{"id":19479,"date":"2015-08-10T13:40:35","date_gmt":"2015-08-10T13:40:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198624"},"modified":"2015-08-10T13:40:35","modified_gmt":"2015-08-10T13:40:35","slug":"selo-para-a-agricultura-familiar-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/selo-para-a-agricultura-familiar-argentina\/","title":{"rendered":"Selo para a agricultura familiar argentina"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198626\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mercado.jpg\"><img class=\"wp-image-198626\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mercado.jpg\" alt=\"Um box do Mercado de Economia Solid\u00e1ria Bonpland, no bairro Palermo Hollywood, em Buenos Aires. Vendedores e consumidores dessa iniciativa poder\u00e3o se beneficiar com o selo argentino Produzido pela Agricultura Familiar. Foto: Fabiana Frayssinet\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um box do Mercado de Economia Solid\u00e1ria Bonpland, no bairro Palermo Hollywood, em Buenos Aires. Vendedores e consumidores dessa iniciativa poder\u00e3o se beneficiar com o selo argentino Produzido pela Agricultura Familiar. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 10\/8\/2015 \u2013 Pode cair um dil\u00favio na capital da Argentina, mas os consumidores argentinos n\u00e3o deixam de ir ao Mercado de Economia Solid\u00e1ria Bonpland, onde alguns agricultores familiares vendem seus produtos. Agora o governo decidiu lhes conceder um selo para identificar e fortalecer esse setor fundamental como fornecedor de alimentos.<\/p>\n<p>Norma Ara\u00fajo, seu marido e seu filho chegam atrasados ao mercado, no bairro Palermo Hollywood, porque a forte chuva havia transformado em lama os caminhos de terra onde t\u00eam sua horta, no munic\u00edpio de Florencio Varela, a 38 quil\u00f4metros de Buenos Aires. Acomodam rapidamente as frutas e verduras enquanto chegam os primeiros clientes ao velho galp\u00e3o, fechado como mercado comercial devido \u00e0 crise econ\u00f4mica de 2001.<\/p>\n<p>Agora, 25 <em>boxes<\/em> oferecem produtos de organiza\u00e7\u00f5es sociais, ind\u00edgenas e camponesas, realizados \u201csem trabalho escravo\u201d e sob as normas do \u201ccom\u00e9rcio justo\u201d. \u201cA qualidade das nossas verduras \u00e9 totalmente natural. N\u00e3o tem nada de agrot\u00f3xico\u201d, contou Araujo \u00e0 IPS. Ela integra a Cooperativa de Produtores Familiares de Florencio Varela, que tamb\u00e9m vende frangos, ovos, coelhos e leit\u00f5es.<\/p>\n<p>Em frente ao ponto de Araujo, Anal\u00eda Alvarado oferece mel, doces caseiros, queijos, sementes nutritivas, cereais, sucos naturais, \u00f3leo de oliva, p\u00e3o integral, erva mate org\u00e2nica e l\u00e1cteos. \u201cA ideia \u00e9 dar possibilidade a pequenos produtores, e aqui temos de todo o pa\u00eds, que de outra maneira n\u00e3o teriam como vender seus produtos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Pesca deu mais um passo nessa dire\u00e7\u00e3o, com a cria\u00e7\u00e3o em julho do selo Produzido pela Agricultura Familiar, a fim de \u201cfortalecer a visibilidade e informar e conscientizar sobre a significativa contribui\u00e7\u00e3o da agricultura familiar \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 soberania alimentar\u201d. Segundo o Minist\u00e9rio, o setor conta com 120 mil fam\u00edlias, e o reconhece \u201ccomo principal fornecedor de alimentos da popula\u00e7\u00e3o argentina, por oferecer aproximadamente 70% da dieta di\u00e1ria de consumo de alimentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cUm selo identificando o produto gera, al\u00e9m de visibilidade, um di\u00e1logo entre os consumidores e o setor de produ\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m no campo, que tem presen\u00e7a ao longo do pa\u00eds, gerando soberania territorial\u201d, explicou Raimundo Laugero, diretor de Programas e Projetos da Secretaria de Agricultura Familiar do Minist\u00e9rio. O governo define como agricultura familiar aquela produzida por camponeses, chacareiros, comunidades de povos ind\u00edgenas, pescadores artesanais, trabalhadores rurais sem terra, colonos, meeiros, artes\u00e3os, minilatifundi\u00e1rios, produtores urbanos e periurbanos.<\/p>\n<p>O selo identificar\u00e1 essa origem, disse Laugero \u00e0 IPS. Al\u00e9m disso, \u201cgarantir\u00e1 o controle sanit\u00e1rio, a produ\u00e7\u00e3o sem agroqu\u00edmicos ou industrializados e a produ\u00e7\u00e3o com diversidade, contr\u00e1ria \u00e0s monoculturas, detalhou. \u201cQuando falamos de um produto da agricultura familiar, o atributo simb\u00f3lico tem a ver com processos artesanais, onde h\u00e1 o trabalho da fam\u00edlia, e um aspecto fundamental \u00e9 que por tr\u00e1s desse produto h\u00e1 pessoas que vivem no campo\u201d, afirmou o diretor.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds de 43 milh\u00f5es de habitantes, o setor agropecu\u00e1rio representa um dos pilares de sua economia, representando 13% do produto interno bruto, 55,8% de suas exporta\u00e7\u00f5es e 35,6% de seus empregos diretos e indiretos.<\/p>\n<p>A farmac\u00eautica Mar\u00eda Jos\u00e9 Otero chega de longe ao mercado em sua bicicleta, mas n\u00e3o lamenta. Quer uma alimenta\u00e7\u00e3o para sua fam\u00edlia que \u201cseja a mais saud\u00e1vel e natural poss\u00edvel, sem produtos qu\u00edmicos\u201d. Tamb\u00e9m escolhe esse mercado por uma \u201cquest\u00e3o social\u201d. Quer favorecer quem produz \u201calimentos naturais sem tanta industrializa\u00e7\u00e3o\u201d, evitando tamb\u00e9m \u201cintermedi\u00e1rios que encarecem muito os produtos\u201d.<\/p>\n<p>Otero disse que \u201ctamb\u00e9m me interessa muito o impacto que causa o ato de consumir com consci\u00eancia. Isso implica o cuidado com o ambiente no qual se trabalha e o respeito aos animais. N\u00e3o \u00e9 o mesmo consumir ovos de animais que caminham e comem naturalmente e consumir animais tratados cruelmente, lotando galp\u00f5es, alimentados de qualquer maneira\u201d.<\/p>\n<p>Para Ortero, o selo \u00e9 \u201cgenial. Porque nisso tamb\u00e9m h\u00e1 muita engana\u00e7\u00e3o de gente que diz que te vende um produto org\u00e2nico e n\u00e3o \u00e9 verdade. Esse selo nos d\u00e1 uma garantia\u201d. Alvarado disse que o selo \u201cservir\u00e1, antes de tudo, para que o p\u00fablico tome consci\u00eancia do que \u00e9 ajudar um pequeno produtor. Que perceba que o que paga e consome realmente v\u00e1 para ele, e que aquele que trabalha realmente seja pago devidamente\u201d.<\/p>\n<p>Laugero destacou que tamb\u00e9m h\u00e1 um aspecto \u201csobressalente\u201d no novo selo, vinculado aos \u201csistemas de garantia de participa\u00e7\u00e3o para os produtores agroecol\u00f3gicos\u201d. Recordou que, habitualmente, quando um produtor quer um selo que reconhe\u00e7a seu produto, tem que apelar para uma empresa certificadora, enquanto o conceito \u201cagroecol\u00f3gico\u201d tem outros componentes.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Laugero mencionou seis experi\u00eancias-piloto na Argentina, de sistemas de garantia de participa\u00e7\u00e3o em processos agroecol\u00f3gicos, entre produtores organizados e consumidores, aos quais agora se somar\u00e1 o Estado. \u201cCom a proposta do selo, ter\u00e3o muito mais for\u00e7a porque ser\u00e1 mais maci\u00e7o e inclusivo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>No mercado de Bonpland, Claudia Giorgi, integrante da cooperativa La Asamblearia, que funciona em rede com outras organiza\u00e7\u00f5es sociais, prepara o envio de alguns produtos para outra prov\u00edncia, que ser\u00e3o entregue no mesmo frete para economizar recursos. Ela produz geleia de papaia e tamb\u00e9m vende produtos de outras cooperativas, como cosm\u00e9ticos naturais, sabonete de lavanda, ervas medicinais, ch\u00e1 sem pesticidas, mostarda e farinhas.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 produzido em cada organiza\u00e7\u00e3o social se troca com a de outra, ao pre\u00e7o de cada uma, que \u00e9 o custo dos produtores mais os gastos com log\u00edstica\u201d, explicou Giorgi \u00e0 IPS. A cooperativa diz que ainda n\u00e3o tem informa\u00e7\u00e3o sobre o selo, mas adianta que servir\u00e1 para demonstrar \u201cser funcional\u201d e se diferenciar daqueles \u201cque s\u00e3o um neg\u00f3cio e t\u00eam um custo\u201d.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o que cria o selo diz, precisamente, que um de seus objetivos \u00e9 \u201cdivulgar e promover novos canais de comercializa\u00e7\u00e3o e pontos de venda\u201d. Laugero lembrou que, al\u00e9m de contribuir com 20% do PIB agropecu\u00e1rio, a agricultura familiar representa 95% da produ\u00e7\u00e3o caprina, 22% da bovina, 30% da ovina, 33% do mel, 25% de frutas, 60% de hortali\u00e7as e 15% dos gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Em seu caso, Araujo destacou a solu\u00e7\u00e3o de problemas ainda mais simples, como a de poder transportar suas hortali\u00e7as at\u00e9 o mercado, mesmo chovendo. \u201cPrecisam arrumar os caminhos de terra\u201d, afirmou, explicando que \u00e9 uma tarefa da qual os produtores se oferecem para participar.<\/p>\n<p><strong>Selos Mercosul<\/strong><\/p>\n<p>O novo selo argentino faz parte de um esfor\u00e7o coletivo do Mercosul (Mercado Comum do Sul), que come\u00e7ou a trabalhar nesse instrumento h\u00e1 quatro anos, no \u00e2mbito da Reuni\u00e3o Especializada da Agricultura Familiar (Reaf), explicou Raimundo Laugero.<\/p>\n<p>O Brasil \u2013 integrante do Mercosul junto com Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela \u2013 foi pioneiro no bloco a contar com um selo indicativo para a produ\u00e7\u00e3o do setor, criado em 2009 e normatizado em 2012, explicou a Reaf no final de julho.<\/p>\n<p>A Reaf, da qual tamb\u00e9m participam Bol\u00edvia, Chile e Equador e que congrega governos e organiza\u00e7\u00f5es da agricultura familiar, acrescentou que o Chile concretizou em junho seu pr\u00f3prio selo, M\u00e3os Camponesas, para produtos de \u201corigem camponesa, elaborados em pequena escala, saud\u00e1veis e que incentivem o desenvolvimento local\u201d.<\/p>\n<p>Brasil e Equador tamb\u00e9m deram passos determinantes para um selo que \u201cdefenda a soberania alimentar, a renda camponesa e o acesso a alimentos locais\u201d. J\u00e1 o Uruguai realiza um ciclo de encontros \u201cpara a constru\u00e7\u00e3o de um selo da agricultura familiar\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 10\/8\/2015 &ndash; Pode cair um dil&uacute;vio na capital da Argentina, mas os consumidores argentinos n&atilde;o deixam de ir ao Mercado de Economia Solid&aacute;ria Bonpland, onde alguns agricultores familiares vendem seus produtos. 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