{"id":19525,"date":"2015-08-19T12:20:12","date_gmt":"2015-08-19T12:20:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199063"},"modified":"2015-08-19T12:20:12","modified_gmt":"2015-08-19T12:20:12","slug":"centrais-nucleares-e-a-ameaca-cibernetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/centrais-nucleares-e-a-ameaca-cibernetica\/","title":{"rendered":"Centrais nucleares e a amea\u00e7a cibern\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199064\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/nuclear.jpg\"><img class=\"wp-image-199064\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/nuclear.jpg\" alt=\"Central nuclear em Cattenom, Fran\u00e7a. Foto: Stefan K\u00fchn\/cc by 2.0\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Central nuclear em Cattenom, Fran\u00e7a. Foto: Stefan K\u00fchn\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 19\/8\/2015 \u2013 Os piratas cibern\u00e9ticos continuam se introduzindo com mon\u00f3tona regularidade em sistemas e bases de dados protegidos de forma extrema, e agora h\u00e1 um novo e tentador objetivo para os ciberataques: as centrais nucleares de todo o mundo. O alerta foi dado pela Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), que pediu urg\u00eancia \u00e0 comunidade internacional no sentido de intensificar os esfor\u00e7os para proteger as usinas at\u00f4micas de poss\u00edveis ataques desse tipo.<\/p>\n<p>Afirmando que a ind\u00fastria nuclear n\u00e3o est\u00e1 imune aos ataques cibern\u00e9ticos, o diretor geral da AIEA, Yukiya Amano, disse que deveria ser feita uma tentativa s\u00e9ria de proteger o material nuclear radioativo, pois \u201cos informes de ciberataques, reais ou tentativas, ocorrem praticamente todos os dias\u201d.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, os sistemas de prote\u00e7\u00e3o no Pent\u00e1gono (Departamento de Defesa) e em suas ag\u00eancias de intelig\u00eancia j\u00e1 foram comprometidos por <em>hackers<\/em> (piratas da inform\u00e1tica), principalmente da R\u00fassia e China. Agora, entre as autoridades norte-americanas cresce a preocupa\u00e7\u00e3o com poss\u00edveis ciberataques por parte de organiza\u00e7\u00f5es terroristas, especificamente do extremista Estado Isl\u00e2mico (EI), com maci\u00e7a e sofisticada presen\u00e7a nas redes sociais.<\/p>\n<p>Ironicamente, afirma-se que os Estados Unidos colaboraram com Israel para lan\u00e7ar um ataque com v\u00edrus inform\u00e1tico contra um programa de enriquecimento de ur\u00e2nio no Ir\u00e3, h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>Tariq Rauf, diretor do Programa de Desarmamento, Controle de Armas e N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o no Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa da Paz (Sipri), afirmou \u00e0 IPS que as usinas nucleares, e a ind\u00fastria at\u00f4mica em geral, dependem de modo intensivo de sistemas e c\u00f3digos informatizados. \u201cQualquer ato de corrup\u00e7\u00e3o, c\u00f3digo maligno ou ataques dirigidos, tem o potencial de gerar consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas para a seguran\u00e7a nuclear\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Rauf, ex-chefe da Unidade de Verifica\u00e7\u00e3o e Coordena\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica de Seguran\u00e7a na AIEA, opinou que \u00e9 deplor\u00e1vel o fato de nos \u00faltimos anos Israel e Estados Unidos terem tomado por alvo o programa iraniano de enriquecimento de ur\u00e2nio com c\u00f3digos malignos e v\u00edrus, iniciando, assim, uma ciberguerra. O Stuxnet, o v\u00edrus introduzido por estes dois pa\u00edses no programa nuclear iraniano, agora vazou para outros programas em outros pa\u00edses, alertou.<\/p>\n<p>\u201cIsso demonstra claramente que os agentes da ciberguerra n\u00e3o podem ser contidos, que podem se espalhar de modo incontrol\u00e1vel e t\u00eam o potencial de criar muitos perigos para a infraestrutrura crucial na \u00e1rea nuclear\u201d, pontuou Rauf. A ciberguerra em n\u00edvel de Estado \u00e9 muito mais perigosa, embora a pirataria dos sistemas de seguran\u00e7a nuclear por amadores ou criminosos tamb\u00e9m apresente importantes riscos para os materiais radioativos, e \u00e9 dif\u00edcil se defender dos ataques feitos por <em>hackers<\/em>, destacou.<\/p>\n<p>Randy Rydell, ex-funcion\u00e1rio pol\u00edtico no Escrit\u00f3rio de Assuntos de Desarmamento das Na\u00e7\u00f5es Unidas e ex-alto assessor e diretor de informes da Comiss\u00e3o sobre Armas de Destrui\u00e7\u00e3o em Massa, disse \u00e0 IPS que a pergunta real n\u00e3o \u00e9 sobre as capacidades, mas sobre a motiva\u00e7\u00e3o. \u201cPor que algu\u00e9m iria querer lan\u00e7ar semelhante ataque?\u201d. A resposta, assegurou, \u00e9 pol\u00edtica. \u201cPrecisamos drenar o p\u00e2ntano e deixar de desenvolver tecnologias que sejam vulner\u00e1veis a ataques catastr\u00f3ficos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Amano apontou que, no ano passado, houve casos de ataques ao acaso baseados em c\u00f3digos malignos contra usinas nucleares, e que essas instala\u00e7\u00f5es foram alvos espec\u00edficos. Segundo o diretor da AIEA, o pessoal respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a nuclear deveria saber com repelir ciberataques e como limitar os danos, se \u00e9 que realmente os sistemas s\u00e3o penetr\u00e1veis. \u201cA AIEA faz o que pode para ajudar os governos, as organiza\u00e7\u00f5es e os indiv\u00edduos a se adaptarem \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as tecnol\u00f3gicas por parte de ciberadvers\u00e1rios qualificados\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima confer\u00eancia ministerial da AIEA, programada para dezembro de 2016, um dos temas de debate ser\u00e1 qual \u00e9 a melhor maneira de elaborar um C\u00f3digo de Conduta para a Ciberseguran\u00e7a na Ind\u00fastria Nuclear.<\/p>\n<p>Consultado sobre a cibercapacidade das organiza\u00e7\u00f5es terroristas e do uso que estas fazem das redes sociais, o almirante Cecil Haney, titular do Comando Estrat\u00e9gico dos Estados Unidos, afirmou a jornalistas, em mar\u00e7o, que o EI e v\u00e1rias outras entidades conseguiram recrutar e amea\u00e7ar, \u201cassim, cada vez vemos mais sofistica\u00e7\u00e3o associada a isso, que \u00e9 algo que vemos muito, muito de perto\u201d. O Cibercomando dos Estados Unidos e sua equipe interag\u00eancias est\u00e3o trabalhando nisto, destacou.<\/p>\n<p>Em uma das maiores brechas de seguran\u00e7a, o Escrit\u00f3rio de Manejo de Pessoal dos Estados Unidos, que cobre milh\u00f5es de funcion\u00e1rios federais, foi um dos alvos dos <em>hackers<\/em> no ano passado. \u201cA amea\u00e7a que enfrentamos est\u00e1 em perp\u00e9tua evolu\u00e7\u00e3o\u201d, declarou a jornalistas, em junho, o secret\u00e1rio de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest. \u201cEntendemos que l\u00e1 fora h\u00e1 um risco persistente e o levamos a s\u00e9rio\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os ciberataques tamb\u00e9m s\u00e3o cada vez mais uma decis\u00e3o pol\u00edtica por parte dos governos nos Estados Unidos, na Europa ocidental, R\u00fassia e China, como meio de rea\u00e7\u00e3o diante de um ataque. Rauf afirmou que a AIEA est\u00e1 empenhada em uma rol fundamental para fixar padr\u00f5es de seguran\u00e7a para atividades nucleares pac\u00edficas, e divulgou documentos-guia a esse respeito para operadores de instala\u00e7\u00f5es at\u00f4micas.<\/p>\n<p>Em seu discurso na Confer\u00eancia Internacional sobre Seguran\u00e7a Inform\u00e1tica em um Mundo Nuclear, organizada em 1\u00ba de junho pela AIEA, em Viena, na \u00c1ustria, Amano disse que \u201cos computadores t\u00eam um papel essencial em todos os aspectos do manejo e da opera\u00e7\u00e3o segura das instala\u00e7\u00f5es nucleares, o que inclui manter a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica, da\u00ed ser de vital import\u00e2ncia que todos esses sistemas estejam garantidos adequadamente contra intrus\u00f5es maliciosas\u201d.<\/p>\n<p>Em um comunicado divulgado em julho, a Casa Branca destacou que, desde o in\u00edcio de seu governo, o presidente Barack Obama \u201cdeixou claro que a ciberseguran\u00e7a \u00e9 um dos desafios mais importantes que enfrentamos como na\u00e7\u00e3o\u201d. Em resposta, \u201co governo dos Estados Unidos implantou uma ampla gama de pol\u00edticas, tanto internas como internacionais, para melhorar nossas ciberdefesas, potencializar nossas capacidades de resposta e modernizar nossas ferramentas de manejo de incidentes\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Enquanto a ciberamea\u00e7a continua aumentando em gravidade e sofistica\u00e7\u00e3o, o mesmo ocorre com o ritmo dos esfor\u00e7os do governo para enfrent\u00e1-la, ressaltou a Casa Branca. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 19\/8\/2015 &ndash; Os piratas cibern&eacute;ticos continuam se introduzindo com mon&oacute;tona regularidade em sistemas e bases de dados protegidos de forma extrema, e agora h&aacute; um novo e tentador objetivo para os ciberataques: as centrais nucleares de todo o mundo. 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