{"id":19497,"date":"2015-08-13T13:16:50","date_gmt":"2015-08-13T13:16:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198743"},"modified":"2015-08-13T13:16:50","modified_gmt":"2015-08-13T13:16:50","slug":"jovens-defensores-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/jovens-defensores-dos-direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Jovens defensores dos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198744\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheresjovens.jpg\"><img class=\"wp-image-198744\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheresjovens.jpg\" alt=\"Jovens mulheres bengali levantam seus punhos em um protesto realizado em Shahbagh. Foto: Kajal Hazra\/IPS\" width=\"340\" height=\"208\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jovens mulheres bengali levantam seus punhos em um protesto realizado em Shahbagh. Foto: Kajal Hazra\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Clara Fok e Sara Vida Coumans*<\/em><\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 13\/8\/2015 \u2013 Uma profunda ironia envolve o Dia Internacional da Juventude, celebrado ontem: quase n\u00e3o se presta aten\u00e7\u00e3o ao reduzido espa\u00e7o destinado aos jovens defensores dos direitos humanos que cada vez s\u00e3o mais reprimidos pelos governos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, ajudado pelo poder de conex\u00e3o das redes sociais, o mundo foi testemunha da crescente for\u00e7a dos jovens na luta por seus direitos e em moldar suas comunidades. Os jovens mobilizam as massas para chamar \u00e0 responsabilidade seus governos, pedindo que respeitem, protejam e cumpram os direitos humanos.<\/p>\n<p>Naturalmente, os jovens sempre desempenham um papel fundamental nos movimentos sociais. Mas agora cada vez mais assumem pap\u00e9is de lideran\u00e7a em movimentos de protestos pac\u00edficos e sendo a for\u00e7a motora das mudan\u00e7as. Organizam manifesta\u00e7\u00f5es e protestos, ocupando espa\u00e7os p\u00fablicos e mantendo conversa\u00e7\u00f5es diretas com os governos. N\u00e3o esperam que lhes digam o que devem fazer.<\/p>\n<p>Mas isso tem um pre\u00e7o. Lamentavelmente, e com muita frequ\u00eancia, os Estados respondem ao compromisso c\u00edvico pac\u00edfico dos jovens batendo e prendendo seus ativistas.<\/p>\n<p>Peguemos como exemplo o caso da Birm\u00e2nia. Mais de cem l\u00edderes estudantis, inclu\u00eddos defensores dos direitos humanos e ativistas, s\u00e3o presos por protestarem contra a nova Lei Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Entre eles est\u00e1 Phyoe Phyoe Aung, de 26 anos e a l\u00edder de um dos maiores movimentos estudantis do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No dia 25 deste m\u00eas se completar\u00e3o 27 anos, mas \u00e9 prov\u00e1vel que passe seu anivers\u00e1rio atr\u00e1s das grades, como parte de uma injusta e prolongada senten\u00e7a de pris\u00e3o, onde est\u00e1 desde mar\u00e7o, ap\u00f3s uma violenta ofensiva policial contra manifesta\u00e7\u00f5es amplamente pac\u00edficas.<\/p>\n<p>Muitos mais em toda a Birm\u00e2nia continuam sendo v\u00edtimas de ass\u00e9dio e intimida\u00e7\u00e3o, no que parece ser uma arremetida sistem\u00e1tica contra o movimento estudantil. Isso n\u00e3o deveria surpreender ningu\u00e9m. As autoridades birmanesas t\u00eam um longo hist\u00f3rico de repress\u00e3o de movimentos estudantis, pois teme que disparem maiores cobran\u00e7as por mudan\u00e7a pol\u00edtica e que ameacem sua perman\u00eancia no poder.<\/p>\n<p>Em outras partes do mundo as coisas n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes. Em junho, as for\u00e7as de seguran\u00e7a de Angola prenderam arbitrariamente 15 jovens ativistas por participarem de uma reuni\u00e3o onde debatiam pacificamente sobre pol\u00edtica e algumas de suas preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao governo do presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, que est\u00e1 no poder h\u00e1 36 anos.<\/p>\n<p>Os que foram acusados de planejar alterar a ordem p\u00fablica e de plantar uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional. Inclusive jovens ativistas que n\u00e3o participaram da reuni\u00e3o foram acusados de terem estado nela. Todos s\u00e3o mantidos confinados em solit\u00e1rias, longe de suas casas, fazendo com que suas fam\u00edlias tenham dificuldades para visit\u00e1-los.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os para garantir a liberta\u00e7\u00e3o dos ativistas foram severamente castigados. No dia 22 de julho, cinco pessoas que tentavam visit\u00e1-los ficaram detidas durante nove horas, e poucos dias depois foi violentamente reprimido um protesto pac\u00edfico que pedia a liberta\u00e7\u00e3o dos 15 jovens.<\/p>\n<p>Essas respostas com m\u00e3o dura n\u00e3o ocorrem apenas na Birm\u00e2nia e em Angola. Em todas as partes \u2013 da Turquia \u00e0 Venezuela, dos Estados Unidos ao Egito \u2013 jovens defensores dos direitos humanos s\u00e3o colocados atr\u00e1s das grades por realizarem essa atividade. A sociedade nem sempre v\u00ea com bons olhos os atos de resist\u00eancia que os jovens protagonizam.<\/p>\n<p>Como observou o relator especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Situa\u00e7\u00e3o dos Defensores dos Direitos Humanos, \u201ca percep\u00e7\u00e3o geral dos jovens na sociedade, tamb\u00e9m transmitida por meios de comunica\u00e7\u00e3o estabelecidos, frequentemente assinalam sua pouca idade e a falta de maturidade como motivo para n\u00e3o lhes dar voz em assuntos p\u00fablicos. Os movimentos juvenis e estudantis s\u00e3o vistos como geradores de problemas e n\u00e3o como atores s\u00e9rios que podem contribuir de modo positivo com o debate p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Mas negar aos jovens um lugar na mesa limita as oportunidades de participar em debates sobre o progressivo cumprimento dos direitos humanos. Mesmo quando os jovens t\u00eam permiss\u00e3o para participar, frequentemente o fazem de maneira pouco significativa ou para cumprir o protocolo, porque se presume amplamente que est\u00e3o ali para aprender e se desenvolver, e n\u00e3o para contribuir de modo igualit\u00e1rio com as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse enfoque centrado na idade se converte em um ciclo vicioso: se d\u00e1 muito pouco espa\u00e7o para os jovens participarem ativamente e moldarem a agenda, enquanto os pol\u00edticos n\u00e3o abordam efetivamente as barreiras que os jovens enfrentam para terem acesso aos direitos humanos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Precisamos dar um passo atr\u00e1s e refletir sobre o que isto significa para a rea\u00e7\u00e3o dos Estados diante dos jovens quando estes se comprometem pacificamente com a sociedade, em uma tentativa de criar um espa\u00e7o para que participem de decis\u00f5es que afetam suas vidas.<\/p>\n<p>Se os governos levarem a s\u00e9rio as vidas dos jovens, dever\u00e3o garantir que os jovens defensores dos direitos humanos possam exigir e exercer seus direitos livremente e sem medo.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que uma participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica significativa dos jovens n\u00e3o se produzir\u00e1 da noite para o dia e que levar\u00e1 tempo criar associa\u00e7\u00f5es intergera\u00e7\u00f5es produtivas que estejam baseadas na confian\u00e7a. Mas os governos podem dar o primeiro passo libertando, imediata e incondicionalmente, todos os defensores dos direitos humanos detidos por exercerem seus direitos de modo pac\u00edfico. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Clara Fok <\/strong>e <strong>Sara Vida Coumans <\/strong>s\u00e3o coordenadoras de juventude na Anistia Internacional. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Clara Fok e Sara Vida Coumans* Nova York, Estados Unidos, 13\/8\/2015 &ndash; Uma profunda ironia envolve o Dia Internacional da Juventude, celebrado ontem: quase n&atilde;o se presta aten&ccedil;&atilde;o ao reduzido espa&ccedil;o destinado aos jovens defensores dos direitos humanos que cada vez s&atilde;o mais reprimidos pelos governos. 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