{"id":19521,"date":"2015-08-19T13:04:52","date_gmt":"2015-08-19T13:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199057"},"modified":"2015-08-19T13:04:52","modified_gmt":"2015-08-19T13:04:52","slug":"disputas-tribais-em-papua-nova-guine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/disputas-tribais-em-papua-nova-guine\/","title":{"rendered":"Disputas tribais em Papua-Nova Guin\u00e9"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199058\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/guerreros-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-199058\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/guerreros-629x472.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Guerreiros que se enfrentaram durante mais de dois meses, este ano, na aldeia de Kenemote, dizem que querem paz na prov\u00edncia de Terras Altas Orientais, em Papua-Nova Guin\u00e9. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por \u00a0Catherine Wilson, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Goroka, Papua-Nova Guin\u00e9 , 19\/8\/2015 \u2013 Alicerces carbonizados s\u00e3o tudo o que resta das moradias da aldeia de Kenemote, na montanhosa prov\u00edncia de Terras Altas Orientais, em Papua-Nova Guin\u00e9, ap\u00f3s um enfrentamento entre cl\u00e3s, que deixou nove mortos, entre elas um menino pequeno. H\u00e1 quatro meses e meio, as disputas entre quatro cl\u00e3s da tribo kintex, utilizando armas de guerra, al\u00e9m de arco e flechas, sacodem a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de abril, um deles acusou outro de usar veneno ou bruxaria para semear a morte na comunidade. As mulheres e as crian\u00e7as est\u00e3o traumatizadas. O cl\u00e3 vitorioso se assentou nas ru\u00ednas da aldeia, enquanto os outros tr\u00eas, que constituem tr\u00eas quartos dos 1.500 residentes de Kenemote, fugiram e est\u00e3o dispersos em outros assentamentos vizinhos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha destina enormes recursos para ajudar as v\u00edtimas de enfrentamentos entre cl\u00e3s em pelo menos quatro dos oito distritos da prov\u00edncia, oferecendo abrigo tempor\u00e1rio, cuidados m\u00e9dicos, \u00e1gua e alimentos.<\/p>\n<p>Em uma prov\u00edncia com cerca de 579 mil habitantes, a pol\u00edcia diz que precisa lidar com aproximadamente 30 conflitos distintos. O n\u00famero de v\u00edtimas e o sofrimento por causa dos enfrentamentos tribais aumentou nos \u00faltimos 20 a 30 anos, devido ao acesso a armas de guerra. O tr\u00e1fico faz com que os moradores locais tenham rifles como M-16 ou AK-47 e granadas.<\/p>\n<div id=\"attachment_199059\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua21.jpg\"><img class=\"wp-image-199059\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua21.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres, meninas e meninos vivem com medo, inseguran\u00e7a e falta de alimentos desde que come\u00e7ou um enfrentamento entre cl\u00e3s, em abril deste ano, na aldeia de Kenemote, na prov\u00edncia de Terras Altas Orientais, em Papua-Nova Guin\u00e9. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o alega precisar das armas para sua seguran\u00e7a, a de seus neg\u00f3cios e suas comunidades, pela aus\u00eancia do Estado, especialmente das for\u00e7as de seguran\u00e7a, nas zonas rurais, onde vivem mais de 80% dos 7,3 milh\u00f5es de habitantes deste pa\u00eds do sul do Oceano Pac\u00edfico. Mas as armas tamb\u00e9m se tornaram s\u00edmbolo de <em>status<\/em> e poder para os homens, adultos e jovens.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias s\u00e3o cada vez mais tr\u00e1gicas, segundo Robin Kukuni, da Cruz Vermelha de Terras Altas Orientais, porque a maioria dos alde\u00f5es \u201cn\u00e3o tem nenhuma capacita\u00e7\u00e3o no manejo de armas de fogo, por isso disparam indiscriminadamente e muitas mulheres e crian\u00e7as morrem\u201d.<\/p>\n<p>Os combates entre cl\u00e3s sempre existiram em Papua-Nova Guin\u00e9, cujos habitantes pertencem a mil grupos \u00e9tnicos e lingu\u00edsticos distintos. O Estado de Papua-Nova Guin\u00e9\u00a0 foi criado h\u00e1 40 anos e a maioria da cidadania ainda \u00e9 regida por normas tradicionais para resolver disputas, especialmente nas comunidades rurais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, novos ingredientes, como os benef\u00edcios e as compensa\u00e7\u00f5es vinculadas a projetos de extra\u00e7\u00e3o de recursos, fizerem com que os enfrentamentos deixassem de respeitar regras como a proibi\u00e7\u00e3o de violar mulheres e crian\u00e7as. Agora empregam t\u00e1ticas de guerrilha que geram atrocidades e fomentam abusos.<\/p>\n<p>O Centro de Monitoramento de Deslocados Internos estima que existam 22.500 pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o em Papua-Nova Guin\u00e9, devido a conflitos tribais e desastres naturais. Mas o Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha estima que o n\u00famero real pode ser cinco vezes maior, cerca de 110 mil pessoas, as quais podem permanecer como deslocadas por at\u00e9 dez anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_199060\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua31.jpg\"><img class=\"wp-image-199060\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua31.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Meninas e meninos da aldeia de Kenemote, na prov\u00edncia de Terras Altas Orientais, em Papua-Nova Guin\u00e9, n\u00e3o podem ir \u00e0 escola por causa do enfrentamento entre cl\u00e3s, que eclodiu em 2015. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o Voice for Change (Voz para a Mudan\u00e7a) conseguiu, em 2012, um acordo de paz entre dois cl\u00e3s da tribo kondika, que se enfrentavam desde 2009 na prov\u00edncia de Jiwaka. A diretora da entidade, Lilly Be\u2019Soer, explicou que o processo de media\u00e7\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o, reassentamento e integra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito longo, e que v\u00e1rios aspectos contribu\u00edram para o \u00eaxito de suas negocia\u00e7\u00f5es de paz, ap\u00f3s falharem quatro tentativas.<\/p>\n<p>Houve um \u00eaxito significativo quando a organiza\u00e7\u00e3o reuniu e assessorou mulheres das comunidades deslocadas para que fossem capazes de falar em p\u00fablico a um grupo de homens, chefes de aldeias e agentes da pol\u00edcia sobre as dificuldades que deviam enfrentar, como as crescentes pobreza e inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas o reassentamento de aproximadamente 500 pessoas \u00e9 um desafio permanente. \u201cQuando as entrevistamos, o principal era que queriam regressar \u00e0 terra de seus maridos, porque ali t\u00eam certo <em>status<\/em> e certa seguran\u00e7a. As mulheres temiam que, se continuassem morando em outras terras, as suas n\u00e3o estivessem dispon\u00edveis para seus filhos\u201d, explicou Be\u2019Soer.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um longo processo de consultas, chegou-se a um acordo entre as pessoas deslocadas e as ocupantes com v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es. Mas estas \u201cn\u00e3o foram cumpridas e tamb\u00e9m n\u00e3o funcionou a supervis\u00e3o de seu cumprimento\u201d, acrescentou a diretora da Voice for Change. Os mais afetados s\u00e3o as crian\u00e7as que n\u00e3o podem comer bem nem ir \u00e0 escola. Al\u00e9m disso, aumenta o risco de viol\u00eancia sexual contra as mulheres em um pa\u00eds que ocupa o 135\u00ba lugar entre 187 em mat\u00e9ria de desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Em um m\u00eas haver\u00e1 outra tentativa de trasladar as fam\u00edlias, mas, mesmo se isso for feito, h\u00e1 outras obriga\u00e7\u00f5es culturais a serem cumpridas antes de dar por encerrado o processo. \u201cNa \u00faltima etapa, ser\u00e1 preciso dar uma compensa\u00e7\u00e3o pelas pessoas mortas. Uma vez encerrada, dentro de quatro ou cinco anos, ent\u00e3o os cl\u00e3s ter\u00e3o que conseguir porcos suficientes para matar e oferecer \u00e0s pessoas que os alojaram quando estavam deslocados. Levar\u00e1 tempo, outros quatro, cinco, ou at\u00e9 dez anos\u201d, destacou Be\u2019Soer \u00e0 IPS.<\/p>\n<div id=\"attachment_199061\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua41.jpg\"><img class=\"wp-image-199061\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/papua41.jpg\" alt=\"A organiza\u00e7\u00e3o Voice for Chance, encabe\u00e7ada por Lilly Be\u2019Soer, trabalha incansavelmente, h\u00e1 seis anos, para conseguir a paz e reassentar as pessoas deslocadas pelos enfrentamentos entre cl\u00e3s na prov\u00edncia de Jiwaka, em Papua-Nova Guin\u00e9. Foto: Catherine Wilson\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A organiza\u00e7\u00e3o Voice for Chance, encabe\u00e7ada por Lilly Be\u2019Soer, trabalha incansavelmente, h\u00e1 seis anos, para conseguir a paz e reassentar as pessoas deslocadas pelos enfrentamentos entre cl\u00e3s na prov\u00edncia de Jiwaka, em Papua-Nova Guin\u00e9. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Em Terras Altas Orientais, a expectativa de vida \u00e9 de aproximadamente 55 anos e a mortalidade infantil de 73 para cada mil nascidos vivos, abaixo da m\u00e9dia da capital, Port Moresby, onde as pessoas vivem em m\u00e9dia 59 anos e s\u00e3o registradas 27 mortes de menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>Quanto ao futuro, \u00e9 necess\u00e1rio evitar a escalada de viol\u00eancia, ressaltou Kukuni, da Cruz Vermelha. \u201cOs tribunais da aldeia e os l\u00edderes comunit\u00e1rios poderiam fazer muito mais para deter uma disputa nas primeiras etapas, antes que piore\u201d, afirmou. A Voice for Change tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de promover uma mudan\u00e7a geracional, por meio da educa\u00e7\u00e3o dos jovens para que compreendam as consequ\u00eancias, no longo prazo, da viol\u00eancia em suas vidas e dotando-os de capacidades para intervir e implantar formas alternativas na hora de resolver disputas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por &nbsp;Catherine Wilson, da IPS &ndash;&nbsp; Goroka, Papua-Nova Guin&eacute; , 19\/8\/2015 &ndash; Alicerces carbonizados s&atilde;o tudo o que resta das moradias da aldeia de Kenemote, na montanhosa prov&iacute;ncia de Terras Altas Orientais, em Papua-Nova Guin&eacute;, ap&oacute;s um enfrentamento entre cl&atilde;s, que deixou nove mortos, entre elas um menino pequeno. 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