{"id":19401,"date":"2015-07-29T13:34:39","date_gmt":"2015-07-29T13:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198132"},"modified":"2015-07-29T13:34:39","modified_gmt":"2015-07-29T13:34:39","slug":"protestos-contra-energia-nuclear","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/07\/ultimas-noticias\/protestos-contra-energia-nuclear\/","title":{"rendered":"Protestos contra energia nuclear"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198167\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/nuclear.jpg\"><img class=\"wp-image-198167\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/nuclear.jpg\" alt=\"Central de energia movida a carv\u00e3o em Middelburg, na \u00c1frica do Sul. Foto: Gerhard Roux\/CC BY-SA 4.0-3.0-2.5-2.0-1.0 \" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Central de energia movida a carv\u00e3o em Middelburg, na \u00c1frica do Sul. Foto: Gerhard Roux\/CC BY-SA 4.0-3.0-2.5-2.0-1.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por Munyaradzi Makoni, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do Cabo, \u00c1frica do Sul, 29\/7\/2015 \u2013 O plano do presidente Jacob Zuma para desenvolver a energia nuclear na \u00c1frica do Sul gerou a oposi\u00e7\u00e3o de um n\u00famero crescente de ativistas, que mant\u00eam vig\u00edlias de protesto em frente ao pr\u00e9dio do Parlamento nesta cidade. Os protestos come\u00e7aram em setembro de 2014, quando Zuma chegou a um acordo com a empresa p\u00fablica russa Rossatom para construir um m\u00e1ximo de oito centrais nucleares, ao custo de US$ 84 bilh\u00f5es para os cofres do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na medida em que as manifesta\u00e7\u00f5es se intensificam, o Instituto Ambiental das Comunidades de F\u00e9 da \u00c1frica Austral (Safcei), uma iniciativa ecum\u00eanica dirigida pelo bispo Geoff Davies, declarou que a pol\u00edtica nuclear do governo sul-africano, al\u00e9m de ser \u201cuma bobagem\u201d, \u00e9 imoral. O Safcei pede que o governo reconsidere essa pol\u00edtica, o repercutiu entre as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que promovem as fontes de energia limpa.<\/p>\n<p>Embora a sociedade civil e o governo de Zuma concordem quanto \u00e0 necessidade urgente de lidar com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, discordam em quest\u00f5es fundamentais, enquanto a \u00c1frica do Sul se prepara para a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que acontecer\u00e1 em Paris no m\u00eas de dezembro.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que deve ser dada maior \u00eanfase \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o. O desenvolvimento da capacidade das comunidades afetadas e vulner\u00e1veis para responder \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica deve ser uma prioridade\u201d, afirmou Liziwe McDaid, assessora para energia do Safcei. Para a mitiga\u00e7\u00e3o, mais energias renov\u00e1veis s\u00e3o essenciais para mudar da energia intensiva em di\u00f3xido de carbono para um futuro sustent\u00e1vel com baixo consumo de carbono, acrescentou.<\/p>\n<p>Como participante do di\u00e1logo denominado Mudan\u00e7a clim\u00e1tica Nacional neste pa\u00eds, McDaid disse que o Safcei \u201cconcorda com o governo em muitas das prioridades expostas no Informe Branco\u201d. Este documento prioriza as respostas \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica com grandes benef\u00edcios para a adapta\u00e7\u00e3o, que impliquem um importante crescimento econ\u00f4mico e gera\u00e7\u00e3o de empregos, e que levem em conta a sa\u00fade p\u00fablica e a gest\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>Entretanto, McDaid destaca que, quando se trata de energia nuclear, o \u201cSafcei n\u00e3o acredita que esta seja a resposta \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, sendo, na verdade, uma distra\u00e7\u00e3o que provavelmente levar\u00e1 o pa\u00eds \u00e0 bancarrota e provocar\u00e1 maior empobrecimento energ\u00e9tico\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, David Hallowes, pesquisador e redator do <em>Slow Poison<\/em>, um informe da organiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica GroundWork sobre a qualidade do ar na \u00c1frica do Sul, considera que n\u00e3o h\u00e1 consenso entre o governo e a sociedade civil com vistas \u00e0 importante confer\u00eancia na capital francesa. A \u00c1frica do Sul n\u00e3o faz o suficiente em mat\u00e9ria de adapta\u00e7\u00e3o, afirmou \u00e0 IPS. \u201cO governo ainda permite que a minera\u00e7\u00e3o e as ind\u00fastrias envenenem a \u00e1gua e a terra em bacias estrat\u00e9gicas e \u00e1reas agr\u00edcolas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Hallowes pontuou que, dessa forma, ser\u00e3o agravadas as consequ\u00eancias dos impactos clim\u00e1ticos. As mesmas f\u00e1bricas e obras que geram a mudan\u00e7a clim\u00e1tica envenenam e matam as pessoas, os animais e as plantas que se encontram no caminho da contamina\u00e7\u00e3o, \u201cpor isso a luta do povo para conseguir um ambiente que n\u00e3o prejudique sua sa\u00fade nem seu bem-estar tamb\u00e9m s\u00e3o lutas clim\u00e1ticas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para este pesquisador, \u201cexistem diferentes pontos de vista sobre o que se pode conseguir com a energia renov\u00e1vel\u201d. Em GroundWork, \u201cn\u00e3o acreditamos que se possa impulsionar um crescimento econ\u00f4mico infinito e, portanto, que seja poss\u00edvel sustentar uma economia capitalista. No curto prazo, se deveria buscar uma redu\u00e7\u00e3o no consumo de energia\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Hallowes tamb\u00e9m expressou seu ponto de vista sobre o programa oficial conhecido como Contrata\u00e7\u00e3o de Produtores Independentes de Energias Renov\u00e1veis, que alguns dizem que demonstra os benef\u00edcios da privatiza\u00e7\u00e3o. \u201cAcreditamos que devemos ter um programa que gere a apropria\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e o controle das energias renov\u00e1veis nos diferentes n\u00edveis da comunidade, do municipal ao nacional. Chamamos isso de soberania energ\u00e9tica. O Sindicato Nacional de Trabalhadores Metal\u00fargicos da \u00c1frica do Sul o chama de propriedade social. \u00c9 o mesmo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A sociedade civil quer o fim dos novos empreendimentos relacionados com o carbono, como as minas ou as centrais el\u00e9tricas, segundo Hallowes. \u201cCreio que todos concordam, mas n\u00e3o querem dizer necessariamente o mesmo. Para alguns, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de postos de trabalho. N\u00f3s pensamos que significa a transforma\u00e7\u00e3o da economia para a igualdade e a liberdade que implica o controle democr\u00e1tico, em lugar do controle plutocr\u00e1tico\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Muna Lakhani, fundador e coordenador nacional do Instituto por Zero Res\u00edduos na \u00c1frica, tamb\u00e9m se preocupa com o fato de o governo n\u00e3o combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica como deveria. \u201cNosso governo \u00e9 muito permissivo na aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, inclusive m\u00ednima, como as autoriza\u00e7\u00f5es de qualidade do ar, os impostos sobre carbono e similares\u201d, afirmou. A sociedade civil est\u00e1 unida em temas importantes, como a negativa aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, maior for\u00e7a \u00e0s energias renov\u00e1veis e a promo\u00e7\u00e3o da resili\u00eancia local, especialmente das comunidades mais pobres e desfavorecidas, observou.<\/p>\n<p>Leluma Matooane, diretor de Ci\u00eancias de Sistemas da Terra, no Departamento de Ci\u00eancia e Tecnologia (DST), disse que o Departamento de Assuntos Ambientais tem a responsabilidade de aplicar a pol\u00edtica de Resposta Nacional \u00e0 Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica. Gra\u00e7as ao Plano de Inova\u00e7\u00e3o do DST, com dura\u00e7\u00e3o de dez anos, \u00e9 dada maior \u00eanfase \u00e0 melhora da compreens\u00e3o cient\u00edfica dos impulsores, impactos e riscos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, bem como \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que o pa\u00eds necessitar\u00e1 para a adapta\u00e7\u00e3o dos setores vulner\u00e1veis da economia e da sociedade em geral, destacou.<\/p>\n<p>Embora as opini\u00f5es possam diferir na forma de enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, Matooane afirmou que o governo habilitou a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o com participa\u00e7\u00e3o tripartite, na qual Estado, setor privado e sociedade civil analisam as poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. As discuss\u00f5es neste espa\u00e7o influem e determinam a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nos f\u00f3runs internacionais, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Munyaradzi Makoni, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 29\/7\/2015 &ndash; O plano do presidente Jacob Zuma para desenvolver a energia nuclear na &Aacute;frica do Sul gerou a oposi&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero crescente de ativistas, que mant&ecirc;m vig&iacute;lias de protesto em frente ao pr&eacute;dio do Parlamento nesta cidade. 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