{"id":19513,"date":"2015-08-18T13:27:47","date_gmt":"2015-08-18T13:27:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198912"},"modified":"2015-08-18T13:27:47","modified_gmt":"2015-08-18T13:27:47","slug":"programa-de-carbono-nao-e-tudo-que-parece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/programa-de-carbono-nao-e-tudo-que-parece\/","title":{"rendered":"Programa de carbono n\u00e3o \u00e9 tudo que parece"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198913\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/zimba-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-198913\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/zimba-629x420.jpg\" alt=\"Florestas tropicais no Zimb\u00e1bue, onde as pol\u00edticas de acesso e controle das florestas e de seu carbono aumenta a d\u00favida quanto a que as comunidades locais possam se beneficiar, j\u00e1 que n\u00e3o possuem t\u00edtulos de propriedade sobre a terra. Foto: By Ninara\/CC BY 2.0 via Wikimedia Commons\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Florestas tropicais no Zimb\u00e1bue, onde as pol\u00edticas de acesso e controle das florestas e de seu carbono aumenta a d\u00favida quanto a que as comunidades locais possam se beneficiar, j\u00e1 que n\u00e3o possuem t\u00edtulos de propriedade sobre a terra. Foto: By Ninara\/CC BY 2.0 via Wikimedia Commons<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ignatius Banda, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 18\/8\/2015 \u2013 No Zimb\u00e1bue, a efic\u00e1cia das tentativas de manejar de modo sustent\u00e1vel as florestas e conservar, e potencializar o carbono que armazenam, cada vez \u00e9 mais colocado em d\u00favida, enquanto uma nova pesquisa alerta que a pol\u00edtica de acesso e controle sobre esses ecossistemas desafia sua compreens\u00e3o. Tudo se reduz \u00e0 quest\u00e3o da terra e se as comunidades rurais locais podem se beneficiar quando n\u00e3o s\u00e3o as donas delas.<\/p>\n<p>Mesmo nos lugares onde a \u201cpossuem\u201d, dizem os pesquisadores, essas comunidades frequentemente est\u00e3o competindo com outros atores que se guiam por diferentes considera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, anulando os pr\u00f3prios ideais impulsionados pelo mecanismo de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal (REDD+), da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC).<\/p>\n<p>Apesar do programa de reforma agr\u00e1ria do pa\u00eds, sob o qual foram redistribu\u00eddas terras a milh\u00f5es de comunidades locais sem posses, o Estado continua sendo o maior latifundi\u00e1rio, o que gera perguntas sobre o empoderamento comunit\u00e1rio e a propriedade das florestas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam um aumento na demanda por terras n\u00e3o apenas com base no aumento populacional rural, como tamb\u00e9m nas pessoas que mudam para \u00e1reas rurais. E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que qualquer o aumento da demografia rural acarreta maior demanda de recursos naturais.<\/p>\n<p>\u201cA demanda de recursos naturais pela terra cresce ano a ano a um ritmo insustent\u00e1vel\u201d, advertiu Steve Wentzel, diretor da organiza\u00e7\u00e3o Carbon Green Africa. Isso significa um desmatamento de milh\u00f5es, j\u00e1 que essas \u00e1rvores s\u00e3o plantadas em \u00e1reas que n\u00e3o pertencem \u00e0s comunidades locais, em um momento em que alguns agricultores dizimam a cobertura florestal ao usar lenha para tratar seu tabaco.<\/p>\n<p>A promessa da iniciativa REDD+ foi que, por meio do reflorestamento e da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es contaminantes, as comunidades teriam acesso ou ganhariam cr\u00e9ditos certificados de redu\u00e7\u00e3o dessas emiss\u00f5es, para comercializ\u00e1-los com os principais contaminadores, a fim de cumprirem suas pr\u00f3prias metas de redu\u00e7\u00e3o. Mas est\u00e1 claro que, como em qualquer transa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, os que possuem os meios de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que mais enriquecem.<\/p>\n<p>A terra ainda \u00e9 propriedade ou do Estado ou das grandes empresas, e muito pouco est\u00e1 nas m\u00e3os dos mais pobres do mundo. E somente pa\u00edses industrializados se beneficiam \u00e0 custa das comunidades rurais. Segundo Ian Scoones, coeditor junto com Melissa Leach do livro <em>Carbon Conflicts and Forest Landscapes in Africa<\/em> (Os Conflitos Pelo Carbono e as Paisagens Florestais na \u00c1frica), \u201cos projetos de carbono florestal \u2013 como as interven\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias em mat\u00e9ria de uso, propriedade e manejo de florestas \u2013 n\u00e3o s\u00e3o a panaceia que alguns esperavam\u201d.<\/p>\n<p>Scoones ressaltou que \u201csurgiram m\u00faltiplos conflitos entre latifundi\u00e1rios, usu\u00e1rios de florestas e criadores de projetos. Conseguir uma engenhosa solu\u00e7\u00e3o baseada no mercado da mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica mediante projetos de carbono florestal n\u00e3o \u00e9 simples\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o projeto REDD+ do Zimb\u00e1bue, que cobriu 1,4 milh\u00e3o de hectares no contexto do Carbon Green Africa, Scoones apontou que as comunidades rurais, enquanto donas \u201ctradicionais\u201d e \u201cadministrativas\u201d da terra, deveriam ter a autoridade, \u201cmas se veem enfrentando for\u00e7as poderosas com outras ideias sobre os recursos e as prioridades econ\u00f4micas\u201d. As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil local afirmam que isso explica o motivo de as comunidades rurais serem as menos beneficiadas.<\/p>\n<p>Um informe do Minist\u00e9rio de Clima do pa\u00eds observou que \u201cos pa\u00edses ricos apenas mant\u00eam \u00e0 promessa\u201d de cumprirem seus compromissos, semeando d\u00favidas se as comunidades rurais realmente comerciar\u00e3o cr\u00e9ditos antecipados de carbono em troca de dinheiro. Os pobres das zonas rurais poderiam muito bem dizer \u201cmostrem-nos o dinheiro\u201d em 2020, ano fixado na c\u00fapula clim\u00e1tica de 2009 em Canc\u00fan, no M\u00e9xico, para cumprir as metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios respons\u00e1veis pelas setores relacionados ao clima e ao ambiente concordam que a titularidade da terra no contexto da REDD+ se tornou um ponto de atrito em seu di\u00e1logo com as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil sobre como as comunidades locais podem obter dividendos especiais dos projetos de carbono florestal.<\/p>\n<p>\u201cAs organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil representam os interesses das comunidades locais e a falta de salvaguardas para fazer desse assunto uma \u00e1rea de diverg\u00eancia entre os governos e essas entidades\u201d, enfatizou \u00e0 IPS Veronica Gundu, subdiretora do Departamento de Manejo da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no Minist\u00e9rio de Ambiente, \u00c1gua e Clima.<\/p>\n<p>Por sua vez, Wentzel, da Carbon Green Africa, que implanta o \u00fanico projeto REDD+ do Zimb\u00e1bue, no vale do Zambezi, disse \u00e0 IPS que, tal como as coisas est\u00e3o, \u201cos habitantes desses distritos s\u00e3o os leg\u00edtimos benefici\u00e1rios dos ganhos generalizados a partir de seus recursos naturais, embora n\u00e3o possuam t\u00edtulos de propriedade sobre a terra\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ignatius Banda, da IPS &ndash;&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 18\/8\/2015 &ndash; No Zimb&aacute;bue, a efic&aacute;cia das tentativas de manejar de modo sustent&aacute;vel as florestas e conservar, e potencializar o carbono que armazenam, cada vez &eacute; mais colocado em d&uacute;vida, enquanto uma nova pesquisa alerta que a pol&iacute;tica de acesso e controle sobre esses ecossistemas desafia sua compreens&atilde;o. 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