{"id":19503,"date":"2015-08-14T13:36:43","date_gmt":"2015-08-14T13:36:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198812"},"modified":"2015-08-14T13:36:43","modified_gmt":"2015-08-14T13:36:43","slug":"kerry-regressa-a-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/kerry-regressa-a-casa\/","title":{"rendered":"Kerry regressa \u00e0 casa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198813\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/John_Kerry_Havana_14082015_002.jpg\"><img class=\"wp-image-198813\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/John_Kerry_Havana_14082015_002.jpg\" alt=\"14\/08\/2015- Havana, Cuba- O secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, chega ao aeroporto de Havana. Foto: U.S. Department of State\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">14\/08\/2015- Havana, Cuba- O secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, chega ao aeroporto de Havana. Foto: U.S. Department of State<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Joaqu\u00edn Roy*<\/em><\/p>\n<p>Barcelona, Espanha, agosto\/2015 \u2013 O secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, i\u00e7ar\u00e1 a bandeira das faixas e estrelas no emblem\u00e1tico edif\u00edcio da Embaixada de Washington em Havana neste 14 de agosto. O ex-senador e antigo candidato \u00e0 Presid\u00eancia quis, para isso, acelerar sua convalesc\u00eancia pelo acidente de bicicleta sofrido na Su\u00ed\u00e7a, no qual fraturou o f\u00eamur.<\/p>\n<p>N\u00e3o estar\u00e1 em um lugar estranho: na realidade, regressa \u00e0 casa. Mais do que M\u00e9xico (do qual os Estados Unidos arrebataram metade de seu territ\u00f3rio) e Porto Rico (a propina da Guerra Hispano-Norte-Americana de 1898, junto com as Filipinas), Cuba \u00e9 a terra latino-americana mais naturalmente \u201camericana-ianque\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada mais palp\u00e1vel para confirmar essa tese do que ver a facilidade espantosa com que qualquer rec\u00e9m-chegado de Cuba a Miami se adapta ao ambiente.<\/p>\n<p>A essa altura cabe perguntar por que se demorou tanto em \u201cnormalizar\u201d o que deveria ter sido uma rela\u00e7\u00e3o estreit\u00edssima entre o imp\u00e9rio e uma modesta ilha a cerca de 150 quil\u00f4metros da costa norte-americana de Cayo Hueso.<\/p>\n<p>\u201cMais se perdeu em Cuba\u201d, exclamaram v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de espanh\u00f3is para relativizar uma desgra\u00e7a familiar. O que os Estados Unidos perderam em Cuba para manterem esse longo embargo, cujo objetivo no final foi reconhecido como um fracasso?<\/p>\n<p>Mais do que algumas propriedades, pois muitas delas na realidade eram dos espanh\u00f3is ou de seus descendentes imediatos, Washington perdeu a prepot\u00eancia de sua superioridade hegem\u00f4nica ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>A convers\u00e3o de Cuba em um Estado marxista-leninista, aliado com o arqui-inimigo dos Estados Unidos, a agora extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e a destrui\u00e7\u00e3o total do sistema capitalista, mais o ex\u00edlio de uma camada da sociedade not\u00e1vel, foi uma bofetada de tal magnitude que nenhum presidente norte-americano estava disposto a perdoar e passar \u00e0 hist\u00f3ria como o primeiro a ter claudicado diante de Castro.<\/p>\n<p>Assim se explica a in\u00e9rcia da manuten\u00e7\u00e3o do embargo, que pe\u00e7a a pe\u00e7a foi minimizando no campo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Mas a explica\u00e7\u00e3o inclui, em primeiro lugar, o inigual\u00e1vel trabalho de Fidel Castro, dono e senhor da situa\u00e7\u00e3o. Sua lideran\u00e7a na hist\u00f3ria recordar\u00e1 (embora, talvez, n\u00e3o o absolva, como prometeu em seu momento) que n\u00e3o teve compara\u00e7\u00e3o desde o libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar e seu entendimento extremo do significado dos Estados Unidos na evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Am\u00e9rica Latina e sua inata identidade.<\/p>\n<p>Em contraste com a vis\u00e3o de outros dirigentes equivocados, Castro entendeu que os Estados Unidos eram parte intr\u00ednseca da personalidade latino-americana, e de Cuba especialmente. Os Estados Unidos eram o que a Am\u00e9rica Latina queria ter sido e n\u00e3o p\u00f4de.<\/p>\n<p>Da\u00ed que se empenhou na convers\u00e3o desse pa\u00eds em um inimigo, trabalho no qual lamentavelmente a pol\u00edtica de Washington ajudou. Mas conservou a no\u00e7\u00e3o de que na realidade os cubanos n\u00e3o odiavam os Estados Unidos, mas somente os ocupantes tempor\u00e1rios da Casa Branca e as odiadas institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Castro sabia perfeitamente que, ao mesmo tempo em que Cuba foi se convertendo defeituosamente em uma na\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a independ\u00eancia hipotecada pela Emenda Platt (outro erro de Washington, de 1901) e foi se refor\u00e7ando insolitamente em mais espanhola pela imigra\u00e7\u00e3o procedente da derrotada metr\u00f3pole (um caso \u00fanico na hist\u00f3ria moderna), foi se \u201camericanizando\u201d inexoravelmente.<\/p>\n<p>O novo imp\u00e9rio refor\u00e7ou seu erro mediante o apoio ou a toler\u00e2ncia dos ditadores e governantes cubanos corruptos dos anos 30 e 40 do s\u00e9culo 20, detalhes que Castro explorou maquiavelicamente para tratar de demonstrar o afastamento do pa\u00eds do norte.<\/p>\n<p>Da\u00ed que, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do embargo, Castro respondeu com a\u00e7\u00f5es que s\u00f3 faziam provocar a consequente rea\u00e7\u00e3o de Washington. Quando se atravessava fases de certa calma (como nas administra\u00e7\u00f5es dos democratas Jimmy Carter e Bill Clinton), eram enviadas tropas \u00e0 \u00c1frica ou derrubadas as avionetas da Irm\u00e3os ao Resgate, e assim foi aprovada a Lei Helms-Burton, que codificava o embargo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, conseguiu a alian\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia pela aprova\u00e7\u00e3o de leis de alcance extraterritorial, de modo a convidar para o surgimento da Posi\u00e7\u00e3o Comum de Bruxelas, uma esp\u00e9cie curiosa de \u201cembargo\u201d \u00e0 moda europeia.<\/p>\n<p>Por que essa estrutura agora parece vir abaixo? Porque as justificativas do passado carecem do pragmatismo necess\u00e1rio para enfrentar os desafios do presente no quintal dos Estados Unidos, que precisam se estabilizar para enfrentar outros problemas mais urgentes no resto do planeta.<\/p>\n<p>A outra raz\u00e3o \u00e9 porque Ra\u00fal Castro, que governa Cuba desde 2008, n\u00e3o \u00e9 como seu irm\u00e3o e se agarrou ao retorno dos Estados Unidos \u00e0 casa como um ferro ardendo. Mas h\u00e1 obst\u00e1culos no caminho.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de uma normaliza\u00e7\u00e3o inseridas na Helms-Burton s\u00e3o impotentes (desaparecimento dos Castro, partidos pol\u00edticos, liberdade de express\u00e3o, elimina\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio\/TV Mart\u00ed e outros). A eros\u00e3o mediante a libera\u00e7\u00e3o progressiva (como no campo econ\u00f4mico) n\u00e3o ser\u00e1 suficiente e ser\u00e1 preciso que o pr\u00f3prio Congresso norte-americano revogue a legisla\u00e7\u00e3o sobre o embargo em bloco.<\/p>\n<p>E n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Desta vez Ra\u00fal n\u00e3o vai cometer um erro fatal. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Joaqu\u00edn Roy<\/strong> \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy* Barcelona, Espanha, agosto\/2015 &ndash; O secret&aacute;rio de Estado norte-americano, John Kerry, i&ccedil;ar&aacute; a bandeira das faixas e estrelas no emblem&aacute;tico edif&iacute;cio da Embaixada de Washington em Havana neste 14 de agosto. 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