{"id":19473,"date":"2015-08-11T13:53:42","date_gmt":"2015-08-11T13:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198632"},"modified":"2015-08-11T13:53:42","modified_gmt":"2015-08-11T13:53:42","slug":"potencial-para-mais-infraestrutura-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/potencial-para-mais-infraestrutura-verde\/","title":{"rendered":"Potencial para mais infraestrutura verde"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198633\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/eolica.jpg\"><img class=\"wp-image-198633\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/eolica.jpg\" alt=\"Um dos 31 parques e\u00f3licos em opera\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico. At\u00e9 2020, a capacidade instalada dessa energia renov\u00e1vel ser\u00e1 de 15 mil megawatts no pa\u00eds. Foto: Cortesia de Dforcesolar\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um dos 31 parques e\u00f3licos em opera\u00e7\u00e3o no M\u00e9xico. At\u00e9 2020, a capacidade instalada dessa energia renov\u00e1vel ser\u00e1 de 15 mil megawatts no pa\u00eds. Foto: Cortesia de Dforcesolar<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 11\/8\/2015 \u2013 Diante do desafio de ajustar sua infraestrutura energ\u00e9tica para conseguir duplicar a oferta el\u00e9trica at\u00e9 2050 e ao mesmo tempo reduzir suas emiss\u00f5es de gases-estufa (GEE), a Am\u00e9rica Latina tem apenas uma sa\u00edda: a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica verde. Diversos estudos sugerem que essa meta dupla est\u00e1 ao alcance dos pa\u00edses latino-americanos, pois suas fontes renov\u00e1veis ainda t\u00eam um enorme potencial n\u00e3o aproveitado.<\/p>\n<p>Junto ao transporte e \u00e0 mudan\u00e7a de uso do solo, a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade \u00e9 um dos desafios regionais n\u00e3o resolvidos na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Atualmente, a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica latino-americana \u00e9 a mais verde entre as regi\u00f5es do planeta, um marco impulsionado por sua hist\u00f3rica aposta na hidroeletricidade. Mas o grande desafio \u00e9 manter esse ritmo diante da demanda interna crescente.<\/p>\n<p>\u201cQuando se olha o conjunto, a infraestrutura regional continua fazendo como no s\u00e9culo 20, tendo requerimentos e cen\u00e1rios para o s\u00e9culo 21 totalmente diferentes\u201d, disse \u00e0 IPS o mexicano Joseluis Samaniego, diretor da Divis\u00e3o de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Assentamentos Humanos da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). A eletricidade \u00e9 fundamental no projeto das contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC), a s\u00e9rie de compromissos que cada na\u00e7\u00e3o se autoimpor\u00e1 para reduzir suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e outros GEE.<\/p>\n<p>O estudo <em>Repensemos Nosso Futuro Energ\u00e9tico<\/em>, elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), afirma que a regi\u00e3o vai precisar duplicar a capacidade de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica at\u00e9 2050. Mas utilizar combust\u00edveis f\u00f3sseis como petr\u00f3leo, carv\u00e3o ou g\u00e1s natural, gera gases-estufa que causam o aquecimento global. Isso leva \u00e1 pergunta sobre que tipo de infraestrutura a Am\u00e9rica Latina incluir\u00e1 em seu futuro energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Segundo o estudo do BID, a capacidade de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel latino-americana (e\u00f3lica, solar, hidrel\u00e9trica, geot\u00e9rmica, biomassa) \u00e9 t\u00e3o extensa que s\u00f3 precisaria de 4% do potencial t\u00e9cnico total dispon\u00edvel para atender as necessidades at\u00e9 2050. Entretanto, durante os \u00faltimos anos, a regi\u00e3o investiu em gera\u00e7\u00e3o mais suja. Embora por d\u00e9cadas a hidrel\u00e9trica tenha liderado a matriz energ\u00e9tica da regi\u00e3o, os dados mais recentes mostram que perdeu protagonismo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Energia (Olade) representava apenas 38% em 2013, deslocada pelo g\u00e1s natural, que agora representa 40%. Os pa\u00edses latino-americanos dever\u00e3o reverter esse processo se querem propor metas ambiciosas e realistas em seus INDC. Apenas uma pol\u00edtica energ\u00e9tica forte permitir\u00e1 propor compromissos adequados, afirmam especialistas. At\u00e9 o momento, somente o M\u00e9xico apresentou formalmente os seus, enquanto Chile, Col\u00f4mbia e Peru mostraram progressos.<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses dever\u00e3o apresentar seus compromissos nacionais antes de 1\u00ba de outubro, para serem incorporados ao novo tratado universal e vinculante que ser\u00e1 aprovado em dezembro, na c\u00fapula sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica que acontecer\u00e1 em Paris, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_198634\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-198634\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\" alt=\"Parte da barreira de concreto da represa da hidrel\u00e9trica binacional de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai. \u00c9 a segunda central do mundo em pot\u00eancia instalada, atr\u00e1s da de Tr\u00eas Gargantas, na China. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte da barreira de concreto da represa da hidrel\u00e9trica binacional de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai. \u00c9 a segunda central do mundo em pot\u00eancia instalada, atr\u00e1s da de Tr\u00eas Gargantas, na China. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina, bem como o resto do mundo, deve se focar em desenvolver infraestrutura el\u00e9trica com fontes renov\u00e1veis e com o menor impacto ambiental poss\u00edvel, procurando depender cada vez menos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, apontou \u00e0 IPS o engenheiro colombiano Santiago Ortega, especializado em fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ortega, tamb\u00e9m professor da colombiana Escola de Engenharia de Antioquia, acrescentou que a gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel deve fazer um balan\u00e7o entre projetos locais que sejam menos invasivos e megaprojetos como as represas que permitem o armazenamento de energia, o que os torna confi\u00e1veis. \u201cOs recursos financeiros sempre ser\u00e3o escassos, e \u00e9 necess\u00e1rio investi-los da forma mais inteligente poss\u00edvel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>De outro modo, o futuro energ\u00e9tico mundial ser\u00e1 caro. Se a economia mantiver seu alto consumo de carbono, o investimento necess\u00e1rio durante os pr\u00f3ximos 15 anos \u201cdever\u00e1 estar em cerca de US$ 90 trilh\u00f5es, ou uma m\u00e9dia de US$ 6 trilh\u00f5es por ano\u201d, segundo o documento <em>Melhor Economia, Melhor Clima<\/em>, do projeto da Nova Economia da China.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o informe tamb\u00e9m ressalta que, ao incluir fontes renov\u00e1veis e fazer cidades mais compactas, \u201ca necessidade de investimento em infraestrutura de baixo consumo de carbono aumentar\u00e1 em apenas cerca de US$ 270 bilh\u00f5es ao ano\u201d em n\u00edvel mundial. Por isso, especialistas como a economista costarriquenha M\u00f3nica Araya afirmam que \u201co giro em gesta\u00e7\u00e3o no mundo, e n\u00f3s n\u00e3o seremos a exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 para a diversifica\u00e7\u00e3o (limpa) e a descentraliza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a matriz el\u00e9trica comp\u00f5e apenas uma parte da grande matriz energ\u00e9tica da regi\u00e3o, onde os combust\u00edveis f\u00f3sseis ainda reinam soberanos. Dados de 2013 da Olade indicam que o petr\u00f3leo representar\u00e1 49% como fonte de energia prim\u00e1ria na estrutura regional, o g\u00e1s natural 26% e o carv\u00e3o 7%. Apenas 6% do total da energia prim\u00e1ria \u00e9 de hidrel\u00e9trica. A biomassa, a nuclear e outras fontes renov\u00e1veis minorit\u00e1rias completam o panorama.<\/p>\n<p>O que a Am\u00e9rica Latina faz com esses 80% de combust\u00edveis f\u00f3sseis se tem uma eletricidade relativamente verde? Segundo o argentino Pablo Bertinat, diretor do Observat\u00f3rio de Energia e Sustentabilidade, da Universidade Tecnol\u00f3gica Nacional, quase metade dessa energia vai para o setor de transporte. \u201cEm transporte \u00e9 chave a infraestrutura\u201d, afirmou Bertinat \u00e0 IPS. \u201cGrande parte do dinheiro p\u00fablico da regi\u00e3o est\u00e1 colocada nas obras de infraestrutura que em grande medida buscam consolidar modos de transportes intensivos em energia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Bertinat apontou, como exemplo, que, enquanto a Argentina transporta 75% de sua carga por caminh\u00f5es, pa\u00edses como Fran\u00e7a ou Estados Unidos s\u00f3 movimentou por esse meio 20%, priorizando vias fluviais e f\u00e9rreas.<\/p>\n<p>As cidades tamb\u00e9m precisam mudar seus modelos e a costarriquenha Araya aposta em um transporte p\u00fablico coletivo que seja ao mesmo tempo moderno e limpo, eletrificando as frotas privadas, como t\u00e1xis e ve\u00edculos de carga. \u201cNos falta imagina\u00e7\u00e3o. Nem a classe pol\u00edtica nem a empresarial despertaram para a necessidade de se investir em transporte p\u00fablico e de carga que seja limpo, moderno e digno\u201d, ressaltou \u00e0 IPS essa especialista que lidera a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Nivela.<\/p>\n<p>Todos esses esfor\u00e7os no setor energ\u00e9tico tamb\u00e9m exigir\u00e3o propostas em outros campos. A principal fonte regional de gases-estufa \u00e9 o uso da terra e a silvicultura (47%), seguida da energia (22%), agricultura (20%), e dos res\u00edduos (3%).<\/p>\n<p><strong>Potencial limpo n\u00e3o aproveitado<\/strong><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina s\u00f3 utiliza 22% de seu potencial dispon\u00edvel de hidroenergia. No futuro, os pa\u00edses da regi\u00e3o precisar\u00e3o incluir mais o potencial dos rios e de outras fontes limpas para tornar sustent\u00e1vel e diversificada sua matriz energ\u00e9tica, afirmam especialistas. Um estudo publicado em 2008 pela REN21, uma rede mundial de pol\u00edticas p\u00fablicas sobre energias renov\u00e1veis, afirma que essa riqueza hidroenerg\u00e9tica poderia ser ofuscada por outras fontes na regi\u00e3o, como a solar e a e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Em conjunto, seus pa\u00edses t\u00eam um potencial hidrel\u00e9trico de 2,8 PWh (petawatts por hora, ou 10<sup>15<\/sup> watts), superado pela geot\u00e9rmica (quase 3 PWh), e\u00f3lica terrestre (11 PWh) e solar fotovoltaica (cerca de 31 PWh). Esse potencial resulta gigantesco se comparado com a demanda regional. Em 2014, os pa\u00edses latino-americanos consumiram no total 1,3 PWh de eletricidade e os especialistas esperam que a demanda n\u00e3o supere os 3,5 PWh at\u00e9 2050. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 11\/8\/2015 &ndash; Diante do desafio de ajustar sua infraestrutura energ&eacute;tica para conseguir duplicar a oferta el&eacute;trica at&eacute; 2050 e ao mesmo tempo reduzir suas emiss&otilde;es de gases-estufa (GEE), a Am&eacute;rica Latina tem apenas uma sa&iacute;da: a gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica verde. 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