{"id":19428,"date":"2015-08-04T13:55:20","date_gmt":"2015-08-04T13:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198413"},"modified":"2015-08-04T13:55:20","modified_gmt":"2015-08-04T13:55:20","slug":"incentivo-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/incentivo-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Incentivo para o futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198407\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fome.jpg\"><img class=\"wp-image-198407\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/fome.jpg\" alt=\"A fome est\u00e1 generalizada nos acampamentos de refugiados da \u00cdndia, com magras ra\u00e7\u00f5es de arroz, lentilha, \u00f3leo de cozinha e sal, que n\u00e3o bastam para cobrir as necessidades b\u00e1sicas da maioria das fam\u00edlias. As mulheres s\u00e3o obrigadas a andar longas dist\u00e2ncias em busca de lenha para cozinhar. Foto: Priyanka Borpujari\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A fome est\u00e1 generalizada nos acampamentos de refugiados da \u00cdndia, com magras ra\u00e7\u00f5es de arroz, lentilha, \u00f3leo de cozinha e sal, que n\u00e3o bastam para cobrir as necessidades b\u00e1sicas da maioria das fam\u00edlias. As mulheres s\u00e3o obrigadas a andar longas dist\u00e2ncias em busca de lenha para cozinhar. Foto: Priyanka Borpujari\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Jomo Kwame Sundaram e Michael T. Clark, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 4\/8\/2015 \u2013 O informe anual dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), divulgado em junho, destaca um n\u00famero significativo de \u00eaxitos. Mas n\u00e3o menciona que algumas das metas est\u00e3o abaixo do acordado em destacadas confer\u00eancias internacionais realizadas pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Conseguiu-se reduzir pela metade o n\u00famero de pessoas indigentes bem antes do prazo previsto de 2015, em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices de 1990. Mas uma an\u00e1lise exaustiva revela que os avan\u00e7os foram desiguais entre as regi\u00f5es e os pa\u00edses, pois o r\u00e1pido desenvolvimento da China representa grande parte da redu\u00e7\u00e3o da pobreza mundial.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os na maioria dos outros ODM foram mais limitados. Um crescimento mais lento durante mais de meia d\u00e9cada, maior desigualdade econ\u00f4mica em muitos pa\u00edses e menor investimento social p\u00fablico prejudicaram os \u00eaxitos, apesar do crescimento registrado na renda m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Segundo o Banco Mundial, a pobreza global conforme a paridade de poder aquisitivo de US$ 1,25 por dia caiu, em 2010, para menos da metade da registrada em 1990. O n\u00famero de pessoas que vivem em extrema pobreza diminuiu de 1,9 bilh\u00e3o, em 1990, para 836 milh\u00f5es este ano. Tanto o n\u00famero de pessoas pobres como a propor\u00e7\u00e3o delas diminu\u00edram em todas as regi\u00f5es, inclusive na \u00c1frica subsaariana, onde se registra a maior taxa de pobreza.<\/p>\n<p>J\u00e1 a taxa de fome ou preval\u00eancia de pessoas subalimentadas (com ingest\u00e3o energ\u00e9tica inadequada) diminuiu menos da metade, de 23,3%, em 1991, para 12,9%, em 2014. Estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) indicam que 780 milh\u00f5es de pessoas passaram fome nos pa\u00edses em desenvolvimento no ano passado, abaixo dos 991 milh\u00f5es registrados em 1991. Mas n\u00e3o se chegou ao ambicioso objetivo da C\u00fapula Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, organizada pela ONU em 1996, de reduzir pela metade at\u00e9 2015 o n\u00famero de pessoas que passam fome.<\/p>\n<p>Paralelamente, a diminui\u00e7\u00e3o do atraso no crescimento infantil, uma medida da m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias de longo prazo, foi mais modesta ainda. A maioria das regi\u00f5es registrou avan\u00e7os desiguais, mas na \u00c1frica subsaariana, de fato, o n\u00famero de meninas e meninos com atraso no crescimento aumentou um ter\u00e7o entre 1990 e 2013.<\/p>\n<p>Como a pobreza foi definida originalmente pela renda necess\u00e1ria para cobrir as necessidades b\u00e1sicas, que incluem os alimentos, \u00e9 dif\u00edcil compreender como a renda pode aumentar o grau de redu\u00e7\u00e3o da pobreza em mais da metade, enquanto o impacto sobre a nutri\u00e7\u00e3o foi muito menor.<\/p>\n<p>Algo semelhante ocorreu com o desemprego. A propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores n\u00e3o remunerados nas fam\u00edlias e aut\u00f4nomos na for\u00e7a de trabalho dos pa\u00edses em desenvolvimento diminuiu para 45%, em 2015, com rela\u00e7\u00e3o aos 55% de 1991. Mas as pessoas nessa categoria aumentaram quase 200 milh\u00f5es desde esse ano. E quase metade dos empregados de todo o mundo trabalham em condi\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis; e as mulheres e os jovens t\u00eam maiores probabilidades de ocupar postos inseguros e mal remunerados.<\/p>\n<p>Desde 1990, 2,1 bilh\u00f5es de pessoas tiveram acesso a melhores condi\u00e7\u00f5es de saneamento. Mas a propor\u00e7\u00e3o das que defecam ao ar livre est\u00e1 bem abaixo da meta de reduzir em 75% as pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o, o que coloca em risco a sa\u00fade e a alimenta\u00e7\u00e3o de muitas mais, especialmente de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A meta de reduzir pela metade a popula\u00e7\u00e3o sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel foi atingida em 2010; as pessoas com fontes melhoradas aumentaram de 76%, em 1990, para 91%, em 2015. A propor\u00e7\u00e3o de pessoas em assentamentos prec\u00e1rios diminuiu de 46%, em 2000, para 30%, em 2014, mas o n\u00famero dos que vivem nessas condi\u00e7\u00f5es aumentou mais de 25%, de 689 milh\u00f5es, em 1990, para 881 milh\u00f5es, no ano passado.<\/p>\n<p>A mortalidade materna diminuiu quase pela metade desde 1990, mas esteve abaixo da meta de redu\u00e7\u00e3o de 75%. S\u00f3 metade dos pa\u00edses conta com dados sobre as causas das mortes de mulheres relacionadas com gravidez, parto e p\u00f3s-parto. Mais de 71% dos nascimentos registrados no mundo em 2014 contaram com aten\u00e7\u00e3o de pessoal m\u00e9dico qualificado, acima dos 59% registrados em 1990. Nos pa\u00edses em desenvolvimento apenas 56% dos nascimentos rurais tiveram assist\u00eancia de profissionais capacitados, bem pouco comparado com a propor\u00e7\u00e3o de 87% em contextos urbanos.<\/p>\n<p>Em escala mundial, a mortalidade infantil diminuiu mais da metade, de 90 para 43 em cada mil nascidos vivos, entre 1990 e 2015. Mas cerca de 16 mil menores de cinco anos continuam morrendo diariamente este ano, a maioria por causas evit\u00e1veis. A preven\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico e o tratamento da tuberculose permitiram salvar cerca de 37 milh\u00f5es de vidas entre 2000 e 2013.<\/p>\n<p>O aumento de interven\u00e7\u00f5es impediu 6,2 milh\u00f5es de mortes por mal\u00e1ria entre 2000 e 2015, especialmente de menores de cinco anos na \u00c1frica subsaariana. As novas infec\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus HIV, causador da aids, diminu\u00edram 40% entre 2000 e 2013, de aproximadamente 3,5 milh\u00f5es para 2,1 milh\u00f5es de pessoas. Em meados do ano passado, 13,6 milh\u00f5es de pessoas com HIV recebiam antirretrovirais em todo o mundo, bem acima das 800 mil registradas em 2003.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de alfabetizados entre 15 e 24 anos aumentou em todo o mundo. A matr\u00edcula no ensino prim\u00e1rio nos pa\u00edses em desenvolvimento chegou a 91% em 2015, acima dos 83% de 2000. H\u00e1 muitos mais menores escolarizados, reduzindo-se rapidamente a diferen\u00e7a entre meninos e meninas.<\/p>\n<p>Os estudantes n\u00e3o institucionalizados diminu\u00edram pelo menos em 50% em todo o mundo, de 100 milh\u00f5es, em 2000, para 57 milh\u00f5es em 2015. J\u00e1 o n\u00famero de meninos e meninas na escola prim\u00e1ria na \u00c1frica subsaariana aumentou mais que o dobro entre 1990 e 2012, passando de 62 milh\u00f5es para 149 milh\u00f5es. Nos pa\u00edses em desenvolvimento, meninos e meninas de fam\u00edlias mais pobres t\u00eam quatro vezes mais probabilidades de n\u00e3o ir \u00e0 escola do que os mais ricos.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sobreviv\u00eancia e a outros assuntos, o \u00eaxito de maiores avan\u00e7os exigir\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o concertada das desigualdades socioecon\u00f4micas. Como faltam cinco meses para vencer o prazo para alcan\u00e7ar os oito ODM, h\u00e1 metas que ainda podem ser atingidas. Mas ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer muito mais para alcan\u00e7ar os objetivos de nutri\u00e7\u00e3o, sa\u00fade p\u00fablica, saneamento, igualdade de g\u00eanero, infraestrutura, sustentabilidade de recursos, bem como mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Desde a confer\u00eancia Rio+20, em junho de 2012, come\u00e7ou a tomar forma uma nova agenda para definir novos objetivos e novas metas para depois de 2015. O novo enfoque d\u00e1 maior import\u00e2ncia a quest\u00f5es de sustentabilidade ambiental e escassez de recursos. Em meados de 2014 foram acordados 17 objetivos e 169 metas.<\/p>\n<p>Mas, como prova a Confer\u00eancia sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizada este m\u00eas em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir progressos significativos nos \u201cmeios de implanta\u00e7\u00e3o\u201d para concretizar os objetivos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jomo Kwame Sundaram e Michael T. Clark, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 4\/8\/2015 &ndash; O informe anual dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM), divulgado em junho, destaca um n&uacute;mero significativo de &ecirc;xitos. 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