{"id":19438,"date":"2015-08-06T12:57:06","date_gmt":"2015-08-06T12:57:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198487"},"modified":"2015-08-06T12:57:06","modified_gmt":"2015-08-06T12:57:06","slug":"trilhoes-para-a-agenda-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/trilhoes-para-a-agenda-sustentavel\/","title":{"rendered":"Trilh\u00f5es para a agenda sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198488\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/thalif-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-198488\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/thalif-629x420.jpg\" alt=\"Macharia Kamau, representante permanente do Qu\u00eania junto \u00e0 ONU, durante uma entrevista coletiva ap\u00f3s ser adotada a agenda de desenvolvimento p\u00f3s-2015. Foto: Mark Garten\/ONU\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Macharia Kamau, representante permanente do Qu\u00eania junto \u00e0 ONU, durante uma entrevista coletiva ap\u00f3s ser adotada a agenda de desenvolvimento p\u00f3s-2015. Foto: Mark Garten\/ONU<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 6\/8\/2015 \u2013 Ap\u00f3s mais de dois anos de intensas negocia\u00e7\u00f5es, os 193 Estados membros da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) acordaram por unanimidade a Agenda de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, com 17 objetivos, que incluem a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza extrema e da fome e que devem ser alcan\u00e7ados at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Em entrevista coletiva concedida no dia 3, o representante permanente do Qu\u00eania, Macharia Kamau, um dos facilitadores do processo consultivo intergovernamental, informou que a implanta\u00e7\u00e3o da agenda poder\u00e1 custar a bagatela de US$ 3,5 trilh\u00f5es a US$ 5 trilh\u00f5es por ano. E acrescentou que esse valor parece astron\u00f4mico, comparado com as centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares (n\u00e3o trilh\u00f5es) que a ONU requereu tradicionalmente para ajuda ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00c9 uma meta \u201cambiciosa, mas n\u00e3o inating\u00edvel\u201d, afirmou Kamau, e poderia ser coberta com recursos internos, tanto p\u00fablicos quanto privados. \u201cTodos os pa\u00edses t\u00eam de estar \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias, afirmou, acrescentando que \u00e9 imperativo que o setor empresarial participe.<\/p>\n<p>De todo modo, o subsecret\u00e1rio-geral de Assuntos Econ\u00f4micos e Sociais da ONU, Wu Hongbo, da China, se mostrou mais cauteloso quando afirmou aos jornalistas que \u201cser\u00e1 muito dif\u00edcil dar cifras espec\u00edficas\u201d. Espera-se que os 193 Estados membros das Na\u00e7\u00f5es Unidas mobilizem recursos internos para ajudar a cumprir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), acrescentou. Esses s\u00e3o os sucessores dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), que foram aprovados pela Assembleia Geral em setembro de 2000 e cujo prazo vencer\u00e1 em dezembro deste ano.<\/p>\n<p>As novas metas, que ser\u00e3o parte da agenda de desenvolvimento p\u00f3s-2015 da ONU e dever\u00e3o ser aprovadas em uma c\u00fapula de l\u00edderes mundiais que acontecer\u00e1 entre os dias 25 e 27 de setembro, cobrem uma ampla gama de assuntos pol\u00edticos e socioecon\u00f4micos. Entre eles se destacam pobreza, fome, igualdade de g\u00eanero, industrializa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento sustent\u00e1vel, pleno emprego, direitos humanos, educa\u00e7\u00e3o de qualidade, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e energia sustent\u00e1vel para todos.<\/p>\n<p>Jean Martens, diretor do Global Policy Forum, com sede em Bonn, na Alemanha, acompanha de perto as negocia\u00e7\u00f5es, e disse \u00e0 IPS que a nova Agenda de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel \u00e9 o resultado de um doloroso processo de cria\u00e7\u00e3o de consenso. \u201cA nova agenda \u00e9 \u00fanica, pois \u00e9 universal e cont\u00e9m objetivos e responsabilidades para todos os pa\u00edses do mundo, inclu\u00eddos os ricos e poderosos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Martens destacou que a Agenda aborda as crescentes desigualdades dentro dos pa\u00edses e entre eles, bem como as enormes disparidades de oportunidades, riqueza e poder. Alguns dos novos ODS s\u00e3o muito ambiciosos. Por exemplo, o primeiro, que prop\u00f5e a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza em todas suas formas e em todas as partes. Por\u00e9m, a Agenda \u00e9 muito menos ambiciosa no tocante aos meios de implanta\u00e7\u00e3o, alertou o diretor do Global Policy.<\/p>\n<p>\u201cA implanta\u00e7\u00e3o dos ODS exigir\u00e1 mudan\u00e7as fundamentais na pol\u00edtica fiscal, na regula\u00e7\u00e3o e na governan\u00e7a mundial. Mas o que encontramos na nova Agenda \u00e9 vago e, por isso, n\u00e3o basta para disparar a proclamada mudan\u00e7a transformacional. Mas objetivos sem meios suficientes n\u00e3o t\u00eam nenhum sentido\u201d, ressaltou Martens.<\/p>\n<p>Bhumika Muchhala, analista de pol\u00edticas, finan\u00e7as e desenvolvimento na Rede do Terceiro Mundo, apontou \u00e0 IPS que os ODS s\u00e3o muito mais ambiciosos do que as Metas do Mil\u00eanio, mas que boa parte desse dinheiro vir\u00e1 de duas fontes estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>De um lado, fundos privados, por meio das associa\u00e7\u00f5es que a ONU consagra no ODS 17, bem como v\u00e1rios outros processos, como a Iniciativa de Energia Sustent\u00e1vel para Todos ou o Mecanismo Global de Financiamento. E, por outro, fundos internos, obtidos diretamente dos cofres dos pa\u00edses do Sul em desenvolvimento, por n\u00e3o haver compromissos de aportes internacionais.<\/p>\n<p>Segundo Muchhala, a flagrante aus\u00eancia de um processo intergovernamental ou modelo de governan\u00e7a em torno desse tipo de associa\u00e7\u00f5es de m\u00faltiplos atores as deixa vulner\u00e1veis na falta de responsabilidade e transpar\u00eancia, bem como de rigor em avalia\u00e7\u00f5es independentes e outros processos de monitoramento por terceiros.<\/p>\n<p>Shannon Kowalski, da Coaliz\u00e3o Internacional pela Sa\u00fade das Mulheres, opinou \u00e0 IPS que os ODS s\u00e3o um importante passo adiante, especialmente para mulheres e meninas. Com esse novo contexto, se gera o potencial para realmente mudar as regras do jogo e promover a igualdade de g\u00eanero, que se reconhece como absolutamente essencial para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, acrescentou. \u201cAs mulheres e as meninas de todas as partes t\u00eam muito a ganhar com os ODS. Mas, para que isso seja realidade, temos que continuar pressionando os governos para que cumpram seus compromissos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Ian Koski, porta-voz da ONE Campaign, observou que os novos objetivos mundiais s\u00e3o um marco no esfor\u00e7o para acabar com a indig\u00eancia. \u201cO monitoramento desses objetivos dever\u00e1 centrar-se particularmente na responsabilidade, apoiada por investimentos na coleta de dados e em seu uso, para que os cidad\u00e3os tenham a informa\u00e7\u00e3o que precisam para garantir que os l\u00edderes cumpram suas promessas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, a nova agenda de desenvolvimento \u201cacompanha uma agenda universal, transformadora e integrada, que anuncia um hist\u00f3rico ponto de inflex\u00e3o para nosso mundo. Esta \u00e9 a Agenda do Povo, um plano de a\u00e7\u00e3o para acabar com a pobreza em todas suas dimens\u00f5es, irreversivelmente, em todas as partes e sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s. Busca garantir a paz e a prosperidade, e forjar associa\u00e7\u00f5es que tenham como n\u00facleo as pessoas e o planeta\u201d.<\/p>\n<p>Deon Nel, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), disse: \u201cFelicitamos os negociadores por sua ousada a\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma medida essencial para a realiza\u00e7\u00e3o de nosso sonho de dar forma a um mundo onde as pessoas, o planeta e a prosperidade se unam\u201d. Para ele, o novo plano de desenvolvimento representa uma melhora significativa em compara\u00e7\u00e3o com as Metas do Mil\u00eanio, pois reconhece a complexa rela\u00e7\u00e3o entre a sustentabilidade dos servi\u00e7os do ecossistema, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, o desenvolvimento econ\u00f4mico e o bem-estar humano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 6\/8\/2015 &ndash; Ap&oacute;s mais de dois anos de intensas negocia&ccedil;&otilde;es, os 193 Estados membros da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) acordaram por unanimidade a Agenda de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, com 17 objetivos, que incluem a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza extrema e da fome e que devem ser alcan&ccedil;ados at&eacute; 2030. 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