{"id":19450,"date":"2015-08-07T12:54:41","date_gmt":"2015-08-07T12:54:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198569"},"modified":"2015-08-07T12:54:41","modified_gmt":"2015-08-07T12:54:41","slug":"meninas-em-risco-de-mutilacao-genital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/meninas-em-risco-de-mutilacao-genital\/","title":{"rendered":"Meninas em risco de mutila\u00e7\u00e3o genital"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198570\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheres1.jpg\"><img class=\"wp-image-198570\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheres1.jpg\" alt=\"A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 um tema tabu em muitas culturas. Foto: Travis Lupick\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A mutila\u00e7\u00e3o genital feminina \u00e9 um tema tabu em muitas culturas. Foto: Travis Lupick\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Kitty Satpp, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 7\/8\/2015 \u2013 Jaha Dukureh sofreu na pr\u00f3pria carne os efeitos atrozes da mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. Ela, que agora vive nos Estados Unidos, sofreu essa pr\u00e1tica quando era beb\u00ea. Sua irm\u00e3 morreu de sangramento ap\u00f3s ser submetida a esse mesmo procedimento. O que fizeram a Dakureh se chama infibula\u00e7\u00e3o: extirpa-se o clit\u00f3ris e os l\u00e1bios vaginais e sela-se a vagina para garantir que a menina chegue virgem ao casamento.<\/p>\n<p>Antes da visita do presidente norte-americano, Barack Obama, \u00e0 \u00c1frica, entre os dias 24 e 28 de julho, Dakureh, que hoje \u00e9 uma ardorosa ativista contra a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, pediu ao mandat\u00e1rio que \u201cdesempenhasse um papel hist\u00f3rico na luta\u201d para eliminar esse flagelo. \u201cEmbora as origens da mutila\u00e7\u00e3o genital feminina sejam antigas e anteriores \u00e0 religi\u00e3o organizada, h\u00e1 uma coisa sobre a qual temos certeza: seu prop\u00f3sito \u00e9 controlar a sexualidade feminina e reduzir a humanidade das mulheres\u201d, escreveu em um poderoso artigo para o jornal brit\u00e2nico <em>The Guardian<\/em>.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 15 anos, a quantidade de mulheres e meninas em risco de serem submetidas a essa pr\u00e1tica nos Estados Unidos mais do que duplicou, alertam organiza\u00e7\u00f5es de ativistas, pedindo medidas mais en\u00e9rgicas para impedir essa viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Dados do Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia Populacional, uma organiza\u00e7\u00e3o independente com sede em Washington, indicam que 506.795 meninas e mulheres nos Estados Unidos foram submetidas a essa opera\u00e7\u00e3o ou correm o risco de sofrerem esse procedimento.<\/p>\n<p>Entre as dez principais \u00e1reas metropolitanas onde mulheres e meninas correm maior risco de sofrer mutila\u00e7\u00e3o genital figuram Nova York, Washington, Minneapolis-Saint Paul.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que esse assunto deixe de ser tabu\u201d, afirmou \u00e0 IPS Paula Kweskin, advogada especialista em direitos humanos que produziu o document\u00e1rio <em>Honor Diaries <\/em>(Di\u00e1rios de Honra), que aborda o problema da abla\u00e7\u00e3o feminina. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio que se debata em todos os n\u00edveis, para que possa ser abordado e erradicado. Quando \u00e9 varrido para debaixo do tapete, mulheres e meninas s\u00e3o novamente v\u00edtimas pelo sil\u00eancio e pela falta de a\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo Kweskin, \u201cpol\u00edticos, m\u00e9dicos, policiais, professores e l\u00edderes comunit\u00e1rios, todos t\u00eam um papel a cumprir para garantir que as meninas possam receber a ajuda que necessitam e merecem. N\u00e3o h\u00e1 desculpas para esse tipo de abuso\u201d. O Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia Populacional afirma que essa pr\u00e1tica, que significa a remo\u00e7\u00e3o parcial ou total dos genitais externos de meninas e mulheres por motivos religiosos, culturais ou outros, n\u00e3o m\u00e9dicos, tem devastadores efeitos sociais e na sa\u00fade, tanto imediatos quanto no longo prazo, especialmente os relacionados ao parto.<\/p>\n<p>A maioria das meninas em risco vive na \u00c1frica subsaariana. Em Djibuti, Guin\u00e9 e Som\u00e1lia, por exemplo, nove em cada dez adolescentes entre 15 e 19 anos sofreram mutila\u00e7\u00e3o genital. Mas a pr\u00e1tica n\u00e3o se limita aos pa\u00edses em desenvolvimento. Um informe, divulgado em julho pela Universidade da Cidade de Londres e pela organiza\u00e7\u00e3o Igualdade Agora, estima que 137 mil mulheres e meninas sofreram a abla\u00e7\u00e3o na Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, segundo o Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia, os esfor\u00e7os para impedir que as fam\u00edlias enviem suas filhas para o exterior a fim de se submeterem a essa tradi\u00e7\u00e3o (conhecido com \u201ccorte de f\u00e9rias\u201d) dispararam a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei em 2013 que torna ilegal transportar uma menina para fora do pa\u00eds sabendo que a finalidade da viagem \u00e9 mutilar seus genitais.<\/p>\n<p>\u201cPedimos urg\u00eancia aos Estados Unidos no sentido de divulgar uma atualiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre seus planos para garantir que todos os esfor\u00e7os para erradicar a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina sejam sustent\u00e1veis e apoiados com financiamento, e incentivar os esfor\u00e7os do Estado para isso nos \u00e2mbitos locais\u201d, disse no m\u00eas passado a diretora de pol\u00edticas da Igualdade Agora, Shelby Quast.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o norte-americana \u201cn\u00e3o quer pensar que isso acontece aqui. Mas suas filhas podem estar sentadas ao lado de uma melhor amiga que pode estar em risco de sofrer um procedimento cultural violento\u201d, afirmou a R\u00e1dio Nacional P\u00fablica. \u201cSe cortassem o nariz ou a orelha \u2013 algo que todos pudessem ver \u2013 a resposta seria outra. N\u00e3o podemos continuar escondendo isto\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Congresso dos Estados Unidos j\u00e1 havia aprovado, em 1996, uma lei que torna ilegal praticar mutila\u00e7\u00f5es genitais femininas, e 23 Estados possuem leis contra esse costume, que aumentou em parte pela maior imigra\u00e7\u00e3o de pa\u00edses onde \u00e9 prevalente, especialmente no norte da \u00c1frica e na regi\u00e3o subsaariana.<\/p>\n<p>Segundo o Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o africana nascida fora do continente mais do que duplicou entre 2000 e 2013, passando para 1,8 milh\u00e3o. Apenas tr\u00eas pa\u00edses de origem (Egito, Eti\u00f3pia e Som\u00e1lia) representaram, em 2013, 55% de todas as mulheres e meninas norte-americanas em risco.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma pr\u00e1tica b\u00e1rbara e completamente desnecess\u00e1ria, que causa danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos devastadores em incont\u00e1veis meninas e mulheres nos Estados Unidos e em pa\u00edses de todo o mundo\u201d, disse Raheel Raza, a presidente do Conselho para os Mu\u00e7ulmanos que Enfrentam o Amanh\u00e3. Esta ativista pelos direitos humanos \u00e9 uma das mulheres mu\u00e7ulmanas que aparecem no document\u00e1rio <em>Honor Diaries<\/em>, que rompe o sil\u00eancio sobre a mutila\u00e7\u00e3o genital e outros abusos contra mulheres e meninas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Kitty Satpp, da IPS &ndash;&nbsp; Nova York, Estados Unidos, 7\/8\/2015 &ndash; Jaha Dukureh sofreu na pr&oacute;pria carne os efeitos atrozes da mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Ela, que agora vive nos Estados Unidos, sofreu essa pr&aacute;tica quando era beb&ecirc;. Sua irm&atilde; morreu de sangramento ap&oacute;s ser submetida a esse mesmo procedimento. 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