{"id":19519,"date":"2015-08-18T13:20:45","date_gmt":"2015-08-18T13:20:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=198916"},"modified":"2015-08-18T13:20:45","modified_gmt":"2015-08-18T13:20:45","slug":"viuvas-enfrentam-futuro-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/viuvas-enfrentam-futuro-incerto\/","title":{"rendered":"Vi\u00favas enfrentam futuro incerto"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_198917\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheres2.jpg\"><img class=\"wp-image-198917\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mulheres2.jpg\" alt=\"Um n\u00famero significativo de mulheres, como as integrantes do Grupo de Artes\u00e3s do Monte Hagen, na regi\u00e3o das terras altas de Papua-Nova Guin\u00e9, sofrem as consequ\u00eancias do HIV\/aids, como viuvez e dificuldades econ\u00f4micas, entre outras. Foto: Catherine Wilson\/IPS\" width=\"340\" height=\"272\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um n\u00famero significativo de mulheres, como as integrantes do Grupo de Artes\u00e3s do Monte Hagen, na regi\u00e3o das terras altas de Papua-Nova Guin\u00e9, sofrem as consequ\u00eancias do HIV\/aids, como viuvez e dificuldades econ\u00f4micas, entre outras. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Catherine Wilson, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Goroka, Papua-Nova Guin\u00e9, 18\/8\/2015 \u2013 Faz apenas seis meses que Iveti, de 37 anos, perdeu seu marido, com quem esteve casada por 18 anos, e j\u00e1 est\u00e1 agoniada por todas as dificuldades. Para esta vi\u00fava recente de Papua-Nova Guin\u00e9, o futuro s\u00f3 causa preocupa\u00e7\u00e3o. Como muitas mulheres casadas na zona rural das terras altas deste pa\u00eds insular do Oceano Pac\u00edfico, Iveti, ap\u00f3s seu casamento, ficou em casa cuidando da cria\u00e7\u00e3o dos dois filhos, enquanto seu marido trabalhava fora e obtinha renda para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cMe preocupa a comida, as contas, meus filhos\u201d, afirmou essa m\u00e3e de uma menina de 11 anos e um rapaz que acaba de completar 20. \u201cMe preocupam os familiares que nos visitam para dar os p\u00easames, porque temos que matar um porco e lhes oferecer algo. Quem tem dinheiro para tudo isso?\u201d, lamentou \u00e0 IPS, sentada em sua modesta casa nos arredores de Goroka, um povoado da prov\u00edncia de Terras Altas Orientais.<\/p>\n<p>Iveti vive com os filhos, sua sogra e sua irm\u00e3. \u201cSempre teve comida para meus filhos, mas agora o homem que fornecia o alimento se foi. Quando n\u00e3o temos nada, fa\u00e7o gelo e vendo no mercado. Conseguimos 20 ou 30 kinas\u201d (entre US$ 7 e US$ 10). Diariamente pagamos cerca de 20 kinas pela eletricidade e com as dez restantes compramos uma lata de pescado. Minha filha vai \u00e0 escola e gastamos cerca de quatro kinas para seu almo\u00e7o\u201d, contou, relatando cada gasto com preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Papua-Nova Guin\u00e9, as vi\u00favas t\u00eam diferentes experi\u00eancias segundo a situa\u00e7\u00e3o de cada uma. Das que terminaram a educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria e universit\u00e1ria e contam com uma fonte de renda pr\u00f3pria, a minoria consegue uma posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica s\u00f3lida que lhes permita cuidar de si mesmas e de seus filhos. Por\u00e9m, mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o vive em zonas rurais, onde o acesso a educa\u00e7\u00e3o e emprego \u00e9 limitado. Apenas 36,5% das mulheres das terras altas sabem ler e escrever.<\/p>\n<p>A desigualdade de g\u00eanero se exacerba por pr\u00e1ticas sociais, como o casamento precoce e for\u00e7ado, o dote e a viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual generalizada, que duas em cada tr\u00eas mulheres sofrem nesse pa\u00eds de aproximadamente sete milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais a respeito, mas a Associa\u00e7\u00e3o de Vi\u00favas indica que a viuvez se estende de cinco a 30 anos. Nas terras altas, o risco de enviuvar \u00e9 maior pela ocorr\u00eancia de guerras tribais. Enfrentamentos entre cl\u00e3s ocorrem por disputas pela terra, pelos porcos, o animal de cria\u00e7\u00e3o mais cotado, ou pela repara\u00e7\u00e3o de algum preju\u00edzo contra a comunidade. E, na maioria dos casos, a morte do marido condena a vi\u00fava e seus filhos a uma exist\u00eancia prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as fam\u00edlias sofrem o impacto da epidemia de HIV\/aids. Em 2010, foram registrados 31.609 casos de HIV, e a maior preval\u00eancia, 0,91%, se encontrava nas terras altas, um pouco al\u00e9m da m\u00e9dia nacional de 0,8%, o que, se estima, caiu para 0,7% no ano passado. Quando o marido morre, a vi\u00fava e os filhos costumam ter direito a permanecer na propriedade. Mas isso n\u00e3o vale quando a causa da morte for aids, que \u00e9 um grande estigma social.<\/p>\n<p>Agatha Omanefa, oficial do projeto Mulheres, da organiza\u00e7\u00e3o Voz da Fam\u00edlia nas Terras Altas Orientais, dedicada a assessorar e apoiar as fam\u00edlias, afirmou \u00e0 IPS que as fam\u00edlias estendidas foram tradicionalmente muito protetoras de seus integrantes mais vulner\u00e1veis, mas nos \u00faltimos tempos observa-se aumento dos casos de irm\u00e3os do marido falecido que tentam reclamar a propriedade.<\/p>\n<p>Quando a \u201cfam\u00edlia do marido chega para compartilhar a propriedade, a vi\u00fava e seus filhos perdem. \u00c0s vezes inventam hist\u00f3rias velhas como \u2018voc\u00ea era de l\u00e1, seu marido daqui\u2019 e ela precisa de algu\u00e9m que a ajude a assegurar sua terra\u201d, explicou Omanefa. \u201cTem um grande impacto na vida das vi\u00favas, especialmente quando t\u00eam filhos pequenos. Frequentemente tentam manter suas pequenas hortas para o seu bem-estar e o dos filhos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias de Papua-Nova Guin\u00e9 costumam ser grandes, com at\u00e9 oito a dez filhos, e \u00e9 dif\u00edcil pagar sua educa\u00e7\u00e3o, especialmente o curso secund\u00e1rio. Os lares com chefes de fam\u00edlia mulheres t\u00eam maior probabilidade de viverem na pobreza absoluta, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, uma das maiores amea\u00e7as que as vi\u00favas devem enfrentar \u00e9 a acusa\u00e7\u00e3o de feiti\u00e7aria. Na vizinha prov\u00edncia de Simbu, as mulheres entre 40 e 65 anos t\u00eam seis vezes mais probabilidade do que os homens de serem acusadas de usar a bruxaria para causar a morte ou provocar uma desgra\u00e7a na comunidade, segundo informe da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam. As consequ\u00eancias, como tortura e assassinato, podem ser tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201ccresce a preocupa\u00e7\u00e3o pelo fato de as acusa\u00e7\u00f5es de usar a bruxaria para matar, machucar ou exilar, tenham um motivo econ\u00f4mico ou pessoal e sejam usadas para privar as mulheres de sua terra e sua propriedade\u201d, destacou a relatora especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Viol\u00eancia Contra a Mulher, Rashida Manjoo, no informe de 2013.<\/p>\n<p>Por outro lado, as vi\u00favas com filhos homens t\u00eam uma fonte adicional de prote\u00e7\u00e3o. \u201cEm nossa cultura nas terras altas, quando se tem um filho homem ningu\u00e9m mexe com voc\u00ea, porque ter\u00e1s mais for\u00e7a gra\u00e7as a ele, mas se uma mulher n\u00e3o tem filhos \u00e9 mais vulner\u00e1vel\u201d, explicou Irish Kokara, tesoureira do Conselho Provincial de Mulheres das Terras Altas Orientais.<\/p>\n<p>A presidente desse \u00f3rg\u00e3o, Jenny Gunure, pontuou que falta conhecimento sobre os direitos e a legisla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres no contexto das aldeias, uma situa\u00e7\u00e3o que sua organiza\u00e7\u00e3o tenta corrigir mediante um programa de educa\u00e7\u00e3o para as camponesas, que come\u00e7ou no ano passado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Kokara acredita que a viol\u00eancia n\u00e3o diminuir\u00e1 enquanto n\u00e3o for corrigido o comportamento dos jovens, que costumam ser respons\u00e1veis por delitos no contexto das gangues de guardi\u00f5es. Nas \u00faltimas semanas, as vi\u00favas de todo o pa\u00eds se uniram para cobrar do governo leis que garantam o reconhecimento de seus direitos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Catherine Wilson, da IPS &ndash;&nbsp; Goroka, Papua-Nova Guin&eacute;, 18\/8\/2015 &ndash; Faz apenas seis meses que Iveti, de 37 anos, perdeu seu marido, com quem esteve casada por 18 anos, e j&aacute; est&aacute; agoniada por todas as dificuldades. Para esta vi&uacute;va recente de Papua-Nova Guin&eacute;, o futuro s&oacute; causa preocupa&ccedil;&atilde;o. 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