nicar\u00e1gua e Honduras ainda abastecem mais da metade de sua demanda com carv\u00e3o e derivados de petr\u00f3leo. O Panam\u00e1 aumentou sua depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis entre 2000 e 2013, enquanto El Salvador apostou fortemente no potencial geot\u00e9rmico, uma fonte abundante no pa\u00eds. A Guatemala se destaca por ter a maior presen\u00e7a relativa de carv\u00e3o, a fonte energ\u00e9tica mais suja.<\/p>\n<div id=\"attachment_198104\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/energiagrafico.jpg\"><img class=\"wp-image-198104\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/energiagrafico.jpg\" alt=\"A Am\u00e9rica Central aumentou sua produ\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e geot\u00e9rmica, mas ainda depende em grande parte dos derivados de petr\u00f3leo e das hidrel\u00e9tricas, segundo dados da Cepal. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"540\" height=\"378\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Am\u00e9rica Central aumentou sua produ\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e geot\u00e9rmica, mas ainda depende em grande parte dos derivados de petr\u00f3leo e das hidrel\u00e9tricas, segundo dados da Cepal. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O intergovernamental Sistema de Integra\u00e7\u00e3o Centro-Americana (Sica) controla o mercado el\u00e9trico entre os pa\u00edses do istmo e, teoricamente, opera como bloco de negocia\u00e7\u00e3o nas c\u00fapulas clim\u00e1ticas, mas nos momentos decisivos cada pa\u00eds vota por sua conta. Em uma reuni\u00e3o em Antiga, em junho, os governantes centro-americanos, junto com os de M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, se comprometeram a manter uma posi\u00e7\u00e3o conjunta durante a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em Paris no m\u00eas de dezembro.<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es centro-americanas de gases que elevam o aquecimento global somam apenas 0,8% do total mundial, mas a necessidade de fazer a mudan\u00e7a para uma matriz energ\u00e9tica mais limpa \u00e9 urgente. O \u00faltimo informe da Comiss\u00e3o Global sobre Economia e Clima afirma que cerca de 96% das emiss\u00f5es contaminantes devem ser reduzidas at\u00e9 2030, se a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus cent\u00edgrados, o teto que por anos foi recomendado pelos cientistas para evitar mudan\u00e7as irrevers\u00edveis no planeta.<\/p>\n<p>\u201cApesar de n\u00e3o sermos a origem das principais emiss\u00f5es de gases-estufa, existe um fator de vulnerabilidade no abastecimento futuro\u201d, pontuou \u00e0 IPS o coordenador do informe Estado da Regi\u00e3o, Alberto Mora, que alertou para os efeitos nocivos de uma matriz energ\u00e9tica suja nas economias da regi\u00e3o. Entre 2000 e 2013, o peso da fatura petroleira no produto interno bruto da regi\u00e3o passou de 3,5% para 8,5%.<\/p>\n<div id=\"attachment_198105\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/energiagrafico2.jpg\"><img class=\"wp-image-198105\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/energiagrafico2.jpg\" alt=\"Onze companhias controlam 40% da produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica na Am\u00e9rica Central, segundo o Observat\u00f3rio de Multinacionais na Am\u00e9rica Latina (Omal). Foto: Cortesia do Omal\" width=\"540\" height=\"336\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Onze companhias controlam 40% da produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica na Am\u00e9rica Central, segundo o Observat\u00f3rio de Multinacionais na Am\u00e9rica Latina (Omal). Foto: Cortesia do Omal<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que os centro-americanos usam somente 15% de seu potencial geot\u00e9rmico, a energia mais limpa e mais est\u00e1vel, embora uma parte importante esteja em \u00e1reas protegidas da regi\u00e3o. Por\u00e9m, Mora recordou que a infraestrutura necess\u00e1ria para aproveitar a energia armazenada dentro da terra, como ocorre com a hidroeletricidade, costuma ser mais custosa e mais invasiva do que aquela destinada a usar o potencial das fontes fotovoltaica e e\u00f3lica. \u201cIsso deveria nos motivar a diversificar a matriz energ\u00e9tica e a buscar fontes renov\u00e1veis e locais\u201d, afirmou Mora.<\/p>\n<p>H\u00e1 passos que a Am\u00e9rica Central est\u00e1 dando em dire\u00e7\u00e3o a essas energias renov\u00e1veis. Assim reconhece Sonia Wheelock, coordenadora de incid\u00eancia e energia para a Nicar\u00e1gua do holand\u00eas Instituto Humanista de Coopera\u00e7\u00e3o com Pa\u00edses em Desenvolvimento (Hivos). \u201cHouve um avan\u00e7o bem grande nos \u00faltimos 20 anos, mais acentuado na \u00faltima d\u00e9cada, rumo \u00e0 energia renov\u00e1vel e principalmente para as n\u00e3o tradicionais\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Este aumento permitiu a incurs\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o geot\u00e9rmica e e\u00f3lica, que juntas agora somam 12% do total regional, contra 8% h\u00e1 uma d\u00e9cada. Lentamente, isso est\u00e1 fechando certas brechas entre as comunidades mais necessitadas e as cidades com maior desenvolvimento energ\u00e9tico. Por\u00e9m, Wheelock diz que, \u201cnas condi\u00e7\u00f5es atuais, se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a de prioridades, duvido que possamos chegar a avan\u00e7ar muito mais do que avan\u00e7amos em energias renov\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas claras, a gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel comunit\u00e1ria foi liderada pela Alian\u00e7a Centro-Americana para a Sustentabilidade Energ\u00e9tica (Accese), formada pela sociedade civil para impulsionar o aproveitamento das fontes de energia renov\u00e1veis de baixa pot\u00eancia e a efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cAs energias renov\u00e1veis resolvem o problema dos sistemas de combust\u00edveis f\u00f3sseis que est\u00e3o baseados em mat\u00e9rias-primas importadas e contaminantes, e ao mesmo tempo facilitam o acesso \u00e0 energia para as pessoas que n\u00e3o a t\u00eam\u201d, ressaltou \u00e0 IPS a coordenadora da Accese, Melina Campo. Para ela, h\u00e1 um amplo potencial que permite aproveitar tanto \u201co car\u00e1ter ambiental da energia renov\u00e1vel quanto o car\u00e1ter humano. Creio que este \u00e9 o o cerne da quest\u00e3o\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 28\/7\/2015 &ndash; Com localiza&ccedil;&atilde;o privilegiada pelas correntes a&eacute;reas e pela radia&ccedil;&atilde;o solar, a Am&eacute;rica Central continua presa &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de energia t&eacute;rmica e hidrel&eacute;trica em grande escala e desperdi&ccedil;a a possibilidade de incluir as comunidades em projetos menos invasivos e mais limpos. 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